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Pessoal 25 Nov 2004 16:47
Túnel do tempo II
Continuando a história a partir de onde eu parei… (e voltando um pouco atrás, na verdade)
Em algum momento nos últimos meses de 1993 (não lembro bem quando), eu acabei “ganhando” uma multi-console, e pude parar de incomodar a Andréa a cada teste que eu precisava fazer. Como eu disse antes, eu não lembro exatamente todas as partes do código em que eu trabalhei, mas lembro que uma parte importante era o código que controlava a tela. Em um ambiente gráfico, a escrita na tela era algo bastante importante para a performance, então tínhamos vários algoritmos bem interessantes para otimizar isto. Muitos dos algoritmos tinham a ver com o que era mostrado quando e em que ordem, o que era salvo e como se determinava quando algo precisava ser re-exibido (porque algo saiu de cima, por exemplo); eu trabalhei em partes que ficavam bem mais no “baixo nível”: o código Assembler que colocava imagens na tela e fazia operações com o conteúdo da tela (por exemplo, para mover janelas). “Imagens” aqui é no sentido amplo da palavra, se referindo a qualquer coisa exibida na tela, inclusive texto.
Esse foi um período em que alguns livros e documentos eram “companhia constante” do processo de desenvolvimento. Um era o manual do 80386, publicado pela Intel, que tinha todas as instruções do processador e o “custo” de cada uma (em ciclos de clock). E outros eram a documentação das placas VGA que suportávamos… cada modelo de placa tinha um “jeitinho” de fazer algumas coisas, e tentávamos fazer tudo da melhor maneira possível para ser mais rápido. Na época, as melhores placas eram as Cirrus; para mover coisas na tela, eram as mais rápidas. Lembro bem de ter feito vários testes com programas que usavam diferentes métodos de exibição e movimentação e ter cronometrado cada um para decidir pelo melhor… E na época não tínhamos Internet para consultar toda a documentação online, claro.
Uma lembrança interessante dessa época é a “tradição oral indígena” da Nutec. Não existiam listas internas de e-mail (mas havia e-mail interno), nem repositórios de documentação, nem nada similar; mas havia uma reunião que acontecia todas as semanas, na sala de reuniões do terceiro andar, com a presença de todo o pessoal do dsv, onde cada um contava sobre o que estava fazendo, problemas que tinha, novidades, novas implementações, novos portes, fofocas internas e coisas similares. Não sei exatamente quando isso parou de acontecer, mas acho que foi ainda antes de eu ir para os EUA.
Outra lembrança é a dos almoços no restaurante da Ughini, na Voluntários. O dono do restaurante era amigo do Pretto, e por isso tínhamos algum desconto (não lembro de quanto); por conseqüência, íamos ali quase todos os dias. Mas, em uma sexta-feira por mês (no dia do pagamento?), era dia de almoçar na Sociedade Suíça; esse era dia de festa, de demorar bastante no almoço e de comer demais. Acho que essa era uma tradição que vinha desde o início da Nutec, e sobreviveu por um bom tempo (mas acho que não resistiu à mudança para a Andradas, que se não me engano aconteceu no final de 1994 ou início de 1995).
E outra lembrança interessante é a do “ninho de ratos” que ficava na salinha onde ficava um dos servidores (acho que a “nutecpa”). Ali chegavam os fios de todos os terminais seriais que estavam espalhados pelos dois andares (muita gente tinha terminais nas mesas; era a ferramenta normal de trabalho, da mesma forma que hoje em dia se esperaria que quase todo mundo tivesse um PC na mesa). Lembro de ter passado boa parte de um sábado ali naquele verão “desembaraçando” a fiação junto com a Deby e, se lembro bem, o Fernando Silveira. Quando terminamos estava muito melhor do que quando começamos mas, tristemente, continuava parecendo um ninho de ratos. Ratos um pouco mais organizados, mas ainda ratos.
No final de 1993 eu apresentei o meu trabalho de conclusão da universidade; por questões técnicas, a apresentação foi na Nutec mesmo, e funcionou tudo direitinho (sim, por incrível que pareça). E, com o fim do curso, deixei de ser estagiário! Em janeiro de 1994 fui “efetivado”. Essa ainda era uma época de inflação alta (pré plano Real), e os salários na Nutec eram indexados pelo dólar. Ainda lembro que o meu primeiro salário foi de US$370 por mês, mais vale-refeição (daria pouco mais de R$1000 por mês, na taxa do dólar de hoje).
