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Austrália 23 Aug 2006 17:04

Notas da Austrália – 23/08

Terrorismo Já comentei antes sobre o pessoal do Chaser, um programa humorístico que passa na ABC daqui. No programa da semana passada eles decidiram fazer piadas com as novas medidas de segurança nos aeroportos, causadas por aquele possível plano de atentados que foi descoberto na Inglaterra. Em um dos segmentos eles se apresentaram no portão de embarque vestidos apenas com sacos plásticos (e roupas de baixo, claro), “por segurança”. Em outro, eles compraram uma passagem Sydney-Melbourne em nome de “Al Kyder”, que se pronuncia mais ou menos como “Al Qaeda”, e outra como “Terry Wrist” (“terrorist”); um deles retirou o cartão de embarque nos terminais automáticos (onde não é necessário apresentar documento) e não embarcou, para esperar que os passageiros atrasados fossem chamados por nome pelos alto-falantes. O que realmente aconteceu; o engraçado foi ver a moça da companhia aérea quase começando a dar risada ao ler o nome “Al Kyder”… (honestamente, acho que se eles tivessem tentado isso nos EUA, iam parar na cadeia) (o vídeo deste segmento está no site do Chaser e, claro, no YouTube)

Futebol Domingo começa a segunda edição do campeonato nacional, a A-League. O time de Melbourne contratou três brasileiros dos quais eu nunca tinha ouvido falar: Fred, do Tupi; Claudinho, do Atlético Paranaense; e Alessandro, do Inter de Porto Alegre (que é o cara do caso da bomba). Os três andaram reclamando do frio de Melbourne, mas o time tem esperanças de que eles ajudem na classificação para a segunda fase.

Prêmio Um dos ganhadores da Fields Medal deste ano é de Adelaide. A Fields Medal é mais ou menos o equivalente ao Prêmio Nobel no campo de matemática (não existe Nobel de matemática), mas só é entregue a cada quatro anos. Terence Tao ganhou o prêmio por seu trabalho no campo de números primos. Aliás, o prêmio saiu em um bom momento para as indicações para Australian of the Year para o ano que vem (podem ser feitas até dia 28)…

Austrália 16 Aug 2006 12:09

Notas da Austrália – 16/08

Algumas notícias rápidas…

Táxis em greve É, aqui não é o transporte público, são os taxistas que fazem greve. O motivo é falta de segurança, e o que “detonou” o movimento foi um incidente em que uma pessoa fugindo da polícia seqüestrou um táxi e acabou por matar o motorista (batendo o táxi em uma árvore). Os taxistas alegam que se preocupam com a sua segurança e que estão cansados de sofrer abusos e racismo por parte de passageiros (os taxistas são, na grande maioria, estrangeiros) e de passageiros que fogem sem pagar (alguns taxistas estão começando a pedir um depósito antes da corrida, o que é permitido por lei). O protesto começou na sexta-feira passada, no centro da cidade; sexta-feira à noite é um dos períodos de maior movimento para os táxis, então o protesto foi bastante sentido (e não só por ter arrasado com o trânsito do centro da cidade em horário de pico e de jogo de futebol). O resultado do protesto, até o momento, é que serão colocadas telas de segurança entre o motorista e os passageiros em alguns táxis para um teste de seis meses (para ver como os motoristas e os passageiros se adaptam).

Carros a gás Com os preços da gasolina subindo, carros a gás começam a se tornar mais populares, e já há filas de espera para a conversão. Esta semana o governo federal anunciou um programa de subsídio a essas conversões: o governo vai pagar $2.000 para motoristas que converterem seus carros, e $1.000 para quem comprar um carro novo a gás. Também começa-se a falar mais seriamente em usar álcool; já está disponível um combustível chamado E10, uma mistura de 90% gasolina e 10% álcool. Um comentário interessante foi que a Holden (que é o nome da GM aqui) já fabrica carros a álcool na Austrália: o Omega vendido no Brasil é o Commodore daqui, e o modelo a álcool é feito aqui também. Os plantadores de cana do nordeste do país estão empolgados com a idéia (e são contra os subsídios para carros a gás…).

