Austrália &Mundo 12 Sep 2005 19:53
11 de setembro e a Austrália
Nesta manhã o governador de Victoria, Steve Bracks, pediu a quem vive no Estado não entrar em pânico por causa da possível ameaça terrorista da Al-Qaeda contra Melbourne. Ele se referia ao vídeo exibido ontem, quarto aniversário dos ataques de 11 de setembro de 2001, em que um homem mencionou Melbourne e Los Angeles como os próximos alvos da Al-Qaeda.
Bracks disse que o Estado está levando o vídeo a sério, mas não colocará a cidade em estado de alerta ou ameaça terrorista. “Esse tipo de ameaça é feito para espalhar medo em cidades ao redor do mundo”, disse Bracks.
O vídeo exibido no canal norte-americano ABC foi obtido no Paquistão; mostra um integrante norte-americano da Al-Qaeda — acredita-se que seja o californiano Adam Gadahn — ameaçando atacar Melbourne e Los Angeles. “Ontem, Londres e Madri. Amanhã, Los Angeles e Melbourne”, disse, avisando que os integrantes da Al-Qaeda não terão compaixão.
Comentário: há um certo tempo o apoio do governo australiano à operação norte-americana no Iraque tem deixado os australianos preocupados. Não só com os soldados enviados para a terra de Saddam Hussein, mas também com quem vive aqui, justamente por causa do risco de atentados terroristas. Em cartazes pelas ruas e comerciais na TV, o governo federal ressalta: “Terrorismo: qualquer informação é relevante. Ligue para (número de telefone)…”.
Enquanto isso, no centro de Melbourne, uma “banquinha” recolhe assinaturas de quem quer ver os soldados australianos fora do Iraque.
Muitos acham que a população vai pagar o preço da aliança do governo federal com George Bush. Antes a Austrália era vista apenas como “aquele país distante”, mas agora é considerada um grande amigo dos EUA, da mesma forma que Inglaterra e Espanha.
Quando Londres foi atingida, a Austrália enviou representantes para a Inglaterra com o objetivo de aprender com a polícia de lá o que fazer aqui em situação semelhante. Também foi comentado, na época, que Melbourne não estaria preparada para um ataque terrorista, porque o sistema de transporte (alvo freqüente de terroristas) é vasto, mas o número de funcionários é mínimo: muitas estações de trem nos bairros distantes do centro não têm catraca/roleta e, especialmente no fim de semana, são desertas (não há funcionário nenhum) — mas não dá para “burlar” o sistema caso seu destino seja as estações maiores, pois os passageiros precisam validar o tíquete para sair das estações.
Após os ataques a Londres, a Austrália passou a ser o único país entre os aliados americanos mencionados pela Al-Qaeda em seus vídeos a não ter sofrido nenhum ataque terrorista em seu solo. Mas vale lembrar que a Austrália já sofreu dois ataques no exterior, os dois na Indonésia: um carro-bomba na frente da embaixada em Jakarta, no ano passado, e o atentado em Bali, em 2002, que atingiu principalmente turistas australianos.
Melbourne não é uma cidade tão internacionalmente conhecida quanto Sydney, nem tem paisagens tão conhecidas quanto a Opera House ou a Harbour Bridge (a ponte que sempre aparece na TV na virada do ano), mas aqui ocorrem eventos esportivos e culturais importantes. Essa nova ameaça provavelmente vai aumentar o nível de segurança nos Commonwealth Games, espécie de Olimpíada dos países da comunidade britânica que será realizada Melbourne em março, bem como em eventos locais, como a final do campeonato de futebol australiano (na próxima semana) e a Melbourne Cup, corrida de cavalos (no início de novembro).
Do nosso ponto de vista, não é algo que mude muita coisa. Acho que em um nível “subconsciente” acabamos ficando um pouco mais alertas para coisas “diferentes” (uma sacola sem dono no trem, por exemplo) mas, para quem vem de um país em que a ameaça de violência é diária e constante, uma ameaça de terrorismo não assusta muito; a chance de ser afetado diretamente é muito baixa.

