Monthly ArchiveJanuary 2006



Austrália &Brasil 30 Jan 2006 15:07

Floripa na mídia

O jornal The Age, um dos maiores daqui, publicou uma longa matéria sobre Florianópolis no seu caderno de viagem. Longa e muito elogiosa. Para quem quiser ler, a matéria está aqui.

Austrália 26 Jan 2006 16:36

O Australiano do Ano

Hoje, 26 de janeiro, é Australia Day, o feriado nacional australiano sobre o qual eu escrevi no ano passado. Uma coisa sobre a qual eu não lembrei de escrever é uma tradição interessante: a escolha do Australiano do Ano.

O prêmio existe desde 1960 e é apresentado pelo Primeiro Ministro, no dia anterior ao feriado, ao australiano ou australiana que mais se destacou no ano que passou através da sua contribuição à sociedade australiana. Em 2005, a ganhadora foi Fiona Woods, uma médica de Perth que é conhecida mundialmente por haver inventado uma “pele em spray” usada no tratamento de vítimas de queimaduras. Ontem foi, de novo, um médico, Ian Frazer, de Brisbane (mas nascido na Escócia), pela invenção da vacina contra câncer cervical.

Existem outras categorias, também: o Jovem Australiano do Ano (entre 16 e 25 anos; a ganhadora foi a viúva de um jogador de futebol australiano que morreu no tsunami de 2004, pelo trabalho na reconstrução de escolas na Tailândia), Australiano Idoso do Ano (acima de 60 anos; a ganhadora foi uma enfermeira aborígine que sempre trabalhou junto à comunidade nativa) e Herói Local (alguém com uma contribuição local, não nacional, mas que se destacou; a ganhadora foi, curiosamente, também uma enfermeira, por haver denunciado um médico que estava matando pacientes em Queensland).

O prêmio é levado bem a sério, e dezenas de milhares de pessoas costumam comparecer à cerimônia, em Camberra. A escolha dos premiados se dá a partir de indicação popular: um júri em cada estado analisa as sugestões do povo e escolhe um finalista do Estado, e um júri nacional escolhe o ganhador para cada categoria. Qualquer cidadão australiano com mais de 16 anos pode ser indicado.

Ganhadores anteriores incluem Cathy Freeman, medalha de ouro nos 400m nas Olimpíadas de Sydney (foi Australiana do Ano em 1998 e Jovem Australiana do Ano em 1990) e Paul Hogan, ator (“Crocodilo Dundee”), entre vários outros (há um bom número de esportistas e médicos entre os ganhadores). É uma turma bem eclética.

Austrália 01 Jan 2006 10:37

Calor…

Ontem, último dia do ano, foi um dia interessante no quesito “clima”.

A previsão era de 42 graus, e parecia ter começado no rumo certo: às 10 da manhã já estávamos em 27. Mas daí o vento mudou e a temperatura voltou para mais razoáveis 24 graus ao meio-dia; o Bureau of Meteorology até rebaixou a previsão para uma máxima de 33.

Explico: em Melbourne, a temperatura depende muito mais do vento do que diretamente do sol. Quando o vento vem do norte, traz o ar quente e seco do deserto e esquenta muito rápido. Quando vem do sul, traz o ar do oceano e da Antártida e esfria rápido. As ondas de calor no verão estão sempre relacionadas a vento forte, o que acaba sendo mais um fator complicador no risco de incêndios na vegetação (calor, vento, ar seco). Isso também quer dizer que, em dias muito quentes, a última coisa a se fazer é abrir a janela para refrescar a casa: o ar que vai entrar vai estar quente.

Pois bem, às 3 da tarde o vento mudou de novo e a temperatura subiu mais de 10 graus em pouco mais de uma hora. Acabou chegando a uma máxima de 42,9°C às 5 da tarde, e às 7 ainda estava em 42,1. Foi o 31 de dezembro mais quente da história de Melbourne; o recorde anterior era de 1862.

Nós saímos de casa por volta das 6:30 para algumas compras, mas principalmente para ir a algum lugar com ar-condicionado (o shopping center a duas quadras de casa). Na rua, a sensação era de estar na frente de um forno com um ventilador ligado: o vento era incrivelmente quente (e seco; a umidade do ar estava em 7%). Nos lugares sem vento, no entanto, a temperatura estava quase confortável. Dentro do shopping, claro, estava uma maravilha, e muita gente estava confortavelmente instalada nos bancos esperando o calor passar…

À noite esfriou um pouco, e quando saímos para ver os fogos estava agradável, uns 26 graus. Mas imediatamente depois da meia noite o vento quente voltou: à 1 da manhã fazia 34, e às 3 ainda fazia 32 graus. Foi difícil dormir…

Para entender melhor, a figura abaixo é um gráfico da variação de temperatura no dia de ontem (até hoje cedo):

Aqueles “degraus”, com grandes variações súbitas, não são erros: o dia foi exatamente assim.

Agora, 10:30 da manhã, estamos com 30 graus e com previsão de chuva para daqui a pouco. Os próximos dias devem ser bem mais toleráveis, ficando abaixo dos 25 graus. Claro, até a próxima vez que o vento virar…