Ao redor dessa época, ou um pouco depois, houve uma mudança de layout no escritório e a gente (eu, Madeira, acho que a Andréa, talvez mais alguém) nos mudamos para uma sala mais isolada, que ficava ao lado da sala da diretoria. Eu tenho a impressão de que isso aconteceu na época em que o suporte técnico subiu do terceiro para o quarto andar e passou a ocupar a área que antes era do marketing, atrás da minha mesa original. Qual a relação entre esses dois fatos? Bem, o pessoal do suporte atende clientes, e passa bastante tempo no telefone, e por conseqüência faz bastante barulho. O quarto andar era um lugar incrivelmente silencioso antes disso. Logo, a mudança foi justamente para evitar os problemas de concentração causados pelo excesso de barulho. A essa altura duas outras grandes amigas minhas já estavam trabalhando no suporte, junto com a Deby: a Ana, que depois foi para SP, e a Daniela, que até hoje está no Terra (obviamente, não mais no suporte). Em algum momento depois disso, também começou a trabalhar ali o Fernando Silveira, que não muito tempo depois se tornaria o marido da Ana.
No início de 1994, uma das coisas em que eu estava trabalhando era o nTerm; o Waldir, que cuidava dele, havia saído da empresa no final do ano. Eu tenho uma ligeira impressão de que eu estava trabalhando para integrar o nTerm com o PC/TCP para permitir usá-lo como cliente de telnet (como mencionei no texto anterior), mas está me parecendo que era muito cedo para isso. Quero dizer, eu sei que eu trabalhei nisso em algum momento, e a minha impressão é de que foi nessa época, mas pode muito bem ter sido um ano depois.
A propósito, uma outra lembrança dessa época é que aquela sala do fundo era fria! Era pequena, não tinha muita gente e tinha um aparelho de ar-condicionado só para ela. O Fernando não se importava, e no fundo eu também não me importava muito (era melhor do que os 38 graus lá de fora), mas muita gente reclamava.
Em todo caso… em uma bela tarde de março, eu trabalhava tranqüilamente em alguma coisa quando o Alex parou na frente da minha mesa e me perguntou: “tá a fim de passar um mês na Califórnia?” Bom, isso é pergunta que se faça? O que estava acontecendo era que o Paulo Castro ia voltar logo, e se precisava de alguém técnico para ficar lá junto com o Sérgio Pretto e dar suporte aos nossos produtos vendidos lá (além de trabalhar em desenvolvimento, claro). Ah, sim: o Marcelo Lacerda havia voltado dos EUA algum tempo antes, e o diretor “residente” nos EUA nesse momento (e pelos próximos anos) era o Pretto.
Então, passado algum tempo e alguma enrolação com as passagens, ficou tudo pronto (o visto foi fácil; na época ainda existia consulado dos EUA em Porto Alegre, e o visto ficou pronto rapidinho) e eu, que nunca tinha entrado em um avião na vida, embarquei em um vôo da Vasp de Porto Alegre para São Paulo, depois outro (também Vasp) de São Paulo para Los Angeles, e outro da United de Los Angeles a San Francisco. Dos vôos, mesmo, lembro muito pouco, mas lembro de ter levado uma bronca de uma policial no aeroporto de Los Angeles quando fui pedir informações (eu bloqueei o caminho dela na calçada…).
Chegando finalmente em San Francisco, o Pretto e o Paulo Castro me esperavam no aeroporto (era mais ou menos cedo em um domingo, e estava bem mais frio do que eu esperava; uns 15 graus, mais ou menos). Tenho que admitir que uma coisa que me decepcionou um pouco nesse dia foi o carro que se usava lá; era um Geo Metro, que é algo um pouco parecido com um Corsa, mas menor. O nome do carro, claro, se refere ao tamanho dele (brincadeira; acho que o “Metro” é de “metropolitan”, na verdade; mas bem que podia ser).
