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Austrália &Pessoal 30 Mar 2007 16:36

Ghost Rider

Algum tempo atrás, fomos ao cinema assistir Ghost Rider, o novo filme com o Nicolas Cage. Apesar de eu ter sido fã de quadrinhos, esse provavelmente não é o tipo de filme que eu iria assistir normalmente; o que nos levou ao cinema foi o fato de que ele foi filmado aqui em Melbourne, com algumas cenas na nossa rua (como eu escrevi a respeito dois anos atrás; é, filmes demoram a ficar prontos depois de filmados…).

Na prática, só quem vive aqui vai conseguir identificar a cidade, pois o filme se passa no Texas. A rua onde moramos aparece algumas vezes, o que é bem legal, mas é legal porque sabemos como ela é originalmente. Outras cenas mostram o estádio Telstra Dome, a ponte para pedestres que cruza o rio Yarra e vários prédios no centro da cidade. Tomadas “à distância” também, em geral, mostram o centro da cidade, trens etc. Perfeitamente reconhecível, mas para quem conhece.

As fotos que eu tirei na época estão aqui e aqui; quem assistir o filme logo depois de ver as fotos provavelmente vai identificar as cenas mostradas. E aqui abaixo seguem duas que mostram cenas do filme e o local onde elas foram filmadas, ao lado do nosso prédio (o “posto de gasolina” da primeira só existiu durante a filmagem, depois voltou a ser um estacionamento).

Austrália &Pessoal 30 Jan 2007 15:05

Agora somos australianos

Na sexta-feira passada, dia 26, foi feriado na Austrália. Nessa data é celebrado o Australia Day, que marca a chegada da primeira frota oficial a Sydney e a fundação da colônia de Nova Gales do Sul (New South Wales), no século 18.

Nesse dia ocorrem eventos pelo país todo, como shows, premiação dos australianos do ano pelo primeiro-ministro, queima de fogos, desfiles, etc. Ocorrem também cerimônias de cidadania, em que estrangeiros recebem um certificado do governo federal que os oficializam como cidadãos australianos. Eu e a Cris participamos da cerimônia organizada pela Prefeitura de Melbourne. Ou seja, desde sexta-feira, somos australianos.

Resolvemos esperar para compartilhar a notícia até ter o documento nas mãos, o famoso “ver para crer”. Porque, como o processo de imigração, o de cidadania também foi longo.

Até o ano passado, imigrantes com visto permanente poderiam solicitar cidadania após dois anos de residência no país (as leis estão mudando e os novos imigrantes precisam esperar quatro anos e passar por teste de inglês e sobre a história e os valores australianos). Em junho fizemos o pedido.

Só no fim de agosto fomos chamados para a entrevista. Na entrevista é preciso apresentar documentos e responder a perguntas sobre direitos e deveres de um cidadão australiano. Depois recebemos uma carta do governo federal dizendo que havíamos sido aprovados na entrevista e, em aproximadamente três meses, seríamos convocados para uma cerimônia.

Três meses depois, nada. Ligamos para o “departamento responsável” e o atendente disse para esperar um pouco mais, pois deveríamos ser chamados para a cerimônia do Australia Day, em janeiro.

Vale ressaltar que as cerimônias são geralmente realizadas em datas especiais, como feriados (diz-se que o país ganha mais novos cidadãos no Australia Day do que em qualquer outra data).

Em dezembro finalmente recebemos outra carta, desta vez sobre a cerimônia, na Prefeitura de Melbourne (porque moramos no centro) – a cerca de 15 minutos a pé de casa.

Chegamos ao local por volta das 8h40. Após a identificação, os candidatos receberam o programa do evento e foram encaminhados aos respectivos assentos (no total, 95 pessoas; uns cinco ausentes, acho).

Em cada assento também havia uma cópia do juramento – há dois tipos; um que inclui a palavra Deus e outro que a exclui.

Os candidatos podem convidar parentes e amigos, filmar, tirar fotos, etc. Os convidados ficam na parte de trás do salão (como em um tribunal). Há também repórteres de rádio e TV (que privilegiam candidatos que parecem “típicos”; um com vestimenta africana, que parecia um pai-de-santo, e um com saia escocesa fizeram o maior sucesso). Eu devia ter ido de bombacha. Mas é estranho ir com vestimenta típica a uma cerimônia em que se obtém uma nova cidadania.

