Category ArchiveAustrália



Austrália &Pessoal 30 Mar 2007 16:36

Ghost Rider

Algum tempo atrás, fomos ao cinema assistir Ghost Rider, o novo filme com o Nicolas Cage. Apesar de eu ter sido fã de quadrinhos, esse provavelmente não é o tipo de filme que eu iria assistir normalmente; o que nos levou ao cinema foi o fato de que ele foi filmado aqui em Melbourne, com algumas cenas na nossa rua (como eu escrevi a respeito dois anos atrás; é, filmes demoram a ficar prontos depois de filmados…).

Na prática, só quem vive aqui vai conseguir identificar a cidade, pois o filme se passa no Texas. A rua onde moramos aparece algumas vezes, o que é bem legal, mas é legal porque sabemos como ela é originalmente. Outras cenas mostram o estádio Telstra Dome, a ponte para pedestres que cruza o rio Yarra e vários prédios no centro da cidade. Tomadas “à distância” também, em geral, mostram o centro da cidade, trens etc. Perfeitamente reconhecível, mas para quem conhece.

As fotos que eu tirei na época estão aqui e aqui; quem assistir o filme logo depois de ver as fotos provavelmente vai identificar as cenas mostradas. E aqui abaixo seguem duas que mostram cenas do filme e o local onde elas foram filmadas, ao lado do nosso prédio (o “posto de gasolina” da primeira só existiu durante a filmagem, depois voltou a ser um estacionamento).

Acaso &Austrália 25 Mar 2007 17:29

Copa do Mundo

Está acontecendo agora a Copa do Mundo de Cricket, nas Índias Ocidentais (que, fiquei sabendo recentemente, são formadas por um grupo de países do Caribe que inclui Jamaica, Bermudas e outros). Os países que disputam são, em geral, os que fazem (ou algum dia fizeram) parte da comunidade britânica; são 16 países, divididos em quatro grupos. É um torneio longo: começou dia 13/3, e a final vai ser dia 28/4. Os atuais campeões são os australianos, mas a África do Sul é a líder atual do ranking; por isso, a vitória da Austrália sobre os sul-africanos ontem à noite foi muito festejada.

Agora, para quem acha que brasileiros são fanáticos por esporte: alguns dias atrás, a equipe do Paquistão, que é um time tradicionalmente muito forte, foi eliminada da Copa ao perder para a Irlanda, que é um time bem fraquinho. Seria mais ou menos como a Alemanha ser eliminada pela Venezuela no futebol. Naquela noite, o noticiário mostrou cenas das ruas da capital do Paquistão: passeatas, protestos, cartazes pedindo a cabeça do treinador (literalmente), bonecos dos jogadores sendo queimados… foi uma reação forte, mesmo; de deixar os jogadores com medo de ir para casa.

Até aí, tudo bem. Mas a situação complicou quando, na manhã seguinte ao jogo, o treinador (inglês) do Paquistão foi encontrado morto. A teoria inicial era de que ele tivesse tido um ataque cardíaco por causa do stress da derrota (o que já seria algo bastante trágico), mas depois se confirmou que ele foi assassinado (por estrangulamento). Ou seja, o que era só uma zebra em um campeonato virou uma investigação de crime.

Falem o que quiser dos brasileiros, ninguém tentou matar o Parreira quando ele voltou para o Brasil depois da Copa da Alemanha (que eu saiba). Verdade: é possível que o assassinato não tenha sido cometido por algum fã inconformado. Aparentemente, o treinador tinha um passado “não tão limpo”, envolvendo acusações de “resultados arranjados” e de envolvimento com máfias de apostas; é possível que a morte tenha ligação com isso, e investiga-se a possibilidade de que a derrota para a Irlanda não tenha sido uma zebra tão “natural” assim.