A Nutec ficava em Mountain View, que fica na região sul da baía de San Francisco; o aeroporto fica no norte, a uns 40 minutos de lá. No caminho para Mountain View o Paulo decidiu “passear” um pouco para me mostrar um pouco da região, e fomos à praia; mais especificamente, fomos a Half Moon Bay. Com a temperatura que estava fazendo, claro, o lugar estava meio vazio, e não muito confortável…
Depois disso, foi-se almoçar (no Sizzler da El Camino Real, acredito) e para casa. E no dia seguinte, segunda-feira, 28/03/1994, era dia de começar a trabalhar na Califórnia.
Mas isso é uma história para outro dia.
Pessoal 18 Nov 2004 16:12
Túnel do tempo
Da série “recordar é viver”…
É uma falha imperdoável da minha parte, mas eu não lembro exatamente em que dia eu comecei a trabalhar na Nutec. Foi no início de julho (ou junho? não, acho que foi julho) de 1993, mas não sei o dia exato. E começou quase que por acaso.
Para quem não sabe, a Nutec Informática S.A. era uma empresa de software sediada em Porto Alegre, com uma filial em SP e outra em Mountain View (na Califórnia). Quando eu comecei a trabalhar lá, a empresa já existia há uns seis anos. Em 1995 essa empresa lançou um provedor de acesso chamado NutecNet, e no final de 1996 um portal web chamado ZAZ. Depois de algumas reviravoltas, tanto o portal quanto o provedor hoje se chamam Terra. Este texto provavelmente vai ser muito mais interessante para quem trabalha ou trabalhou algum dia na Nutec/Zaz/Terra. Eu até procurei, mas não achei nada online a respeito da história dos primeiros anos da Nutec (nem da Edisa e outras empresas daquela época); eu adoraria algum dia ler um livro sobre isso, escrito, por exemplo, pelo Marcelo Lacerda. Tenho certeza que ele teria muito mais coisas para contar do que eu, até porque o ponto de vista dele era muito melhor.
Voltando à história… Eu tinha ouvido, já há algum tempo, uma colega de faculdade (a Andréa Zílio) que já trabalhava na Nutec dizer que eles tinham vagas para estagiários na área de desenvolvimento de software. É, meninos e meninas, naquela época quem estava na faculdade era contratado como estagiário, e ganhava, quando muito, um salário mínimo; acho que eu comecei ganhando meio salário mínimo (mais vale-refeição). Mas, continuando… em uma bela tarde de inverno, os funcionários da UFRGS estavam em greve, e por causa disso os laboratórios do Instituto de Informática fecharam. Sem nada para fazer, o que eu fiz? Voltei para o centro da cidade e fui bater na Nutec, para ver se eles queriam mesmo estagiários.
Na época, a sede da Nutec era na rua Pinto Bandeira, no centro, entre a Alberto Bins e a Voluntários da Pátria. A empresa ocupava dois andares, o terceiro e o quarto, de um prédio não muito grande, e eu subi direto para o quarto, onde ficava o desenvolvimento (ou “dsv”, como era conhecido). Cheguei e fui entrando, e a primeira pessoa com quem falei na empresa foi o Max, que na época era, se não me engano, assistente administrativo, e ocupava a salinha que ficava em frente à porta do quarto andar.
Outro ponto que eu não lembro é se eu fui entrevistado ali mesmo, na hora, ou se se marcou algo para outro dia. Tenho a impressão que foi na hora. O que me lembro claramente é que quem me entrevistou foi o Fernando Madeira, na época um dos desenvolvedores, e hoje diretor-geral do Terra Brasil. Juro que não lembro como foi a entrevista, mas ela foi em uma sala de reuniões no terceiro andar, onde ficava boa parte da empresa, inclusive o Suporte Técnico. Ali havia outra amiga minha trabalhando, a Ana; a então chefe dela no suporte, a Deby (hoje outra grande amiga minha), tentou me entrevistar também, ao me ver sentado em uma cadeira esperando pelo Fernando, mas o Fernando chegou a tempo e não deixou.
