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Acaso & Brasil & Pessoal 23 Aug 2006 15:09
Sobre etiqueta no Orkut
Tenho uma pergunta para os meus leitores em geral.
Como todo mundo sabe, o Orkut é muito mais popular no Brasil do que em qualquer lugar do mundo. Uma coisa que me chamou a atenção quando estive recentemente no Brasil foi o número de menções ao serviço na imprensa, na TV, em livros etc., sempre sem explicações (ou seja, como se todo mundo soubesse o que é). Aqui, ninguém fala nele, e creio que muita gente nem sabe que ainda existe.
Pois bem. Eu estou cadastrado desde os primeiros dias do serviço, mas recentemente (leia-se “nos últimos 12-18 meses”) quase não tenho acessado. Acabo entrando lá mais ou menos uma vez por mês só para limpar o spam do scrapbook (que, se eu pudesse, eu teria desabilitado); sempre que faço isso, lá estão me esperando vários pedidos de contato de “amigos” dos quais eu nunca ouvi falar. O que eu faço é simplesmente clicar em “não” na pergunta sobre “você conhece essa pessoa?”.
Nessa última vez, no entanto, um desses pedidos de contato era de uma pessoa que eu conheço; tive algum contato com ele na época de universidade, e algum contato profissional depois. A minha tendência, então, seria dizer sim, conheço essa pessoa. Só que, no perfil dessa pessoa, o nome dela aparece não como, por exemplo, “Isaac Gerânio” (nome fictício), mas como “Isaac Gerânio para Deputado Estadual n° 99123″.
E aí vem a pergunta. Eu não quero usar a minha lista de amigos como palanque para um candidato a deputado em quem eu, mesmo conhecendo, não votaria, de um partido no qual eu não votaria. Tampouco quero que a presença de uma mensagem de candidato na minha lista de amigos seja interpretada como um apoio meu ao candidato. Qual seria a atitude correta, portanto? (a) clicar em “sim”, porque afinal eu conheço a pessoa; (b) esperar a eleição passar e depois clicar em “sim” para estabelecer o contato; (c) clicar descaradamente em “não”, já que o pedido de contato foi completamente interesseiro e não sincero; (d) nenhuma das acima.
Agradeço sugestões.
Acaso & Brasil 01 Aug 2006 15:07
Paga o justo…
…pelo pecador. Isso era o que costumava dizer uma professora minha, nos tempos de criança, quando ameaçava deixar a turma toda sem recreio porque um troglodita mirim havia, por exemplo, jogado futebol com a cestinha de lixo.
Sempre achei essa expressão um absurdo. Não lembro de alguma vez em que a professora tenha realmente cumprido a ameaça, mas isso não vem ao caso: a própria existência da ameaça é um absurdo. Afinal, se o justo (no sentido de “correto”) pode ser punido tanto quanto o infrator, qual é o incentivo para ser correto? É possível até argumentar que o infrator é menos punido do que os outros alunos; afinal, o pequeno australopiteco de uniforme teve seu divertimento chutando o lixo, para ele não faz mais diferença ficar sem recreio. Eu, que queria ir à biblioteca, é que sofro. Por exemplo.
E, também, me pergunto qual o objetivo da professora com uma punição generalizada. Se ela não soubesse quem era o infrator, o gesto poderia ser visto como uma tentativa de fazer com que alguém o delatasse. Mas é óbvio que isso não iria funcionar: o nosso Moe tem a capacidade de aplicar uma punição muito pior, e muito mais longa, do que um recreio perdido. Ele não é restrito pelas leis que controlam o comportamento dos professores, nem tem (ou sente) algum dever de zelar pelo bem estar dos seus colegas mais evoluídos.
E se ela soubesse quem era o infrator (como costumeiramente era o caso), a situação seria ainda mais imperdoável. A única possível explicação é que ela esperaria que os inocentes sendo punidos se sentiriam compelidos a evitar futuros incidentes causados pelo menino das cavernas, o que é claramente impossível (ver parágrafo acima).
Na verdade, uma punição no estilo “justo pelo pecador” é sintoma de preguiça. É mais fácil aplicar uma punição que engloba todo mundo, com a certeza de que quem causou o problema entra junto (mesmo que os inocentes sofram mais do que os culpados), do que se esforçar para punir apenas quem merece ou, melhor ainda, evitar que o problema aconteça. Mas a professora, depois de anos lidando com as mesmas situações, se cansa e vai pelo caminho mais fácil. Compreensível, até. Exceto para o aluno que não fez nada e fica ali na sala de aula ouvindo o resto da escola se divertir.