Futebol Depois do sucesso na Copa do Mundo, os Socceroos voltam a campo hoje para as eliminatórias para a Copa da Ásia, contra o Kuwait, em Sydney. Com um time completamente desconhecido: os jogadores que atuam no exterior não foram convocados. Ainda assim a torcida está otimista, principalmente depois que o Líbano, um dos adversários da Austrália nesta fase, abandonou a competição. Espera-se estádio cheio hoje à noite.

Austrália 07 Aug 2006 22:19

Bomba

Alguém já reparou que “bom” soa mais ou menos parecido com “bomb” (bomba, em inglês)? Pois é.

Deu no The Age de hoje:

[...]Melbourne Victory’s latest acquisition, Alessandro, was regarded [as a security threat] by airline staff in Sydney yesterday when he sparked a bomb scare as the soccer team strapped in for the short flight to Tamworth for their pre-season cup match against Newcastle.

Asked if everything was all right, the Brazilian apparently said “si, bom” — Portuguese for “yes, good”.

But airline staff thought he said “bomb”, evacuated the plane and had to be persuaded to allow him back on after a 20-minute delay.

They called the Federal Police, everyone got off the plane, and the police were not going to let him back on, Victory coach Ernie Merrick said.

Traduzindo:

A última aquisição do Melbourne Victory, Alessandro, foi considerado uma ameaça à segurança pelos comissários de bordo em Sydney ontem ao causar um alarme de bomba enquanto seu time se acomodava para o curto vôo até Tamworth para sua partida de pré-temporada contra o Newcastle.

Questionado sobre se estava tudo bem, o brasileiro aparentemente respondeu “si, bom” [impossível que tenha dito isso; deve ter sido "sim, tudo bom" ou algo similar]. Mas os empregados da companhia aérea acharam que ele tinha dito “bomb”, evacuaram o avião e tiveram que ser convencidos a deixá-lo embarcar depois de um atraso de vinte minutos.

Eles chamaram a Polícia Federal, todo mundo saiu do avião, e a polícia não queria deixá-lo embarcar de volta, disse o técnico do Victory Ernie Merrick.

Esse pessoal de companhias aéreas está cada vez mais paranóico…

Austrália 04 Aug 2006 16:41

Censo

Este ano a Austrália faz o seu recenseamento. Dois anos atrás nós participamos de um “beta teste” do sistema, e eu comentei a respeito aqui.

O censo de verdade vai funcionar exatamente como no teste. Nós já recebemos os formulários, e eles podem ser preenchidos em papel ou online. Acho que a principal diferença para o censo brasileiro é que este é “faça você mesmo”: não vai haver um recenseador entrevistando todo mundo, cada domicílio é responsável por preencher seu próprio formulário e enviar de volta (ou fazer online, claro). Tem multa por não preencher ou por atrasar: $100 por dia.

Outra diferença é que o censo daqui tenta ser uma “foto” mais instantânea do estado do país. O censo tem data exata: 8 de agosto. A idéia é que todo mundo preencha seu formulário nesse dia (ou, mais especificamente, nessa noite) de acordo com a sua situação no momento. Assim, há perguntas sobre que meio de transporte foi usado para ir trabalhar naquele dia, quantas pessoas vão passar a noite na casa mesmo que não morem lá etc. O censo brasileiro, diferentemente, é feito no decorrer de um período mais longo (algumas semanas), o que resultaria em uma foto um pouco “desfocada”.

Admito que estou curioso para ver quão lento vai estar o sistema online com o país todo tentando preencher o formulário na mesma noite… (se bem que não sei qual o percentual da população que vai realmente fazer online, e existem pessoas que já estão preenchendo antecipadamente – até hoje, 16.000 já preencheram).

Austrália &Pessoal 03 Aug 2006 23:59

Saúde pública

Um bom tempo atrás eu escrevi rapidamente sobre o sistema de saúde australiano, mas tinha sido sob uma ótica completamente teórica. Não havia sido necessário usar muito o sistema de saúde, e eu nem sequer tinha estado em um hospital aqui. Semana passada, finalmente, ganhei um pouco mais de experiência em “primeira mão”, então agora posso escrever um pouco mais a respeito…

Antes de qualquer coisa: está tudo bem com todo mundo aqui, inclusive o gato. Eu tive amigdalite e fiquei alguns dias “de molho”, mas já estou completamente recuperado e sem problemas. Foi desconfortável enquanto durou, mas nada muito grave.

