Category ArchiveBrasil
Acaso &Austrália &Brasil 13 Jun 2006 12:49
Começou a Copa
E já estou vendo que vou precisar deixar para dormir bastante em julho, porque em junho não vai dar.
Para sorte de quem mora na Austrália, a Copa começou em um feriadão aqui; deu para aproveitar alguns dias indo dormir tarde sem precisar acordar cedo no outro dia. Ainda assim, a maioria dos jogos acontece em horários proibitivos (às 2 e às 5 da manhã). Por sorte, o canal que está transmitindo os jogos reprisa um deles no dia seguinte, às 5 da tarde; indo para casa rapidinho depois do trabalho vai dar para assistir quase tudo.
Na noite passada foi a estréia da Austrália; mesmo com um frio de 6 graus e um aviso da prefeitura de que não haveria trens depois do jogo, umas 5.000 pessoas (incluindo mais de 100 torcedores japoneses) se reuniram na Federation Square, no centro de Melbourne, para assistir o jogo no telão (todos os jogos estão sendo exibidos no telão, não só os da Austrália). Foi um jogo sofrido para os australianos; o time estava praticamente dominando o jogo e levou um gol no primeiro tempo em uma jogada completamente besta (e com falta no goleiro, que o juiz não marcou). Depois parece que eles desanimaram um pouco, mas quando saiu o gol de empate, faltando seis minutos para o fim, os japoneses “se desmontaram”. Foi uma vitória merecida para a Austrália, na minha opinião; uma derrota teria quase que completamente arrasado o sonho de passar para a segunda fase.
E depois teve festa pela cidade, com direito a muitas buzinas. Pelo que li no jornal, o principal local de comemoração foi na escadaria do prédio do Parlamento, mas o centro todo esteve bem barulhento por um bom tempo depois do fim do jogo. E hoje, no trabalho, até quem não gosta de futebol está conversando sobre o jogo. O país está realmente animado com a seleção; até o Primeiro Ministro gravou uma mensagem para os jogadores (e não chamou ninguém de gordo).
Sobre os outros jogos que assisti… Inglaterra x Paraguai foi incrivelmente chato, enquanto que Alemanha x Costa Rica foi bom de assistir porque foi um jogo “aberto”; todos os jogos envolvendo times africanos tendem a ser assim, também, mas só vi o da Argentina x Costa do Marfim.
Um detalhe interessante é que nunca se vê tantas menções ao Brasil na TV fora do país quanto em época de Copa. Normalmente só se vê notícias ruins (os sem-terra invadindo o Congresso, por exemplo), mas agora qualquer chamada sobre futebol tem jogadas do Brasil; até comerciais fazem isso. No comercial das TVs LG, por exemplo, o jogo que aparece é Brasil x Argentina.
Agora é torcer bastante para o Brasil ganhar da Croácia amanhã cedo, para não ter que agüentar os australianos nodia seguinte perguntando o que houve com o Brasil…
Acaso &Brasil 10 Apr 2006 13:57
Centros
Vi que a Zero Hora está publicando uma série de reportagens sobre a deterioração do centro de Porto Alegre. Segundo a matéria de domingo, a população do centro caiu de 49.000 em 1980 para 34.000 hoje, o que é uma perda de mais de 30% em um período em que a população da cidade aumentou em 26%. A reportagem cita alguns motivos, e dá o exemplo da transformação da Salgado Filho de “rua chique” em rodoviária a céu aberto, com inúmeros terminais de ônibus urbanos tornando o ambiente um inferno. O efeito é uma debandada da população para bairros mais distantes e a desvalorização dos imóveis existentes; quem ainda tem, não consegue mais vender nem alugar (20% dos imóveis disponíveis para aluguel em Porto Alegre ficam no centro).
Em morei no centro de Porto Alegre por vários anos, até 2004, e hoje moro no centro de Melbourne, e o interessante é que aqui está acontecendo, mais ou menos no mesmo período, exatamente o oposto de Porto Alegre. A população do centro de Melbourne subiu de menos de 1.000 em 1990 para 11.200 em 2005 (62% são estrangeiros); incluindo os bairros próximos, que compõem a City of Melbourne, o aumento foi de 39.000 em 1996 para 65.000 agora. O aumento da população é gerado principalmente por jovens e profissionais liberais, que são exatamente as categorias que mais rapidamente estão sumindo do centro de Porto Alegre (20% dos habitantes que sobraram tem mais de 60 anos; a média da cidade é 12%).
Como é que o centro de Melbourne se recuperou? Um pouco foi um efeito da própria desvalorização dos imóveis causada pelo “esvaziamento” dos anos anteriores; imóveis baratos atrairam estudantes e jovens, e com eles comércio, bares, cafés etc. Há duas universidades grandes próximas do centro (como a UFRGS em Porto Alegre), o que faz com que seja uma localização ótima para os estudantes que vêm do exterior.
