Austrália 25 Oct 2006 12:09

Carteira de motorista

Quem vem para a Austrália com visto permanente pode dirigir com a carteira de motorista do seu país de origem por até três meses; depois disso ela não vale mais, e é necessário conseguir uma local (na verdade, o ideal é conseguir uma carteira local antes que os três meses se passem, claro).

Eu já cheguei aqui há bem mais de três meses mas, como nunca precisei (e é um pouco caro), nunca fui converter a minha carteira para uma local. Mas, finalmente, decidi que é um documento que tem sua utilidade, e comecei o processo.

São necessários três testes para fazer um carteira de motorista aqui (o processo é um pouco diferente para quem está aqui há menos de três meses); fiz os dois primeiros ontem. O primeiro é completamente teórico: é feito em um computador, envolve 32 perguntas de múltipla escolha (três opções em cada pergunta, uma delas é correta) e é necessário acertar pelo menos 78% (25) delas. Para quem tiver curiosidade, é possível praticar online com um teste que usa questões do mesmo banco de dados do teste oficial. A propósito, esse é o processo no estado de Victoria; acredito que seja diferente nos outros estados.

Quem passa pelo primeiro teste recebe um “learner’s permit” (licença de estudante), que já dá direito a dirigir desde que acompanhado de um motorista plenamente qualificado (ou seja, é o teste que se faria antes de começar auto-escola, em um processo “normal”). Quem dirige usando essa licença precisa ter uma plaquinha amarela com um L no vidro do carro.

O segundo teste se chama “hazard perception test”, teste de percepção de riscos. É também feito em um computador, mas parece mais com um vídeo game: é apresentado um vídeo, filmado do ponto de vista do motorista de um carro, mostrando uma situação encontrada no trânsito e uma tarefa a ser efetuada: ultrapassar o carro da frente, virar à direita, reduzir a velocidade etc. A tarefa deve ser efetuada se necessário e seguro (ou seja, em algumas situações o comportamento correto é não fazer nada), e a pessoa sendo testada só tem que indicar quando fazê-lo — ou deixar o vídeo rodar até o fim se não der para fazer (ou não precisar fazer) o que é pedido. São 28 situações, e é preciso acertar ao menos 54% (15) delas. Em um processo normal, esse teste é feito pelo menos três meses depois de passar pelo primeiro; para quem está convertendo uma carteira estrangeira, dá para fazer os dois juntos.

Passados esses dois testes, o próximo passo é o teste de direção, mas esse ainda não sei como é. Quando eu fizer, escrevo mais a respeito…

Austrália 18 Oct 2006 16:44

Notas da Austrália – 18/10

Romário O time de futebol profissional de Adelaide, o Adelaide United, contratou o baixinho para dar uma mão para o time; Romário vai ficar com eles por pouco menos de um mês (do final de novembro a meados de dezembro) e participar de quatro partidas, três delas em casa. Ontem houve um amistoso entre o Adelaide United e o time atual do Romário, o Miami FC; Miami ganhou por 2×1, com um gol de Romário. O Adelaide United é hoje o terceiro colocado no campeonato nacional, oito pontos atrás do líder. Em nenhuma das inúmeras matérias a respeito na imprensa (TV e jornais) vi menções à tradicional indisciplina de Romário, mas tampouco acho que em um mês o treinador vá se irritar muito com ele.

Eleição estadual Na Austrália, as eleições estaduais não acontecem junto com as federais, nem acontecem todas ao mesmo tempo: como o sistema parlamentarista também vale para os governos estaduais, não há data fixa para as eleições (e, também, não se vota para governador, mas para o parlamento). Aqui em Victoria as eleições vão acontecer daqui a pouco mais de um mês, dia 25/11 (e é possível votar desde 13/11), mas é tudo muito discreto: mal se menciona o assunto na imprensa. A comissão eleitoral (equivalente ao TRE) começou uma campanha chamando o público a se inscrever para votar (o que é obrigatório), mas fora isso mas se fala em eleições. Uma coisa que é diferente do Brasil é que os candidatos não precisam pertencer a um partido; para se candidatar basta baixar um formulário online, imprimir, preencher e entregar até dia 10/11, pagando uma taxa de 350 dólares (que é devolvida se o candidato tiver pelo menos 4% dos votos ou for eleito).