Tudo isso para falar dos eventos do Gre-Nal e da idéia de punir o Grêmio pelos atos da torcida. Falou-se, logo após o jogo, até em punições “exemplares”, como por exemplo suspender o time do campeonato. O resultado? Punir-se-ia quem não teve nada a ver com a história.
Certo, presumivelmente uma punição ao time afeta também os torcedores que causaram o problema. Afinal, um bom gremista não quer ver o time perdendo mando de campo, ou pontos, ou dinheiro (se tiver que jogar sem torcida). Mas a questão é que existem muito mais gremistas que também são punidos “no embalo” e que nunca na vida cogitaram colocar fogo em um banheiro químico (ou, mesmo, nunca cogitaram entrar no Beira Rio). Também são punidos junto os jogadores, os funcionários (um time sem dinheiro não paga salários), os concessionários do Estádio Olímpico e assim por diante. Nenhum dos quais teve nada a ver com o evento, nem tem como evitar o ocorrido ou auxiliar na punição das pessoas corretas. Como os alunos lá de cima, o seu único erro foi fazer parte do mesmo grupo que alguns trogloditas.
Mais ainda: se for comum que os atos da torcida gerem punições sérias para o seu time, isso passa a ser interessante para os membros da torcida oposta. Afinal, quem garante que as pessoas com camiseta do Grêmio tentando derrubar as cercas do Beira Rio eram, realmente, gremistas? Poderiam ser colorados fazendo o papel de agent provocateur para tentar gerar uma punição para o rival. Não, não acho que foi isso que aconteceu nesse caso em particular. Mas não demoraria para alguém perceber as possibilidades. Se o ganho possível é a desclassificação ou rebaixamento do rival, vale a pena.
Sim, eu sei que o hábito de punir o time existe há tempos e não é coisa só do Brasil. Torcedor invade o campo? Pune-se o time; o torcedor fica na boa. Torcedor xinga adversário, derruba cerca, atira pedra no juiz? Pune-se o time. E assim por diante. Não é porque é algo “comum” que é algo certo. Incidentalmente, eventos muito mais graves já ocorreram sem se cogitar “punições exemplares” para o time, para usar a expressão da CBF. Já mataram torcedores em estádios ou na saída destes, por exemplo, sem gerar todo esse barulho.
Lógico que o que aconteceu no estádio merece punição. As pessoas que colocaram fogo nos banheiros, jogaram pedras nos bombeiros, tentaram derrubar cercas ou, de maneira geral, causaram prejuízos ou agrediram alguém merecem ser punidas. E não só “futebolisticamente”; afinal, estádios não são território da FIFA (mas bem que a FIFA gostaria…), as leis do país continuam valendo. Já se vê o MP e a polícia se encaminhando para isso, o que é bom.
Mas há que haver uma punição esportiva também, como a usada contra hooligans na Europa. Basicamente, quem faz uma coisa dessas nunca mais pode entrar em um estádio de futebol. Nem no do São José. Nem para ver a chegada do Papai Noel. Aliás, não deveria nem poder assinar o pay-per-view ou ir a botecos que estivessem exibindo as partidas. Sim, eu sei que hoje em dia isso é impraticável; a segurança nos estádios, dentro e na entrada, é risível. Mas essa é a solução certa. Enquanto se procurar a solução preguiçosa, a mais fácil, o problema vai continuar e piorar (e, sim, jogos com uma torcida só também são uma solução preguiçosa).
