Austrália 11 Sep 2005 09:37
Perguntas freqüentes sobre a Austrália
Há mendigos na rua?
Sim, há mendigos, e do mesmo “estilo” do mendigo made in Brazil, ou talvez made in mundo. Sujo, mal cheiroso, com o cabelo todo embaraçado, sempre vasculhando latas de lixo… Mas não são muitos, nem dormem sob pontos estratégicos, como marquises e pontes. Recentemente um deles se instalou em uma das avenidas mais movimentadas do centro, na entrada de um edifício que está fechado para obras. Ficou lá quase uma semana. Já tinha colchão, roupas, comida, mas aí os proprietários ou locatários do imóvel retiraram o novo inquilino e fecharam a área onde ele tinha se instalado.
E crianças pedindo dinheiro?
Não, nem pessoas fazendo malabarismo ou limpando o vidro do carro quando o sinal fecha. Mas há “pedintes”! E como! Em quase todo ponto movimentado do centro, especialmente perto das entradas das estações de trem, há uma pessoa com um “cofrinho”, pedindo doações para uma causa. Crianças com câncer, aidéticos, veteranos de guerra, tsunami, tudo o que você imaginar. Chega a ser um pouco incômodo. São tantos que acaba perdendo o valor, porque parece comércio.
Falando em comércio, também há farta distribuição de panfletos e encartes com ofertas. O lado bom é que às vezes há brindes e novidades, especialmente de empresas alimentícias, como Nestlé e Lipton.
O que tampouco falta no centro são artistas. Ou pessoas que se consideram artistas. Um banquinho, um violão, algum recipiente para recolher moedas no chão. E a canção? De todo e qualquer estilo imaginável. Sons e ruídos de saxofonista, roqueiros, tecladista futurista, flautista, cantora lírica (um terror de ruim…). Ah! Há também os performáticos, como estátuas “vivas”, astronautas, malabaristas… Até um jornal que circula gratuitamente em Melbourne fez uma enquete: os artistas de rua deveriam passar por uma seleção antes de se apresentar em público?
Há artistas de qualidade, mas muitos despertam pena, e talvez consigam até mais dinheiro que os “colegas profissionais”… Além do kit banquinho e violão, muitos levam para as ruas amplificadores e mesinhas ondem expoem (e vendem) seus CDs. É o caso dos indefectíveis artistas “peruanos” que existem no mundo todo. Roupas típicas, pele curtida e o som dos Andes ecoando pelas ruas de Melbourne… Quando há dois artistas ou grupos na mesma quadra, nada de briga (acho). Opta-se pelo revezamento musical.
É, Paris é aqui…
Australianos têm sotaque?
Como em qualquer país, há uma variedade de sotaques, dependendo da região e do “nível social/cultural/econômico”. Certas palavras, como nomes de bairros e palavras estrangeiras, são pronunciadas de uma maneira pelos endinheirados e de outra pelos mais humildes. Alguns sons, como palavras terminadas em “o” (”no”, “so”, “know”), são a prova de que um ser humano que não é “exposto” a determinados fonemas quando criança não consegue reproduzi-los quando adulto. Nós tentamos imitar os australianos dizendo “no”, “so”, “know”, mas é praticamente impossível.
Algumas palavras seguem o “jeito americano” de pronunciar (e também escrever); outras, o jeito inglês. Outras, nem uma maneira nem outra. Primeiro passa pela cabeça adaptar-se ao jeito australiano, porque outros podem pensar que estamos cometendo erros, mas nem sempre isso é fácil, porque certas pronúncias são muito feias! Quanto à escrita, claro, não tem jeito.
E dá para entender os sotaques? Sim, mas é uma questão de tempo. E nada tem a ver com o fato de que o inglês não é o idioma oficial do Brasil. Americanos e ingleses que vivem na Austrália também precisam de um tempo para entender certas palavras.
Uma prova da “adaptação” é o seriado “Kath & Kim”, que mostra a vida de uma família do subúrbio sem, digamos, uma educação formal. Quando começamos a assistir, não entendíamos muitas palavras, mas foi melhorando com o tempo. Space (speissi) parece, dependendo de quem fala, spice (spaissi)… Outro exemplo é a cidade da Dandenong, que pode soar como “nanon” e só.
Como a quantidade de imigrantes é grande, é fácil encontrar sotaques “estrangeiros”, como chinês, escocês, francês, alemão e indiano/paquistanês/sri lankês(?). Australianos cujos pais são imigrantes e falam o “segundo” idioma em casa acabam adotando um inglês com certo sotaque, mais sutil que os dos estrangeiros, mas identificável.
One Response to “Perguntas freqüentes sobre a Austrália”






on 13 Sep 2005 at 03:52:13 1.Dr. Sabichão said …
Quanto aos tocadores peruanos, minha teoria é que são “os mesmos” tocadores em qualquer lugar do mundo. Eles tem poderes sobrenaturais!