Seca O último inverno foi um dos mais secos dos últimos tempos, e espera-se um verão quente no leste da Austrália, piorando a situação de seca que já vem dos últimos anos. O governo australiano considera que seca é algo normal, e por isso a agricultura só recebe ajuda em caso de “circunstâncias extraordinárias”; ou seja, espera-se que os agricultores saibam que o país é seco e lidem com a situação por contra própria. Mas este ano a situação é extraordinária, e o governo está liberando 350 milhões para ajudar os agricultores. Há campanhas de economia de água o tempo todo na TV, mas elas são de utilidade discutível: Melbourne já reduziu seu consumo de água em 22% desde 1990, mas a cidade é responsável por apenas 8% do consumo do Estado; 70% da água vai para a agricultura, e 1/7 disso vai para a cultura de arroz (não, eu não sei por que um país seco planta arroz). O governo vai gastar $500 milhões nos próximos anos para encanar 16.000km de aquedutos abertos, reduzindo perdas por evaporação (que chegam a 50% no verão).

Acaso &Brasil 05 Oct 2006 23:56

Uma fábula

Nesse período pré-eleitoral, uma fábula sobre impostos e governos. Leitura recomendada.

Acaso 02 Oct 2006 13:23

Histórias de avião II

Alguns meses atrás (durante a Copa) escrevi um texto com histórias peculiares acontecidas em vôos. Como um dos vôos citados era da Gol, há uma infinidade de gente chegando a este site procurando por informações sobre o acidente de sexta-feira. Para estes, sugiro o site especial do Terra.


Em 1996, quando aconteceu o acidente com o avião da TAM em Congonhas, eu estava nos EUA, trabalhando para a Nutec; já existia a NutecNet, mas o Zaz ainda estava a caminho da estréia (e não sei nem se já tinha nome definido). No “data center” da Nutec USA, um dos servidores tinha o site “internacional” da Agência Estado (acho que era www.agestado.com, mas posso estar enganado). Dia 31/10/1996, o dia do acidente, registrou o maior volume de tráfego em um dia naquele site até então, por uma margem de quase 10 vezes; acho que foi a primeira vez que vi eventos do “mundo real” afetando significativamente o volume de acessos a um web site.

O site ficou no ar durante o tempo todo sem problemas, aliás; tenho a vaga lembrança que o canal de dados ficou um pouco sobrecarregado (era uma linha de 256kbps, mais ou menos como um ADSL “básico” de hoje em dia), mas nada que afetasse os outros serviços. O tráfego levou uns três dias para voltar aos níveis normais.


Sobre o acidente da Gol: o que me deixa curioso é como é que o impacto entre os dois aviões causou tão poucos danos ao jato menor (vide foto), mas causou danos suficientes ao jato maior para que este caísse. Será que a cauda do jato menor acertou o “pára-brisas” do avião da Gol e basicamente fez com que este caísse não por causa de avarias, mas porque os pilotos estavam incapacitados? (isso explicaria, também, por que é que o avião da Gol não contactou ninguém reportando problemas)

As caixas-pretas do Boeing devem explicar isso; já as do jato menor devem explicar como é que o acidente chegou a acontecer, uma vez que o sistema anti-colisões que os dois aviões tinham deveria evitar isso (mas não seria a primeira vez que esse sistema falhou; uma colisão entre dois aviões na Europa alguns anos atrás aconteceu apesar do sistema, porque os pilotos não obedeceram à indicação — culpa não deles, mas de um controlador de tráfego).

Acaso &Brasil 02 Oct 2006 09:16

O presidente é… quem, mesmo?

Às 8:05 da noite, horário de Brasília, a apuração parcial exibida pelo site do Terra mostrava um resultado surpreendente:



Depois dizem que pesquisas de boca-de-urna são precisas… garanto que ninguém tinha previsto isso.

Brasil 27 Sep 2006 15:22

Sobre voto nulo

Pelo que andei lendo, existem campanhas no Brasil encorajando eleitores a anularem seus votos. Andei pensando sobre isso, e admito que mudei de opinião a respeito com o tempo.

A minha opinião inicial era que votar nulo é jogar um voto fora. Uma eleição é uma oportunidade de participar no processo de decidir o rumo do país, e me parecia que anular propositalmente um voto era mais ou menos como que dizer “não estou nem aí, não me interesso por política, decidam vocês”; indesculpável, portanto. Não penso mais assim.

