Brasil 12 Sep 2006 14:02

Eleições IV

Prosseguindo a série de artigos que já falou sobre Lula, Geraldo Alckmin e Heloísa Helena, hoje temos:

Cristovam Buarque

Pelo que li, é um candidato de um assunto só: educação. Ok, isso é um pouco de exagero. O programa dele dá uma grande importância para educação (o que é algo com que concordo, até certo ponto), mas também explora vários outros assuntos; educação é o primeiro dos cinco “eixos” nos quais ele se foca.

A análise que ele faz da situação atual do país, antes de apresentar propostas, tem várias observações muito bem feitas: “[t]emos um Estado burocrático, envelhecido, um poder judiciário lento e obscuro. Nossa gestão pública ultrapassada, presa ao formalismo, não se preocupa com resultados”. Mas também tem algumas das palavras chaves “comuns” da esquerda: “neoliberais”, “sucateamento [dos bens públicos]“, “capital financeiro internacional” (como vilão) etc. Por outro lado, a crítica aberta ao assistencialismo conta vários pontos positivos, assim como esta frase: “o Estado não tem que substituir a iniciativa privada e os atores sociais”.

Enfim, o programa se concentra em cinco “eixos”: educação, reforma de instituições, solidariedade, desenvolvimento sustentável e soberania. O eixo educação fala em melhorar a qualidade do ensino fundamental, ampliar o ensino técnico e federalização das escolas; em princípio, são boas metas, mas o problema (para mim) é que são metas, e não ações: de novo falta dizer “como”. Como será reformado o ensino superior, como será universalizado o ensino médio? Uma reforma pode ser algo bom ou ruim, dependendo de como é feita.

Os outros “eixos” sofrem do mesmo problema, na verdade: são mencionadas metas ou áreas que precisam ser mudadas, mas (com algumas exceções) não se explica como as metas serão atingidas ou que mudanças se planeja fazer; isso pode ser uma tentativa de deixar o programa mais “simples” ou pode ser uma tentativa de “falar bonito sem dizer muito”. Provavelmente é uma mistura dos dois.

De maneira geral, é um programa bom. Vários itens são parecidos com o que eu penso: “Não cabe mais ao Estado o papel de principal protagonista do desenvolvimento”, “investimentos em infra-estrutura, particularmente energia, [devem] provir fundamentalmente do setor privado”, “[é] imperativo que se simplifique o sistema tributário brasileiro” etc. Essa última frase entra no eixo “solidariedade”, aliás. O apoio ao fim do serviço militar obrigatório (no eixo “soberania”) também é um bom sinal. Idem para a ênfase em defesa do ambiente, e (mais importante) para a já mencionada crítica dura a políticas assistencialistas.

Parece ser um programa que se dispõe a diminuir o tamanho do Estado e a sua atuação no “dia a dia” da economia do país (o que é curioso para um partido com “T” na sigla). Há um foco no longo prazo que é incomum em plataformas de campanha, com a vantagem de ser um programa de longo prazo que não envolve um governo fortemente controlador. Em resumo, é um programa que me agradou bastante.

Amanhã: os quatro candidatos restantes e a conclusão.

One Response to “Eleições IV”

  1. on 13 Sep 2006 at 11:56:15 1.Palavras ao Vento » Eleições V e final said …

    [...] Depois de analisar os quatro candidatos principais, chegou a vez dos coadjuvantes. Para quem não tiver interesse neles, a conclusão está lá no fim do artigo. [...]