Enfim: fanáticos e malandros existem em todo lugar. A Copa continua; a primeira fase acaba hoje à noite, e a Austrália está classificada. Espera-se uma grande final entre Austrália e África do Sul para o final de abril, e espera-se que a polícia da Jamaica (onde aconteceu o crime) ache os culpados até lá…

Austrália 18 Feb 2007 20:56

Campeão

Hoje foi a final do campeonato australiano de futebol (soccer), a A-League. Essa foi a segunda edição do campeonato; ano passado, o Sydney F.C. foi campeão, vencendo os Central Coast Mariners na final.

Sydney ficou fora da final desta vez; em compensação, o Melbourne Victory, que não tinha passado para as finais no ano passado, este ano garantiu a primeira colocação na primeira fase com cinco rodadas de antecedência. Na semi-final, passou apertado pelo Adelaide United (0×0 em Adelaide, 2×1 nos descontos em Melbourne) e, duas semanas depois, pegou o próprio Adelaide na final.

Um aparte rápido para explicação: o campeonato tem oito times, e quatro passam para a fase final. O terceiro e o quarto colocados disputam uma semi-final (“minor semifinal”); quem perder, está fora. O primeiro e o segundo colocados (no caso, Melbourne e Adelaide) disputam a outra semi-final (“major semifinal”): o ganhador vai direto para a final, o perdedor disputa uma “final preliminar” com o vencedor da outra semi-final (no caso, os Newcastle Jets). Isso dá uma vantagem grande (uma “segunda chance”) para os dois primeiros colocados da primeira fase, e Adelaide aproveitou a chance.

A final é disputada em um jogo só, na casa do vencedor da semi-final principal; ou seja, o jogo foi aqui em Melbourne, no Telstra Dome. Os ingressos foram postos à venda na terça-feira e esgotaram em duas horas, e a partida teve o maior público de um jogo de futebol doméstico na Austrália (pouco mais de 55 mil pessoas). Esperava-se um jogo apertado; mas a partida, que começou com um calor infernal (quase 38 graus) e que acabou abaixo de um senhor temporal, não foi nada apertada: Melbourne ganhou por 6×0, com 5 gols de Archie Thompson, atacante da seleção.

Um título para Sydney, um para Melbourne… ano que vem a gente desempata!

Austrália &Pessoal 30 Jan 2007 15:05

Agora somos australianos

Na sexta-feira passada, dia 26, foi feriado na Austrália. Nessa data é celebrado o Australia Day, que marca a chegada da primeira frota oficial a Sydney e a fundação da colônia de Nova Gales do Sul (New South Wales), no século 18.

Nesse dia ocorrem eventos pelo país todo, como shows, premiação dos australianos do ano pelo primeiro-ministro, queima de fogos, desfiles, etc. Ocorrem também cerimônias de cidadania, em que estrangeiros recebem um certificado do governo federal que os oficializam como cidadãos australianos. Eu e a Cris participamos da cerimônia organizada pela Prefeitura de Melbourne. Ou seja, desde sexta-feira, somos australianos.

Resolvemos esperar para compartilhar a notícia até ter o documento nas mãos, o famoso “ver para crer”. Porque, como o processo de imigração, o de cidadania também foi longo.

Até o ano passado, imigrantes com visto permanente poderiam solicitar cidadania após dois anos de residência no país (as leis estão mudando e os novos imigrantes precisam esperar quatro anos e passar por teste de inglês e sobre a história e os valores australianos). Em junho fizemos o pedido.

Só no fim de agosto fomos chamados para a entrevista. Na entrevista é preciso apresentar documentos e responder a perguntas sobre direitos e deveres de um cidadão australiano. Depois recebemos uma carta do governo federal dizendo que havíamos sido aprovados na entrevista e, em aproximadamente três meses, seríamos convocados para uma cerimônia.

Três meses depois, nada. Ligamos para o “departamento responsável” e o atendente disse para esperar um pouco mais, pois deveríamos ser chamados para a cerimônia do Australia Day, em janeiro.

Vale ressaltar que as cerimônias são geralmente realizadas em datas especiais, como feriados (diz-se que o país ganha mais novos cidadãos no Australia Day do que em qualquer outra data).