O mestre de cerimônias, um francês que passou pelo mesmo processo, explicou como seria o evento – que foi ótimo: curto (cerca de uma hora), objetivo e bem organizado. Começou oficialmente com a chegada do prefeito John So (chinês naturalizado australiano), que fez um breve discurso e anunciou um coral de jovens, que apresentou a mais famosa canção do país, “Waltzing Matilda”.

Depois os candidatos de cada fila de assentos (mais ou menos dez pessoas por fila) foram chamados até a frente do salão, onde fizeram o juramento. A leitura é feita em pequenos grupos para garantir que as pessoas realmente façam o juramento. Funciona mais ou menos como padre em casamento. O prefeito começou com “repitam comigo” e foi falando cada verso:

“A partir deste momento, (sob Deus)
eu prometo minha lealdade a Austrália e a seu povo
cujos preceitos democráticos eu compartilho, cujos direitos
e liberdades eu respeito, e cujas leis eu apoiarei e obedecerei.”

Pobre do prefeito, que deve ter repetido o mesmo juramento umas oito vezes (só naquela cerimônia). Inicialmente são chamados os que optaram pelo juramento com a palavra Deus, depois os que escolheram o outro juramento.

Aí o mestre de cerimônias foi citando cada nome da respectiva fila (como em formatura), enquanto o prefeito entregava o certificado, dando os parabéns e aperto de mão. Depois cada um ganhava uma muda de planta nativa e retornava ao assento (doamos as mudas para um conhecido que tem uma casa fora da cidade, porque não podemos ter planta no apartamento). Vale ressaltar que o mestre de cerimônias contou com a ajuda de uma pessoa com características asiáticas na leitura de nomes orientais. O francês ficou com os demais nomes (especialmente os que pareciam indianos, muçulmanos e africanos); ele leu os nossos. Cerca de 90% dos candidatos eram asiáticos.

A cerimônia se encerra com um aplauso coletivo e o coral cantando o hino nacional. A seguir, todos (novos cidadãos e seus convidados) se confraternizam em outra área do salão, onde há café, chá e suco à disposição, além de pães doces e bolos (uma empresa de bufê é responsável por todos os eventos que ocorrem na prefeitura, então o serviço foi excelente). E, na saída, era preciso entregar os documentos para obter o título eleitoral (como no Brasil o voto é obrigatório).

Agora já é possível solicitar o passaporte australiano, que não invalida o brasileiro. Ou seja, vamos manter as duas cidadanias. Também podemos ser candidatos a empregos que exigem cidadania.

Faz quase três anos que chegamos aqui. Como o tempo voa. Ainda acredito que passar um tempo no exterior é fundamental antes de uma mudança definitiva. Claro que não há aquele deslumbramento inicial e muitos até pensam que há falta de entusiasmo com o novo país. Por isso não esperem de nós comentários exaltando a vida no exterior, elogios sobre como o país aqui funciona e coisas do gênero. Como sempre dizemos, o mundo é todo igual. E aqui também há problemas!

Viver no exterior é uma experiência enriquecedora, um imenso aprendizado, mas não é fácil, porque recomeçar exige um grande esforço e a vida apresenta muitos desafios inerentes a essa mudança. Mas enquanto estivermos bem e felizes aqui, vamos continuar na Austrália.

Acaso &Brasil &Pessoal 23 Aug 2006 15:09

Sobre etiqueta no Orkut

Tenho uma pergunta para os meus leitores em geral.

Como todo mundo sabe, o Orkut é muito mais popular no Brasil do que em qualquer lugar do mundo. Uma coisa que me chamou a atenção quando estive recentemente no Brasil foi o número de menções ao serviço na imprensa, na TV, em livros etc., sempre sem explicações (ou seja, como se todo mundo soubesse o que é). Aqui, ninguém fala nele, e creio que muita gente nem sabe que ainda existe.