O “problema” começou no dia 21, uma sexta-feira; só um pequeno desconforto ao engolir. Sábado estava um pouquinho pior, mas ainda nada demais. Domingo pela manhã estava bem o suficiente para levar o gato ao veterinário (vacinação anual), mas à tarde fui ficando progressivamente pior: febre, dor de cabeça, dor de ouvido, cada vez mais dolorido para engolir etc. etc. À noite só o que eu comi foi sopa.

Na segunda-feira, obviamente, não fui trabalhar, e logo cedo liguei para o médico e marquei uma consulta para o início da tarde. Uma das vantagens de morar no centro é a proximidade da área “hospitalar”: existem vários hospitais, de diferentes especialidades, em uma área pequena, a umas dez quadras de casa, e o consultório do meu médico (clínico geral; aqui todo mundo tem um) fica na mesma região.

O médico olhou a minha garganta e rapidamente declarou que era amigdalite. Ele me perguntou se eu conseguia engolir, eu disse que sim, mas com alguma dificuldade. Daí me deu na hora uma injeção de penicilina e receitou cápsulas para tomar de seis em seis horas.

Até sair do médico foi tudo de graça. O sistema de saúde pública, chamado Medicare, cobre o custo de consultas médicas até um certo valor, e cada médico pode optar por cobrar só aquele valor ou cobrar mais (se cobrar mais, o paciente precisa pagar). Além disso, o médico pode cobrar direto do Medicare ou cobrar do paciente e deixar que este peça um reembolso (que, pedido no escritório do Medicare, sai na hora).

O meu médico cobra direto do Medicare (em geral, a consulta de um clínico geral não passa do valor coberto pelo Medicare, enquanto a consulta com um especialista quase sempre vai exigir que o paciente pague uma parte; isso se a consulta for indicada pelo clínico geral; quem quiser uma segunda opinião, por exemplo, tem de pagar tudo do próprio bolso; plano de saúde aqui não cobre consulta nem exames).

Os remédios, no entanto, não são de graça. O governo subsidia o custo de certos remédios “essenciais”, mas parte do custo continua com o paciente (até um certo limite anual). Outros remédios não são cobertos e precisam ser pagos integralmente.

Ou seja, não dá para prever o quanto será gasto anualmente com saúde. Sabe-se apenas o que (ambulância e internação) e quanto (que varia bastante) o plano de saúde cobre, e a quantidade máxima de gastos com médicos e remédios (a partir de um determinado valor, o governo paga tudo). O interessante é que, apesar de os planos não cobrirem consultas nem exames, podem incluir tratamento dentário, óculos e lentes de contato, terapia psicológica, dietas como Vigilantes do Peso, etc.

Outro detalhe: diferentemente do que acontece no Brasil, remédios que só podem ser vendidos com receita são vendidos apenas com receita.

Outra coisa que o médico disse é que, se piorasse, eu deveria ir para a emergência do Eye and Ear Hospital (Hospital do Olho e Ouvido) que, apesar do nome, também cuida de nariz e garganta. E, claro, piorou. À noite a garganta estava muito dolorida, doía muito até para engolir líquidos e eu não tinha comido nada o dia todo. E foi assim que fiquei sabendo como funciona a emergência de um hospital público aqui.

Logo na entrada do hospital uma recepcionista pergunta se o que se quer é ver um médico; quando se diz sim, ela aponta na direção da emergência. Lá, outra recepcionista pega os dados do paciente (nome, endereço, número do Medicare) e diz para sentar e esperar por uma enfermeira. Até aí não houve nenhuma menção do problema de saúde que levou o paciente ao hospital.

