Austrália 22 Oct 2005 20:14
O que é notícia na Austrália
Gripe aviária: como os principais focos da doença ficam mais ou menos perto daqui, o assunto está muito em voga. O capítulo mais recente foi a detecção de anticorpos da gripe em pombos de corrida que chegaram a Melbourne vindos do Canadá (as aves vieram de avião, não por conta própria). Os pombos afetados foram incinerados, e os restantes do grupo, enviados de volta, após muito bate-boca entre oficiais australianos e canadenses. Acredita-se que, por causa dos cuidados já normalmente tomados na importação de animais, o maior perigo estaria nos pássaros migratórios que vem para cá fugindo do inverno na Ásia. Esta semana os pássaros que chegam ao Estado de Vitória vão começar a ser testados.
Bali: voltou a ser notícia recentemente com os novos atentados. Bali é um destino turístico muito popular entre os australianos, por ser relativamente próximo, bonito e barato. Infelizmente também perigoso. Atentados no início do mês mataram três australianos e feriram outros. Muitas vítimas (australianas ou não) foram tratadas em uma unidade de tratamento de queimados doada pelo governo da Austrália após os atentados de 2002; alguns, em estado mais grave ou com casos mais complicados, foram levados para Darwin (no norte do país).
Mais Bali: antes das bombas, as drogas… alguns meses atrás mais uma australiana (sim, de novo) foi presa, esta por ter sido encontrada com ecstasy (duas pílulas na bolsa; ela estava em uma casa noturna). Modelo, está presa desde o flagrante. Dias depois da prisão, começou a se vestir com roupas tradicionais muçulmanas (a Indonésia é predominantemente muçulmana), mas garante que se converteu à religião há mais de um ano. O curioso é que ela trabalhou recentemente como modelo de lingerie. Acredita-se que deva escapar com uma pena bem menor que a de Schapelle Corby.
Esta, por sua vez, recebeu recentemente o resultado da apelação à sentença original, que era de 20 anos: foi reduzida para 15. Tanto a defesa quanto a acusação vão apelar para a corte suprema do país; uns pedindo redução maior, outros pedindo prisão perpétua. E enquanto isso, os “Bali Nine” estão sendo julgados, e acredita-se que alguns vão pegar pena de morte.
Latham Diaries: Mark Latham era o líder do Labor Party, equivalente local do PT, até o final do ano passado. Após mais uma derrota nas eleições federais (pela terceira vez seguida) ele abandonou o cargo e “se aposentou” da política, prometendo publicar um livro com suas memórias. A obra saiu no mês passado e até hoje é notícia: ele “soltou os cachorros” no antigo partido, denunciando comportamentos ilegais ou pouco éticos de figuras muito importantes. No livro e em entrevistas, diz estar completamente desiludido com a política e mesmo com líderes que respeitava; afirma também que, na opinião dele, o Labor Party não tem condições de governar o país e está perto de naufragar completamente.
O atual líder do partido, como outros “alvos” de Latham, nega tudo e diz que o ex-político está maluco (em um trecho do livro, diz que se divorciou da primeira mulher ao descobrir que ela era bissexual). A obra está entre os 10 livros mais vendidos no país desde o seu lançamento.
Reforma eleitoral: o governo tem levantado discussões para fazer pequenas mudanças no sistema eleitoral, mas nada muito traumático (o assunto já está desaparecendo dos noticiários). Uma possível mudança seria ampliar mandatos de 3 para 4 anos, mas sua aprovação é pouco provável. Outra idéia é passar a exigir identificação dos eleitores no momento da votação; hoje não é preciso apresentar documento nenhum, basta dirigir-se à seção certa, dizer o nome e assinar a folha de presença. Também se cogita tornar a votação opcional. Não ouvi nenhuma menção ao uso de equipamentos eletrônicos; hoje a votação é toda em papel.
Venda da Telstra: a maior empresa telefônica da Austrália, Telstra, é parcialmente estatal: o governo tem 51% das ações. Os outros 49% foram vendidos para o público em dois grandes blocos nos últimos anos. Fala-se há tempos em completar a venda da empresa e, finalmente, o governo conseguiu que o Parlamento aprovasse uma lei permitindo isso, depois de prometer um grande programa de investimentos para garantir a qualidade de serviço nas áreas mais isoladas do país.
Não será uma privatização no estilo brasileiro: a empresa vai ser vendida para investidores “normais”, pelo mercado de ações. A questão agora é quando vender: o governo acha que o valor das ações está muito baixo e pretende esperar que suba (o último bloco foi vendido a $7.50 por ação; o valor hoje oscila ao redor de $4). Mas dificilmente deve passar do ano que vem.
Fraude no Centrelink: Centrelink é o órgão do governo responsável pela ajuda a quem não está trabalhando ou não pode fazê-lo. Eles pagam seguro-desemprego, ajudam pessoas a encontrar trabalho, dão cursos etc. Recentemente começou a ser apresentada na TV uma campanha contra fraude no seguro-desemprego; ocorrência mais comum do que parece. Segundo a campanha, dez pessoas são processadas todos os dias por fraude, e o resultado (caso o pseudo-pensionista seja condenado) é devolver o dinheiro recebido, pagar multa e ficar permanentemente com o registro da condenação; em caso de reincidência, cadeia. A campanha manda um recado para as pessoas que recebem auxílio: informem o Centrelink se algo mudar (um novo emprego, por exemplo). É, espertinhos existem no mundo todo…
Reformas trabalhistas: o governo tem investido em uma enorme campanha de marketing para obter apoio às mudanças nas leis trabalhistas. A idéia do governo é simplificar as regras e eliminar certas obrigações de pequenas e médias empresas. Os sindicatos, em geral, são contra, alegando que as mudanças retiram direitos dos trabalhadores. Teoricamente o governo tem maioria no Parlamento e no Senado para aprovar as mudanças, mas no caso de uma oposição popular muito forte é possível que alguns parlamentares votem contra (isso é extremamente raro: eles quase sempre votam de acordo com a posição do partido; na semana passada um senador votou contra em uma lei sobre regulamentação de uniões de grandes empresas, mas a última vez que isso havia acontecido com um senador do governo foi em 1986).
Há algo de australiano no reino da Dinamarca: no ano passado o príncipe (e futuro rei) da Dinamarca casou-se com uma australiana natural da Tasmânia, que - após um banho de loja e 16 meses de estudos do idioma, da história e dos costumes daquele país - se tornou a princesa Mary. Bonita, discreta e elegante, caiu rapidamente na graça da imprensa e do povo.
Na semana passada nasceu o primeiro filho do casal, futuro rei da Dinamarca (ainda sem nome). Como a princesa é uma celebridade tanto aqui quanto lá, quando mãe e filho deixaram o hospital, em Copenhague, tudo foi transmitido ao vivo pela TV. Na falta de nome, a mídia dinamarquesa está chamando o nenê de “kingaroo” (king/rei + kangaroo/canguru). Em comemoração, o governo da Tasmânia vai mandar um casal de diabos-da-Tasmânia como presente para o zoológico de Copenhague.





