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Brasil 08 Sep 2006 13:48
Eleições II
Ontem falei sobre o candidato favorito nas pesquisas, o atual presidente. Hoje, seguindo na ordem de colocação nas pesquisas, falo sobre o segundo colocado.
Geraldo Alckmin
Eu iria comentar sobre o programa de governo de Alckmin se o tivesse encontrado. O site do candidato tem uma área chamada “Metas para o Brasil”, mas ali ele só fala sobre agricultura, defesa, nordeste e saúde. Alguma coisa parece estar faltando.
No texto que está ali há itens positivos, como a política anti-tabagista e a ênfase em não aceitar invasões a propriedades rurais, e itens negativos, como usar o dinheiro do governo para pagar seguro para agricultores. Mas, honestamente, senti falta de ler a respeito de direitos humanos, economia, emprego, previdência…
No site do PSDB, por outro lado, há o programa do partido, que foca vários desses pontos. Um item bastante favorável se refere à reforma política: o PSDB defende um sistema um pouco mais distritalizado, enquanto que o PT quer manter o sistema proporcional atual quase que inalterado. Um sistema distrital me parece muito melhor, desde que acoplado a medidas que aumentem a força dos partidos (e não dos candidatos).
O item que se refere a alterar a legislação trabalhista para diminuir os custos de contratação de funcionários, embora impopular, é para mim um ponto também fortemente positivo. Achei fraco o trecho que aborda previdência social; embora mencione a necessidade de mudanças, não dá nenhuma idéia de que mudanças seriam essas, e não parece indicar uma intenção de “cortar fundo” para resolver os problemas; em particular, há uma menção explícita da intenção de usar receita de impostos para cobrir o rombo da previdência, o que para mim é algo insustentável (e moralmente errado).
Não gostei, também aqui, do apoio à reserva de vagas em universidades por critérios raciais. Gostei menos ainda do apoio a incentivos fiscais por critérios raciais. Gostei, no entanto, da menção clara ao direito da mulher ao controle do próprio corpo (leia-se “direito a aborto”).
De maneira geral, o programa é um pouco mais intervencionista do que eu gostaria (o “S” na sigla é “Social”, afinal de contas, e há que se lembrar que foi o PSDB que nos deu o Bolsa Família), mas muito melhor do que os dos partidos mais de esquerda. Ele sucumbe a algumas expressões típicas da esquerda mais radical (”…os poderosos grupos que atuam no setor [farmacêutico]“), mas ganha muitos pontos ao dizer que “as reformas desejadas não virão como doação providencial de um Estado forte ou de uma chefia autocrática”. Quem lê o programa reconhece claramente ali o que aconteceu nos oito anos de FHC, o que para uns é algo ótimo, para outros é algo terrível. Para mim é algo bastante razoável (e demonstra que, de maneira geral, o partido pratica o que prega).
Amanhã Segunda-feira: Heloísa Helena.
Brasil 07 Sep 2006 14:30
Eleições I
Um assunto sobre o qual eu não costumo escrever muito é política. Mais ainda, eu já comentei aqui neste blog que não vou votar nas eleições deste ano, portanto, nem sequer posso “abrir meu voto” porque, bem, não há voto para ser aberto. Apesar disso, eu tenho uma preferência na eleição para presidente, e é uma preferência relativamente bem embasada. Então, decidi aproveitar esse sete de setembro para começar uma breve série sobre os principais candidatos a presidente, com os meus comentários sobre seus programas de governo e porque eu votaria ou não em cada um.
Lembrando, claro, que essa é a minha opinião, baseado em como eu acho que o governo brasileiro deveria se comportar e em como os candidatos dizem que irão se comportar se eleitos.
Então, vejamos, um candidato de cada vez, começando com o favorito.
Lula
Várias coisas me incomodam com o atual presidente; elas já fizeram com que eu não votasse nele antes, e garantem que ele também não seria a minha escolha para este ano. E não estou me referindo (diretamente) às acusações de corrupção.
