Brasil 13 Sep 2006 11:56

Eleições V e final

Depois de analisar os quatro candidatos principais, chegou a vez dos coadjuvantes. Para quem não tiver interesse neles, a conclusão está lá no fim do artigo.

Luciano Bivar

Tem um programa que vai direto ao ponto. A principal proposta é a do “Imposto Único”, que aboliria imposto de renda, ICMS, IOF etc. etc. É basicamente uma CPMF ligeiramente modificada (e sem o P). A um nível teórico não é uma idéia ruim, mas na prática é algo complicadíssimo de implementar (e os detalhes da idéia do candidato não são particularmente agradáveis). Mas mesmo que se aceite essa proposta como sendo boa, o resto da “cartilha” do candidato tem algumas pérolas que a desabonam; por exemplo, “toda favela terá um miniquartel para proteger a comunidade”, “transformação das universidades federais em fundações privadas”, extinção da dívida externa convertendo-a em permissão de exploração da infraestrutura pública (ele já combinou com os credores?), anistia ampla de dívidas, inclusive fiscais… De maneira geral é um programa “gastador”, apesar de pregar uma diminuição do tamanho do Estado (desestatização — inclusive das prisões, redução do número de parlamentares, redução do número de funcionários públicos). As economias são todas jogadas fora com outros gastos previstos, como a garantia de preço para agricultores e as já mencionadas anistias de dívidas; não é o programa de alguém que realmente quer reduzir a influência do governo na vida dos cidadãos. O fato de acabar com “que deus nos ilumine” não ajuda, aliás.

José Maria Eymael

O PSDC tem o programa mais contraditório de todos os que eu vi: defende que “a pessoa é o centro e razão de todo o processo social, econômico e político” mas tem várias metas claramente “socializantes”; defende a livre iniciativa e o direito à propriedade mas quer tornar obrigatória a participação de funcionários nos lucros das empresas; defende liberdade de expressão desde que “responsável”; e assim por diante. Não acho que seja má intenção, acho que é ingenuidade mesmo; o programa de governo parece algo que poderia ter sido escrito por um grupo de jovens reunido numa igreja. Ou seja, muitas boas intenções, nenhum conhecimento das conseqüências ou do custo das suas idéias.

Rui Pimenta

O PCO, partido deste candidato, é (junto com o PSTU) um dos melhores exemplos atuais da “esquerda raivosa”, com o programa típico desta: salário mínimo altíssimo, não pagamento da dívida externa, estatização generalizada etc. etc. Citando diretamente do site do partido, “a solução efetiva para os problemas que o Brasil e o mundo enfrentam hoje só podem ser encontradas na superação do capitalismo pelo socialismo e através da substituição da propriedade privada dos meios de produção e a exploração do homem pela propriedade coletiva”. Nada mais a dizer, realmente.

Ana Maria Rangel

Não faço idéia de qual é o programa dessa candidata. Não encontrei informações online, ela não parece ter um site pessoal e o site do partido foi suspenso pelo seu provedor. Então, a única coisa que sei é o slogan: “vai cuidar do Brasil, vai cuidar de você”. Não, obrigado.

Conclusão

Eu achei que ia chegar a esse ponto da análise defendendo um voto em Geraldo Alckmin, apesar das tendências ligeiramente socializantes do seu partido e de políticas com as quais não concordo. Em uma eleição na qual, na prática, não há nenhum candidato de direita (ou sequer de centro), eu achei que seria a melhor opção possível.

Depois de ler todos os programas de governo dos candidatos, no entanto, tenho que dizer que aquele com o qual eu mais me identifico é o de Cristovam Buarque. É o que demostra maior preocupação em diminuir a influência do Estado na economia e na vida dos brasileiros, e é o único que apresenta algum foco em programas de longo prazo. Além disso, o programa deixa claras a confiança no setor privado e a intenção de respeitar direitos individuais e evitar políticas assistencialistas. É o programa que mais se afasta da esquerda do espectro político, entre os que podem ser levados a sério.

Concluindo: se eu fosse votar, meu voto no primeiro turno seria para Cristovam Buarque, com Geraldo Alckmin sendo meu voto em um eventual segundo turno entre ele e Lula. Se o voto fosse como na Austrália (preferencial), minha ordem de preferências seria Cristovam, Alckmin, Lula, Bivar, Heloísa Helena e uma ordem aleatória dali em diante. Um “disclaimer” rápido é que, como eu já disse antes, essa é a minha opinião, e ela é baseada puramente nos programas de governo divulgados pelos candidatos e/ou partidos, sem influência da propaganda política ou da cobertura da campanha na mídia.

2 Responses to “Eleições V e final”

  1. on 14 Sep 2006 at 03:26:47 1.Marcelo Gonçalves said …

    Fiquei curioso em saber como funciona o sistema eleitoral australiano (voto preferêncial). Se puder faça um post sobre isso, ou indique-me onde posso ler mais sobre esse assunto. Desde já obrigado. E aproveitando, parabéns pelo Blog, está realmente exelente.

  2. on 14 Sep 2006 at 13:14:01 2.Wilson said …

    Eu escrevi um pouco a respeito em 2004: http://www.netwhatever.com/vento/2004/08/30/eleicoes/