Austrália 30 Aug 2004 15:32

Eleições

Ficamos sabendo ontem que em outubro vão acontecer as eleições federais aqui na Austrália. Nessa nós não podemos votar, mas prevejo que vamos assistir bastante propaganda nas próximas seis semanas (a data da eleição é 9 de outubro, um sábado).

O sistema aqui é interessante; não existe uma data fixa para as eleições, nem um intervalo fixo entre elas. O primeiro-ministro decide a data e anuncia, com uma antecedência mínima de seis semanas. Existe um limite máximo de tempo que se pode ficar sem eleições, mas nesse período a eleição pode ser anunciada a qualquer momento. Uma vez anunciada a data, começa a campanha.

E não se vota para primeiro-ministro; se vota para o Parlamento. Ele é dividido em duas partes, a Lower House e a Upper House (mais ou menos similares ao nosso Congresso e ao Senado, respectivamente). O primeiro-ministro é, automaticamente, o líder do partido que tiver a maioria na Lower House. Com a convocação das eleições (que foi o que ocorreu ontem), o Parlamento se “dissolve”, ou seja, deixa de existir até novos membros serem eleitos.

Como nos EUA, aqui existem basicamente dois grandes partidos, e mais um monte de partidinhos que não tem muito poder. Os dois grandes são o Liberal Party (que está no poder, e que é um pouco como o PSDB brasileiro, talvez um pouco menos “social”) e o Labor Party (um pouco – muito pouco – como o PT brasileiro, só que maduro). A eleição usa um sistema chamado “voto preferencial”, em que se dá uma “ordem de preferência” para os candidatos: marca-se um número “1″ para o preferido, “2″ para o que seria o preferido se o primeiro não estivesse concorrendo, e assim por diante. A apuração deve ser complicadíssima, mas não sei detalhes de como funciona.

Como o primeiro-ministro tem uma grande flexibilidade na escolha da data das eleições, a tendência é que elas sejam convocadas em períodos de boa popularidade do governo; ou seja, quando o governo acha que tem chances de ganhar e continuar sendo governo. O atual primeiro-ministro, John Howard, está no cargo desde 1996, e já “ganhou” três eleições (em 1996, quando assumiu o cargo, e depois em 1998 e 2001). No entanto, tudo parece indicar que nesse ano vai ocorrer uma troca de primeiro-ministro.

Não conheço muito da política australiana, mas o The Age publicou uma matéria uns 10 dias atrás sobre o atual primeiro-ministro, fazendo mais ou menos uma retrospectiva do governo dele e falando sobre o seu estilo e valores, e ele (e o partido) me parecem muito mais próximos da minha maneira de ver o mundo do que a oposição. Idéias como “valorizar o indivíduo mais do que o grupo”, “não dar tratamento especial a grupos que se auto-identificam como minorias” e outras similares são mais ou menos a minha idéia de uma boa filosofia. Então, fico um pouco decepcionado com a boa chance que o Labor Party tem de ganhar as eleições, o que levaria o seu líder (Mark Latham) ao cargo de primeiro-ministro. Mas admito que não conheço muito bem esse último, e posso vir a ter uma agradável surpresa.

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