Mas também houve ação do governo municipal e estadual: um programa iniciado em 1992 trouxe melhor policiamento, criação de espaços públicos, parques e instalações culturais (como a Federation Square, que antes era um parque de manobras ferroviário), recuperação de ruas e calçadas, incentivos para construtores e até a criação de novas áreas residenciais (o bairro de Docklands era uma área portuária desativada e decadente, hoje tem vários prédios com apartamentos caríssimos; qualquer semelhança com o porto do Guaíba é mera coincidência). Até marketing foi feito, incentivando as pessoas a vir para o centro e conhecer os prédios sendo construídos.
E deu certo; o centro de Melbourne hoje é citado mundialmente como um exemplo de programa de revitalização que deu certo. Se tornou uma área “cool”, e até um pouco cara para os moradores. O que cria certos problemas, claro: pequenas empresas começam a ter problemas por causa de aluguéis caros, moradores começam a reclamar do barulho causado pelo aumento da população e do movimento etc. Mas, em geral, continua sendo bem melhor do que um centro que vira um “deserto” à noite.
Isso pode servir de lição para Porto Alegre? Eu acredito que sim, mas exige uma certa boa vontade do governo. O problema do centro, hoje, é que não é um lugar agradável para se viver, em poucas palavras. É barulhento, pouco seguro, sujo, tomado por camelôs e ônibus (bom, já era assim quando saí, em 2004; imagino que hoje não tenha mudado muito para melhor). Não há muitas áreas verdes, não há prédios novos, não há (muito) comércio de qualidade, quase não há cinemas etc. etc. Isso não vai mudar sem ação do governo. Notem que já há algo bom acontecendo, que é a queda significativa dos preços de imóveis (para aluguel e aquisição), o que atua como um atrativo para pequenas empresas, profissionais liberais e jovens em geral e pode começar a fazer o centro “respirar” um pouco. A questão, como sempre, vai ser dinheiro e vontade política.
P.S.: E viva o Grêmio!
Acaso &Brasil 07 Apr 2006 22:48
O astronauta brasileiro
Pelo que estou vendo, parece que o assunto foi bem comentado nos EUA. Virou até piada no The Onion.
Agora é só esperar para ver quem vai reclamar dos estereótipos…
Brasil 31 Mar 2006 16:00
Danças
Eu sei que estou fora do Brasil há algum tempo, mas às vezes as notícias de lá me parecem meio surreais.
Tomemos o caso da dança da deputada. Vejamos se eu entendi: um deputado estava sendo acusado de receber dinheiro ilegalmente e foi a julgamento na Câmara. Foi absolvido. Uma deputada, amiga e colega de partido dele, comemorou a absolvição dançando no plenário; foi suspensa e vai sofrer um processo administrativo por quebra de decoro.
Agora, pergunto: se o deputado foi absolvido, é porque supostamente é inocente, ao menos para a Câmara e oficialmente. Nesse caso, a deputada estava dançando para comemorar o fato de um amigo e colega seu, que é oficialmente inocente, ter sido absolvido; nada mais justo. Qual foi a quebra de decoro, então? Dançar no plenário rende processo e suspensão?
(não estou dizendo que o deputado seja inocente; não estou acompanhando muito as notícias, não sei se ele é inocente ou culpado e, na verdade, não me interessa muito; só estou intrigado com a hipocrisia de absolver o deputado e punir quem fica feliz com isso)
Austrália &Brasil 30 Jan 2006 15:07
Floripa na mídia
Brasil 06 Dec 2005 16:43
Final do campeonato
O controverso final do campeonato brasileiro repercutiu na imprensa aqui também… foi notícia no jornal, no programa esportivo da SBS de ontem à noite (que mostrou os gols dos jogos do Corinthians e do Inter) e está em destaque no site da SBS:
Outra bagunça no Brasil
O futebol brasileiro voltou aos velhos tempos neste fim de semana, quando Corinthians e Internacional fizeram uma volta olímpica depois de seus respectivos jogos e se declararam ganhadores do campeonato nacional.
O resto do (longo) artigo descreve toda a confusão do campeonato deste ano e ainda relembra outros anos complicados: 1987, com a Copa União; 1996, com a virada de mesa do Fluminense; 1999/2000, com a Copa João Havelange, inventada por causa do Brasiliense Gama e que também acabou em confusão; e alguns outros que eu nem lembrava.
Opinião rápida: quem não esperava confusão no fim do campeonato, depois do caso dos 11 jogos anulados, estava sendo inocente… só podia dar no que deu.
