Monthly ArchiveSeptember 2005



Acaso 25 Sep 2005 11:41

Previsão para o GP Brasil

Montoya joga seu carro contra o de Alonso na primeira curva.

Bom, se fosse na época do Senna e do Prost aconteceria isso, pelo menos…

Austrália &Mundo 12 Sep 2005 19:53

11 de setembro e a Austrália

Nesta manhã o governador de Victoria, Steve Bracks, pediu a quem vive no Estado não entrar em pânico por causa da possível ameaça terrorista da Al-Qaeda contra Melbourne. Ele se referia ao vídeo exibido ontem, quarto aniversário dos ataques de 11 de setembro de 2001, em que um homem mencionou Melbourne e Los Angeles como os próximos alvos da Al-Qaeda.

Bracks disse que o Estado está levando o vídeo a sério, mas não colocará a cidade em estado de alerta ou ameaça terrorista. “Esse tipo de ameaça é feito para espalhar medo em cidades ao redor do mundo”, disse Bracks.

O vídeo exibido no canal norte-americano ABC foi obtido no Paquistão; mostra um integrante norte-americano da Al-Qaeda — acredita-se que seja o californiano Adam Gadahn — ameaçando atacar Melbourne e Los Angeles. “Ontem, Londres e Madri. Amanhã, Los Angeles e Melbourne”, disse, avisando que os integrantes da Al-Qaeda não terão compaixão.

Comentário: há um certo tempo o apoio do governo australiano à operação norte-americana no Iraque tem deixado os australianos preocupados. Não só com os soldados enviados para a terra de Saddam Hussein, mas também com quem vive aqui, justamente por causa do risco de atentados terroristas. Em cartazes pelas ruas e comerciais na TV, o governo federal ressalta: “Terrorismo: qualquer informação é relevante. Ligue para (número de telefone)…”.

Enquanto isso, no centro de Melbourne, uma “banquinha” recolhe assinaturas de quem quer ver os soldados australianos fora do Iraque.

Muitos acham que a população vai pagar o preço da aliança do governo federal com George Bush. Antes a Austrália era vista apenas como “aquele país distante”, mas agora é considerada um grande amigo dos EUA, da mesma forma que Inglaterra e Espanha.

Quando Londres foi atingida, a Austrália enviou representantes para a Inglaterra com o objetivo de aprender com a polícia de lá o que fazer aqui em situação semelhante. Também foi comentado, na época, que Melbourne não estaria preparada para um ataque terrorista, porque o sistema de transporte (alvo freqüente de terroristas) é vasto, mas o número de funcionários é mínimo: muitas estações de trem nos bairros distantes do centro não têm catraca/roleta e, especialmente no fim de semana, são desertas (não há funcionário nenhum) — mas não dá para “burlar” o sistema caso seu destino seja as estações maiores, pois os passageiros precisam validar o tíquete para sair das estações.

Após os ataques a Londres, a Austrália passou a ser o único país entre os aliados americanos mencionados pela Al-Qaeda em seus vídeos a não ter sofrido nenhum ataque terrorista em seu solo. Mas vale lembrar que a Austrália já sofreu dois ataques no exterior, os dois na Indonésia: um carro-bomba na frente da embaixada em Jakarta, no ano passado, e o atentado em Bali, em 2002, que atingiu principalmente turistas australianos.

Melbourne não é uma cidade tão internacionalmente conhecida quanto Sydney, nem tem paisagens tão conhecidas quanto a Opera House ou a Harbour Bridge (a ponte que sempre aparece na TV na virada do ano), mas aqui ocorrem eventos esportivos e culturais importantes. Essa nova ameaça provavelmente vai aumentar o nível de segurança nos Commonwealth Games, espécie de Olimpíada dos países da comunidade britânica que será realizada Melbourne em março, bem como em eventos locais, como a final do campeonato de futebol australiano (na próxima semana) e a Melbourne Cup, corrida de cavalos (no início de novembro).