Pois bem. Eu estou cadastrado desde os primeiros dias do serviço, mas recentemente (leia-se “nos últimos 12-18 meses”) quase não tenho acessado. Acabo entrando lá mais ou menos uma vez por mês só para limpar o spam do scrapbook (que, se eu pudesse, eu teria desabilitado); sempre que faço isso, lá estão me esperando vários pedidos de contato de “amigos” dos quais eu nunca ouvi falar. O que eu faço é simplesmente clicar em “não” na pergunta sobre “você conhece essa pessoa?”.

Nessa última vez, no entanto, um desses pedidos de contato era de uma pessoa que eu conheço; tive algum contato com ele na época de universidade, e algum contato profissional depois. A minha tendência, então, seria dizer sim, conheço essa pessoa. Só que, no perfil dessa pessoa, o nome dela aparece não como, por exemplo, “Isaac Gerânio” (nome fictício), mas como “Isaac Gerânio para Deputado Estadual n° 99123″.

E aí vem a pergunta. Eu não quero usar a minha lista de amigos como palanque para um candidato a deputado em quem eu, mesmo conhecendo, não votaria, de um partido no qual eu não votaria. Tampouco quero que a presença de uma mensagem de candidato na minha lista de amigos seja interpretada como um apoio meu ao candidato. Qual seria a atitude correta, portanto? (a) clicar em “sim”, porque afinal eu conheço a pessoa; (b) esperar a eleição passar e depois clicar em “sim” para estabelecer o contato; (c) clicar descaradamente em “não”, já que o pedido de contato foi completamente interesseiro e não sincero; (d) nenhuma das acima.

Agradeço sugestões.

Austrália &Pessoal 03 Aug 2006 23:59

Saúde pública

Um bom tempo atrás eu escrevi rapidamente sobre o sistema de saúde australiano, mas tinha sido sob uma ótica completamente teórica. Não havia sido necessário usar muito o sistema de saúde, e eu nem sequer tinha estado em um hospital aqui. Semana passada, finalmente, ganhei um pouco mais de experiência em “primeira mão”, então agora posso escrever um pouco mais a respeito…

Antes de qualquer coisa: está tudo bem com todo mundo aqui, inclusive o gato. Eu tive amigdalite e fiquei alguns dias “de molho”, mas já estou completamente recuperado e sem problemas. Foi desconfortável enquanto durou, mas nada muito grave.

O “problema” começou no dia 21, uma sexta-feira; só um pequeno desconforto ao engolir. Sábado estava um pouquinho pior, mas ainda nada demais. Domingo pela manhã estava bem o suficiente para levar o gato ao veterinário (vacinação anual), mas à tarde fui ficando progressivamente pior: febre, dor de cabeça, dor de ouvido, cada vez mais dolorido para engolir etc. etc. À noite só o que eu comi foi sopa.

Na segunda-feira, obviamente, não fui trabalhar, e logo cedo liguei para o médico e marquei uma consulta para o início da tarde. Uma das vantagens de morar no centro é a proximidade da área “hospitalar”: existem vários hospitais, de diferentes especialidades, em uma área pequena, a umas dez quadras de casa, e o consultório do meu médico (clínico geral; aqui todo mundo tem um) fica na mesma região.

O médico olhou a minha garganta e rapidamente declarou que era amigdalite. Ele me perguntou se eu conseguia engolir, eu disse que sim, mas com alguma dificuldade. Daí me deu na hora uma injeção de penicilina e receitou cápsulas para tomar de seis em seis horas.

Até sair do médico foi tudo de graça. O sistema de saúde pública, chamado Medicare, cobre o custo de consultas médicas até um certo valor, e cada médico pode optar por cobrar só aquele valor ou cobrar mais (se cobrar mais, o paciente precisa pagar). Além disso, o médico pode cobrar direto do Medicare ou cobrar do paciente e deixar que este peça um reembolso (que, pedido no escritório do Medicare, sai na hora).

O meu médico cobra direto do Medicare (em geral, a consulta de um clínico geral não passa do valor coberto pelo Medicare, enquanto a consulta com um especialista quase sempre vai exigir que o paciente pague uma parte; isso se a consulta for indicada pelo clínico geral; quem quiser uma segunda opinião, por exemplo, tem de pagar tudo do próprio bolso; plano de saúde aqui não cobre consulta nem exames).