Em dezembro finalmente recebemos outra carta, desta vez sobre a cerimônia, na Prefeitura de Melbourne (porque moramos no centro) – a cerca de 15 minutos a pé de casa.

Chegamos ao local por volta das 8h40. Após a identificação, os candidatos receberam o programa do evento e foram encaminhados aos respectivos assentos (no total, 95 pessoas; uns cinco ausentes, acho).

Em cada assento também havia uma cópia do juramento – há dois tipos; um que inclui a palavra Deus e outro que a exclui.

Os candidatos podem convidar parentes e amigos, filmar, tirar fotos, etc. Os convidados ficam na parte de trás do salão (como em um tribunal). Há também repórteres de rádio e TV (que privilegiam candidatos que parecem “típicos”; um com vestimenta africana, que parecia um pai-de-santo, e um com saia escocesa fizeram o maior sucesso). Eu devia ter ido de bombacha. Mas é estranho ir com vestimenta típica a uma cerimônia em que se obtém uma nova cidadania.

O mestre de cerimônias, um francês que passou pelo mesmo processo, explicou como seria o evento – que foi ótimo: curto (cerca de uma hora), objetivo e bem organizado. Começou oficialmente com a chegada do prefeito John So (chinês naturalizado australiano), que fez um breve discurso e anunciou um coral de jovens, que apresentou a mais famosa canção do país, “Waltzing Matilda”.

Depois os candidatos de cada fila de assentos (mais ou menos dez pessoas por fila) foram chamados até a frente do salão, onde fizeram o juramento. A leitura é feita em pequenos grupos para garantir que as pessoas realmente façam o juramento. Funciona mais ou menos como padre em casamento. O prefeito começou com “repitam comigo” e foi falando cada verso:

“A partir deste momento, (sob Deus)
eu prometo minha lealdade a Austrália e a seu povo
cujos preceitos democráticos eu compartilho, cujos direitos
e liberdades eu respeito, e cujas leis eu apoiarei e obedecerei.”

Pobre do prefeito, que deve ter repetido o mesmo juramento umas oito vezes (só naquela cerimônia). Inicialmente são chamados os que optaram pelo juramento com a palavra Deus, depois os que escolheram o outro juramento.

Aí o mestre de cerimônias foi citando cada nome da respectiva fila (como em formatura), enquanto o prefeito entregava o certificado, dando os parabéns e aperto de mão. Depois cada um ganhava uma muda de planta nativa e retornava ao assento (doamos as mudas para um conhecido que tem uma casa fora da cidade, porque não podemos ter planta no apartamento). Vale ressaltar que o mestre de cerimônias contou com a ajuda de uma pessoa com características asiáticas na leitura de nomes orientais. O francês ficou com os demais nomes (especialmente os que pareciam indianos, muçulmanos e africanos); ele leu os nossos. Cerca de 90% dos candidatos eram asiáticos.

A cerimônia se encerra com um aplauso coletivo e o coral cantando o hino nacional. A seguir, todos (novos cidadãos e seus convidados) se confraternizam em outra área do salão, onde há café, chá e suco à disposição, além de pães doces e bolos (uma empresa de bufê é responsável por todos os eventos que ocorrem na prefeitura, então o serviço foi excelente). E, na saída, era preciso entregar os documentos para obter o título eleitoral (como no Brasil o voto é obrigatório).

Agora já é possível solicitar o passaporte australiano, que não invalida o brasileiro. Ou seja, vamos manter as duas cidadanias. Também podemos ser candidatos a empregos que exigem cidadania.

Faz quase três anos que chegamos aqui. Como o tempo voa. Ainda acredito que passar um tempo no exterior é fundamental antes de uma mudança definitiva. Claro que não há aquele deslumbramento inicial e muitos até pensam que há falta de entusiasmo com o novo país. Por isso não esperem de nós comentários exaltando a vida no exterior, elogios sobre como o país aqui funciona e coisas do gênero. Como sempre dizemos, o mundo é todo igual. E aqui também há problemas!

