Na prática, só quem vive aqui vai conseguir identificar a cidade, pois o filme se passa no Texas. A rua onde moramos aparece algumas vezes, o que é bem legal, mas é legal porque sabemos como ela é originalmente. Outras cenas mostram o estádio Telstra Dome, a ponte para pedestres que cruza o rio Yarra e vários prédios no centro da cidade. Tomadas “à distância” também, em geral, mostram o centro da cidade, trens etc. Perfeitamente reconhecível, mas para quem conhece.
As fotos que eu tirei na época estão aqui e aqui; quem assistir o filme logo depois de ver as fotos provavelmente vai identificar as cenas mostradas. E aqui abaixo seguem duas que mostram cenas do filme e o local onde elas foram filmadas, ao lado do nosso prédio (o “posto de gasolina” da primeira só existiu durante a filmagem, depois voltou a ser um estacionamento).


Agora, para quem acha que brasileiros são fanáticos por esporte: alguns dias atrás, a equipe do Paquistão, que é um time tradicionalmente muito forte, foi eliminada da Copa ao perder para a Irlanda, que é um time bem fraquinho. Seria mais ou menos como a Alemanha ser eliminada pela Venezuela no futebol. Naquela noite, o noticiário mostrou cenas das ruas da capital do Paquistão: passeatas, protestos, cartazes pedindo a cabeça do treinador (literalmente), bonecos dos jogadores sendo queimados… foi uma reação forte, mesmo; de deixar os jogadores com medo de ir para casa.
Até aí, tudo bem. Mas a situação complicou quando, na manhã seguinte ao jogo, o treinador (inglês) do Paquistão foi encontrado morto. A teoria inicial era de que ele tivesse tido um ataque cardíaco por causa do stress da derrota (o que já seria algo bastante trágico), mas depois se confirmou que ele foi assassinado (por estrangulamento). Ou seja, o que era só uma zebra em um campeonato virou uma investigação de crime.
Falem o que quiser dos brasileiros, ninguém tentou matar o Parreira quando ele voltou para o Brasil depois da Copa da Alemanha (que eu saiba). Verdade: é possível que o assassinato não tenha sido cometido por algum fã inconformado. Aparentemente, o treinador tinha um passado “não tão limpo”, envolvendo acusações de “resultados arranjados” e de envolvimento com máfias de apostas; é possível que a morte tenha ligação com isso, e investiga-se a possibilidade de que a derrota para a Irlanda não tenha sido uma zebra tão “natural” assim.
Enfim: fanáticos e malandros existem em todo lugar. A Copa continua; a primeira fase acaba hoje à noite, e a Austrália está classificada. Espera-se uma grande final entre Austrália e África do Sul para o final de abril, e espera-se que a polícia da Jamaica (onde aconteceu o crime) ache os culpados até lá…
]]>E todos os aviões são de companhias indonésias. Isso ajuda a colocar a situação aérea no Brasil em perspectiva… (e reforça a minha intenção de nunca chegar muito perto do espaço aéreo indonésio, aliás).
]]>Sydney ficou fora da final desta vez; em compensação, o Melbourne Victory, que não tinha passado para as finais no ano passado, este ano garantiu a primeira colocação na primeira fase com cinco rodadas de antecedência. Na semi-final, passou apertado pelo Adelaide United (0×0 em Adelaide, 2×1 nos descontos em Melbourne) e, duas semanas depois, pegou o próprio Adelaide na final.
Um aparte rápido para explicação: o campeonato tem oito times, e quatro passam para a fase final. O terceiro e o quarto colocados disputam uma semi-final (“minor semifinal”); quem perder, está fora. O primeiro e o segundo colocados (no caso, Melbourne e Adelaide) disputam a outra semi-final (“major semifinal”): o ganhador vai direto para a final, o perdedor disputa uma “final preliminar” com o vencedor da outra semi-final (no caso, os Newcastle Jets). Isso dá uma vantagem grande (uma “segunda chance”) para os dois primeiros colocados da primeira fase, e Adelaide aproveitou a chance.
A final é disputada em um jogo só, na casa do vencedor da semi-final principal; ou seja, o jogo foi aqui em Melbourne, no Telstra Dome. Os ingressos foram postos à venda na terça-feira e esgotaram em duas horas, e a partida teve o maior público de um jogo de futebol doméstico na Austrália (pouco mais de 55 mil pessoas). Esperava-se um jogo apertado; mas a partida, que começou com um calor infernal (quase 38 graus) e que acabou abaixo de um senhor temporal, não foi nada apertada: Melbourne ganhou por 6×0, com 5 gols de Archie Thompson, atacante da seleção.
