Austrália 17 Nov 2005 12:54

Rumo à Alemanha!

SocceroosDepois de um jogo tão nervoso quanto a final da Copa de 1994, a Austrália passou ontem pelo Uruguai e se classificou para o Mundial de 2006. Foi 1×0 para o Uruguai no primeiro jogo, em Montevidéu, o que obrigava a Austrália a vencer em casa por dois gols de diferença para evitar a prorrogação e os pênaltis.

Tenho que admitir que o time australiano me surpreendeu. Começaram o jogo nitidamente nervosos, errando muitos passes e fazendo muitas faltas (o que é particularmente perigoso; foi de uma falta boba que saiu o gol uruguaio no primeiro jogo). Mas, depois dos 30 minutos, quando o técnico tirou um meio-campo e colocou um atacante promissor (Harry Kewell) a Austrália começou a ir para o ataque com força e logo conseguiu fazer o seu gol, em uma jogada quase brasileira (troca rápida de passes na entrada da área, bola passando de pé em pé até chegar à frente do gol para alguém completar).

Dali em diante, praticamente só deu Austrália. Os uruguaios pareciam cansados (vale ressaltar que os australianos voltaram de Montevidéu em avião fretado, seguindo o horário de Sydney para evitar o jet-lag e muitos jogadores receberam tratamento médico durante a viagem, enquanto o Uruguai viajou de classe econômica); já os australianos pressionaram durante quase todo o segundo tempo; o Uruguai só ameaçava em contra-ataques mas, quando chegava perto do gol, assustava.

O problema da Austrália era conclusão: demoravam a chutar em gol, e o faziam de muito longe ou com pouca precisão. Mas deram vários sustos no goleiro uruguaio. Apesar de toda a pressão, o jogo acabou em 1×0 mesmo e foi para a prorrogação. Os trinta minutos extras foram um pouco mais equilibrados, com os dois times atacando com perigo, mas ainda com uma certa dominação da Austrália, que parecia um pouco afobada: foram uns cinco ou seis impedimentos só na prorrogação, todos corretamente marcados (aliás, o trio de arbitragem espanhol se saiu muito bem). A prorrogação acabou sem gols, e a decisão foi para os pênaltis.

O herói foi, sem dúvida, o goleiro australiano, que pegou duas cobranças; uma delas logo após o artilheiro australiano chutar a sua para fora. Final, 4×2 para a Austrália e muita festa. O estádio estava lotado (quase 83.000 pessoas, mais umas 15.000 assistindo em telões do lado de fora), e telões em outras cidades também acompanhavam o jogo.

Na platéia dava para ver bastante gente com camisas da seleção brasileira (quase igual à australiana, mas o tom de amarelo é um pouco diferente), além de (pelo menos) um gremista no meio da torcida uruguaia, focalizado pelas câmera de TV beijando sua camisa azul, branca e preta. Aqui em Melbourne alguns milhares de pessoas estavam na Federation Square e fizeram festa pelas ruas depois.

Para quem vem do Brasil, é interessante ver uma comemoração tão entusiasmada por algo, para a gente, tão “normal”: depois do jogo foi até montado um palco no gramado e os jogadores foram “apresentados” para a torcida, usando camisetas que diziam “Never say never” (“nunca diga nunca”). Para a Austrália, claro, é algo especial: a última (e única) Copa da qual eles participaram foi a de 1974, coincidentemente também na Alemanha, e eles perderam a vaga de forma dramática nas últimas duas (em casa contra o Irã em 1997, e em Montevidéu contra o Uruguai em 2001).

Com a classificação e com o sucesso do novo campeonato nacional (a A-League), parece que o futebol está tomando força na Austrália. Ninguém espera um grande sucesso na Alemanha, mas nunca se sabe: o atual treinador australiano, Guus Hiddink, foi quem levou a Coréia do Sul às semi-finais da Copa de 2002…

Entrelinhas:

  • Guus Hiddink se juntou aos socceroos (como são chamados os jogadores da seleção australiana) em julho
  • soccer ou football – alguns veículos de comunicação usam soccer, mais popular; outros adotam football
  • emoção jornalística – aqui não há nenhum apresentador como Galvão Bueno, mas apresentadores, repórteres e comentaristas da SBS, que transmitiu o jogo e tem um perfil bem internacional, não se seguravam de tanta emoção
  • após o jogo, era possível ouvir um buzinaço pelas ruas de Melbourne
  • no dia seguinte, ao ir para o trabalho, vi apenas uma pessoa com uma camisa alusiva à seleção

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