Monthly ArchiveMarch 2005



Austrália 23 Mar 2005 16:52

Animais australianos exóticos #1: Bilby

bilbyCangurus e coalas não são os únicos animais peculiares daqui. Claro, também há eqüidnas e ornitorrincos, que muita gente conhece. Mas estou descobrindo que existem outros nos quais eu nunca tinha ouvido falar. A fauna toda daqui é meio estranha…

Um dos animais peculiares é o bilby, e decidi começar esta série com ele por estarmos perto da Páscoa: há gente que diz que, na Austrália, quem traz os ovinhos é o bilby da Páscoa, e não o coelhinho. Vi até um bilby de chocolate na vitrine de uma loja… parece um coelhinho, não?

O bilby é um marsupial, como quase todos os mamíferos daqui (ou seja, tem uma bolsa para os filhotes). Ele vive no deserto, em túneis em forma de espiral que ele mesmo cava e dos quais ele sai só durante a noite. Se alimenta principalmente de insetos e sementes, mas ocasionalmente também caça pequenos ratos, camundongos e lagartos; tem uns 40 centímetros de comprimento, e pesa entre 1 e 2 kg. É uma espécie em risco de extinção; bilbies eram caçados por causa da sua pele, e sofrem muito com gatos, raposas e outros pequenos/médios predadores “importados” para a Austrália. Muitos dos primeiros colonizadores usavam bilbies como animais de estimação, porque eles ajudavam a matar insetos e outras pragas.

Há vários projetos para a preservação da espécie, e algumas reservas onde bilbies vivem e são estudados em ambientes protegidos. O governo de alguns estados está também tentando reduzir o número de animais “estrangeiros” que concorrem com bilbies no seu ambiente normal (por exemplo, coelhos). Existe uma espécie de bilby menor (“lesser bilby”) que se supõe que esteja extinta; a última vez que um foi visto foi em 1931, mas no total só há seis registros de encontros com algum animal da espécie; há programas de pesquisa procurando por indícios de que ele ainda exista em algum lugar.

Austrália 18 Mar 2005 22:54

Fim da filmagem

Como comentei antes, domingo passado foi o último dia de filmagem aqui na nossa rua. E que filmagem! A nossa rua virou uma zona de guerra, com todo o barulho que normalmente acompanha uma guerra. Tínhamos incêndios, carros virados, asfalto derretido… e um monte de gente.

A cena filmada na noite de quarta-feira, antes das explosões, mostrava o motoqueiro descendo a rua na sua moto. Para a filmagem de domingo, eles colocaram no asfalto uns “tapetes” de borracha que simulavam o efeito de asfalto derretido e quebrado, como se fosse o rastro da motocicleta no asfalto. Esses “tapetes” se estendiam por uns 50 metros, mais ou menos. Além disso, espalharam carros virados pela rua e calçada, com alguns nas vitrines dos prédios que faziam parte do set, e pintaram os prédios como houvessem queimado (durante a filmagem até saía fumaça deles).

E, para completar, havia o contingente de veículos: dois carros de bombeiros, alguns de polícia, duas vans de reportagem, um guincho, motos de polícia e uma camionete marcada como “Crime Scene Investigation” (está na moda…). Tudo com letreiros do Texas (em um dos carros de bombeiros, que estava bem na porta do nosso prédio, dava para ver que os letreiros normais dele haviam sido cobertos com adesivos) e com pessoas para acompanhar: policiais, bombeiros, repórteres, “público” etc.

Mas isso era só o que aparecia para as câmeras! Além de toda essa multidão, havia a multidão da produção, gruas com câmeras e luzes, inúmeros carros e um guindaste que sustentava e movia um toldo enorme, que cobria toda a largura da rua e fazia sombra para as filmagens em algumas tomadas.

Por conta de toda essa superprodução, tivemos o “prazer” de acordar um pouco depois das 7 no sábado e antes das 6 no domingo (o sol nasce às 7:15, mais ou menos). Na segunda, que era feriado (mas eu trabalhava), acordamos cedinho também com o barulho da limpeza.

A filmagem, em si, não foi tão emocionante: nada de efeitos especiais, tanto que nem olhamos muito. Vi algumas cenas que claramente mostravam a “repercussão” dos danos causados pelo motoqueiro: policiais examinando o asfalto e os carros, fita amarela de “crime scene” sendo colocada, repórteres entrevistando gente e assim por diante.

A rua estava fechada até para pedestres, então não dava para chegar perto da movimentação. Logo cedo no domingo nós descemos à rua para tentar ver mais de perto, e havia pessoal da produção na porta do prédio dizendo onde dava para ficar e orientando para sair do campo de visão das câmeras quando havia alguma tomada. Vimos o Nicolas Cage passando bem aqui na frente, subindo a rua a pé para se posicionar, e depois descendo lentamente de moto. Um detalhe interessante é que nesse filme ele tem cabelo; parece ser peruca. Mas não deu para tirar foto de perto, o pessoal da produção não deixava.

