Monthly ArchiveNovember 2005



Acaso 27 Nov 2005 08:50

1×0

Sem comentários. Foi um jogo típico do Grêmio.

Ainda bem que não acordei para ouvir o jogo online de madrugada. Ia acabar morrendo do coração no segundo pênalti.

Técnico 23 Nov 2005 17:00

Ubuntu

Ubuntu desktopNa sexta-feira passada eu passei algum tempo “exorcizando” o computador que eu uso no trabalho; ou seja, instalando Linux para substituir o Windows XP que eu usava até o momento. Foi um processo interessante, principalmente porque é a primeira vez que uso Linux como meu desktop “primário”. A distribuição escolhida foi a Ubuntu (baseada em Debian), versão 5.10.

O computador em questão é um Dell GX280; o detalhe mais peculiar dele é que o teclado não usa o conector PS/2, mas sim a porta USB. O monitor tem portas USB que replicam as do computador, o que faz com que eu tenha o teclado conectado diretamente ao monitor, e o mouse ao teclado. É prático, mas eu achei que havia alguma chance de que os Linux em geral não gostassem disso. Eu tinha razão: precisei conectar um teclado PS/2 à maquina para conseguir completar a instalação. Uma vez instalado, o teclado USB funciona perfeitamente.

Admito que o exorcismo não foi tão radical assim: a partição Windows foi mantida, com metade do disco, e instalei Ubuntu na outra metade; fiquei com uma estação dual-boot, portanto. Depois de alguns sustos, incluindo uma desagradável mensagem de “Missing operating system” no primeiro reboot, completei a instalação e fiquei com um Ubuntu funcionando perfeitamente bem.

Peculiaridades:

  • na instalação, não havia como configurar o teclado para “US-International”, mas depois de instalado foi possível fazer isso e a acentuação funcionou normalmente. O único detalhe foi o cedilha: ao teclar a seqüência normal, acento agudo + c, consegui um c com acento agudo (ć), o que faz um certo sentido. Para o cedilha, preciso fazer compose, vírgula e c. Sim, eu sei que não existe uma tecla “compose” em teclado de PC; ela é configurável (System -> Preferences -> Keyboard -> Layout Options -> Compose key position), selecionei o Alt da direita.
  • o plug-in para ver vídeos em Firefox (totem) não funciona direito; a primeira vez que caí em uma página com um vídeo Windows Media ele alocou toda a memória do sistema e precisou ser morto; a segunda vez, com um Quicktime, o vídeo tocou quatro vezes mais rápido que o normal e, em seguida, o browser fechou. Desabilitei o plug-in.

Fora isso, até o momento tudo funciona perfeitamente bem, e parece mais rápido do que em Windows para o mesmo tipo de tarefas. Em particular, o OpenOffice parece sensivelmente mais rápido do que o MS Office, e a atualização da tela em janelas de terminal é definitivamente muito mais rápida. Para o que eu uso, está ótimo, e não prevejo uma desistência tão cedo.

Austrália 20 Nov 2005 19:09

Protestos em Melbourne

Além da festa pela classificação para a Copa, outro evento levou milhares de pessoas às ruas de Melbourne na semana passada: os protestos contra as reformas nas leis trabalhistas.

As reformas propostas pelo governo têm a intenção de simplificar a legislação trabalhista e reduzir as obrigações de muitos empregadores, principalmente pequenas e médias empresas. Os sindicatos, previsivelmente, são totalmente opostos às mudanças e convocaram um dia nacional de protestos em 15 de novembro.

Aqui em Melbourne cerca de 100 mil pessoas se reuniram na Federation Square, no centro da cidade, e fizeram uma marcha de quase 3 quilômetros até o parque de Carlton Gardens. O tráfego de veículos e bondes no centro foi quase completamente interrompido (as empresas de transporte público decidiram substituir os bondes por ônibus, que fizeram trajetos alternativos). Outras cidades tiveram eventos similares, e participantes se comunicaram por meio de telões localizados nos principais locais de concentração e conectados via satélite.

