Austrália 01 Nov 2005 21:04

Cavalo tricampeão

Hoje a Austrália parou: era dia de Melbourne Cup. Escrevi sobre o evento no ano passado: essa é a principal corrida de cavalos do país e é feriado no Estado de Victoria (muita gente não se conforma em ter um feriado que celebra uma corrida de cavalos). A Melbourne Cup é o ponto alto do Spring Racing Carnival (ou carnaval de corridas da primavera, traduzindo literalmente), que se estende por mais de um mês em outubro e novembro. Neste ano havia uma atração especial: a possibilidade de, pela primeira vez, um mesmo cavalo ganhar a corrida em três anos consecutivos.

Australianos em geral, e os de Melbourne em particular, adoram corridas de cavalos. O “Senna” do esporte foi um cavalo chamado Phar Lap, que ganhou a Melbourne Cup uma vez na década de 30 e pouco tempo depois morreu “em circunstâncias misteriosas” durante uma viagem aos Estados Unidos.

Até hoje se fala que ele teria sido envenenado pelos americanos por ser muito bom. Há uma estátua dele no hipódromo de Flemington (no norte da cidade, palco do carnaval); seu coração foi preservado (anormalmente grande) e está no National Museum, em Canberra (capital da Austrália); o esqueleto, em um museu na Nova Zelândia (onde nasceu), e a pele no Melbourne Museum, em Carlton (também no norte da cidade).

E o “Schumacher” da categoria é uma égua chamada Makybe Diva, que ganhou a corrida em 2003 e 2004, e era favorita disparada para ganhar hoje (e, portanto, a vitória que pagava menos nas casas de apostas). Em todos os noticiários havia quase uma obrigatória comparação com Phar Lap, e o proprietário e o treinador fizeram suspense até a última hora sobre sua participação na corrida de hoje.

Em Flemington, às 15 horas, o resultado foi o esperado: Makybe Diva, em um sprint final emocionante (não estava nem sequer entre os cinco primeiros até o meio do circuito, de 3,2 km), ganhou com boa folga e passou a ocupar um lugar na história do esporte (ou na história da Austrália, de acordo com locutores mais entusiasmados). Para festa do proprietário, que ganhou A$ 3,1 milhões, do treinador, do jóquei (extremamente emocionado) e dos apostadores. Em um ano com um recorde de apostas, mais de 20% delas foram pela vitória de Makybe Diva (incluindo uma aposta de A$ 1 milhão por um apostador não identificado).

Em 2006 Makybe não estará de volta: ela se aposentou ao final da corrida de hoje e vai “se dedicar à família” nos próximos anos.

Observação: como o feriado cai na terça-feira, muita gente pede folga no trabalho e emenda o fim de semana (outros não trabalham tampouco na sexta; muitos ficam a semana toda em casa). Por isso, desde segunda o centro estava quase deserto. Movimentadas estavam as lojas de roupas e acessórios femininos, pois o figurino é um dos pontos altos do carnaval. Para os homens, elegância também é esperada, mas bastam um terno clássico e uma gravata, que pode ter cores fortes.

One Response to “Cavalo tricampeão”

  1. on 07 Nov 2005 at 03:31:51 1.Alexandre de Menezes said …

    Lembro que na época da DOS havia uma ferramenta chamada “Phar Lap Extender”, para criação de aplicativos em 32bits. O logotipo tinha um cavalo correndo. Mas nunca reparei se era feita na Austrália.