O meu principal problema é com a ideologia do partido. O PT, por mais que tente amenizar, é um partido com uma ideologia socialista, de “governo grande”, e isso é diretamente oposto ao que eu acredito. A visão petista (e lulista) é de que cabe ao governo “tomar o país pela mão” e levá-lo ao caminho certo; o problema é que o governo nem sempre sabe qual é o caminho certo. Essa visão fica clara no programa de governo do partido, que enfatiza inúmeros “planos nacionais” e “sistemas nacionais” para resolver questões específicas.
E é muito clara também no caráter assistencialista de vários programas governamentais, como por exemplo o tão falado Fome Zero e o tão explorado Bolsa Família. Mas isso é característico de governos de esquerda, e provavelmente indica mais incompetência do que maldade (quero dizer, eles acham que assistencialismo é bom; não estão intencionalmente tentando deixar a população pobre completamente dependente do dinheiro do governo — que, vale lembrar, é o dinheiro de todos nós). Mas que eles exploram isso bem, eles exploram.
Essa visão de “confie em nós, nós sabemos o que é bom para todo mundo” é perigosa; o governo (qualquer governo, não só um governo petista) não sabe o que é certo para todo mundo, e não é papel do povo confiar cegamente no governo: o papel é cobrar, reclamar, pedir explicações — e recebê-las! Essa visão não é exclusiva do PT; ela tende a ser um pouco endêmica em partidos de esquerda, que por se focarem na sociedade antes do indivíduo costumam se colocar no papel de “protetores” do “homem comum” e ignorar críticas como sendo não-representativas. Isso acaba por deságuar na atitude de “os fins justificam os meios”: como eles acreditam que estão fazendo o bem, acham que qualquer atitude que leve na direção pretendida é válida. Mas estou fugindo do assunto.
Um problema secundário é com a imagem passada pelo presidente. Mais agora do que antes de ser eleito, a impressão é que Lula tenta a cada momento glorificar a imagem do “homem comum”; ele exalta a idéia de que, se não é necessário estudo ou conhecimento para governar um país, por que seria necessário para qualquer outra coisa? O programa de governo tem um capítulo sobre educação que é relativamente bem escrito (embora seja interessante ver o mesmo programa mencionar “fortalecer o caráter inclusivo e não-discriminatório da educação” e reserva de bolsas para afrodescendentes e indígenas), mas as atitudes públicas do presidente não colaboram.
Amanhã: Geraldo Alckmin.
Acaso & Brasil & Pessoal 23 Aug 2006 15:09
Sobre etiqueta no Orkut
Tenho uma pergunta para os meus leitores em geral.
Como todo mundo sabe, o Orkut é muito mais popular no Brasil do que em qualquer lugar do mundo. Uma coisa que me chamou a atenção quando estive recentemente no Brasil foi o número de menções ao serviço na imprensa, na TV, em livros etc., sempre sem explicações (ou seja, como se todo mundo soubesse o que é). Aqui, ninguém fala nele, e creio que muita gente nem sabe que ainda existe.
Pois bem. Eu estou cadastrado desde os primeiros dias do serviço, mas recentemente (leia-se “nos últimos 12-18 meses”) quase não tenho acessado. Acabo entrando lá mais ou menos uma vez por mês só para limpar o spam do scrapbook (que, se eu pudesse, eu teria desabilitado); sempre que faço isso, lá estão me esperando vários pedidos de contato de “amigos” dos quais eu nunca ouvi falar. O que eu faço é simplesmente clicar em “não” na pergunta sobre “você conhece essa pessoa?”.
Nessa última vez, no entanto, um desses pedidos de contato era de uma pessoa que eu conheço; tive algum contato com ele na época de universidade, e algum contato profissional depois. A minha tendência, então, seria dizer sim, conheço essa pessoa. Só que, no perfil dessa pessoa, o nome dela aparece não como, por exemplo, “Isaac Gerânio” (nome fictício), mas como “Isaac Gerânio para Deputado Estadual n° 99123″.
E aí vem a pergunta. Eu não quero usar a minha lista de amigos como palanque para um candidato a deputado em quem eu, mesmo conhecendo, não votaria, de um partido no qual eu não votaria. Tampouco quero que a presença de uma mensagem de candidato na minha lista de amigos seja interpretada como um apoio meu ao candidato. Qual seria a atitude correta, portanto? (a) clicar em “sim”, porque afinal eu conheço a pessoa; (b) esperar a eleição passar e depois clicar em “sim” para estabelecer o contato; (c) clicar descaradamente em “não”, já que o pedido de contato foi completamente interesseiro e não sincero; (d) nenhuma das acima.