Há que se dizer que existem argumentos absurdos dos dois lados do debate. O mais absurdo é aquele que diz que, se mais de metade dos votos forem nulos, a eleição é anulada e reconvocada com outros candidatos. Isso é mentira; e, mesmo que fosse verdade, o número de votos nulos nunca vai ser mais da metade do total. Ou seja, se alguém está pensando em votar nulo para tentar anular a eleição toda, pode desistir agora.

Outra alegação é que o voto é algo que tira a liberdade dos eleitores; por se estar escolhendo um representante, você estaria “entregando a sua liberdade” para quem fosse eleito. Besteira; ao votar, você está exercendo a sua liberdade de escolher a direção a ser tomada pelo governo, através da escolha do(s) seu(s) representante(s); você não está abrindo mão de liberdade nenhuma. Uma alegação paralela é a de que, pelo voto ser obrigatório, o eleitor não é realmente livre. Ok, concordo até certo ponto. Mas voto, na prática, não é obrigatório. Quem não quer votar, no fundo, no fundo, não vota. Há voto nulo; há voto em branco; justificar é fácil, tanto no dia quanto mais tarde; e a multa para ausentes é irrisória. No fim, concordo: se você realmente não quer votar, voto nulo é uma possibilidade. Mas você está votando nulo porque não quer votar, não porque não é livre para escolher.

Um argumento absurdo contrário é que votar nulo é votar para o candidato com mais votos. Isso não é verdade; um voto nulo é um voto nulo e não conta para ninguém, ponto. Idem para voto branco. Um detalhe, no entanto: em uma eleição majoritária com dois turnos, cada dois votos nulos (ou brancos, ou abstenções) diminuem em um voto a quantidade necessária para que um candidato ganhe no primeiro turno. Então, para quem definitivamente não quer que um candidato específico ganhe a eleição no primeiro turno, votar nulo não é a melhor estratégia (isso é um efeito colateral do nosso sistema eleitoral; se houvesse a possibilidade de votar contra alguém, ao invés de a favor, isso deixaria de ocorrer — e a eleição seria bem mais interessante).

Outro, mais absurdo, é que quem vota nulo depois não tem direito a reclamar de nenhuma atitude do governo eventualmente eleito, porque “não ajudou a escolher”. Isso é tão imbecil que é difícil saber por onde começar. Todo mundo tem direito a reclamar, independentemente de ter votado ou não, ou de ter votado em quem ganhou ou não, pelo motivo simples de que todo mundo paga impostos e todo mundo financia o que o governo está fazendo. Quem está ajudando a pagar tem direito de dizer para onde o dinheiro deve ir; o voto não tem nada a ver com isso. E, aliás, não seria mais razoável dizer que quem elegeu o governo é que não tem o direito de reclamar, porque ajudou a colocá-lo lá e explicitamente endossa suas atitudes?

Enfim, a minha opinião: se você acha que existe um candidato que realmente merece ocupar o cargo ao qual está concorrendo — qualquer que seja — e que representa as suas idéias e concorda com as suas opiniões, vote nele, sem dúvida. Por outro lado, se você (após analisar os candidatos disponíveis) não acha que nenhum candidato encaixa nessa descrição, não vote em nenhum; vote nulo, vote branco, vá para a praia e justifique… não faz diferença, o resultado é o mesmo; mas não vote no menos pior. Quando aparecer um candidato com o qual você concorda, aí sim, vote nele (ou, sei lá, candidate-se, se puder).

Votar em um candidato que não combina com os seus ideais apenas porque é o menos pior é moralmente menos aceitável do que se recusar a votar por não estar em condições de endossar nenhum candidato. Quem se recusa a votar está, sim, fazendo uma escolha: está dizendo “não concordo com nenhum dos candidatos”. Verdade, é uma escolha que não vai ter resultado prático imediato: um dos candidatos vai ser eleito, a eleição não vai ser anulada; mas isso não é diferente do “resultado prático” obtido votando no candidato derrotado.

Isso dito, uma ressalva, como mencionado mais acima: se, no primeiro turno de uma eleição majoritária, um candidato do qual você discorda fortemente tem chance de se eleger diretamente, eu considero que o melhor curso de ação é votar no “menos pior” (ou em um candidato sem chance de vitória) para aumentar o número de votos válidos e, conseqüentemente, aumentar o número de votos necessários para ganhar a eleição no primeiro turno. Mas no segundo turno — ou em eleições sem segundo turno — não há justificativa para votar no menos pior (assim como, sem analisar os candidatos existentes, não há justificativa para deixar de votar).