Viver no exterior é uma experiência enriquecedora, um imenso aprendizado, mas não é fácil, porque recomeçar exige um grande esforço e a vida apresenta muitos desafios inerentes a essa mudança. Mas enquanto estivermos bem e felizes aqui, vamos continuar na Austrália.

Austrália 23 Jan 2007 09:53

Sorria para o Google

Geralmente, pessoas “normais” não ficam sabendo quando são tiradas as fotografias que vão parar no Google Maps e no Google Earth. Mas, se o tempo ajudar, nessa sexta-feira vai ocorrer a primeira sessão anunciada de fotos: Sydney vai ser fotografada por um avião a baixa altitude durante a celebração do Australia Day e, se o tempo estiver bom e as fotos ficarem boas, elas devem ir para o Google Maps cerca de seis semanas depois. As novas fotos devem ser muito mais “próximas” do que as melhores disponíveis até o momento para Sydney.

Com o evento programado, o Google está pedindo que as pessoas “apareçam”: façam cartazes, desenhem na areia, formem imagens com outras pessoas etc. Existe uma página com os horários previstos para o avião passar em cada área de Sydney, e no dia o trajeto vai ser seguido em tempo real.

Dando tudo certo, isso deve se repetir em outras cidades; por exemplo, Paris em 14 de julho, cidades americanas em 4 de julho etc. Por que Sydney é a primeira? Porque o pessoal que desenvolveu o sistema que se tornou o Google Maps (em uma pequena empresa chamada Where 2) mora ali.

Será que alguém consegue convencê-los a pegar Porto Alegre em 20 de setembro?

Austrália 17 Jan 2007 12:45

Verão

Começou o Australian Open, e com ele a onda de calor que tradicionalmente o acompanha. Ontem tivemos 41 graus no meio da tarde (e 35 às dez da noite), o que acabou fazendo com que todas as partidas de tênis nas quadras abertas fossem canceladas. Mesmo as partidas disputadas em quadras fechadas acabaram atrasando bastante por causa dos intervalos maiores para descanso; a última partida acabou depois da 1 da manhã (quando a temperatura já estava em agradáveis 32 graus).

A situação ontem foi um pouco pior do que o normal porque o estado acabou sendo afetado por cortes de eletricidade a partir do meio da tarde. Não por excesso de demanda, mas porque uma linha de transmissão foi derrubada pelos incêndios florestais, e não era possível consertar o estrago justamente por causa do fogo… aparentemente faltou energia por algumas horas em quase 1/3 do estado, o que acabou parando trens e deixando motoristas presos em engarrafamentos por falta de semáforos.

Como o incêndio continua, o problema de abastecimento continua e o governo está pedindo para que as pessoas reduzam o uso de aparelhos de ar-condicionado hoje (a previsão de temperatura é de 37 graus, mas ao menos o dia está nublado; e vejo pela janela agora que o vento já mudou de direção, então deve começar a refrescar um pouco). Cogita-se até proibir o uso de ar-condicionado residencial até que o problema seja resolvido, mas não consigo imaginar como se fiscalizaria isso.

E, ainda no assunto “verão”, a persistência da seca fez com que as regras para racionamento de água ficassem mais restritivas desde o início do ano: agora é completamente proibido encher piscinas e regar gramados, mesmo em estádios (com algumas exceções), e regar o jardim só é permitido de madrugada ou à noite em dois dias da semana, e só manualmente ou com irrigadores que colocam a água diretamente na raiz; sprinklers não podem ser usados. Também é proibido lavar carros, a não ser com sistemas comerciais; manualmente, só é permitido limpar os vidros com um pano molhado. Com essas regras, todos os parques e canteiros de plantas da cidade estão ficando completamente amarelos…

Se a seca continuar e os reservatórios chegarem a menos de 30% de capacidade antes de abril, as regras apertam mais: fica proibido regar qualquer coisa e lavar carros mesmo em sistemas comerciais. Hoje, os reservatórios estão em 37,6%.