Brasil 03 May 2005 17:10
Sem comentários
Da entrevista que o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, deu à Folha de São Paulo:
- sobre sexo antes do casamento: “Acho que a mulher [ao casar] tem que ser virgem, tem que ser pura. O homem não, muitas vezes quer aprender como fazer o serviço. Tem que aprender com quem estiver disposta a ser professora.” (logo antes, disse ter casado “mais ou menos virgem”)
- sobre nepotismo: “Por que o meu filho não deveria ser nomeado? Só porque é meu filho? Ele deveria ser punido? Gostaria que se fizessem estas perguntas aos dirigentes das empresas. Os jornais Folha de S.Paulo ou Estado de S.Paulo não são dirigidos de pai para filho? Qual a diferença?”
- sobre aborto em caso de estupro: “Se houve o estupro, a criança deve nascer. O estupro é um acidente horrendo.”
- sobre conceder privilégios a amigos: “Primeiro devemos respeitar as pessoas como seres humanos, que precisam de alguém para confiar. Eles [amigos e eleitores] têm a mim”
- sobre ter usado seu papel de deputado para livrar da cadeia um amigo que quebrou as dependências de um bar: “Se formos castigar todos os que bebem, não haveria cadeia para todo mundo que bebe.”
Mais detalhes no site sobre a Sabatina da Folha.
Brasil 30 Apr 2005 00:31
Esporte errado?
Será que o problema (bom, um dos problemas) do Brasil é ter “escolhido” o esporte errado?
Explico. Na Austrália, existem três esportes muito populares, tanto quanto futebol no Brasil: cricket, rugby e futebol australiano. O primeiro é popular no país todo, os outros dois são um pouco mais “regionais”: futebol australiano é muito mais forte em Victoria (onde fica Melbourne), rugby em New South Wales (Sydney) e Queensland (Brisbane). Cricket e rugby também são populares no resto dos países da comunidade britânica (e, curiosamente, na Argentina), enquanto que futebol australiano só se joga aqui.
O “nosso” futebol não é tão popular aqui, mas existem times locais, formados principalmente por imigrantes europeus, que disputam torneios com públicos relativamente pequenos (há uma tentativa em andamento de criar uma liga e um campeonato nacional, nos moldes dos outros esportes, com o objetivo de ter um representante no Mundial Interclubes da FIFA, mas é algo meio incipiente ainda).
Pois bem, rugby e futebol australiano são esportes extremamente violentos. E, diferentemente do futebol americano, os jogadores não usam grandes proteções. Nas primeiras quatro rodadas dos campeonatos deste ano aconteceram pelo menos duas fraturas de clavícula, uma de mandíbula, uma na perna e uma fissura de crânio; e isso é o que me lembro agora, acho que houve mais. A torcida, por outro lado, tem comportamentos exemplares: o estádio é, sim, um lugar para ir com a família toda, e não sei de incidentes de violência, antes, durante ou depois dos jogos. Os jogos têm policiamento, sim, mas os policiais ficam na beira do campo sentados em cadeiras de praia, olhando o jogo (e não a torcida). E não existe separação entre torcidas: mesmo com dois times locais jogando, as torcidas são misturadas pelo estádio todo. Imaginem um Gre-Nal ou um Fla-Flu assim.
Ou um jogo entre South Melbourne e Preston, que é onde eu queria chegar. Recentemente ocorreram incidentes de brigas entre torcidas em jogos de futebol (o nosso futebol) aqui em Melbourne e em Sydney. Nos dois casos, apesar de policiamento intensivo, separação entre as torcidas e “barricadas” entre elas, houve invasão de campo, agressões a policiais e torcedores, arremessos de objetos etc. Cogita-se fazer os próximos jogos sem torcida ou exigir identificação dos torcedores na entrada do estádio (o público costuma ser ao redor de 7.000 pessoas). E não é algo isolado, há precedentes históricos de brigas entre torcidas de futebol aqui; assim como acontece na Europa.
Será que existe algo na dinâmica do futebol que leva a animosidades maiores entre torcidas do que em esportes mais violentos? No futebol australiano (como no hóckei sobre gelo dos EUA) é comum ocorrerem brigas entre jogadores, mas isso acaba (em geral) não se propagando para a torcida. Já no nosso futebol, os ânimos se acirram muito mais na torcida que no campo, em qualquer lugar do mundo; por quê?
(Tocando no assunto, a Zero Hora publicou uma reportagem hoje sobre “a geral do Grêmio”, mostrando que não é exatamente um lugar muito agradável mesmo em dias pacíficos (“…os torcedores localizados na parte de cima da arquibancada descem os degraus correndo, levando quem está no caminho, como em uma avalanche…”). Não tenho motivos para crer que seja diferente na geral de qualquer outro estádio brasileiro. Por mais gremista que eu seja, se no estádio é assim, futebol para mim é na TV.)
Brasil 12 Apr 2005 15:10
Como é que é?
