Acaso 03 Jul 2006 14:31
Histórias de avião
Para quem está procurando informações sobre o acidente com o avião da Gol, sugiro o site especial do Terra. Esta página não fala sobre isso.
Esta aconteceu aí por 1996 ou 1997. A cena: aeroporto de Guarulhos, São Paulo; vôo da Vasp indo para Porto Alegre, na época em que a Vasp ainda voava. O embarque aconteceu normalmente, todo mundo entrou, as portas foram fechadas e o avião começou a andar. Só que, ao invés de se dirigir para a pista, ele estacionou em frente a um hangar de manutenção. O piloto, então, avisou que o avião estava com um problema no trem de pouso; seria feita um rápido conserto e seguiríamos viagem em uns 15 minutos.
Logo em seguida começamos a ouvir barulhos vindos de baixo do avião, e um lado começou a se erguer lentamente. Passaram-se vários minutos com o avião inclinado para a direita (e os sons continuavam), depois ele voltou à horizontal e seguimos viagem. A decolagem foi ok, o vôo também; nada digno de nota.
No pouso, entretanto… o tempo em Porto Alegre não estava muito bom, e imagino que estivesse ventando bastante. O resultado foi que o pouso foi muito brusco, provavelmente o pior em que já estive: o avião bateu com muita força no chão. Depois do barulhão e enquanto todo mundo ainda se recuperava do impacto, ouviu-se uma voz vinda lá do fundo do avião gritando: “por isso que estraga o trem de pouso!”
Esta é mais ou menos da mesma época, mas não envolve um avião diretamente. A cena: de novo aeroporto de Guarulhos, de novo um vôo para Porto Alegre, mas desta vez pela Varig, na época em que… bom, deixa para lá. Mais especificamente, a cena é o balcão de check-in da Varig. Por algum motivo, eu cheguei ao aeroporto muito antes do horário do vôo, e a atendente ofereceu a opção de embarcar em um vôo anterior ao meu. Eu alegremente aceito, e ela começa o processo de mudar a passagem e marcar o assento.
Uns segundos depois, ela levanta os olhos da tela do computador e me diz “olha, neste vôo só tem lugar em cima da asa; pode ser?”. Eu juro que gostaria de ter dito algo como “bom, eu preferiria ir dentro do avião” ou “será que com o vento eu vou conseguir ler?”, mas só o que eu acabei dizendo foi “como assim?”. Ela me olhou por um momento com uma expressão curiosa e daí percebeu o que tinha dito e caiu na gargalhada.
O que ela queria dizer, claro, é que só tinha lugar nos assentos localizados diretamente sobre a asa, mas dentro do avião (como ela fez questão de reforçar, aliás). O motivo da pergunta é que, no avião que faria aquele vôo, esses assentos não reclinam porque ficam em frente às saídas de emergência. Eu, claro, aceitei, já que era um vôo curto.
E realmente o assento era dentro do avião.
Esta é mais recente, aconteceu provavelmente em meados de 2003. O cenário é a área de embarque do aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, pouco tempo depois da mudança para o prédio novo; era um vôo da Gol, indo para São Paulo. Para quem não conhece, no novo aeroporto de Porto Alegre os corredores que levam do salão de embarque até o avião (os “fingers”) são envidraçados; ou seja, se enxerga o avião no trajeto até ele. E, como normalmente se chega ao avião pela frente, é possível ver o que se passa na cabine do piloto.
Pois bem, neste dia havia, perfeitamente visível sobre o painel de instrumentos, em frente à janela, um material impresso; especificamente, uma brochura, parecendo um manual. Era em formato A4 (ou similar), com uma capa laranja (a cor da Gol); na frente havia o logotipo da Gol no alto, a foto de um avião no centro, e mais abaixo o título: “A Decolagem”.
Certo, eu sei que pilotos tem manuais na cabine e os consultam para procedimentos menos comuns; isso é perfeitamente normal. Agora, a decolagem eu esperaria que fosse um procedimento dominado sem precisar documentação impressa; certamente não é um procedimento incomum. Admito que achei estranho.
Entrando no avião, o mistério se resolveu: em cada assento havia uma cópia da mesma brochura. Não era um manual, era material promocional da primeiro aniversário da Gol, e a decolagem do título era uma referência metafórica ao crescimento da empresa no primeiro ano.
Vale dizer que o vôo foi perfeitamente tranqüilo. A decolagem também.
P.S.: Copa? Que Copa?
P.P.S.: ok, um comentário sobre a Copa: pelo menos ficou bastante claro para todo mundo que a seleção não estava escondendo o jogo nas primeiras partidas.