Do nosso ponto de vista, não é algo que mude muita coisa. Acho que em um nível “subconsciente” acabamos ficando um pouco mais alertas para coisas “diferentes” (uma sacola sem dono no trem, por exemplo) mas, para quem vem de um país em que a ameaça de violência é diária e constante, uma ameaça de terrorismo não assusta muito; a chance de ser afetado diretamente é muito baixa.

Austrália 11 Sep 2005 09:37

Perguntas freqüentes sobre a Austrália

Há mendigos na rua?

Sim, há mendigos, e do mesmo “estilo” do mendigo made in Brazil, ou talvez made in mundo. Sujo, mal cheiroso, com o cabelo todo embaraçado, sempre vasculhando latas de lixo… Mas não são muitos, nem dormem sob pontos estratégicos, como marquises e pontes. Recentemente um deles se instalou em uma das avenidas mais movimentadas do centro, na entrada de um edifício que está fechado para obras. Ficou lá quase uma semana. Já tinha colchão, roupas, comida, mas aí os proprietários ou locatários do imóvel retiraram o novo inquilino e fecharam a área onde ele tinha se instalado.

E crianças pedindo dinheiro?

Não, nem pessoas fazendo malabarismo ou limpando o vidro do carro quando o sinal fecha. Mas há “pedintes”! E como! Em quase todo ponto movimentado do centro, especialmente perto das entradas das estações de trem, há uma pessoa com um “cofrinho”, pedindo doações para uma causa. Crianças com câncer, aidéticos, veteranos de guerra, tsunami, tudo o que você imaginar. Chega a ser um pouco incômodo. São tantos que acaba perdendo o valor, porque parece comércio.

Falando em comércio, também há farta distribuição de panfletos e encartes com ofertas. O lado bom é que às vezes há brindes e novidades, especialmente de empresas alimentícias, como Nestlé e Lipton.

O que tampouco falta no centro são artistas. Ou pessoas que se consideram artistas. Um banquinho, um violão, algum recipiente para recolher moedas no chão. E a canção? De todo e qualquer estilo imaginável. Sons e ruídos de saxofonista, roqueiros, tecladista futurista, flautista, cantora lírica (um terror de ruim…). Ah! Há também os performáticos, como estátuas “vivas”, astronautas, malabaristas… Até um jornal que circula gratuitamente em Melbourne fez uma enquete: os artistas de rua deveriam passar por uma seleção antes de se apresentar em público?

Há artistas de qualidade, mas muitos despertam pena, e talvez consigam até mais dinheiro que os “colegas profissionais”… Além do kit banquinho e violão, muitos levam para as ruas amplificadores e mesinhas ondem expoem (e vendem) seus CDs. É o caso dos indefectíveis artistas “peruanos” que existem no mundo todo. Roupas típicas, pele curtida e o som dos Andes ecoando pelas ruas de Melbourne… Quando há dois artistas ou grupos na mesma quadra, nada de briga (acho). Opta-se pelo revezamento musical.

É, Paris é aqui…

Australianos têm sotaque?

Como em qualquer país, há uma variedade de sotaques, dependendo da região e do “nível social/cultural/econômico”. Certas palavras, como nomes de bairros e palavras estrangeiras, são pronunciadas de uma maneira pelos endinheirados e de outra pelos mais humildes. Alguns sons, como palavras terminadas em “o” (“no”, “so”, “know”), são a prova de que um ser humano que não é “exposto” a determinados fonemas quando criança não consegue reproduzi-los quando adulto. Nós tentamos imitar os australianos dizendo “no”, “so”, “know”, mas é praticamente impossível.

Algumas palavras seguem o “jeito americano” de pronunciar (e também escrever); outras, o jeito inglês. Outras, nem uma maneira nem outra. Primeiro passa pela cabeça adaptar-se ao jeito australiano, porque outros podem pensar que estamos cometendo erros, mas nem sempre isso é fácil, porque certas pronúncias são muito feias! Quanto à escrita, claro, não tem jeito.

E dá para entender os sotaques? Sim, mas é uma questão de tempo. E nada tem a ver com o fato de que o inglês não é o idioma oficial do Brasil. Americanos e ingleses que vivem na Austrália também precisam de um tempo para entender certas palavras.