Austrália 20 Dec 2006 16:47

Carteira de motorista, final

Ontem, finalmente, fiz o teste de direção que mencionei antes. Foi extremamente simples; mais do que eu esperava, até. Durou uns 15 minutos e envolveu dirigir pelas ruas próximas ao escritório do VicRoads (o DETRAN daqui); foi no meio da tarde, então as ruas não estavam tão movimentadas, e a parte mais complicada foi prestar atenção nos bondes ao cruzar os trilhos.

Não precisei nem fazer estacionamento paralelo (“baliza”). Existem quatro “manobras em baixa velocidade” que podem ser solicitadas pelo inspetor: estacionamento paralelo, estacionamento em ângulo, retorno em rua estreita ou manobrar em ré até um ponto pré-definido; o que precisei fazer foi estacionamento em ângulo (perpendicular ao meio-fio).

Depois do teste, o inspetor diz quais erros foram cometidos e dá o resultado; dos 52 itens avaliados, passei em 48 (o mínimo é 44). A carteira fica pronta na hora, e vale por dez anos (bom, dá para optar entre três e dez anos de validade, e o preço pago é proporcional à validade; eu optei pela de dez). Agora não preciso me preocupar com isso até 2016…

Austrália 09 Dec 2006 18:00

Previsão do tempo: fumaça

Soa meio estranho, mas esta era a previsão do tempo para hoje em Melbourne: dia quente e seco, máxima de 37 graus, fumaça pela manhã. E foi bem o que aconteceu (se bem que a fumaça durou o dia todo).

A fumaça não é poluição, mas o resultado de incêndios florestais no interior do estado. Ajudados pelo calor, ventos fortes, ar muito seco e disponibilidade de combustível (vegetação seca; a floresta nativa é formada basicamente de eucaliptos, que queimam com muita facilidade), vários incêndios começaram a se espalhar por Victoria na sexta-feira, e o aumento do calor no fim de semana deixou todo mundo preparado para o início do que pode ser a pior temporada de incêndios de todos os tempos.

Esta imagem de satélite mostra a situação hoje à tarde:

Incêndios florestais em Victoria

Os pontos vermelhos são focos de incêndio, o ponto amarelo é Melbourne, a área branca é fumaça. A maioria dos incêndios fica a uns 250km de Melbourne.

E esta era a situação no centro de Melbourne hoje pela manhã:

Fumaça em Melbourne

Parece névoa, mas era fumaça. Ao ar livre o cheiro era bastante forte, e a visibilidade baixa causou vários problemas no aeroporto, com muitos vôos atrasando. O noticiário também mencionou que centenas de alarmes de incêndio com detetores de fumaça dispararam, dando trabalho para os bombeiros.

O fogo não se propagou tanto quanto se temia durante o dia porque o vento forte previsto para o interior do estado não aconteceu; a previsão para amanhã é de, de novo, 37 graus em Melbourne e 39-41 na área dos incêndios, com chance de vento forte. Deve começar a esfriar no início da noite, dispersando a fumaça na cidade e levando a uma segunda-feira chuvosa com máxima de 20 graus.

Austrália 06 Dec 2006 16:37

Melhor prefeito

Esta semana, o prefeito de Melbourne, John So, foi eleito o melhor prefeito do mundo em uma votação online. O prêmio foi promovido por uma organização internacional chamada City Mayors, que atua para promover governos locais. Ele competia com mais de 600 prefeitos do mundo todo (inclusive os de Belo Horizonte e Curitiba).

John So é um pouco folclórico em Melbourne. Ele é chinês, e veio para a Austrália com 17 anos; por causa disso, ele fala inglês com um sotaque muito forte. E, um pouco por causa disso, um pouco por causa do seu jeitão meio engraçado, ele é muito popular; mais ou menos como se fosse a “mascote” de Melbourne. Por exemplo, na abertura dos Jogos da Comunidade Britânica, no início do ano, ele foi (disparado) a autoridade mais aplaudida a discursar, e isso se repete sempre que ele aparece em público. O que, aliás, ele faz bastante; alguns dos councillors (o nosso equivalente aos vereadores) reclamam que ele não aparece muito para trabalhar na prefeitura, mas está sempre disponível para aparecer em público com a ex-Miss Universo Jennifer Hawkins ou com Bono (mas não com o Dalai Lama, que ele se recusou a encontrar há alguns anos).