Os protestos são surpreendentemente “ordeiros”, ao menos do ponto de vista de quem está acostumado a passeatas de protesto brasileiras. Indo para a universidade passei pelo meio de uma concentração de trabalhadores em frente à sede de um sindicato. No local havia um caminhão com um “palco” no meio da rua, muitas pessoas com bandeiras e outras distribuindo folhetos, policiais nos cruzamentos próximos desviando o tráfego e uma moça com uniforme do sindicato usando um megafone para pedir que os protestantes deixassem espaço para os pedestres na calçada.

Além dos protestos, os dois lados (governo e sindicatos) estão fazendo campanha na TV. O governo tentando mostrar que as mudanças vão fazer bem para a economia, e os sindicatos, que as novas leis vão tirar direitos dos trabalhadores. A vantagem do governo na discussão é ter maioria tanto no Parlamento quanto no Senado, ou seja, não depende da oposição para aprovar as leis, o que deve ocorrer nas próximas semanas.

Os dois lados provavelmente têm uma certa razão, mas, como é comum em debates desse tipo, as campanhas acabam sendo “emocionais” demais e sem muitas informações úteis. A oposição tem dito, em entrevistas, que o governo vai ser “punido” por essa “traição” aos trabalhadores nas próximas eleições, e que um governo da (atual) oposição iria reverter as mudanças assim que possível. O problema de chamá-las de “traição” é que as leis foram anunciadas na campanha para a última eleição (em 2004); ou seja, não se pode dizer que foram uma surpresa, nem sequer que os eleitores foram enganados.

As próximas eleições devem ser em 2007 (não há data pré-definida para elas), o que vai dar algum tempo para que as mudanças mostrem a que vieram. Se a economia australiana continuar forte até lá e o desemprego não aumentar significativamente, é muito pouco provável que o partido do governo perca nas urnas.

Austrália 17 Nov 2005 12:54

Rumo à Alemanha!

SocceroosDepois de um jogo tão nervoso quanto a final da Copa de 1994, a Austrália passou ontem pelo Uruguai e se classificou para o Mundial de 2006. Foi 1×0 para o Uruguai no primeiro jogo, em Montevidéu, o que obrigava a Austrália a vencer em casa por dois gols de diferença para evitar a prorrogação e os pênaltis.

Tenho que admitir que o time australiano me surpreendeu. Começaram o jogo nitidamente nervosos, errando muitos passes e fazendo muitas faltas (o que é particularmente perigoso; foi de uma falta boba que saiu o gol uruguaio no primeiro jogo). Mas, depois dos 30 minutos, quando o técnico tirou um meio-campo e colocou um atacante promissor (Harry Kewell) a Austrália começou a ir para o ataque com força e logo conseguiu fazer o seu gol, em uma jogada quase brasileira (troca rápida de passes na entrada da área, bola passando de pé em pé até chegar à frente do gol para alguém completar).

Dali em diante, praticamente só deu Austrália. Os uruguaios pareciam cansados (vale ressaltar que os australianos voltaram de Montevidéu em avião fretado, seguindo o horário de Sydney para evitar o jet-lag e muitos jogadores receberam tratamento médico durante a viagem, enquanto o Uruguai viajou de classe econômica); já os australianos pressionaram durante quase todo o segundo tempo; o Uruguai só ameaçava em contra-ataques mas, quando chegava perto do gol, assustava.

O problema da Austrália era conclusão: demoravam a chutar em gol, e o faziam de muito longe ou com pouca precisão. Mas deram vários sustos no goleiro uruguaio. Apesar de toda a pressão, o jogo acabou em 1×0 mesmo e foi para a prorrogação. Os trinta minutos extras foram um pouco mais equilibrados, com os dois times atacando com perigo, mas ainda com uma certa dominação da Austrália, que parecia um pouco afobada: foram uns cinco ou seis impedimentos só na prorrogação, todos corretamente marcados (aliás, o trio de arbitragem espanhol se saiu muito bem). A prorrogação acabou sem gols, e a decisão foi para os pênaltis.

O herói foi, sem dúvida, o goleiro australiano, que pegou duas cobranças; uma delas logo após o artilheiro australiano chutar a sua para fora. Final, 4×2 para a Austrália e muita festa. O estádio estava lotado (quase 83.000 pessoas, mais umas 15.000 assistindo em telões do lado de fora), e telões em outras cidades também acompanhavam o jogo.