Na área de espera, um cartaz grande explicava como funciona o setor de emergência: o primeiro contato é com uma enfermeira de triagem, que faz um exame básico, vê os sintomas e decide quão prioritário é o atendimento. Ela não faz nenhum tratamento, não receita nada; em suma, não resolve o problema. Só gerencia a lista de espera para o médico. Ou seja, o atendimento não é na ordem de chegada, mas na ordem de gravidade.

Depois de ser “entrevistado” pela enfermeira (a espera foi de uma meia hora) voltei à área de espera para aguardar ser chamado pelo médico. E o tempo de espera pode ser longo. Quando perguntei “quão longo?”, a resposta foi que não sabiam, mas podia ser bem longo porque só havia um médico atendendo àquela hora. “Bem longo, mais de um hora?” A moça riu e respondeu “uma hora, aqui, não é um tempo longo”.

Tenho que admitir que uma coisa que me chamou a atenção foi quão saudáveis os outros pacientes pareciam. Ninguém estava visivelmente doente, machucado, nem nada do gênero. Na minha triagem eu era, se não o paciente mais grave, ao menos o mais “desconfortável”. Deviam ter umas seis ou sete pessoas esperando atendimento quando cheguei e, na sala de espera, uma TV passava Scrubs (com legendas, claro, para não prejudicar pacientes com deficiência auditiva).

Resumindo, a espera foi de quase duas horas. A médica pediu muitas desculpas pela demora e comentou que só ela estava atendendo porque o hospital não tinha recebido fundos do governo para pagar mais médicos. Examinou tudo, perguntou sobre o remédio que estava tomando e depois parecia não saber bem o que fazer. Disse que eu não estava doente o suficiente para ser internado, mas nitidamente não estava muito bem. Ela acabou me mandando para casa com uma receita para remédio para dor, pois antibióticos eu já tinha. E, como eu não tinha como comprar remédios àquela hora (mais de uma da manhã), recebi dois comprimidos. Ah, a médica pediu que eu voltasse (com hora marcada) dois dias depois para nova consulta (e o folheto do hospital alertava: “reserve pelo menos duas horas”).

Uma coisa tem que ser dita: analgésicos de hospital, extra-fortes, são uma das melhores coisas que a ciência já fez pela humanidade. Isso e antibióticos. Com aqueles dois comprimidos, dormi muito bem. No dia seguinte eu não estava sensivelmente melhor; a garganta continuava muito inchada e engolir ainda era muito difícil. Mas meia hora depois de tomar os analgésicos eu conseguia comer qualquer coisa sem problemas (por umas duas horas). Isso já melhorou incrivelmente a minha “qualidade de vida”.

E, finalmente no dia seguinte, eu já estava melhor, tanto que não precisei mais dos analgésicos. Eu podia sentir que estava melhorando a cada hora, e quando voltei ao hospital, à tarde, já estava me sentindo ótimo (incidentalmente, ir àquele hospital com hora marcada é bem diferente de ir ao atendimento de emergência; fui visto pela médica rapidinho depois que cheguei, não esperei nem 15 minutos). No dia seguinte já fui trabalhar. Estou tomando antibióticos até hoje, porque o tratamento precisa ir até o fim, mas não tive mais sintomas.

Bom, é isso. O atendimento público funcionou bem, apesar da longa demora na emergência (mas, admito, não era um caso de vida e morte — e aquele hospital não parece tratar de muitos casos assim). Todo o atendimento no hospital e no consultório foi gratuito (inclusive os remédios que me deram na hora), mas os remédios comprados em farmácia foram um pouco caros. Pelo menos estou recuperado. Espero levar mais uns 15 anos até precisar de antibióticos de novo. E tampouco quero voltar a um hospital em breve.