Acaso 17 Jul 2006 15:07
TV
Mais ou menos um ano atrás, eu escrevi sobre os programas de TV que eu estava assistindo na época. Hoje em dia, por algum motivo, tenho assistido menos TV do que naquela época (o fato de que agora temos um gato talvez tenha alguma influência…). Enfim, a situação atual, comparando com a anterior, é:
- Ainda assisto regularmente:
- Mythbusters (SBS, seg., 19:30): continuo assistindo, mas a SBS tem alternado com “Top Gear”, um programa automobilístico britânico; a partir desta semana passa “Top Gear”
- Spicks and Specks (ABC, qua., 20:30): continuo assistindo
- The Glass House (ABC, qua., 21:30): idem
- Doctor Who (ABC, sáb., 19:30): a segunda temporada começou no sábado retrasado
- Iron Chef (SBS, sáb., 20:30): depois de muito tempo passando só reprises, a SBS começou recentemente (depois da Copa…) a passar episódios novos, dois por sábado (”novos” em termos; os episódios são de 1995)
- Deixei de assistir ou assisto com menos freqüência:
- Desperate Housewives (Seven, seg., 20:30): as emissoras australianas demoram um pouco a passar alguns seriados americanos, e eles acabam ficando disponíveis por meios, digamos, extra-oficiais antes de irem ao ar aqui; a segunda temporada ainda está sendo transmitida pelo Seven, mas não estou assistindo por ali (já assisti quase toda)
- The Apprentice: parou de ser transmitido aqui
- Rockwiz: não tenho mais assistido; “perdeu a graça” (e, aliás, não tem sido transmitido recentemente)
- My Restaurant Rules: não teve mais temporadas
- Lost (Seven, qui., 20:30): situação idêntica à de “Desperate Housewives”; já acabei de ver a segunda temporada, mas de vez em quando me surpreendo ao descobrir que ainda está sendo transmitida na TV; até setembro, “em folga”
- Amazing Race: assisti a última temporada, que acabou (aqui) há uns dois meses; no momento, não está passando, e não sei se vou assistir a próxima temporada
- CSI (Nine, dom., 20:30): mais ou menos na mesma situação de “Lost”, mas não tenho assistido tão assiduamente; estou no meio da 6a. temporada, alguns episódios a frente da transmissão do Nine
- Novos:
- Battlestar Galactica: seriado de ficção científica; que eu saiba, não está passando em canal nenhum; “descobri” através do DVD da mini-série que foi lançada antes do seriado, e desde então venho lentamente assistindo os episódios; estou no meio da primeira temporada, e achando muito divertido
- The Chaser (ABC, sex., 22:15): eles são mais ou menos o “Casseta & Planeta” da TV daqui; é um programa humorístico “pseudo-jornalístico” com algumas tiradas muito engraçadas, outras um pouco forçadas; são um pouco mais ousados que os Cassetas, acho: eles costumam participar de entrevistas coletivas verdadeiras com políticos e fazer perguntas completamente sem propósito ou abertamente críticas (os políticos conhecem o pessoal e levam na brincadeira) [tem vários vídeos deles no YouTube; alguns não vão fazer muito sentido para quem não conhece o contexto local, mas muitos são engraçados de qualquer jeito]
E, falando em TV (e em tempos de PCC…), olhem o que estréia hoje à noite, às 10, na SBS:

“Cidade dos Homens”, logo depois do noticiário. E lá se vai a imagem do país…
Acaso 11 Jul 2006 16:26
Moedas menores
A respeito do que escrevi ontem sobre as moedas neo-zelandesas: descobri que o problema está com os dias contados. No filnal de julho, as moedas de lá vão mudar: a moeda de cinco cents deixa de existir, a de dez muda de cor e todas ficam menores. Imagino que o objetivo seja reduzir custos.
O site do Reserve Bank da Nova Zelândia tem imagens das moedas atuais e das novas.
Acaso 06 Jul 2006 14:58
Final da Copa
Parece provocação. Dois dos times mais antipáticos vão disputar a final. E não são antipáticos só porque um eliminou o Brasil e o outro eliminou a Austrália; se antes da Copa eu tivesse feito uma lista de times em ordem de preferência, esses dois iam ficar lá no fim, logo antes da Argentina.
Restam poucas opções, portanto. Posso acordar domingo de madrugada, assistir Portugal x Alemanha e fazer de conta que assisti a final. Ou posso torcer para que saia uma briga logo no início do jogo, o juiz expulse cinco jogadores de cada lado e o jogo acabe assim mesmo. Aliás, alguém sabe o que acontece nesse caso?
Acaso 05 Jul 2006 16:29
Superman Returns
Assisti ontem à noite “Superman Returns”, o novo filme do homem de aço. Achei divertido, e acho que realmente não era para ser mais do que isso. Ele segue exatamente a tradição do primeiro filme: mesmo estilo de vilão, mesmo tipo de situações, um Lex Luthor exuberante e com uma namoradinha ignorante, algumas cenas cômicas aqui e ali… Um pouco longo (2 horas e 33 minutos), mas ainda assim valeu pela diversão. “Suspension of disbelief” etc. etc.