Os remédios, no entanto, não são de graça. O governo subsidia o custo de certos remédios “essenciais”, mas parte do custo continua com o paciente (até um certo limite anual). Outros remédios não são cobertos e precisam ser pagos integralmente.

Ou seja, não dá para prever o quanto será gasto anualmente com saúde. Sabe-se apenas o que (ambulância e internação) e quanto (que varia bastante) o plano de saúde cobre, e a quantidade máxima de gastos com médicos e remédios (a partir de um determinado valor, o governo paga tudo). O interessante é que, apesar de os planos não cobrirem consultas nem exames, podem incluir tratamento dentário, óculos e lentes de contato, terapia psicológica, dietas como Vigilantes do Peso, etc.

Outro detalhe: diferentemente do que acontece no Brasil, remédios que só podem ser vendidos com receita são vendidos apenas com receita.

Outra coisa que o médico disse é que, se piorasse, eu deveria ir para a emergência do Eye and Ear Hospital (Hospital do Olho e Ouvido) que, apesar do nome, também cuida de nariz e garganta. E, claro, piorou. À noite a garganta estava muito dolorida, doía muito até para engolir líquidos e eu não tinha comido nada o dia todo. E foi assim que fiquei sabendo como funciona a emergência de um hospital público aqui.

Logo na entrada do hospital uma recepcionista pergunta se o que se quer é ver um médico; quando se diz sim, ela aponta na direção da emergência. Lá, outra recepcionista pega os dados do paciente (nome, endereço, número do Medicare) e diz para sentar e esperar por uma enfermeira. Até aí não houve nenhuma menção do problema de saúde que levou o paciente ao hospital.

Na área de espera, um cartaz grande explicava como funciona o setor de emergência: o primeiro contato é com uma enfermeira de triagem, que faz um exame básico, vê os sintomas e decide quão prioritário é o atendimento. Ela não faz nenhum tratamento, não receita nada; em suma, não resolve o problema. Só gerencia a lista de espera para o médico. Ou seja, o atendimento não é na ordem de chegada, mas na ordem de gravidade.

Depois de ser “entrevistado” pela enfermeira (a espera foi de uma meia hora) voltei à área de espera para aguardar ser chamado pelo médico. E o tempo de espera pode ser longo. Quando perguntei “quão longo?”, a resposta foi que não sabiam, mas podia ser bem longo porque só havia um médico atendendo àquela hora. “Bem longo, mais de um hora?” A moça riu e respondeu “uma hora, aqui, não é um tempo longo”.

Tenho que admitir que uma coisa que me chamou a atenção foi quão saudáveis os outros pacientes pareciam. Ninguém estava visivelmente doente, machucado, nem nada do gênero. Na minha triagem eu era, se não o paciente mais grave, ao menos o mais “desconfortável”. Deviam ter umas seis ou sete pessoas esperando atendimento quando cheguei e, na sala de espera, uma TV passava Scrubs (com legendas, claro, para não prejudicar pacientes com deficiência auditiva).

Resumindo, a espera foi de quase duas horas. A médica pediu muitas desculpas pela demora e comentou que só ela estava atendendo porque o hospital não tinha recebido fundos do governo para pagar mais médicos. Examinou tudo, perguntou sobre o remédio que estava tomando e depois parecia não saber bem o que fazer. Disse que eu não estava doente o suficiente para ser internado, mas nitidamente não estava muito bem. Ela acabou me mandando para casa com uma receita para remédio para dor, pois antibióticos eu já tinha. E, como eu não tinha como comprar remédios àquela hora (mais de uma da manhã), recebi dois comprimidos. Ah, a médica pediu que eu voltasse (com hora marcada) dois dias depois para nova consulta (e o folheto do hospital alertava: “reserve pelo menos duas horas”).

Uma coisa tem que ser dita: analgésicos de hospital, extra-fortes, são uma das melhores coisas que a ciência já fez pela humanidade. Isso e antibióticos. Com aqueles dois comprimidos, dormi muito bem. No dia seguinte eu não estava sensivelmente melhor; a garganta continuava muito inchada e engolir ainda era muito difícil. Mas meia hora depois de tomar os analgésicos eu conseguia comer qualquer coisa sem problemas (por umas duas horas). Isso já melhorou incrivelmente a minha “qualidade de vida”.