Agradeço sugestões.
Acaso & Brasil 01 Aug 2006 15:07
Paga o justo…
…pelo pecador. Isso era o que costumava dizer uma professora minha, nos tempos de criança, quando ameaçava deixar a turma toda sem recreio porque um troglodita mirim havia, por exemplo, jogado futebol com a cestinha de lixo.
Sempre achei essa expressão um absurdo. Não lembro de alguma vez em que a professora tenha realmente cumprido a ameaça, mas isso não vem ao caso: a própria existência da ameaça é um absurdo. Afinal, se o justo (no sentido de “correto”) pode ser punido tanto quanto o infrator, qual é o incentivo para ser correto? É possível até argumentar que o infrator é menos punido do que os outros alunos; afinal, o pequeno australopiteco de uniforme teve seu divertimento chutando o lixo, para ele não faz mais diferença ficar sem recreio. Eu, que queria ir à biblioteca, é que sofro. Por exemplo.
E, também, me pergunto qual o objetivo da professora com uma punição generalizada. Se ela não soubesse quem era o infrator, o gesto poderia ser visto como uma tentativa de fazer com que alguém o delatasse. Mas é óbvio que isso não iria funcionar: o nosso Moe tem a capacidade de aplicar uma punição muito pior, e muito mais longa, do que um recreio perdido. Ele não é restrito pelas leis que controlam o comportamento dos professores, nem tem (ou sente) algum dever de zelar pelo bem estar dos seus colegas mais evoluídos.
E se ela soubesse quem era o infrator (como costumeiramente era o caso), a situação seria ainda mais imperdoável. A única possível explicação é que ela esperaria que os inocentes sendo punidos se sentiriam compelidos a evitar futuros incidentes causados pelo menino das cavernas, o que é claramente impossível (ver parágrafo acima).
Na verdade, uma punição no estilo “justo pelo pecador” é sintoma de preguiça. É mais fácil aplicar uma punição que engloba todo mundo, com a certeza de que quem causou o problema entra junto (mesmo que os inocentes sofram mais do que os culpados), do que se esforçar para punir apenas quem merece ou, melhor ainda, evitar que o problema aconteça. Mas a professora, depois de anos lidando com as mesmas situações, se cansa e vai pelo caminho mais fácil. Compreensível, até. Exceto para o aluno que não fez nada e fica ali na sala de aula ouvindo o resto da escola se divertir.
Tudo isso para falar dos eventos do Gre-Nal e da idéia de punir o Grêmio pelos atos da torcida. Falou-se, logo após o jogo, até em punições “exemplares”, como por exemplo suspender o time do campeonato. O resultado? Punir-se-ia quem não teve nada a ver com a história.
Certo, presumivelmente uma punição ao time afeta também os torcedores que causaram o problema. Afinal, um bom gremista não quer ver o time perdendo mando de campo, ou pontos, ou dinheiro (se tiver que jogar sem torcida). Mas a questão é que existem muito mais gremistas que também são punidos “no embalo” e que nunca na vida cogitaram colocar fogo em um banheiro químico (ou, mesmo, nunca cogitaram entrar no Beira Rio). Também são punidos junto os jogadores, os funcionários (um time sem dinheiro não paga salários), os concessionários do Estádio Olímpico e assim por diante. Nenhum dos quais teve nada a ver com o evento, nem tem como evitar o ocorrido ou auxiliar na punição das pessoas corretas. Como os alunos lá de cima, o seu único erro foi fazer parte do mesmo grupo que alguns trogloditas.
Mais ainda: se for comum que os atos da torcida gerem punições sérias para o seu time, isso passa a ser interessante para os membros da torcida oposta. Afinal, quem garante que as pessoas com camiseta do Grêmio tentando derrubar as cercas do Beira Rio eram, realmente, gremistas? Poderiam ser colorados fazendo o papel de agent provocateur para tentar gerar uma punição para o rival. Não, não acho que foi isso que aconteceu nesse caso em particular. Mas não demoraria para alguém perceber as possibilidades. Se o ganho possível é a desclassificação ou rebaixamento do rival, vale a pena.