O filme começa com o nosso herói voltando à Terra depois de passar cinco anos distante, procurando pelos restos do seu planeta natal; ele encontra um planeta que ainda se lembra muito bem dele, mas também encontra uma Lois Lane que o “esqueceu”, casada e com um filho.
No entanto, eu fiquei bem confuso com um fato: neste filme, Lois Lane não sabe que Clark Kent é o Super-Homem (e, aparentemente, ninguém achou estranho que os dois voltassem de uma ausência de cinco anos no mesmo dia). Eu lembrava claramente que em “Superman II” ela tinha ficado sabendo da identidade secreta do Clark; o que eu não lembrava, no entanto, era que no fim daquele filme o Super-Homem decidiu que o relacionamento entre eles era muito perigoso para ela e “apagou da memória” dela a história toda (assim como a quase totalidade dos espectadores apagou o filme todo da sua memória). Ou seja, ela não só não sabe da identidade secreta, mas tampouco sabe que houve um relacionamento amoroso entre eles. Esse, acredito, é um ponto importante para o próximo filme da série (que com certeza vai acontecer).
“Superman Returns”, cronologicamente, acontece logo depois (bem, cinco anos depois) de “Superman II”; para todos os efeitos, os filmes número III e IV nunca aconteceram e não se inserem na mesma linha cronológica (felizmente). Incidentalmente, a parte “urbana” da filmagem aconteceu em Sydney, que acabou fazendo o papel de Nova York fazendo o papel de Metropolis…
Acaso 03 Jul 2006 14:31
Histórias de avião
Para quem está procurando informações sobre o acidente com o avião da Gol, sugiro o site especial do Terra. Esta página não fala sobre isso.
Esta aconteceu aí por 1996 ou 1997. A cena: aeroporto de Guarulhos, São Paulo; vôo da Vasp indo para Porto Alegre, na época em que a Vasp ainda voava. O embarque aconteceu normalmente, todo mundo entrou, as portas foram fechadas e o avião começou a andar. Só que, ao invés de se dirigir para a pista, ele estacionou em frente a um hangar de manutenção. O piloto, então, avisou que o avião estava com um problema no trem de pouso; seria feita um rápido conserto e seguiríamos viagem em uns 15 minutos.
Logo em seguida começamos a ouvir barulhos vindos de baixo do avião, e um lado começou a se erguer lentamente. Passaram-se vários minutos com o avião inclinado para a direita (e os sons continuavam), depois ele voltou à horizontal e seguimos viagem. A decolagem foi ok, o vôo também; nada digno de nota.
No pouso, entretanto… o tempo em Porto Alegre não estava muito bom, e imagino que estivesse ventando bastante. O resultado foi que o pouso foi muito brusco, provavelmente o pior em que já estive: o avião bateu com muita força no chão. Depois do barulhão e enquanto todo mundo ainda se recuperava do impacto, ouviu-se uma voz vinda lá do fundo do avião gritando: “por isso que estraga o trem de pouso!”
Esta é mais ou menos da mesma época, mas não envolve um avião diretamente. A cena: de novo aeroporto de Guarulhos, de novo um vôo para Porto Alegre, mas desta vez pela Varig, na época em que… bom, deixa para lá. Mais especificamente, a cena é o balcão de check-in da Varig. Por algum motivo, eu cheguei ao aeroporto muito antes do horário do vôo, e a atendente ofereceu a opção de embarcar em um vôo anterior ao meu. Eu alegremente aceito, e ela começa o processo de mudar a passagem e marcar o assento.
Uns segundos depois, ela levanta os olhos da tela do computador e me diz “olha, neste vôo só tem lugar em cima da asa; pode ser?”. Eu juro que gostaria de ter dito algo como “bom, eu preferiria ir dentro do avião” ou “será que com o vento eu vou conseguir ler?”, mas só o que eu acabei dizendo foi “como assim?”. Ela me olhou por um momento com uma expressão curiosa e daí percebeu o que tinha dito e caiu na gargalhada.
O que ela queria dizer, claro, é que só tinha lugar nos assentos localizados diretamente sobre a asa, mas dentro do avião (como ela fez questão de reforçar, aliás). O motivo da pergunta é que, no avião que faria aquele vôo, esses assentos não reclinam porque ficam em frente às saídas de emergência. Eu, claro, aceitei, já que era um vôo curto.
E realmente o assento era dentro do avião.