Austrália 25 Jul 2006 15:48

Roupas

Por algum motivo que eu não entendo, muita gente chega aqui procurando por “roupas típicas da Austrália”. A minha impressão é que existem poucas vestimentas que podem ser consideradas tipicamente australianas, mas aí vão algumas:

  • chapéu com rolhas: é exatamente o que o nome dá a entender, um chapéu com rolhas penduradas nas abas a intevalos regulares. O objetivo é, por incrível que pareça, afastar moscas. Nunca vi ninguém usando, mas parece ter sido comum no interior do país em tempos mais remotos (não sei se alguém ainda usa seriamente).
  • bermudas: no verão, é uma peça de roupa vista muito freqüentemente em qualquer lugar, inclusive escritórios.
  • “thongs”: na Austrália, thongs são os chinelos estilo havaianas, e são considerados quase que um símbolo do país; é importante perceber que nos EUA essa palavra geralmente se refere a outro tipo de vestimenta

Não é uma roupa, mas algo típico daqui é um varal que se chama “Hills Hoist”; é um varal circular, com um mastro central que sustenta todas as cordas e uma manivela para erguer e abaixar. Usa muito pouco espaço, é bastante prático e se vê por todos os cantos; é só sair um pouco do centro da cidade.

Austrália 10 Jul 2006 16:10

O Canadá da Austrália

Algum tempo atrás eu vi um cartão postal em algum lugar (acho que em um aeroporto) que tinha uma foto de uma paisagem muito bonita de montanhas e mar, com o título “New Zealand” e embaixo, em letras menores “Australia’s Canada” – “o Canadá da Austrália”.

Até faz um certo sentido: é um país próximo, com boas relações (cidadãos de um podem morar livremente no outro), mais discreto, com população sensivelmente menor, paisagens muito bonitas e clima um pouco mais frio. Muitos australianos vão para lá nas férias, e vários “australianos” famosos são neo-zelandeses (Russell Crowe, por exemplo). Ou seja, a Nova Zelândia está para a Austrália como o Canadá para os EUA.

Lembrei disso hoje, quando fui ver quanto dinheiro eu tinha em moedas e vi uma moeda um pouco diferente no meio da pilha. Achei que pudesse ser uma moeda comemorativa, mas não: era neo-zelandesa. É a segunda vez que ganho uma de troco sem perceber, e até onde pude ver o tamanho e cor delas é o mesmo que o das australianas do mesmo valor. Justamente como as canadenses, que são idênticas às americanas equivalentes e volta e meia vinham de troco, discretamente. E o dólar neo-zelandês vale um pouco menos que o australiano…

Austrália &Brasil 07 Jul 2006 16:52

Leis

Depois do incidente no Big Brother australiano sobre o qual escrevi antes, o governo está planejando apresentar ao Parlamento um projeto de lei regulamentando a transmissão de vídeo via Internet (streaming) pelas mesmas regras usadas para TV aberta. O que levou a isso foi o fato de que o governo descobriu que não podia multar o Channel Ten por causa da transmissão daquele evento, uma vez que o vídeo nunca foi ao ar.

Parece ser o comportamento natural de governos: quando uma lei não agrada alguém, faz-se uma nova lei. Vi recentemente exemplos interessantes de leis aparecendo no Brasil, também: tem o Severino “nepotismo” Cavalcanti tentando transformar nudez na televisão em crime, por exemplo; tem o Aldo “saci” Rebelo querendo misturar obrigatoriamente farinha de mandioca à de trigo; e assim por diante.

A lei daqui, aparentemente, tem pouca chance de passar, até porque um relatório do governo de dois anos atrás já dizia que é quase impossível exercer qualquer controle sobre vídeos transmitidos pela Internet (e não só por causa do caráter internacional da rede). As do Brasil, não sei; parece que a da mandioca tem uma boa chance de criar um mercado negro de farinha de trigo pura nos próximos anos…

Austrália 04 Jul 2006 15:12

Big Brother

Com os Socceroos fora da Copa, o assunto do momento no país é o escândalo do Big Brother. O que está aparecendo nos noticiários é que, no fim de semana passado, dois moradores da casa “atacaram sexualmente” uma das moradoras, e isso foi exibido ao vivo para quem estava assistindo via Internet (era no meio da madrugada, imagino que não tenha sido muita gente). Os dois atacantes foram expulsos da casa logo em seguida por “violação das regras”.