Eu acompanho um pouco as notícias do Brasil pela Internet, mas eu acho que eu perdi um pedaço da história neste caso: de acordo com uma reportagem da Folha Online, o MST vai apresentar uma denúncia à Promotoria alegando que 150 famílias estão sendo ameaçadas de expulsão de uma propriedade que eles invadiram.
Agora… eles não deveriam estar sendo ameaçados de expulsão, ou mesmo expulsos, justamente pela Promotoria? Ou eu não entendi alguma coisa importante? Me parece que quem invadiu uma propriedade não tem muito direito de se sentir seguro ali, mas essa é só a minha opinião…
Brasil 11 Nov 2004 11:04
O voto, esse desconhecido
Eu andei pensando ultimamente sobre as eleições que aconteceram recentemente no Brasil, nos EUA e aqui. Não no resultado, no entanto; andei pensando sobre o processo (embora os resultados também sejam interessantes).
E cheguei à conclusão de que um dos problemas do sistema no Brasil é que a gente trata o voto como um dever, não um direito. Claro, em todas as eleições aparecem aquelas campanhas falando sobre como votar é um direito do cidadão, que não deve ser desperdiçado, que é um direito democrático e assim por diante. Mas a gente, incluindo o governo e os tribunais eleitorais, não age assim. O melhor exemplo disso, na minha opinião, é o tratamento dado a quem está impossibilitado de votar no dia da eleição. Se, casualmente, você estiver fora da sua cidade de registro, o que acontece? Você é liberado da necessidade de votar, precisando apenas justificar a ausência. Mas, e se você quiser votar? Afinal, é um direito; não deveria deixar de sê-lo só porque você viajou. Você não pode ser “liberado” de um direito, apenas de uma obrigação.
Similarmente, se você estiver doente, você está liberado. Se você for um deficiente físico e o seu local de votação for inacessível para você, você está liberado. Se você trabalha em uma plataforma de petróleo, ou é piloto de avião, ou é astronauta e está em órbita, está liberado. Mas, na prática, essa “liberação” quer dizer que você perdeu o seu direito. Você não tem opção; se você quisesse exercer aquele direito, azar.
O que quero dizer é que, se a gente realmente tratasse o voto como um direito, o sistema de votação deveria fazer o maior esforço possível para garantir que qualquer um que queira votar possa fazê-lo. E não é assim. A única concessão que o sistema faz a pessoas em situações especiais é o caso de brasileiros que residem no exterior (permanentemente, não adianta estar apenas viajando na época da eleição) podendo votar para presidente. Mas, mesmo assim, isso vale apenas para os que podem comparecer ao consulado ou embaixada mais próximo, que nem sempre é tão próximo. É por isso que, mesmo com voto obrigatório, o comparecimento costuma ficar na casa dos 85%; os outros 15% talvez até quisessem votar, mas não podiam. E 15% dos votos é muita coisa.
Comparemos com os EUA, onde o voto não é obrigatório. Quem está fora da sua cidade pode requisitar uma cédula para votar pelo correio; quem está doente e não pode comparecer, idem (certo, nem sempre a cédula chega a tempo, mas isso é um problema de implementação; o sistema existe). Quem está na sua cidade mas não vai poder comparecer no dia (por estar trabalhando, por exemplo) pode votar antes. É possível se registrar para votar até poucos dias antes da eleição. E, se houver algum problema com o seu registro, você ainda assim pode votar provisoriamente, e o seu voto vai ser contado se tudo estiver ok. Não é um sistema infalível, claro, mas, como falei antes, ao menos há a intenção no sistema de que todo mundo que quer votar possa fazê-lo.
Uma comparação melhor talvez seja com a Austrália. Aqui, como no Brasil, o voto é obrigatório. E, diferentemente do Brasil, estar fora da sua cidade não é desculpa; poucas coisas liberam alguém de votar. O comparecimento é de cerca de 96%, em geral. Existem os mesmos sistemas dos EUA: voto pelo correio e voto antecipado, para quem sabe que vai estar impossibilitado de votar. E, além disso, quem está fora do seu estado pode votar normalmente em qualquer ponto de votação, em uma cédula especial (a votação é toda em papel). De maneira geral, quem quer votar vai ter uma maneira de fazê-lo.
Exagero meu? Talvez. Mas, na minha opinião, antes de nos orgulharmos muito de termos um sistema totalmente eletrônico e que dá o resultado em poucas horas, temos que pensar se estamos, realmente, fazendo uma eleição que ouve o que todo mundo tem a dizer; eu acho que 15% é um percentual muito grande de pessoas que, potencialmente, não estão exercendo seu direito. Com um sistema informatizado tão moderno como o que o TSE diz que temos, deveria ser simples permitir, por exemplo, que qualquer pessoa vote em qualquer zona eleitoral e veja os seus candidatos na urna; assim, quem já comparece a uma zona para justificar o voto compareceria, ao invés, para votar. Essa simples medida já atenderia muita gente.