Uma prova da “adaptação” é o seriado “Kath & Kim”, que mostra a vida de uma família do subúrbio sem, digamos, uma educação formal. Quando começamos a assistir, não entendíamos muitas palavras, mas foi melhorando com o tempo. Space (speissi) parece, dependendo de quem fala, spice (spaissi)… Outro exemplo é a cidade da Dandenong, que pode soar como “nanon” e só.

Como a quantidade de imigrantes é grande, é fácil encontrar sotaques “estrangeiros”, como chinês, escocês, francês, alemão e indiano/paquistanês/sri lankês(?). Australianos cujos pais são imigrantes e falam o “segundo” idioma em casa acabam adotando um inglês com certo sotaque, mais sutil que os dos estrangeiros, mas identificável.

Austrália 03 Sep 2005 15:24

Mount Buller

No fim de semana passado, subimos as montanhas e fomos passear na neve. Esta é uma das características mais interessantes da Austrália: no mesmo país, na mesma estação, é possível surfar e esquiar.

Fomos para Mount Buller, montanha com 1.800 metros de altura, a 250 quilômetros de Melbourne. Mount Buller fica em uma área chamada (de forma otimista) de “Alpes”, onde sempre neva no inverno e há várias estações de esqui.

Saímos de Melbourne às 6h30 em um ônibus turístico (“day tour”), que sai bem mais barato do que ir por contra própria. Com exceção de mim mesmo e do motorista, todos os outros passageiros eram orientais (o ônibus saiu do centro da cidade, onde vive a maioria dos estudantes estrangeiros). Havia uma neblina forte ao redor de Melbourne, mas a previsão para o dia era de sol e temperaturas agradáveis. Paramos em Box Hill, a 15 minutos do centro, para pegar outros passageiros, depois seguimos para a estrada.

No caminho passamos por várias cidades pequenas (Yarra Glen, Lillydale, Yea) e pela área vinícola do Estado de Vitória. Mas, por causa da neblina, não deu para ver muito. Conforme a manhã avançava o dia ia ficando mais “limpo” e, quando chegamos a Mansfield, ao pé das montanhas, já não havia mais neblina. No trajeto, foram exibidos vídeos sobre segurança e “etiqueta” na neve (o que fazer caso alguém se machuque ou se perca, como evitar acidentes, etc.).

A área próxima a Mansfield, que deu para ver mais ou menos bem do ônibus, lembra um pouco o interior do RS: colinas suaves em todas as direções, casinhas aqui e ali, de tempos em tempos uma pequena vila. Nas fazendas viam-se mais ovelhas do que gado bovino, e não vi plantações (parecia ser só grama).

Em Mansfield paramos por quase uma hora em um lugar que aluga equipamento de esqui; diz-se que é mais barato alugar ali do que em Mount Buller. Muitos alugaram esquis ou snowboards. Nós decidimos alugar botas para caminhar na neve e não ficar com os calçados (e os pés) molhados.

Saindo dali, mais 40 minutos para subir a montanha, por uma estrada estreita e cheia de curvas. Quase não se vê neve no caminho; só começam a aparecer sinais perto do estacionamento. A vegetação ao redor da estrada é composta quase inteiramente de eucaliptos, não de pinheiros, comuns em áreas similares nos EUA e no Canadá.

O ônibus nos deixou em um grande estacionamento que, àquela hora, começava a ser tomado por outros ônibus. Do outro lado da rua, muitas famílias se divertiam ao descer uma rampa sobre pequenos tobogãs plásticos (alugados ou não). Dali se pegava um “shuttle”, ônibus local e gratuito, para subir até a vila; era mais ou menos um quilômetro morro acima, por uma estrada ainda bastante sinuosa.

A vila de Mount Buller é pequena, e parece ser formada principalmente de alojamentos, clubes de esqui, hotéis e “casas de inverno”; não sei se existem muitos moradores “permanentes”. Não vimos muito comércio, apenas um pequeno mercado vendendo produtos caríssimos. O ônibus nos deixou na praça central, de onde podíamos chegar às pistas de esqui para principiantes ou pegar os micro-ônibus que circulam pela vila (também de graça) em três linhas circulares com trajetos diferentes.