Esta é mais recente, aconteceu provavelmente em meados de 2003. O cenário é a área de embarque do aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, pouco tempo depois da mudança para o prédio novo; era um vôo da Gol, indo para São Paulo. Para quem não conhece, no novo aeroporto de Porto Alegre os corredores que levam do salão de embarque até o avião (os “fingers”) são envidraçados; ou seja, se enxerga o avião no trajeto até ele. E, como normalmente se chega ao avião pela frente, é possível ver o que se passa na cabine do piloto.
Pois bem, neste dia havia, perfeitamente visível sobre o painel de instrumentos, em frente à janela, um material impresso; especificamente, uma brochura, parecendo um manual. Era em formato A4 (ou similar), com uma capa laranja (a cor da Gol); na frente havia o logotipo da Gol no alto, a foto de um avião no centro, e mais abaixo o título: “A Decolagem”.
Certo, eu sei que pilotos tem manuais na cabine e os consultam para procedimentos menos comuns; isso é perfeitamente normal. Agora, a decolagem eu esperaria que fosse um procedimento dominado sem precisar documentação impressa; certamente não é um procedimento incomum. Admito que achei estranho.
Entrando no avião, o mistério se resolveu: em cada assento havia uma cópia da mesma brochura. Não era um manual, era material promocional da primeiro aniversário da Gol, e a decolagem do título era uma referência metafórica ao crescimento da empresa no primeiro ano.
Vale dizer que o vôo foi perfeitamente tranqüilo. A decolagem também.
P.S.: Copa? Que Copa?
P.P.S.: ok, um comentário sobre a Copa: pelo menos ficou bastante claro para todo mundo que a seleção não estava escondendo o jogo nas primeiras partidas.
Acaso & Brasil 29 Jun 2006 14:36
Comentários
Aproveitando o dia sem futebol, alguns assuntos mais “leves”:
- TV digital: ok, o Brasil adotou o padrão japonês, e os europeus e americanos não gostaram muito; a minha impressão é que, na prática, não faz muita diferença para a população, e que deveria ter sido uma decisão meramente técnica; não entendo porque a palavra final teria que ser do presidente, como disse o ministro das Comunicações. O governo diz que é o sistema que mais se encaixava nos requisitos, o que parece ser verdade. Pessoalmente, me parece que o modelo europeu seria melhor no quesito “tem mais gente usando”, o que geralmente implica em preços melhores para equipamento tanto para consumidores quanto para emissoras (o padrão japonês é usado só no Japão). Incidentalmente, a Austrália usa o padrão europeu.
- Eleições: não vou votar em ninguém este ano (vou estar fora do Brasil nos dias das eleições), então me sinto à vontade para criticar todos os candidatos; mas alguns são mais fáceis de criticar do que os outros, claro. Por exemplo, Heloísa Helena promete baixar juros por decreto assim que assumir, e sem gerar inflação. Alguém deveria providenciar a candidatura dela para o Nobel de Economia. Admiro muito a Heloísa Helena, em particular sua honestidade e sua devoção aos seus princípios; o que não admiro são os princípios em questão, e o fato de ela achar que tem solução para problemas que, na verdade, ela não entende.
- Segurança pública: alguém consegue me explicar como é que uma ação policial que resultou em treze mortes pode ser considerada um sucesso, como disse o governador de SP? O simples fato de uma ação que tentaria evitar algo que já se sabia que ia acontecer há dias resultar em um tiroteio ao ar livre já deveria querer dizer que a operação fracassou e foi mal planejada. Tiroteio nunca pode ser o objetivo, e o fato de que os treze mortos são (supostamente) criminosos que estavam no ato de cometer um crime é irrelevante. Ok, melhor os criminosos que as vítimas (ou os policiais), mas “sucesso” não é como eu descreveria o evento.
A propósito: Brasil x França, neste fim de semana, não vai ser revanche de 1998. Para isso teria que ser a final. Vai ser, no máximo, revanche de 1986.
Acaso 28 Jun 2006 15:55
Brasil 3, Gana 0
É meio clichê dizer que “o placar do jogo não é a história toda”, mas essa é realmente a melhor maneira de descrever a partida. Com dez minutos de jogo eu achei que estávamos nos encaminhando para uma goleada brasileira e que Gana não iria terminar o jogo com onze jogadores em campo. Ok, foi 3×0, o que é quase uma goleada, e realmente Gana teve uma expulsão. Mas o jogo não foi como parecia que ia ser.