Uns poucos dias depois da entrevista (um ou dois dias) alguém me ligou da Nutec (tenho quase certeza que foi o Alex) informando que eles tinham me aprovado, e perguntando quando eu poderia começar. “Agora”, eu respondi. Mas acabou ficando para uns dias depois, claro; eles precisavam tempo para preparar uma mesa e um terminal para mim.
Quando eu finalmente comecei, ganhei uma mesa com um belo terminal serial, um Edisa 3630 (provavelmente). Não, não rodávamos Edix; o terminal estava conectado a um servidor Intel (um 386) rodando SCO Unix 3.2v4.2. O andar onde ficava o desenvolvimento era quase todo “aberto”, sem paredes, apenas com divisórias formando algumas “pseudo-salas”. A área onde eu ficava tinha, além de mim, o Waldir, que trabalhava com o nTerm (o emulador de terminais da Nutec); a Andréa Zílio, que trabalhava no nOffice II (mais sobre ele abaixo); e o Fernando Madeira, que trabalhava no nOffice II e no nTerm Gráfico. Atrás de mim, em direção à frente do prédio, ficava o Marketing, que tinha a Lonise e a Gabriela; e na outra direção ficava o resto do desenvolvimento: o Paulo Castro, o Alex, o Felipe, o Demétrio e o Gélson. Um pouco mais ao fundo, em uma área que, aí sim, tinha salas, ficava a diretoria: Marcelo Lacerda, Sérgio Pretto e, de vez em quando, Newton Braga Rosa.
Vale dizer que, por conta da filial dos EUA, nem todo mundo estava presente o tempo todo. O Marcelo Lacerda estava quase que permanentemente estacionado na Califórnia, e geralmente era acompanhado por alguém do desenvolvimento; quando eu entrei, quem estava lá era o Paulo Castro. Assim, eu só vim a conhecer o Paulo algumas semanas depois, quando ele voltou dos EUA. Essa ainda era a época em que quem voltava dos EUA sempre trazia algum equipamento interessante e difícil de encontrar no Brasil, então cada chegada era um evento. Foi nesse evento que a gente bateu esta foto:

Da esquerda para a direita: Gélson, Demétrio, Paulo Castro, esse que vos escreve, Fernando Madeira, Felipe, Andréa Zílio, Waldir e Alex. Ah, e um pedaço da Lonise no canto. Como na época não existiam câmeras digitais, essa foto foi feita usando uma câmera de vídeo e uma placa de captura WinVision, da Quanta, que o Paulo tinha acabado de trazer.
Mas eu estava falando do ambiente e dos sistemas em que o pessoal trabalhava. O desenvolvimento de quase tudo era feito em um servidor rodando SCO Unix; as pessoas se conectavam a ele por terminais seriais ou por multi-consoles. Não circulava um pacote IP dentro daquele escritório na época! Multi-consoles eram umas placas que permitiam ligar vários monitores VGA a uma única máquina, e fazer com que cada um deles (acompanhado de um mouse e um teclado) funcionasse como uma console gráfica. Funcionava bastante bem, e se tinha uma tela de 640x480x16 em cada um dos quatro (ou oito) monitores, permitindo assim fazer desenvolvimento de software gráfico, como o nOffice II. Havia também alguns terminais gráficos da Edisa (3660? 3636?) que eram usados com o nOffice II; acho que o Gélson tinha um deles na sua mesa.
As exceções eram o Waldir, que tinha um 286 para desenvolver o nTerm (rodava em PC, e era compilado (se não me engano) com o Turbo C), e o Fernando, que tinha um 386 (com Windows!) para desenvolver o nTerm Gráfico.
Então, sobre os produtos… o nTerm era um emulador de terminais, que rodava em DOS. Era usado para se comunicar, via porta serial, tipicamente com servidores Unix (ou com um modem, para discar para algum lugar – sem PPP, claro, apenas linha de comando e transmissão básica de arquivos). Emulava VT100, VT220 e outros. Mais tarde (acho que bem mais tarde) ele ganhou suporte a TCP/IP, permitindo que fosse usado como um cliente de telnet em PCs com PC/TCP. Isso é antes do Windows95, quando TCP/IP ainda era algo que precisava ser instalado a parte nos PCs.