Na prática, o que aconteceu foi que os rapazes chamaram a menina para a cama deles, ela foi, deitou sob as cobertas, um deles a segurou e o outro esfregou, digamos, certa parte do seu corpo no rosto dela. O vídeo não foi exibido no canal que está mostrando o programa, mas está espalhado pela Internet e apareceu um programa da ABC ontem à noite (não é tão explícito quanto a descrição dá a entender; foi feito com infra-vermelho, e o ângulo não é favorável). O diálogo é interessante: a menina, ao se deitar, diz “vocês não vão (fazer o que eles fizeram) comigo, vão?”; eles respondem que não, e ela diz “eu sei que vocês vão; eu vou matar vocês…” ou algo do gênero. E se deita! Depois que acontece ela dá risada e continua ali deitada, aparentemente acariciando um deles sob a coberta.

A emissora que transmite o Big Brother já estava sendo bastante criticada porque essa edição está um pouco “sexual” demais; um programa semanal chamado “Big Brother – for adults only”, que era transmitido um pouco mais tarde que o normal e passava os trechos mais picantes, já havia sido cancelado justamente por causa das críticas. Agora, então, ficou pior ainda para eles neste aspecto. A polícia entrevistou os três participantes envolvidos, mas como a menina não deu queixa, não vai fazer nada (e pode-se argumentar seriamente que ela participou voluntariamente do incidente). Até o Primeiro Ministro já falou no assunto, dizendo que o programa é “uma desgraça” e sugerindo que fosse cancelado. Fala-se em multar a emissora, também, apesar de o vídeo não ter ido ao ar (e duvido que multem a ABC, que é estatal, por mostrá-lo).

Para quem estiver curioso, o vídeo pode ser visto aqui. O único resultado até agora, fora a expulsão dos dois rapazes, foi que a audiência do programa aumentou…

Austrália 30 Jun 2006 12:48

Variedade

Uma colega de trabalho voltou recentemente dos EUA e trouxe de presente para a equipe alguns pacotes de M&Ms. Não que aqui não exista M&Ms, mas não existem com a variedade que existe nos EUA: ela trouxe de manteiga de amendoim, de chocolate branco e com amendoim. É, aqui não tem os com amendoim, por algum motivo. Tem, sim; me disseram que não tinha e eu acreditei, mas vi no supermercado. Mas os outros dois não tem mesmo.

Uma coisa que a gente estranhou um pouco na Austrália, e percebemos mais ainda depois de passar um tempo no Brasil, é a falta de variedade de alguns produtos em supermercados; principalmente “supérfluos”, como é o caso dos M&Ms. Produtos dos quais no Brasil existem dezenas de tipos, aqui às vezes existem dois ou três.

Exemplo simples: Tang. Aqui tem de laranja, de limão e de manga. E só. No Brasil tem tangerina, pêra, morango, maracujá, caju etc. etc. E no Brasil há vários “similares” de empresas concorrentes; aqui, que eu lembre, só existe um concorrente, com mais ou menos a mesma variedade de sabores. Outro bom exemplo são biscoitos doces: no Brasil existe uma infinidade de marcas e sabores (e o sabor “floresta negra” parece estar na moda), aqui existem bem menos. Um passeio por um supermercado grande no Brasil, para a gente, era cheio de surpresas: sabores novos de produtos antigos, sabores que a gente não lembrava que existiam, e muito mais sabores do que aqui em praticamente qualquer tipo de produto.

Verdade que algumas coisas são mais variadas aqui. Acho que um exemplo é arroz; o supermercado típico aqui tem arroz de grão longo, de grão médio, para sushi, integral, arborio (para risoto), basmati (para comida indiana), selvagem… Refrigerante também me parece ter mais variedade aqui (mas não tem guaraná).

A minha teoria é que o principal motivo para isso seja o tamanho do mercado. A Austrália tem mais ou menos a mesma população da Grande São Paulo, o que quer dizer que tem muito menos consumidores que no Brasil (e nos EUA, claro). Assim, um produto que só seja comprado por uma parcela pequena da população vai ter bem menos interessados aqui do que em países maiores; logo, só aparecem no mercado produtos que apelem a um percentual grande dos consumidores, o que automaticamente quer dizer que a variedade vai ser menor. O menor tamanho do país também implica em um número menor de concorrentes, com o mesmo efeito. Mas é só uma teoria, claro.

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