Gana jogou exatamente como se espera que times africanos joguem: correndo muito, atacando bastante e deixando alguns furos meio gritantes na defesa. Só que o Brasil, depois de fazer o primeiro gol, se acomodou na defesa e ficou tentando contra-ataques, sem muita eficácia. Só não levou gol por sorte em mais de uma ocasião (em particular com aquela cabeçada que pegou no pé do Dida, logo antes do segundo gol).
Verdade, no segundo gol o Adriano estava impedido, mas comparando com os erros de arbitragem que tem acontecido, este foi um dos menores. Afinal, foi uma jogada rápida e foi um impedimento por questão de centímetros. O primeiro e o terceiro gols foram certamente legítimos; apesar das reclamações, não me pareceu que a arbitragem estivesse favorecendo significativamente o Brasil.
Mas que o Brasil não jogou bem, não jogou. Muitos passes errados, muito poucas jogadas de ataque, uma defesa insegura (exceto pelo Dida)… Parte disso deve ter sido causado pelo estilo de jogo dos… ganenses? gananos? ganianos? ganeses? bom, dos africanos, parte pela apatia do Adriano, parte pelo primeiro gol acontecendo muito cedo. Se o Brasil não tivesse marcado tão cedo, ou se Gana tivesse conseguido empatar, teria sido um jogo bem diferente. E talvez não tão bom para o Brasil.
Almoçando com colegas de trabalho hoje, estavam presentes um alemão, um austríaco, um francês, um italiano (por descendência) e um espanhol (idem), além de mim e de vários australianos. O assunto principal só podia ser a Copa. Havia dois consensos: a Espanha mereceu cair fora, e se o Brasil jogar com a Alemanha como jogou ontem, a Alemanha vai ser campeã. Isso, claro, assumindo que o Brasil passe pela França e por Portugal (não acho que a Inglaterra vá ganhar, mas também não achei que a França ia, então…).
Aliás, três consensos: esses jogos na madrugada estão arrasando com a produtividade de todo mundo.
Acaso & Austrália 27 Jun 2006 10:38
Austrália 0, Itália 1
Digamos que foi uma derrota honrosa. Racionalmente falando, existem maneiras muito piores de perder do que o que aconteceu. Mas, emocionalmente falando, ficar acordado até as 3 da manhã para ver o jogo ser decidido em um pênalti duvidoso aos 48 do segundo tempo não é exatamente agradável.
Eu esperava que fosse um jogo relativamente simples: Itália atacando freqüentemente, Austrália se defendendo e reagindo com contra-ataques. Na verdade, foi quase que exatamente o oposto. No primeiro tempo a Itália até que chegou algumas vezes com perigo, e o goleiro Schwarzer salvou o time pelo menos três vezes, mas a Austrália sempre dominou a posse de bola. Lógico que um dos motivos para esse domínio estatístico é que, quando os italianos pegavam a bola, eles eram muito rápidos e logo concluíam; os australianos ficavam trocando passes no meio de campo esperando aparecer algum espaço na defesa.
Já no segundo tempo, depois que um zagueiro italiano foi expulso (em um lance duvidoso), só deu Austrália. A Itália recuou, ficou toda na defensiva, e só saía para contra-ataques. O problema é que a Austrália não conseguia chegar com muito perigo; foram muito poucas as chances claras de gol. Um ataque um pouco mais eficiente poderia ter decidido o jogo relativamente cedo; mas o craque Harry Kewell estava machucado e o técnico, aparentemente esperando que o jogo fosse para a prorrogação, demorou para colocar reservas em campo. Quando o atacante John Aloisi entrou, não havia mais muito tempo.
Se o jogo tivesse terminado empatado, a Austrália poderia ter “ganhado no cansaço” dos italianos na prorrogação. No fim, o jogo acabou sendo decidido no último ataque dos italianos, em um pênalti muito duvidoso.
Foi um final triste para a seleção e a torcida australiana, mas em geral foi uma boa Copa para eles. Fizeram muito mais do que se esperava; antes da Copa, ninguém levava muito a sério a possibilidade de classificação para a segunda etapa. E despertaram o interesse pelo futebol aqui; os governadores de New South Wales e Victoria já disseram que vão pedir ao governo federal que o país se candidate para sediar a Copa de 2018, e o próprio Primeiro Ministro se disse “muito triste” com a derrota de hoje.
Agora, vamos torcer para o Brasil fazer mais bonito hoje à noite!