Sim, eu sei que o hábito de punir o time existe há tempos e não é coisa só do Brasil. Torcedor invade o campo? Pune-se o time; o torcedor fica na boa. Torcedor xinga adversário, derruba cerca, atira pedra no juiz? Pune-se o time. E assim por diante. Não é porque é algo “comum” que é algo certo. Incidentalmente, eventos muito mais graves já ocorreram sem se cogitar “punições exemplares” para o time, para usar a expressão da CBF. Já mataram torcedores em estádios ou na saída destes, por exemplo, sem gerar todo esse barulho.
Lógico que o que aconteceu no estádio merece punição. As pessoas que colocaram fogo nos banheiros, jogaram pedras nos bombeiros, tentaram derrubar cercas ou, de maneira geral, causaram prejuízos ou agrediram alguém merecem ser punidas. E não só “futebolisticamente”; afinal, estádios não são território da FIFA (mas bem que a FIFA gostaria…), as leis do país continuam valendo. Já se vê o MP e a polícia se encaminhando para isso, o que é bom.
Mas há que haver uma punição esportiva também, como a usada contra hooligans na Europa. Basicamente, quem faz uma coisa dessas nunca mais pode entrar em um estádio de futebol. Nem no do São José. Nem para ver a chegada do Papai Noel. Aliás, não deveria nem poder assinar o pay-per-view ou ir a botecos que estivessem exibindo as partidas. Sim, eu sei que hoje em dia isso é impraticável; a segurança nos estádios, dentro e na entrada, é risível. Mas essa é a solução certa. Enquanto se procurar a solução preguiçosa, a mais fácil, o problema vai continuar e piorar (e, sim, jogos com uma torcida só também são uma solução preguiçosa).
Brasil 27 Jul 2006 16:37
Segurança
Assaltantes fazem 23 reféns em Tapera
A ação de uma quadrilha de assaltantes assustou os moradores de Tapera, no norte do Estado. Por volta das 17h30min de segunda-feira, 13 homens armados invadiram a matriz da empresa de sementes e defensivos agrícolas Grandespe.
Depois de fazer reféns um dos proprietários e 22 funcionários por quase duas horas, o grupo fugiu em quatro veículos roubados levando produtos, telefones celulares, uma pistola e uma quantia em dinheiro não revelada. O prejuízo causado pelos bandidos passa de R$ 500 mil.
[...]
A sede da Grandespe fica fora da cidade, em uma área relativamente isolada (como se pode ver no mapinha acima, cortesia do Google Maps; a empresa é aquela área imediatamente à esquerda do “G”). Agora, puxa vida, não existe mais nenhum lugar seguro mesmo, pelo jeito. Treze homens armados já não é um grupinho qualquer, é uma quadrilha grande.
A gente se preocupa com familiares e amigos que moram em cidades grandes, mas parece que os de cidades pequenas também merecem preocupação…
Austrália & Brasil 07 Jul 2006 16:52
Leis
Depois do incidente no Big Brother australiano sobre o qual escrevi antes, o governo está planejando apresentar ao Parlamento um projeto de lei regulamentando a transmissão de vídeo via Internet (streaming) pelas mesmas regras usadas para TV aberta. O que levou a isso foi o fato de que o governo descobriu que não podia multar o Channel Ten por causa da transmissão daquele evento, uma vez que o vídeo nunca foi ao ar.
Parece ser o comportamento natural de governos: quando uma lei não agrada alguém, faz-se uma nova lei. Vi recentemente exemplos interessantes de leis aparecendo no Brasil, também: tem o Severino “nepotismo” Cavalcanti tentando transformar nudez na televisão em crime, por exemplo; tem o Aldo “saci” Rebelo querendo misturar obrigatoriamente farinha de mandioca à de trigo; e assim por diante.