E, finalmente no dia seguinte, eu já estava melhor, tanto que não precisei mais dos analgésicos. Eu podia sentir que estava melhorando a cada hora, e quando voltei ao hospital, à tarde, já estava me sentindo ótimo (incidentalmente, ir àquele hospital com hora marcada é bem diferente de ir ao atendimento de emergência; fui visto pela médica rapidinho depois que cheguei, não esperei nem 15 minutos). No dia seguinte já fui trabalhar. Estou tomando antibióticos até hoje, porque o tratamento precisa ir até o fim, mas não tive mais sintomas.

Bom, é isso. O atendimento público funcionou bem, apesar da longa demora na emergência (mas, admito, não era um caso de vida e morte — e aquele hospital não parece tratar de muitos casos assim). Todo o atendimento no hospital e no consultório foi gratuito (inclusive os remédios que me deram na hora), mas os remédios comprados em farmácia foram um pouco caros. Pelo menos estou recuperado. Espero levar mais uns 15 anos até precisar de antibióticos de novo. E tampouco quero voltar a um hospital em breve.

Pessoal 14 Apr 2006 21:33

Em férias

Estou em férias; este blog provavelmente não vai ser atualizado pelos próximos 30 e poucos dias. Para quem estiver vendo esta mensagem no site, o mapinha aqui à direita vai mostrar a minha localização durante a viagem.

Atualização 19/05: estou de volta, e o mapa saiu.

Austrália &Pessoal 29 Dec 2005 19:09

Vale a pena viver na Austrália?

Essa é uma pergunta que aparece com freqüência; alguns questionam diretamente, outros deixam a pergunta “no ar”. Quem pergunta porque gostaria de vivenciar essa experiência naturalmente espera/torce por um “sim”, ainda melhor se for seguido por argumentos favoráveis e uma bela dose de incentivo. Outros podem argumentar: “isso é pergunta que se faça? É claro que a resposta é ‘sim’!”

Mas essa não é uma pergunta para a qual eu possa responder simplesmente “sim”. É um passo bastante importante que precisa ser muito bem pensado. Cada caso é um caso, é impossível dizer “vem que vale a pena”; seria muita irresponsabilidade dar um conselho assim.

A Austrália é um bom lugar para morar; é um país de primeiro mundo, mas lógico que isso não quer dizer que é um paraíso. Muitas coisas que a gente acha que “só tem no Brasil” existem em qualquer lugar: serviços mal prestados, médicos ruins, sujeira na rua etc. É diferente do Brasil porque aqui o mais normal é as coisas funcionarem como deveriam, mas não é um lugar sem defeitos. Os grandes fatores positivos que pesaram na decisão foram estabilidade (econômica, política e social) e segurança; são coisas em que o Brasil ainda deixa muito a desejar e que, ao menos para mim, afetam muito a qualidade de vida.

O clima não é muito diferente do de Porto Alegre (invernos friozinhos, verões bem quentes), só talvez menos úmido, ao menos aqui em Melbourne. A cultura, claro, é completamente diferente; em Sydney há mais brasileiros e, imagino, dá para se integrar com uma cultura mais familiar, mas em Melbourne são muito poucos. É uma mistura de povos, raças e línguas com a qual não estamos acostumados.

O que vai fazer mais diferença de pessoa para pessoa é a questão de sentir falta da família e dos amigos. Eu já morava longe dos meus pais e sem parentes por perto desde os 18 anos, então já estava acostumado a uma certa distância; acho que isso facilita bastante. Também já havia morado no exterior por algum tempo, o que ajuda não só na questão distância, mas também na questão de não esperar maravilhas. Para quem é mais próximo da família, com certeza vai ser mais difícil: aqui é muito longe, fica economicamente inviável visitar com freqüência (mesmo uma vez por ano pode ficar caro demais). Quem é muito chegado em feijoada, churrasco e pão de queijo (para não falar de chimarrão) também vai acabar sentindo um pouco mais (apesar de que tem erva-mate argentina à venda aqui).