Austrália 19 Sep 2006 14:35

Verão

A previsão para este ano é de um verão quente e longo. A julgar pelo clima que estamos vendo hoje, no meio de setembro, parece ser verdade:



Aquela umidade relativa baixíssima é resultado do vento norte que sopra desde o início do dia. Mas amanhã deve chover e voltar para mais normais 11 a 18 graus.

Austrália 19 Sep 2006 12:08

Notas da Austrália – 19/09

Adam at Home - CrikeyFunerais As últimas semanas não foram muito boas para celebridades australianas. Além de Steve Irwin, lembrado até por tiras de quadrinhos americanas, também morreu repentinamente Peter Brock, um famoso piloto de corridas; mais ou menos um “Emerson Fittipaldi” local. Ele não teve uma carreira internacional muito destacada, o que explica porque ele não é conhecido fora daqui, mas aqui ele era quase que idolatrado pelos fãs do esporte. Ele morreu disputando um rali em Western Australia, dia 8, e o enterro ocorre hoje aqui em Melbourne, com todas as honras possíveis. O enterro de Steve Irwin acontece amanhã, com uma cerimônia concorridíssima no Australia Zoo.

Turista espacial A notícia sobre a primeira mulher a fazer “turismo espacial” apareceu em muitos lugares, mas aposto que um detalhe foi pouco comentado fora daqui: a turista era estudante de uma universidade de Melbourne. Ela participava do curso online de astronomia do Swinburne Institute of Technology, e vai visitar a estação espacial a partir de amanhã (o lançamento foi ontem, no Casaquistão).

Austrália 18 Sep 2006 16:29

50 anos de TV

Sábado passado, dia 16, marcou o aniversário de 50 anos da primeira transmissão de TV na Austrália (para comparação, hoje, dia 18, marca 56 anos da primeira transmissão no Brasil). A primeira emissora foi o Channel Nine, em Sydney, seguida pelo Seven em Melbourne dois meses depois, logo antes do início das Olimpíadas de Melbourne (que foram os primeiros Jogos Olímpicos televisionados); a ABC começou a transmitir mais ou menos na mesma época (início de novembro em Sydney, meados de novembro em Melbourne). O outro canal comercial, Ten, só começou a transmitir em 1965, e o canal nacional restante, a SBS, em 1980. Interessante mencionar que todas as emissoras originais ainda existem.

Por conta da data, a programação das emissoras está cheia de especiais relembrando todo tipo de evento televisivo dos últimos 50 anos (melhores séries australianas, momentos mais marcantes, melhores dramas filmados em Melbourne e assim por diante). E ontem fui ao ACMI, junto à Federation Square, para visitar uma exposição sobre os 50 anos de TV na Austrália.

A exposição era interessante, mas com certeza era muito mais para quem acompanhou mais do que os últimos dois dos tais cinqüenta anos; muitos dos programas e das pessoas sendo exibidas eram desconhecidos para mim (ou eram conhecidos só por causa de outros programas de retrospectiva). Mas foi divertido ver pessoas famosas que só conhecemos recentemente aparecendo incrivelmente jovens no início da sua carreira. Também é divertido ver atores como Mel Gibson, Russell Crowe e Eric Bana aparecendo em programas de TV meio bobos no início da sua carreira (Eric Bana tinha um programa próprio e interpretava inúmeros personagens cômicos, por exemplo).

Um dos itens da exposição era um painel mostrando as datas em que se iniciaram as transmissões de TV em várias cidades da Austrália, e foi interessante ver quão recentes eram algumas das datas. A maioria das capitais já tinha TV até meados da década de 1960, mas Darwin, capital do Northern Territory, teve que esperar até 1971. Alice Springs, no meio do deserto, esperou até 1988. E uma cidade do interior de South Australia (cujo nome não lembro) só começou a assistir TV em 2003.

Brasil 13 Sep 2006 11:56

Eleições V e final

Depois de analisar os quatro candidatos principais, chegou a vez dos coadjuvantes. Para quem não tiver interesse neles, a conclusão está lá no fim do artigo.