A lei daqui, aparentemente, tem pouca chance de passar, até porque um relatório do governo de dois anos atrás já dizia que é quase impossível exercer qualquer controle sobre vídeos transmitidos pela Internet (e não só por causa do caráter internacional da rede). As do Brasil, não sei; parece que a da mandioca tem uma boa chance de criar um mercado negro de farinha de trigo pura nos próximos anos…
Acaso & Brasil 29 Jun 2006 14:36
Comentários
Aproveitando o dia sem futebol, alguns assuntos mais “leves”:
- TV digital: ok, o Brasil adotou o padrão japonês, e os europeus e americanos não gostaram muito; a minha impressão é que, na prática, não faz muita diferença para a população, e que deveria ter sido uma decisão meramente técnica; não entendo porque a palavra final teria que ser do presidente, como disse o ministro das Comunicações. O governo diz que é o sistema que mais se encaixava nos requisitos, o que parece ser verdade. Pessoalmente, me parece que o modelo europeu seria melhor no quesito “tem mais gente usando”, o que geralmente implica em preços melhores para equipamento tanto para consumidores quanto para emissoras (o padrão japonês é usado só no Japão). Incidentalmente, a Austrália usa o padrão europeu.
- Eleições: não vou votar em ninguém este ano (vou estar fora do Brasil nos dias das eleições), então me sinto à vontade para criticar todos os candidatos; mas alguns são mais fáceis de criticar do que os outros, claro. Por exemplo, Heloísa Helena promete baixar juros por decreto assim que assumir, e sem gerar inflação. Alguém deveria providenciar a candidatura dela para o Nobel de Economia. Admiro muito a Heloísa Helena, em particular sua honestidade e sua devoção aos seus princípios; o que não admiro são os princípios em questão, e o fato de ela achar que tem solução para problemas que, na verdade, ela não entende.
- Segurança pública: alguém consegue me explicar como é que uma ação policial que resultou em treze mortes pode ser considerada um sucesso, como disse o governador de SP? O simples fato de uma ação que tentaria evitar algo que já se sabia que ia acontecer há dias resultar em um tiroteio ao ar livre já deveria querer dizer que a operação fracassou e foi mal planejada. Tiroteio nunca pode ser o objetivo, e o fato de que os treze mortos são (supostamente) criminosos que estavam no ato de cometer um crime é irrelevante. Ok, melhor os criminosos que as vítimas (ou os policiais), mas “sucesso” não é como eu descreveria o evento.
A propósito: Brasil x França, neste fim de semana, não vai ser revanche de 1998. Para isso teria que ser a final. Vai ser, no máximo, revanche de 1986.
Acaso & Brasil 23 Jun 2006 11:57
Brasil 4, Japão 1
Enfim, um placar digno da seleção brasileira. Um time que quer ser campeão do mundo não poderia fazer menos gols no Japão do que a Austrália fez!
Eu assisti esse jogo já sabendo o resultado, o que removeu completamente o nervosismo que seria normal em um jogo do Brasil. E, também, eu estava mais preocupado com o jogo da Austrália, que valia alguma coisa, do que com o do Brasil, que na prática não valia nada (desde que o Brasil não perdesse!). Acompanhei o jogo do Brasil durante o da Austrália pelo site da FIFA, mas sem muita preocupação (exceto pelo período entre o gol japonês e o empate), e depois assisti a transmissão “atrasada” da SBS até o quarto gol brasileiro.
É inegável que o Brasil, enfim, jogou bonito. Tivemos várias jogadas “de pé em pé”, muitos dribles elaborados, muitas jogadas individuais com perigo de gol etc. etc. Em geral essas jogadas foram pouco eficazes, no entanto; só o quarto gol saiu de uma jogada mais elaborada. Ainda assim, foi bom ver o time jogando um pouco mais como se espera que ele jogue.
Ronaldo definitivamente acordou, e foi recompensado jogando até o fim. Ronaldinho ainda não fez nada sensacional, mas ainda tem muito tempo (espera-se…). Foi bom ver que a defesa não se desintegrou sem Cafu e que o meio de campo se deu muito bem com Juninho. Robinho no lugar de Adriano também fez maravilhas pelo ataque. A pergunta é, já que os reservas jogaram melhor que os titulares, quem joga contra Gana?
Falando em Gana… não sei, times africanos jogando contra o Brasil sempre me deixam nervoso. Já nos demos mal com eles em duas Olimpíadas (com a Nigéria em 1996 e com Camarões em 2000); verdade que Olimpíadas é uma coisa, Copa é outra, mas ainda assim nunca é muito fácil. Seria uma das maiores zebras de todos os tempos, mas zebras hoje em dia não são mais animais tão raros (e são nativas da África!). Se passarmos por Gana, minha aposta para adversário nas quartas-de-final é Espanha.