Ele também é criticado por causa do sotaque, que dificulta a comunicação; um dos candidatos na última eleição abandonou a disputa depois de fazer um comentário maldoso sobre isso. O prefeito participa de uma série de comerciais de TV sobre atrações e eventos da cidade, mas ele geralmente fala apenas uma ou duas frases, com uma apresentadora de TV fazendo o resto da locução.

Para dar uma idéia do sotaque e da aparência do prefeito, aqui está um pequeno vídeo da participação dele no concerto “Making Poverty History” (aproveitando que mencionei Bono mais acima…) que aconteceu há algumas semanas:

(para quem lê via RSS, o vídeo está aqui)

So é o primeiro prefeito de Melbourne que foi eleito em voto direto, em 2001, e foi re-eleito com folga em 2004. Eu participei da eleição, mas não votei nele (quero dizer, não em primeira preferência; coloquei-o em quarto ou quinto entre os 23 candidatos). Mas, no fundo, o cargo de prefeito é menos “relevante” aqui do que no Brasil, por causa da organização política diferente. Muito do que seria cuidado pela prefeitura no Brasil, como, por exemplo, transporte público, fica a cargo do governo estadual. Assim, um prefeito “de exibição” não é algo tão inconveniente como poderia parecer…

Austrália 21 Nov 2006 14:14

Parkes

No interior de New South Wales, a uns 300km de Sydney e 250km de Canberra, fica a pequena cidade de Parkes. Com pouco mais de 10.000 habitantes, é mais ou menos do tamanho de Tapera. Não seria muito diferente da maioria das pequenas cidades do interior da Austrália, se não fosse por uma instalação cerca de 20km ao norte: o Parkes Observatory, um rádio-telescópio de 64m de diâmetro que é o segundo maior do hemisfério sul e um dos mais antigos rádio-telescópios móveis de grande porte: foi concluído em 1961.

Eu assisti neste fim de semana o filme The Dish (não sei qual é o título em português), que conta a história de como o rádio-telescópio de Parkes foi usado durante a chegada de Neil Armstrong à Lua para receber os sinais de TV que foram retransmitidos para o mundo todo. O filme se baseia em fatos reais, embora a apresentação tenha sido um pouco ficcionalizada.

A idéia de transmitir imagens da Lua ao vivo ocorreu à NASA mais ou menos “na última hora”, e o horário previsto para o primeiro desembarque em solo lunar faria com que não fosse possível captar os sinais dos EUA; dos locais de onde seria possível ver a Lua, Parkes tinha de longe o melhor e maior equipamento, e foi um dos locais escolhidos para acompanhar a missão e receber as imagens. Depois de muito tempo de preparação, quase deu tudo errado no último momento: o dia do pouso foi um dia de muito vento em Parkes, e a velocidade do vento excedia (por muito) a que seria considerada segura para operar o telescópio. Os técnicos decidiram arriscar mesmo assim, e tudo deu certo.

Alguns detalhes do filme não correspondem bem ao que aconteceu, no entanto; as imagens foram mesmo transmitidas para todo o mundo a partir da Austrália, mas nos primeiros minutos elas não vieram de Parkes, e sim de Honeysuckle Creek, outro observatório próximo a Canberra que fechou em 1981; o sinal de Parkes começou a ser usado um pouco depois do primeiro passo de Neil Armstrong. Honeysuckle Creek, e não Parkes, era a principal base da NASA na Austrália para a missão Apollo. Ainda assim, o filme, lançado em 2000, conta muito bem um detalhe importante da história da participação espacial australiana (e parece ter atraído bastante interesse do público tanto para Parkes quanto para os vários outros rádio-telescópios espalhados pela Austrália).

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