No fim, o que dá para dizer é que depende de cada situação, de cada pessoa e personalidade. Tem que pesar os prós e contras pessoais e decidir com base nisso. O mais difícil, especialmente para quem nunca morou fora, é ter uma expectativa realista do que encontrar na vida em país de primeiro mundo. Por exemplo, quem acha que basta ganhar em dólares para comprar tudo está muito enganado, pois o Primeiro Mundo é uma grande classe média.

São muitas variáveis para serem consideradas antes da decisão, como carreira (dependendo da profissão ou do nível de estudo, é preciso voltar a estudar e obter certificações que já foram conseguidas no Brasil), vida pessoal (ter paciência e dedicação para fazer novas amizades, e agüentar a saudade dos amigos e da família) e detalhes do dia-a-dia, que exigem esforço para aprender como “funciona” o novo país.

Em resumo, para mim, está sendo “sim”. Para você, para outros, para quem seja? Cada cabeça uma resposta.

Pessoal 02 Jul 2005 15:17

Guga

Guga e a máquina de lavarEsse é o nome do gato que não tinha nome! Foi escolhido porque um dos seus brinquedos preferidos é uma bola de tênis, e porque ele adora assistir as notícias sobre o torneio de Wimbledon na TV (fica acompanhando com os olhos a bolinha ou os jogadores).

Na foto ao lado, outra das suas diversões: adora “assistir” a máquina de lavar roupas funcionando, e mesmo quando ela está parada (como nas fotos) ainda é muito interessante para ele! (clique na foto para uma versão maior)

Pessoal 14 Jun 2005 12:55

Novo membro na família

GatoNão, não é o que todo mundo está pensando.

Neste domingo fomos a um abrigo de animais e pegamos um lindo gatinho (vide foto ao lado), com uns quatro meses de idade, muito alegre e carinhoso. Foi um processo interessante. Para começar, precisamos de autorização do dono do apartamento onde moramos; animais de estimação geralmente são proibidos em imóveis alugados, mas é mais fácil conseguir autorização para gatos do que para cachorros. Conseguida a autorização (e colocada uma nova cláusula no contrato referente a danos causados pelo animal), fomos procurar um gatinho.

Já havíamos visitado dois abrigos antes: um mais ou menos perto de casa, não muito grande, e outro bem maior mas bem mais longe. Os animais disponíveis para adoção em abrigos são os que foram encontrados na rua sem identificação, ou os que foram deixados por pessoas que não têm condições de cuidar deles (por qualquer motivo). Nos dois casos, os animais sempre saem do abrigo vacinados, examinados por veterinários, castrados e microchipados (um minúsculo chip é inserido embaixo da pele do animal; caso ele se perca, quando ele for encontrado os dados do chip podem ser lidos por um aparelhinho que parece um detetor de metais, e o dono pode ser contactado); além disso, se ficarem doentes nas primeiras duas semanas, o atendimento veterinário é gratuito (mas remédios, se necessários, precisam ser pagos).

No domingo, fomos primeiro ao abrigo mais próximo; caso não encontrássemos nenhum gatinho do nosso agrado, iríamos ao outro. Mas achamos este ali mesmo, gostamos e levamos. Ganhamos uma caixa de papelão para transportá-lo, passamos por um pequeno treinamento sobre como cuidar dele (depois de uma espera de mais de uma hora…), pagamos e levamos para casa. Antes, já tínhamos comprado uma caixinha para areia, e no dia compramos areia e comida para ele.

No primeiro dia, apesar do stress da mudança, ele parecia feliz e bem, comendo bastante e brincando. Na manhã de segunda-feira (ontem, feriado), no entanto, ele vomitou, não queria comida nem água e só queria saber de dormir… ligamos para o veterinário, e ele pediu que levássemos para ser examinado. Fomos muito bem atendidos no hospital, apesar de precisarmos esperar uma meia hora (não tínhamos horário marcado, e feriados são mais movimentados). O diagnóstico, felizmente, não foi nada muito grave: o gatinho só está gripado. Os sintomas são mais ou menos os mesmos da nossa gripe (sim, ele está espirrando de vez em quando), mas o vírus não é transmitido entre gatos e humanos. Ele ganhou um remédio (um antibiótico, só para evitar a possibilidade de outras doenças enquanto está debilitado) e deve se recuperar em uns dez dias. Ele havia sido vacinado contra gripe, mas não deu tempo da vacina criar imunidade.