nOffice era, basicamente, um software de automação de escritórios. Incluía várias coisas bem úteis, entre elas um editor de textos, e-mail, calculadora… e certamente mais coisas que não lembro agora. É possível que ainda tenha gente usando esse produto (na Trensurb, talvez…), mas não tenho certeza. Na época, vendia muito bem. Chegou a ser portado para Linux (extra-oficialmente, ao menos) e acredito que passou até por uma revisão no ano 2000.
nOffice II, como o nome dá a entender, era a “nova geração” do nOffice, e era um software muito mais complexo. Tinha vários tipos de interface, e selecionava o correto de acordo com o device sendo usado; tanto podia ser uma interface em modo texto quanto uma bela interface gráfica no padrão Motif. Mesmo em ambiente texto, a interface permitia o uso de janelas. Se lembro bem, havia quatro modelos de interface: texto, gráfica, AlphaWindows e AlphaWindows gráfico. Equivaliam aos quatro tipos de device da época: terminais texto, consoles gráficas (incluindo multi-console), terminais AlphaWindows e terminais AlphaWindows gráficos (como o nTerm Gráfico). Mas essa é uma história muito longa sobre a qual é melhor falar depois, em outro contexto.
Tanto o nOffice quanto o nOffice II rodavam em uma infinidade de plataformas diferentes: SCO Unix, Xenix, DG-UX, HP-UX, OSF, AIX etc. etc. Basicamente todos os Unix-like da época com alguma penetração no mercado tinham um porte do nOffice. Como o fonte era basicamente o mesmo em todos os ambientes, ele tinha muitos “#ifdef” espalhados por quase todos os arquivos; quase todos os ambientes precisavam de alguns ajustezinhos, e a cada porte feito entravam mais alguns detalhes no fonte. Isso não tornava o fonte fácil de ler, mas era bastante prático. O pessoal que trabalha ou já trabalhou no Terra e já viu o fonte da libtrrutil sabe do que eu estou falando.
Quando eu comecei, o meu trabalho era com o nOffice II. Eu não lembro exatamente em que código eu estava mexendo, mas lembro bem que, como eu tinha apenas um terminal texto, a cada vez que eu precisava testar alguma coisa eu tinha que interromper a Andréa e pedir uns minutinhos na console dela. Lembro de várias peculiaridades daquela época… Por exemplo, compilar o servidor era algo demorado, principalmente quando se mexia em algum dos arquivos .h, então existia um script chamado “meiq” que fazia um “make” (por isso o nome) em background e salvava o resultado em um arquivo que podia ser conferido depois; assim, dava para seguir trabalhando enquanto se compilava, e não se perdia a listagem de erros de compilação se ela fosse grande (mais de 24 linhas…).
Depois de algum tempo, durante o segundo semestre daquele ano, eu precisava fazer o meu trabalho de conclusão na universidade, e acabei aproveitando para fazer algo dentro da Nutec, para o nOffice II e o nTerm Gráfico: eu fiz um módulo para transmissão de imagens (bitmaps) através de linhas seriais, com compressão e correção de erros; seria usado para transmitir imagens do servidor para os terminais, tipicamente usando linhas de 9600 ou 19200bps. Alguns anos depois, esse mesmo código seria usado em um módulo do nOffice II e do nTerm Gráfico (na época, já com os nomes de Nutec Desktop e Iconterm) com o mesmo objetivo, tranferir bitmaps do servidor para o terminal (desde ícones até imagens sendo exibidas em um browser).
Essa história está ficando um pouco longa… qualquer dia desses eu continuo. Se alguém tiver perguntas, curiosidades sobre eventos específicos ou comentários, podem mandar.
Pessoal 07 Aug 2004 17:52
Filmes
Ultimamente temos usado bastante o drive de DVD do computador para assistir filmes; funciona perfeitamente bem, com o único inconveniente de não termos alto-falantes e termos que dividir os fones de ouvido.
Temos assistido alguns filmes retirados na biblioteca pública, mas também estamos usando um serviço da Telstra chamado “fetchmemovies”. Acredito que seja bastante similar ao Netflix americano: no site deles, a gente monta uma lista de filmes que quer assistir, e eles vão enviando para a gente pelo correio. Podemos ficar com no máximo três DVDs em casa de cada vez (eles oferecem planos para 1 a 5 DVDs de cada vez); depois de assistir, devolvemos também pelo correio (de graça, no envelope que eles enviam) e eles mandam mais um.