Na platéia dava para ver bastante gente com camisas da seleção brasileira (quase igual à australiana, mas o tom de amarelo é um pouco diferente), além de (pelo menos) um gremista no meio da torcida uruguaia, focalizado pelas câmera de TV beijando sua camisa azul, branca e preta. Aqui em Melbourne alguns milhares de pessoas estavam na Federation Square e fizeram festa pelas ruas depois.

Para quem vem do Brasil, é interessante ver uma comemoração tão entusiasmada por algo, para a gente, tão “normal”: depois do jogo foi até montado um palco no gramado e os jogadores foram “apresentados” para a torcida, usando camisetas que diziam “Never say never” (“nunca diga nunca”). Para a Austrália, claro, é algo especial: a última (e única) Copa da qual eles participaram foi a de 1974, coincidentemente também na Alemanha, e eles perderam a vaga de forma dramática nas últimas duas (em casa contra o Irã em 1997, e em Montevidéu contra o Uruguai em 2001).

Com a classificação e com o sucesso do novo campeonato nacional (a A-League), parece que o futebol está tomando força na Austrália. Ninguém espera um grande sucesso na Alemanha, mas nunca se sabe: o atual treinador australiano, Guus Hiddink, foi quem levou a Coréia do Sul às semi-finais da Copa de 2002…

Entrelinhas:

  • Guus Hiddink se juntou aos socceroos (como são chamados os jogadores da seleção australiana) em julho
  • soccer ou football – alguns veículos de comunicação usam soccer, mais popular; outros adotam football
  • emoção jornalística – aqui não há nenhum apresentador como Galvão Bueno, mas apresentadores, repórteres e comentaristas da SBS, que transmitiu o jogo e tem um perfil bem internacional, não se seguravam de tanta emoção
  • após o jogo, era possível ouvir um buzinaço pelas ruas de Melbourne
  • no dia seguinte, ao ir para o trabalho, vi apenas uma pessoa com uma camisa alusiva à seleção

Austrália 10 Nov 2005 00:27

Copa do Mundo

Neste fim de semana (sábado no Brasil, domingo aqui), a seleção de futebol da Austrália joga com a do Uruguai em Montevidéu pelas eliminatórias da Copa 2006, no primeiro jogo da decisão da última vaga do grupo da Oceania e América do Sul. É uma reprise da decisão de 2001; naquele ano a Austrália ganhou o primeiro jogo em Melbourne, mas foi goleada no Uruguai e ficou de fora. Neste ano, a ordem foi invertida e o segundo jogo é em Sydney.

O clima do jogo de Montevidéu em 2001 foi um pouco “pesado”: os jogadores australianos foram agredidos por torcedores fora do estádio, o ônibus foi apedrejado, tiveram problemas para treinar antes do jogo, foram hostilizados até por crianças. Ou seja, foi um típico jogo no Uruguai, mas foi algo completamente inacreditável para os australianos. Os jornalistas falam até hoje no assunto, todas as vezes que os próximos jogos são mencionados.

E é visível que a seleção ainda lembra do que aconteceu. O time australiano está treinando na Argentina, para evitar os uruguaios; só vai para Montevidéu pouco antes do jogo, e vem embora logo em seguida em um vôo fretado. O objetivo é tentar empatar para chegar a Sydney com vantagem; ou, se não der, ao menos marcar um gol (como na Copa do Brasil, gol fora de casa vale mais).

No clima de guerra psicológica, o horário do jogo (9 da noite) foi escolhido pelos uruguaios para que os australianos não pudessem pegar um vôo comercial para voltar a Sydney no mesmo dia, fazendo com que eles ficassem mais tempo no Uruguai e chegassem cansados e com pouco tempo para se recuperar. Só que deu errado: os australianos fretaram um vôo e os uruguaios não conseguiram, e eles é que ficaram sem ter como vir. Agora estão tentando mudar o jogo para as 5 da tarde, mas os australianos são contra (por motivos óbvios); a FIFA deve decidir até amanhã.

O jogo do Uruguai deve ser uma guerra de novo, mas a vantagem de decidir em casa deve favorecer sensivelmente a Austrália. O Telstra Stadium, em Sydney, deve estar lotado na próxima quarta; para quem está na Austrália, a SBS mostra os dois jogos, na manhã de domingo, a princípio às 10 horas, e na noite de quarta, às 19 horas. No Brasil, não sei se alguém vai exibir.