Um título para Sydney, um para Melbourne… ano que vem a gente desempata!
]]>Nesse dia ocorrem eventos pelo país todo, como shows, premiação dos australianos do ano pelo primeiro-ministro, queima de fogos, desfiles, etc. Ocorrem também cerimônias de cidadania, em que estrangeiros recebem um certificado do governo federal que os oficializam como cidadãos australianos. Eu e a Cris participamos da cerimônia organizada pela Prefeitura de Melbourne. Ou seja, desde sexta-feira, somos australianos.
Resolvemos esperar para compartilhar a notícia até ter o documento nas mãos, o famoso “ver para crer”. Porque, como o processo de imigração, o de cidadania também foi longo.
Até o ano passado, imigrantes com visto permanente poderiam solicitar cidadania após dois anos de residência no país (as leis estão mudando e os novos imigrantes precisam esperar quatro anos e passar por teste de inglês e sobre a história e os valores australianos). Em junho fizemos o pedido.
Só no fim de agosto fomos chamados para a entrevista. Na entrevista é preciso apresentar documentos e responder a perguntas sobre direitos e deveres de um cidadão australiano. Depois recebemos uma carta do governo federal dizendo que havíamos sido aprovados na entrevista e, em aproximadamente três meses, seríamos convocados para uma cerimônia.
Três meses depois, nada. Ligamos para o “departamento responsável” e o atendente disse para esperar um pouco mais, pois deveríamos ser chamados para a cerimônia do Australia Day, em janeiro.
Vale ressaltar que as cerimônias são geralmente realizadas em datas especiais, como feriados (diz-se que o país ganha mais novos cidadãos no Australia Day do que em qualquer outra data).
Em dezembro finalmente recebemos outra carta, desta vez sobre a cerimônia, na Prefeitura de Melbourne (porque moramos no centro) – a cerca de 15 minutos a pé de casa.
Chegamos ao local por volta das 8h40. Após a identificação, os candidatos receberam o programa do evento e foram encaminhados aos respectivos assentos (no total, 95 pessoas; uns cinco ausentes, acho).
Em cada assento também havia uma cópia do juramento – há dois tipos; um que inclui a palavra Deus e outro que a exclui.
Os candidatos podem convidar parentes e amigos, filmar, tirar fotos, etc. Os convidados ficam na parte de trás do salão (como em um tribunal). Há também repórteres de rádio e TV (que privilegiam candidatos que parecem “típicos”; um com vestimenta africana, que parecia um pai-de-santo, e um com saia escocesa fizeram o maior sucesso). Eu devia ter ido de bombacha. Mas é estranho ir com vestimenta típica a uma cerimônia em que se obtém uma nova cidadania.
O mestre de cerimônias, um francês que passou pelo mesmo processo, explicou como seria o evento – que foi ótimo: curto (cerca de uma hora), objetivo e bem organizado. Começou oficialmente com a chegada do prefeito John So (chinês naturalizado australiano), que fez um breve discurso e anunciou um coral de jovens, que apresentou a mais famosa canção do país, “Waltzing Matilda”.
Depois os candidatos de cada fila de assentos (mais ou menos dez pessoas por fila) foram chamados até a frente do salão, onde fizeram o juramento. A leitura é feita em pequenos grupos para garantir que as pessoas realmente façam o juramento. Funciona mais ou menos como padre em casamento. O prefeito começou com “repitam comigo” e foi falando cada verso:
“A partir deste momento, (sob Deus)
eu prometo minha lealdade a Austrália e a seu povo
cujos preceitos democráticos eu compartilho, cujos direitos
e liberdades eu respeito, e cujas leis eu apoiarei e obedecerei.”
Pobre do prefeito, que deve ter repetido o mesmo juramento umas oito vezes (só naquela cerimônia). Inicialmente são chamados os que optaram pelo juramento com a palavra Deus, depois os que escolheram o outro juramento.
Aí o mestre de cerimônias foi citando cada nome da respectiva fila (como em formatura), enquanto o prefeito entregava o certificado, dando os parabéns e aperto de mão. Depois cada um ganhava uma muda de planta nativa e retornava ao assento (doamos as mudas para um conhecido que tem uma casa fora da cidade, porque não podemos ter planta no apartamento). Vale ressaltar que o mestre de cerimônias contou com a ajuda de uma pessoa com características asiáticas na leitura de nomes orientais. O francês ficou com os demais nomes (especialmente os que pareciam indianos, muçulmanos e africanos); ele leu os nossos. Cerca de 90% dos candidatos eram asiáticos.