Acaso & Austrália & Brasil 19 Jun 2006 11:28
Brasil 2, Austrália 0
Esse jogo começou melhor que o anterior: com dois minutos jogados, o Ronaldo já tinha feito mais do que em toda a partida contra a Croácia. Verdade que nos vinte minutos seguintes só o que ele fez foi levar uma falta e uma bronca do juiz, mas o primeiro passo estava dado.
Não foi um jogo particularmente espetacular, ou seja, não rendeu muitos momentos para as próximas propagandas da Nike, mas foi um jogo bonito. Os dois times atacaram e chegaram várias vezes perto do gol; a defesa do Brasil voltou ao seu estado normal (assustadora); Ronaldo deu o passe para um gol; e Ronaldinho fez um dos seus passes geniais quase na lateral do campo. Mas o lance que todo mundo que assistiu vem comentar comigo foi o Cafu cumprimentando o juiz depois de levar um cartão amarelo.
No fim, com a mãozinha dada pelo Japão e pela Croácia ao empatarem, estamos classificados para o próxima fase, como esperado. A Austrália joga pelo empate com a Croácia, mas não vai ser um jogo fácil (para nenhum dos dois times); eles estavam animados demais até ontem, mas a torcida estava realista: os fãs entrevistados na rua diziam estar torcendo por um empate. Aliás, os australianos perderam algumas chances de gol muito boas com o Brasil; quando saiu o nosso segundo gol, os australianos estavam merecendo empatar. 1×1 (ou até 2×2) não teria sido um resultado surpreendente para o jogo dessa madrugada.
Falando em madrugada: em um frio de 4 graus, 10.000 pessoas se reuniram na Federation Square para assitir o jogo no telão às 2 da manhã. Segundo o jornal, era fácil identificar os fãs brasileiros porque eles eram uma “minoria bem audível” (com todo mundo usando amarelo para torcer, ficava difícil identificar de outra maneira…).
Resta ver quem vai ser o adversário da segunda fase. A minha previsão era que fossem os checos, mas aquele grupo está tão embolado que eu não me surpreenderia se fossem os EUA, ou mesmo Gana.
Acaso & Austrália & Brasil 14 Jun 2006 09:32
Brasil 1, Croácia 0
Joguinho quase sonolento, não? Certo, pode ser que seja só eu que senti sono, já que eu acordei às 4:45 para ver o jogo que começava às 5 (e o narrador da SBS não ajudava), mas ainda assim achei fraco. Não foi tão chato quanto Inglaterra x Paraguai, mas não foi nada que dê para chamar de jogão. Falando em fraco, o Ronaldo praticamente não apareceu no jogo; até o narrador daqui comentou que ele estava “very static”. Meu voto para melhor jogador em campo vai para o Dida, e quando o goleiro de um time se destaca é sempre um mau sinal.
Sobre narração, a gente perde um pouco do entusiasmo porque, para o pessoal da TV daqui, era basicamente um jogo neutro. O resultado provavelmente foi bom para a Austrália, que agora torce para o Japão não perder para a Croácia; assim eles chegariam à ultima partida jogando por um empate para se classificar. Difícil vai ser eles segurarem um empate com a Croácia, claro; mas eu já não achava que eles iriam ganhar do Japão, então meu palpite não conta muito. E, afinal de contas, a Austrália está liderando o grupo no momento…
Uma surpresa interessante foi que um dos comentaristas da SBS, no intervalo e após o jogo, foi o treinador do Fluminense, Oswaldo de Oliveira. Como todo comentarista, não disse nada que fugisse do óbvio.
E uma surpresa não tão agradável foi descobrir que é praticamente impossível conseguir áudio e vídeo dos jogos da Copa online a partir do Brasil. As emissoras de rádio que tem programação ao vivo na Internet “desligam” o sinal durante os jogos, por exigência contratual; e até o Media Center da Globo bloqueia acesso aos vídeos dos jogos para quem acessa do exterior. Muito, muito chato.