Luciano Bivar

Tem um programa que vai direto ao ponto. A principal proposta é a do “Imposto Único”, que aboliria imposto de renda, ICMS, IOF etc. etc. É basicamente uma CPMF ligeiramente modificada (e sem o P). A um nível teórico não é uma idéia ruim, mas na prática é algo complicadíssimo de implementar (e os detalhes da idéia do candidato não são particularmente agradáveis). Mas mesmo que se aceite essa proposta como sendo boa, o resto da “cartilha” do candidato tem algumas pérolas que a desabonam; por exemplo, “toda favela terá um miniquartel para proteger a comunidade”, “transformação das universidades federais em fundações privadas”, extinção da dívida externa convertendo-a em permissão de exploração da infraestrutura pública (ele já combinou com os credores?), anistia ampla de dívidas, inclusive fiscais… De maneira geral é um programa “gastador”, apesar de pregar uma diminuição do tamanho do Estado (desestatização — inclusive das prisões, redução do número de parlamentares, redução do número de funcionários públicos). As economias são todas jogadas fora com outros gastos previstos, como a garantia de preço para agricultores e as já mencionadas anistias de dívidas; não é o programa de alguém que realmente quer reduzir a influência do governo na vida dos cidadãos. O fato de acabar com “que deus nos ilumine” não ajuda, aliás.

José Maria Eymael

O PSDC tem o programa mais contraditório de todos os que eu vi: defende que “a pessoa é o centro e razão de todo o processo social, econômico e político” mas tem várias metas claramente “socializantes”; defende a livre iniciativa e o direito à propriedade mas quer tornar obrigatória a participação de funcionários nos lucros das empresas; defende liberdade de expressão desde que “responsável”; e assim por diante. Não acho que seja má intenção, acho que é ingenuidade mesmo; o programa de governo parece algo que poderia ter sido escrito por um grupo de jovens reunido numa igreja. Ou seja, muitas boas intenções, nenhum conhecimento das conseqüências ou do custo das suas idéias.

Rui Pimenta

O PCO, partido deste candidato, é (junto com o PSTU) um dos melhores exemplos atuais da “esquerda raivosa”, com o programa típico desta: salário mínimo altíssimo, não pagamento da dívida externa, estatização generalizada etc. etc. Citando diretamente do site do partido, “a solução efetiva para os problemas que o Brasil e o mundo enfrentam hoje só podem ser encontradas na superação do capitalismo pelo socialismo e através da substituição da propriedade privada dos meios de produção e a exploração do homem pela propriedade coletiva”. Nada mais a dizer, realmente.

Ana Maria Rangel

Não faço idéia de qual é o programa dessa candidata. Não encontrei informações online, ela não parece ter um site pessoal e o site do partido foi suspenso pelo seu provedor. Então, a única coisa que sei é o slogan: “vai cuidar do Brasil, vai cuidar de você”. Não, obrigado.

Conclusão

Eu achei que ia chegar a esse ponto da análise defendendo um voto em Geraldo Alckmin, apesar das tendências ligeiramente socializantes do seu partido e de políticas com as quais não concordo. Em uma eleição na qual, na prática, não há nenhum candidato de direita (ou sequer de centro), eu achei que seria a melhor opção possível.

Depois de ler todos os programas de governo dos candidatos, no entanto, tenho que dizer que aquele com o qual eu mais me identifico é o de Cristovam Buarque. É o que demostra maior preocupação em diminuir a influência do Estado na economia e na vida dos brasileiros, e é o único que apresenta algum foco em programas de longo prazo. Além disso, o programa deixa claras a confiança no setor privado e a intenção de respeitar direitos individuais e evitar políticas assistencialistas. É o programa que mais se afasta da esquerda do espectro político, entre os que podem ser levados a sério.

Concluindo: se eu fosse votar, meu voto no primeiro turno seria para Cristovam Buarque, com Geraldo Alckmin sendo meu voto em um eventual segundo turno entre ele e Lula. Se o voto fosse como na Austrália (preferencial), minha ordem de preferências seria Cristovam, Alckmin, Lula, Bivar, Heloísa Helena e uma ordem aleatória dali em diante. Um “disclaimer” rápido é que, como eu já disse antes, essa é a minha opinião, e ela é baseada puramente nos programas de governo divulgados pelos candidatos e/ou partidos, sem influência da propaganda política ou da cobertura da campanha na mídia.

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