A cerimônia se encerra com um aplauso coletivo e o coral cantando o hino nacional. A seguir, todos (novos cidadãos e seus convidados) se confraternizam em outra área do salão, onde há café, chá e suco à disposição, além de pães doces e bolos (uma empresa de bufê é responsável por todos os eventos que ocorrem na prefeitura, então o serviço foi excelente). E, na saída, era preciso entregar os documentos para obter o título eleitoral (como no Brasil o voto é obrigatório).
Agora já é possível solicitar o passaporte australiano, que não invalida o brasileiro. Ou seja, vamos manter as duas cidadanias. Também podemos ser candidatos a empregos que exigem cidadania.
Faz quase três anos que chegamos aqui. Como o tempo voa. Ainda acredito que passar um tempo no exterior é fundamental antes de uma mudança definitiva. Claro que não há aquele deslumbramento inicial e muitos até pensam que há falta de entusiasmo com o novo país. Por isso não esperem de nós comentários exaltando a vida no exterior, elogios sobre como o país aqui funciona e coisas do gênero. Como sempre dizemos, o mundo é todo igual. E aqui também há problemas!
Viver no exterior é uma experiência enriquecedora, um imenso aprendizado, mas não é fácil, porque recomeçar exige um grande esforço e a vida apresenta muitos desafios inerentes a essa mudança. Mas enquanto estivermos bem e felizes aqui, vamos continuar na Austrália.
]]>Uma grande fonte de objeções a uma economia livre é precisamente o fato de que ela dá às pessoas o que elas querem ao invés do que algum grupo acha que elas deveriam querer. Por trás da maioria dos argumentos contra mercados livres está uma falta de confiança na própria liberdade.
]]>Se uma troca entre duas partes é voluntária, ela não vai ocorrer a não ser que ambas acreditem que estão se beneficiando com o negócio. A maior parte das falácias econômicas decorrem do ato de ignorar esse simples fato, da tendência de assumir que existe um bolo de tamanho fixo, que uma parte só pode ganhar quando outra perde.
Com o evento programado, o Google está pedindo que as pessoas “apareçam”: façam cartazes, desenhem na areia, formem imagens com outras pessoas etc. Existe uma página com os horários previstos para o avião passar em cada área de Sydney, e no dia o trajeto vai ser seguido em tempo real.
Dando tudo certo, isso deve se repetir em outras cidades; por exemplo, Paris em 14 de julho, cidades americanas em 4 de julho etc. Por que Sydney é a primeira? Porque o pessoal que desenvolveu o sistema que se tornou o Google Maps (em uma pequena empresa chamada Where 2) mora ali.
Será que alguém consegue convencê-los a pegar Porto Alegre em 20 de setembro?
]]>Mais detalhes, perguntas e respostas e uma lista de entidades apoiando o projeto estão no site.
]]>A situação ontem foi um pouco pior do que o normal porque o estado acabou sendo afetado por cortes de eletricidade a partir do meio da tarde. Não por excesso de demanda, mas porque uma linha de transmissão foi derrubada pelos incêndios florestais, e não era possível consertar o estrago justamente por causa do fogo… aparentemente faltou energia por algumas horas em quase 1/3 do estado, o que acabou parando trens e deixando motoristas presos em engarrafamentos por falta de semáforos.
Como o incêndio continua, o problema de abastecimento continua e o governo está pedindo para que as pessoas reduzam o uso de aparelhos de ar-condicionado hoje (a previsão de temperatura é de 37 graus, mas ao menos o dia está nublado; e vejo pela janela agora que o vento já mudou de direção, então deve começar a refrescar um pouco). Cogita-se até proibir o uso de ar-condicionado residencial até que o problema seja resolvido, mas não consigo imaginar como se fiscalizaria isso.
E, ainda no assunto “verão”, a persistência da seca fez com que as regras para racionamento de água ficassem mais restritivas desde o início do ano: agora é completamente proibido encher piscinas e regar gramados, mesmo em estádios (com algumas exceções), e regar o jardim só é permitido de madrugada ou à noite em dois dias da semana, e só manualmente ou com irrigadores que colocam a água diretamente na raiz; sprinklers não podem ser usados. Também é proibido lavar carros, a não ser com sistemas comerciais; manualmente, só é permitido limpar os vidros com um pano molhado. Com essas regras, todos os parques e canteiros de plantas da cidade estão ficando completamente amarelos…
Se a seca continuar e os reservatórios chegarem a menos de 30% de capacidade antes de abril, as regras apertam mais: fica proibido regar qualquer coisa e lavar carros mesmo em sistemas comerciais. Hoje, os reservatórios estão em 37,6%.
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