O serviço custa A$19,95 por mês no plano “básico” (só um DVD em casa), independentemente de quantos DVDs se assista (lógico que, quantos mais assistirmos, melhor), mas estamos usando só porque ganhamos 30 dias grátis em uma promoção que veio com a conta telefônica. Não acho que vamos manter o serviço, porque não assistimos tantos vídeos assim normalmente; assistimos vários (dez!) no último mês só para aproveitar bem o serviço, mesmo.
As maiores vantagens são não ter limite de tempo para assistir os filmes, e não ter que ir a uma locadora para buscar (até porque não tem muitas locadoras aqui no centro). Nisso ele é extremamente prático e, se tivéssemos mais tempo para assistir filmes (e o hábito de fazê-lo), seria muito mais econômico do que uma locadora comum.
Pessoal 04 Aug 2004 09:32
Shaolin Soccer
Ontem fomos assistir “Shaolin Soccer” no cinema. Divertidíssimo! No filme, um jovem mestre kung-fu, muito preocupado em popularizar a sua arte entre as pessoas comuns (afinal, como ele demonstra, os ensinamentos Shaolin são muito úteis em inúmeras situações do dia a dia), decide formar um time de futebol com outros mestres e participar de um campeonato. O resultado é um filme muito engraçado, com tomadas similares às do “Matrix”, feito para se dar risadas. As melhores cenas são as dos jogos, com lances maravilhosos (nem o Ronaldinho Gaúcho faria melhor!).
Não é um filme sério, ou seja, é só para dar risadas mesmo, mas nisso ele é ótimo. Tem um vilão ótimo (muito parecido com o Emerson Fittipaldi, na verdade), o time “mau” se chama Team Evil (sério!) e o ponto alto do filme é a final do campeonato, disputada em um estádio lotado e com lances nunca vistos no Maracanã. Recomendo!
Pessoal 07 Jul 2004 08:35
Sorte
Eu já mencionei em outro texto que, logo no dia em que chegamos à Austrália, eu achei duas moedas de 5 centavos no chão. Bom, desde então, eu já achei uma moeda de um dólar, mas infelizmente ela estava colada no chão; uns vinte passos adiante, achei outra moeda de 5 centavos (não colada); e uns dias depois (nesse domingo), achei uma moeda de 10 centavos dentro de um Hungry Jack’s. O que já dá 25 centavos de ganhos desde então!
E agora eu ganhei, em um sorteio feito pela ZDNet, uma inscrição para o Oracle OpenWorld, a conferência da Oracle que acontece aqui em Melbourne de hoje até sexta (o valor da inscrição, normalmente, é A$1450). Então, nos próximos dias, estarei acompanhando a conferência, no Melbourne Convention Centre. Ah, e já ganhei uma mochila, uma caneta e alguns outros brindes.
Depois conto como foi…
Pessoal 28 Jun 2004 23:24
Biblioteca
Hoje fomos à biblioteca! Fazia muito, muito tempo que eu não ia a uma com a intenção de pegar livros emprestados para ler; tenho que admitir que, nos últimos anos, o meu hábito era comprar os livros que eu queria ler.
A City Library, aqui no centro de Melbourne, abriu há pouco mais de um mês; antes disso, só havia bibliotecas públicas nos subúrbios (existe a State Library, em um prédio enorme, mas ela não empresta livros). E é uma biblioteca ótima; tem uma coleção de ficção e não-ficção muito boa, com livros recentes e muito interessantes. A parte difícil foi escolher o que era que eu queria ler primeiro.
Além disso, ela tem revistas, CDs, DVDs (musicais, filmes e documentários) e fitas de vídeo, tudo disponível para empréstimo (exceto a última edição de cada revista). Também tem terminais para acesso à Internet e salas de leitura. É aberta a todos os residentes da área, e dá para retirar até 30 itens por até três semanas (menos DVDs, que são só por uma semana). E está tudo na Internet; dé para pesquisar o catálogo de casa, reservar o que se quer e só passar lá para retirar quando estiver disponível (caso esteja emprestado para alguém). Também dá para renovar retiradas online e consultar a data de devolução do que se tem em casa.