E é isso. Ontem à noite e hoje ele já parecia bem melhor, mais animado, e voltou a comer (e muito!). O único detalhe é que ele ainda não tem nome (na ficha do veterinário, ficou como “Cat”), mas acho que nos próximos dias a gente escolhe um.

Pessoal 18 Feb 2005 09:29

Novo vício

Vanilla Coke — Coca-Cola sabor baunilha. Uma delícia. Mas a Cris não gosta.

A propósito, acho a Diet Coke with Lime daqui melhor do que a Diet Coke Lemon do Brasil.

Pessoal 06 Dec 2004 16:00

Até a pé…

Um ex-colega de trabalho (e, antes disso, de faculdade) me mandou um e-mail recentemente contando, nas palavras dele, “a história de sua paixão tricolor”. Achei uma idéia interessante, então aí vai a minha história:

Em nasci em 1971, ano do primeiro campeonato brasileiro e ano em que o Grêmio se tornou o primeiro time a marcar um gol em um campeonato brasileiro (Grêmio 3×0 São Paulo, 07/08/1971). Mas é claro que, naquela época, eu ainda não estava prestando atenção nisso.

Minha primeira lembrança envolvendo o Grêmio é da final do campeonato gaúcho de 1976, que ouvi pelo rádio com meu pai. O Inter ganhou por 2×0 (segundo gol de Dario; lembro de ter ouvido a narração e perguntado para meu pai “o Dario é do Grêmio ou do Inter?”) e conquistou o octacampeonato gaúcho. Ou seja, foi um dos piores momentos da história tricolor, mas isso não me fez mudar de idéia; mesmo com cinco anos de idade, eu já era gremista (também não acho que, com cinco anos, eu entendesse bem o conceito de “octacampeão”…).

Mas eu não sei bem o que me levou a ser gremista. Meu pai é colorado, e minha mãe é basicamente neutra quanto a futebol. Tenho fotos minhas, quando nenê, vestindo a camiseta do Inter; ou seja, meu pai tentou me levar para o lado dele. Apesar disso, eu, minha irmã e um dos meus irmãos somos gremistas; apenas o caçula da família herdou o gene vermelho. No meu caso, em particular, acho que ao menos parte da “culpa” pode ser do Paulo Santana.

Parênteses para eventuais não-gaúchos que lerem este texto: Paulo Santana é um comentarista esportivo fanaticamente gremista que, naquela época, apresentava um segmento de um programa jornalístico estadual no horário do almoço em que ele falava, principalmente, do Grêmio. Hoje em dia ele ainda tem um segmento no mesmo programa, mas ele tem falado menos de futebol e mais de outros assuntos. Ele também tem uma coluna diária no Zero Hora, mais ou menos com o mesmo perfil. Ele é responsável por alguns dos momentos mais folclóricos da televisão gaúcha, quase sempre envolvendo glórias ou tragédias gremistas (muito mais glórias do que tragédias). Ele ficou conhecido mundialmente alguns anos atrás por escrever na sua coluna a respeito de sua experiência com Viagra, quando esse remédio ainda era uma novidade; o texto em questão foi mencionado pela Newsweek e pela CNN.

Pois bem, naquela época eu adorava o Paulo Santana; assistia todos os dias, fielmente, e gostava tanto dele que, quando minha mãe ficou grávida, no início de 1976, eu pedi insistentemente que, caso fosse menino, o nenê fosse chamado de Paulo Santana (lembrem-se, eu tinha quatro anos). Felizmente, foi menina. Em todo caso, acho que há uma boa chance de que ele seja o responsável pela minha seleção de time. Lógico que também é possível que algumas pessoas nasçam gremistas e outras nasçam coloradas; não sei se alguém já fez alguma pesquisa séria sobre o assunto.