Atualização 13/11: foi às 7 da manhã, horário da Austrália; acabou 1×0 para o Uruguai, o que é um resultado razoavelmente bom para os australianos. A Austrália jogou bem, a defesa segurou os uruguaios muito bem exceto por uma única falha que resultou no gol deles; o ataque teve várias chances de marcar, mas não conseguiu. O jogo de volta é às 8 da noite de quarta, em Sydney.

Austrália 01 Nov 2005 22:20

Horário de verão

mapa da austrália com fusos horáriosDomingo passado, às duas da manhã, o horário de verão começou em quatro dos sete estados australianos, mais o distrito federal (ACT, Australian Capital Territory, onde fica a capital do país, Canberra). A Tasmânia, que é o estado mais meridional do país, já havia feito a mesma coisa duas semanas antes. A decisão sobre a adesão à mudança de horário é de cada estado, e ela acontece apenas no sul e leste do país.

Com a mudança, a Austrália, que normalmente tem três fusos horários diferentes, passa a ter cinco (vide imagem ao lado). A Austrália também é um dos poucos países do mundo com um fuso horário “não inteiro”, ou seja, com uma diferença de meia hora para os fusos vizinhos, e com o horário de verão passa a ter dois.

Austrália 01 Nov 2005 21:04

Cavalo tricampeão

Hoje a Austrália parou: era dia de Melbourne Cup. Escrevi sobre o evento no ano passado: essa é a principal corrida de cavalos do país e é feriado no Estado de Victoria (muita gente não se conforma em ter um feriado que celebra uma corrida de cavalos). A Melbourne Cup é o ponto alto do Spring Racing Carnival (ou carnaval de corridas da primavera, traduzindo literalmente), que se estende por mais de um mês em outubro e novembro. Neste ano havia uma atração especial: a possibilidade de, pela primeira vez, um mesmo cavalo ganhar a corrida em três anos consecutivos.

Australianos em geral, e os de Melbourne em particular, adoram corridas de cavalos. O “Senna” do esporte foi um cavalo chamado Phar Lap, que ganhou a Melbourne Cup uma vez na década de 30 e pouco tempo depois morreu “em circunstâncias misteriosas” durante uma viagem aos Estados Unidos.

Até hoje se fala que ele teria sido envenenado pelos americanos por ser muito bom. Há uma estátua dele no hipódromo de Flemington (no norte da cidade, palco do carnaval); seu coração foi preservado (anormalmente grande) e está no National Museum, em Canberra (capital da Austrália); o esqueleto, em um museu na Nova Zelândia (onde nasceu), e a pele no Melbourne Museum, em Carlton (também no norte da cidade).

E o “Schumacher” da categoria é uma égua chamada Makybe Diva, que ganhou a corrida em 2003 e 2004, e era favorita disparada para ganhar hoje (e, portanto, a vitória que pagava menos nas casas de apostas). Em todos os noticiários havia quase uma obrigatória comparação com Phar Lap, e o proprietário e o treinador fizeram suspense até a última hora sobre sua participação na corrida de hoje.

Em Flemington, às 15 horas, o resultado foi o esperado: Makybe Diva, em um sprint final emocionante (não estava nem sequer entre os cinco primeiros até o meio do circuito, de 3,2 km), ganhou com boa folga e passou a ocupar um lugar na história do esporte (ou na história da Austrália, de acordo com locutores mais entusiasmados). Para festa do proprietário, que ganhou A$ 3,1 milhões, do treinador, do jóquei (extremamente emocionado) e dos apostadores. Em um ano com um recorde de apostas, mais de 20% delas foram pela vitória de Makybe Diva (incluindo uma aposta de A$ 1 milhão por um apostador não identificado).

Em 2006 Makybe não estará de volta: ela se aposentou ao final da corrida de hoje e vai “se dedicar à família” nos próximos anos.

Observação: como o feriado cai na terça-feira, muita gente pede folga no trabalho e emenda o fim de semana (outros não trabalham tampouco na sexta; muitos ficam a semana toda em casa). Por isso, desde segunda o centro estava quase deserto. Movimentadas estavam as lojas de roupas e acessórios femininos, pois o figurino é um dos pontos altos do carnaval. Para os homens, elegância também é esperada, mas bastam um terno clássico e uma gravata, que pode ter cores fortes.