Depois de muito passear pelos três andares, saí de lá com “Everything’s Eventual”, uma coleção de contos do Stephen King, e “Airframe”, do Michael Crichton. Quase retirei um livro sobre C#, mas já estou lendo dois livros técnicos e preferi deixar para depois. A Cris retirou um CD do Villa-Lobos, um DVD (“Night on Earth”, um filme de 1991 com a Winona Ryder), uma revista e uma fita (de áudio) de um jornalista.
Agora, com licença, vou ler…
Pessoal 03 Apr 2004 23:59
Batendo asas…
Bom, como muitos dos meus amigos já sabem, estou indo embora! Vistos aprovados, passagens compradas, eu e a Cristina estamos indo morar em Melbourne, na Austrália. Vamos em busca de uma vida nova em um novo país; o que buscamos, basicamente, é uma qualidade de vida decente, algo que achamos que não é possível ser conseguido no Brasil de hoje em dia, por vários motivos.
Muita gente está acostumada a ler os meus relatos de viagem, e mais de uma pessoa me pediu para escrever algo contando sobre a experiência. Tenho certeza que vou ter muito para contar, pois muita coisa vai ser muito diferente do que estamos acostumados a ver. E vou usar esse blog para contar tudo, conforme for acontecendo (na medida do possível).
Mesmo antes de ir, vou começar o relato para ir descrevendo como foi o nosso caminho, até agora, em direção à Austrália. Não começamos há pouco tempo; na verdade, começamos há mais de um ano, em agosto de 2002. Foi um longo caminho.
O primeiro passo no processo para emigrar para a Austrália é conseguir um “skills assessment” (reconhecimento de habilidades) de uma associação profissional designada pelo governo australiano. Eles avaliam sua formação e experiência profissional para determinar se você é equivalente a um profissional australiano. O resultado precisa ser positivo, caso contrário você nem pode iniciar o processo.
No meu caso (Wilson), a associação é a ACS, Australian Computer Society. Para a Cris, é a VETASSESS. Eu sou o “principal applicant”, o candidato principal do processo, então apenas eu sou obrigado a ter um assessment; no entanto, um assessment para o outro candidato conta pontos, então decidimos pedir os dois.
Para esse pedido, foi necessário coletar vários documentos detalhando a nossa formação acadêmica e a nossa experiência profissional: histórico escolar, cartas de referência de todas as empresas onde trabalhamos, currículo da faculdade e assim por diante. Tudo traduzido para o inglês por tradutores juramentados. Enviamos os pedidos em 27/08/2002, que é assim a data “oficial” de início do nosso processo. Paga-se uma taxa por esse assessment, claro. A da ACS foi de A$350,00; não me recordo a da VETASSESS, mas tenho certeza de que foi um valor parecido. (A$1 = R$2, mais ou menos)
Enquanto esperávamos, fomos fazer outra parte importante do processo: testes de inglês. Nós dois precisávamos fazer um teste oficial, o IELTS, e precisávamos tirar uma certa nota mínima para receber pontuação pelo conhecimento de inglês (e evitar pagar por um curso ao chegar). O teste é em quatro partes: reading, onde se lê e interpreta textos; writing, onde se precisa escrever dois textos em um tempo relativamente curto; listening, em que se ouve textos em inglês (britânico) e se responde a perguntas sobre eles, muito rapidamente; e speaking, que é uma conversa com a professora. Um pouco puxado (longo), mas não muito complicado, especialmente para quem sabia o que esperar. Passamos com uma relativa tranqüilidade.
A resposta da ACS, positiva, chegou em 01/10/2002. A da VETASSESS, nem sinal. Depois de algum tempo, ligamos para a VETASSESS e a resposta foi de que o pedido da Cris precisou ir para uma análise mais detalhada do currículo (provavelmente porque a universidade onde ela estudou não é muito conhecida) e que havia boa chance de ele ser recusado, depois de vários meses de análise (como de fato foi, depois de uns 8 meses).