Voltando a história, a minha lembrança seguinte é da final do campeonato gaúcho de 1977, aquele Gre-Nal histórico que o Grêmio ganhou por 1×0, gol de André Catimba (que tentou dar um salto mortal para comemorar o gol, errou o pulo, caiu de peito no gramado e ali ficou até sair de maca), acabando a série de campeonatos do Inter. Essse jogo eu já assisti pela televisão, e vi o gol e a festa ao vivo. E esse é o famoso Gre-Nal que não terminou; aí pelos 40 minutos do segundo tempo o juiz marcou uma falta perto do meio do campo, e a torcida entendeu mal e invadiu o campo. Acabou ficando por isso mesmo, e foi um dia de muita festa; lembro de ter ido à avenida principal da cidade para ver a carreata gremista, com uma infinidade de carros, bandeiras e fogos.

Depois disso, lembro da final do campeonato brasileiro de 1981, contra o São Paulo, lá no Morumbi. Lembro em particular do golaço do Baltazar, da entrada da área, encobrindo o Valdir Perez, que seria o goleiro da seleção na Copa de 1982 (e por que é que o Baltazar não estava naquela seleção?).

Em 1982 participamos da nossa primeira Libertadores, mas, ainda sem muita prática, não fomos tão bem. Mas chegamos de novo à final do Brasileiro (perdemos para o Flamengo no Maracanã), e pudemos disputar a Libertadores de 1983. E aí chegamos aos nossos maiores títulos: ganhamos do Peñarol, fomos campeões da América e fomos a Tóquio! Lá, ganhamos do Hamburgo, com dois gols do Renato Portaluppi (na época ele não era Renato Gaúcho ainda), um deles na prorrogação, e a festa durou a madrugada inteira. Acho que foi a primeira vez que fiquei acordado até tão tarde, e lembro da narração do Celestino Valenzuela comemorando cada gol do Grêmio. Como disse o Zero Hora no dia seguinte, a Terra é azul!

Os anos seguintes não foram particularmente vitoriosos, exceto por vários campeonatos gaúchos e pela Copa do Brasil de 1989 (fomos o primeiro campeão desse campeonato, o maior ganhador até hoje, com quatro títulos e três vice-campeonatos e, até aparecer a regra de que “time na Libertadores não joga Copa do Brasil”, éramos o único time a ter participado de todas as edições). 1991 e 1992, como todo gremista sabe, foram anos particularmente ruins, mas demos a volta e retornamos em grande estilo.

Em 1994 fomos bicampeões da Copa do Brasil, e em 1995 fomos bicampeões da América, empatando com o Atlético em Medellín. Fomos de novo a Tóquio, mas perdemos nos pênaltis para o Ajax (eu estava nos EUA e não assisti o jogo; só fiquei sabendo do resultado pela manhã). Mas esse é um torneio em que a mera participação é uma vitória; só dois times no mundo participam a cada ano, e uma derrota, ainda mais nos pênaltis, não é nada para se envergonhar. Quem já chegou lá, sabe disso; quem não chegou, só pode sonhar. Vice-campeão mundial, e com orgulho!

E seguimos as conquistas com o brilhante campeonato brasileiro de 1996, com aquele gol mágico do Arílson Aílton nos últimos minutos do jogo: 2×0 contra a Portuguesa! Eu estava ainda nos EUA, e liguei de um telefone público, no meio do Monterey Aquarium, para o Brasil para saber como estava; consegui ouvir, pelo telefone, o Galvão Bueno narrando o final do jogo, e comemorei de longe! No ano seguinte ganhamos a Copa do Brasil, com um empate dramático contra o Flamengo, no Maracanã, que acompanhei com a narração da Rádio Gaúcha via RealAudio (provavelmente comemorei com alguns minutos de atraso…).

O resto é história recente… ganhamos do Corinthians no Morumbi, 3×1, para conquistar o tetracampeonato da Copa do Brasil e para fazer o Galvão gritar “é tetra!” para o país todo. E, nesses anos todos, tivemos várias outras alegrias e tristezas; como disse antes, muito mais alegrias que tristezas.

Um grande time não deixa de ser grande de uma hora para a outra, e a torcida de um grande time não o abandona em momentos difíceis. Como a história mostra, foi depois dos nossos piores momentos que vieram nossas maiores conquistas. E, como o nosso hino diz, a torcida estará junto onde o Grêmio estiver. Então, posso dizer com segurança: em frente, Grêmio! Rumo a Tóquio!

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