Na praça principal ficam a torre do relógio, correio, polícia, restaurantes, loja de material esportivo e os quiosques de informações e compra de tíquetes para os “lifts” (cadeiras que levam os esquiadores para o alto da montanha). O dia estava lindo: sol, sem nuvens, pouco vento e 12 graus. Perfeito para turismo.

O que fizemos foi sair caminhando pela montanha, para ver a paisagem e aproveitar a neve. Subimos por uma trilha até a base da pista de esqui, depois seguimos montanha acima a pé mesmo, devagarinho (porque é íngreme e liso). Fomos até o topo do primeiro “lift”, mas a partir dali ficava um pouco íngreme demais, então decidimos voltar. Havia muita gente esquiando: apesar do dia quente, a neve era recente e macia (havia nevado no meio da semana), então estava bom para a prática de esporte. Nas áreas mais baixas, no entanto, a neve estava derretendo, pingando dos telhados e, em algumas áreas, misturando com areia e pedras, quase virando um lamaçal.

E o restante do dia foi passear pela montanha. Andamos (bastante!) pela vila, passeamos de ônibus, caminhamos por áreas com neve fofa, vimos paisagens bonitas, batemos fotos, almoçamos ao ar livre… só não fizemos bonecos de neve. Mas vimos alguns.

No final da tarde, enfrentamos uma longa fila, pegamos o “shuttle” de volta para o estacionamento e saímos de lá às 16h30. Paramos em Mansfield de novo para devolver o que tinha sido alugado e seguimos para Melbourne. Na volta foi exibida um filme (“The Man from Snowy River”, ou algo assim) filmado na região de Mount Buller. Mas àquela hora todo mundo estava cansado e querendo dormir, não ver um filme barulhento. Mandamos um e-mail para a empresa de turismo sugerindo que abandonem essa prática.

E assim acabou a nossa pequena aventura — cansativa, mas muito divertida! As fotos do passeio estão no Flickr.com.

Austrália 03 Sep 2005 00:10

Futebol “normal”

No fim de semana passado (dia 26) começou o campeonato australiano de futebol, com o nome de A-League. Futebol de verdade, com bola redonda; aqui se usa tanto “soccer” quanto “football” como nome do esporte, o que às vezes é pouco confuso porque o futebol daqui também é “football”.

São oito times: Adelaide United, Central Coast Mariners, Melbourne Victory, Newcastle Jets, New Zealand Knights, Perth Glory, Queensland Roar e Sydney FC, este último o grande favorito. A liga conta com o patrocínio da Hyundai, e está com uma campanha publicitária muito forte em jornais e TV. Ela substitui a antiga National Soccer League (NSL), que existiu de meados da década de 70 até o início de 2004 e nunca fez muito sucesso (os times da nova liga não são os mesmos da antiga, na maioria).

O campeonato é em duas fases, como qualquer campeonato decente: na primeira jogam todos contra todos três vezes (21 rodadas), com jogos apenas nos fins de semana. Os quatro primeiros colocados disputam as finais, que têm um formato peculiar, parecido com o do futebol australiano: o 3° e 4° colocados jogam entre si, e quem perder está fora; o 1° e o 2° jogam entre si, e quem ganhar está na final; daí o ganhador do primeiro jogo e o perdedor do segundo disputam a segunda vaga na final. Esse formato dá uma vantagem bem maior para quem termina a primeira fase no topo da classificação.

O público foi muito bom na primeira rodada, ficando ao redor de 20.000 espectadores em todos os jogos. Imagino que quando passar um pouco a novidade esse número diminua, mas a época do ano para o campeonato foi bem escolhida: os de futebol australiano e rúgbi estão acabando, já entram na fase final a partir do próximo fim de semana. Só é uma pena que os jogos não sejam transmitidos por TV aberta, só cabo (Fox Sports).