Assim, decidimos enviar o pedido do visto apenas com o meu assessment, já que tínhamos pontos suficientes. Preenchemos os (longos) formulários, coletamos todos os documentos, traduzimos tudo que precisávamos traduzir e, no dia 13/11/2002, enviamos tudo para Adelaide, na Austrália.
E aí começou a espera. Depois de algum tempo tivemos notícias deles (dia 08/01/2003 eles cobraram o valor do processo no meu cartão de crédito, A$1745,00, e no dia 23/01 recebemos uma carta com a confirmação de que o processo havia iniciado, com o nosso número de registro), mas nada muito significativo. Foram vários meses de espera…
Até que, dia 16/10, recebemos o pedido para fazer e enviar os exames médicos e os relatórios policiais. Mas isso fica para contar em um próximo dia.
Pessoal 11 Mar 2004 22:11
Nada Claro II
Bom, depois do que eu escrevi aqui, muita gente pode achar estranho, mas o fato é que meu novo celular é um GSM da Claro. Mas isso só aconteceu porque, graças à minha pontuação no programa de fidelidade deles, eu ganhei um aparelho novo.
Lógico que, como eu disse no outro texto, logo depois de ter o aparelho em mãos eu fui atrás de um jeito de desbloquear. E, como tem gente perguntando, vou dar alguns detalhes.
O meu aparelho é um Nokia 3310, que não é um dos “modernos” para os quais é possível gerar o código de liberação com um programa grátis (ou até mesmo na web). Assim, o que fiz foi procurar alguém que “prestasse o serviço” de desbloquear o celular. E é muito fácil! A quem estiver interessado, sugiro entrar em sites de leilões (por exemplo, o Mercado Livre) e procurar por “desbloqueio GSM”. Vão achar vários, por preços oscilando entre 5 e 15 reais. Sugiro que escolham “prestadores de serviços” que tenham um bom histórico no site, pois tendem a ser confiáveis.
O procedimento, depois, é mais ou menos assim, ao menos para aparelhos Nokia: você informa para a pessoa o modelo do seu celular, a sua operadora e um código chamado IMEI, que é o identificador único do seu aparelho. Esse número é diferente para cada aparelho, e a pessoa geralmente vai lhe dar instruções de como conseguir o número (em geral, digitar “*#06#” no teclado do aparelho). Com isso, ele vai enviar de volta um outro código numérico que deve ser digitado no aparelho, sem o cartão. Isso é importante: o cartão precisa ser retirado antes do procedimento.
Alguns cuidados: não errar ao copiar o número IMEI; não errar ao digitar o código de desbloqueio (se você errar 5 vezes, o aparelho não pode mais ser desbloqueado); e digitar o código de desbloqueio rapidamente (em uns 30 segundos, pela minha conta, o celular desiste e você precisa começar de novo).
Eu fiz o procedimento, e funcionou perfeitamente; testei com um cartão da TIM de um amigo e o aparelho o aceitou alegremente. Novamente, recomendo a quem tiver aparelhos Oi e Claro que os desbloqueiem; vale o investimento.
Pessoal 06 Mar 2004 22:01
Vendido!
Hoje vendi minha coleção de revistas em quadrinhos. Quase 400 revistas, todas de super-heróis, e todas do final da década de 80 ou, no máximo, início de 90. Homem Aranha, Superaventuras Marvel, Liga da Justiça, Super-Homem, etc. etc. e, especialmente, etc. Todas as revistas, e mais 41 livros do Perry Rhodan de 1984-86, renderam R$100.
O triste é pensar que as revistas, na época, custaram um bom dinheiro, seja lá qual tenha sido a moeda em que foram pagas. O mais triste é perceber que foi um bom negócio, no final das contas, porque a outra opção era jogar tudo fora; não tenho como justificar a ocupação de tanto espaço com algo que nunca mais vai ser útil para nada. Nem “ligação emocional” com as revistas eu tinha mais…
Sobraram várias graphic novels da mesma época que eu não tive coragem de vender por 20 centavos cada; tem aquela clássica dos X-Men com aquele pastor racista, tem a da morte do Capitão Marvel, tem “O Edifício” do Will Eisner… alguém aí estaria interessado em dar um bom lar a essas revistas (ou conhece alguém que esteja)?