Hoje, sexta-feira, o set está reduzido a um monte de detritos, e acho que logo volta a ser um estacionamento de novo. Abaixo, algumas das fotos que tiramos aqui do nosso apartamento durante a filmagem, mostrando como estava a rua.

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Austrália 10 Mar 2005 15:08

Se você não vai ao Texas…

…o Texas vem até você. Quando voltei para casa ontem à noite, nossa rua tinha virado um pedaço do Texas. Além dos carros que mencionei antes, havia letreiros novos nas lojas, quase todos em espanhol (alguns bilíngües): a loja de computadores virou a “Librería Los Aplicados”; a de material elétrico, “Miguel Electronica”. A lancheriazinha que fica do outro lado da rua continuou sendo lancheria, mas ganhou adesivos novos da Coca-Cola e passou a se chamar “El Gordito”; até o centro budista ao lado do nosso prédio entrou na jogada e virou uma casa de sucos. Também colocaram na calçada aquelas caixas de venda de jornal estilo americano, em que se coloca o dinheiro e a caixa abre para se pegar o jornal (aqui não tem disso). Na caixa, o Houston Chronicle de 5 de fevereiro.

À noite, a filmagem realmente foi mais espetacular. Foi uma cena só, como das outras vezes, mas filmada em duas partes. O primeiro sinal de que algo interessante ia acontecer foi a presença de uma ambulância estacionada perto da esquina. Lá pelas 9 da noite chegou também um caminhão dos bombeiros. A essa altura a rua estava bloqueada e havia uma pequena multidão perto da esquina, atrás dos cavaletes e de um bando de seguranças. A multidão foi sendo progressivamente empurrada para longe e, antes dos ensaios, já estava sendo mantida do outro lado da transversal.

Antes da filmagem, houveram vários ensaios. Nesses, basicamente, o ator descia a rua com sua motocicleta, em uma velocidade razoável, e parava derrapando ao chegar à esquina (a rua é ligeiramente em descida). Depois de quatro ensaios, com pausas de vários minutos entre eles, aconteceu a primeira parte da gravação propriamente dita, também repetida várias vezes. O interessante é que, como o ator estava longe de tudo no início da cena, o diretor dava todas as ordens usando um megafone, então ouvíamos tudo.

Depois houve uma grande pausa, com muita movimentação, e depois de algum tempo deu para perceber que ia ser gravado algo diferente. Mais alguns minutos, e ouvimos o diretor anunciar “ok, arm the effects”. Quando ele gritou “fire!”, o que aconteceu foi que todos os tais carros texanos explodiram, um após o outro, seguidos pela vitrine de um dos prêdios que faziam parte do set (o prédio continha uma loja de lâmpadas e abajures), o qual pegou fogo ao explodir. As explosões dos carros foram sem chamas, mas bem fortes: pedaços de vidro se espalharam pela rua, e algumas portas saltaram a alguns metros de distância.

O resto, ao menos até irmos dormir, foi só limpeza, começando por uma corrida com extintores para apagar o fogo. Imagino que a cena vá ser montada de forma com que os carros pareçam estar explodindo com a passagem do motoqueiro. Pela manhã a rua estava limpinha e os carros tinham ido embora, exceto por alguns que foram posicionados como se tivessem sido jogados de encontro às vitrines dos prédios “falsos”. Domingo tem filmagem de novo, e já avisaram que a rua vai ficar fechada de sábado ao meio-dia até segunda às 7 da manhã, e mesmo depois disso ainda vai ter gente trabalhando na limpeza. Se acontecer algo interessante, aviso.

Austrália 09 Mar 2005 12:17

Melbourne, Texas

Todos os carros estacionados no nosso quarteirão hoje cedo tinham placas do Texas. Inclusive o que estava “estacionado” de cabeça para baixo e parcialmente dentro de uma oficina de conserto de TVs. É, hoje à noite tem filmagem de novo, e parece que vai ser mais “espetacular” do que a da semana passada…

(a maior parte dos carros são relativamente novos, o que quer dizer que a história deve ter avançado uns 15 ou 20 anos)

Austrália 07 Mar 2005 09:55

Sábado em Melbourne


Depois de um dia cinza e chuvoso (como quem viu o treino da F-1 percebeu), no final da tarde fomos brindados com um belo arco-íris sobre o centro da cidade.

Austrália 04 Mar 2005 17:03

Border Security

Há um programa de TV aqui, no estlo “reality show”, que eu achei muito interessante. Se chama Border Security, e acompanha o dia-a-dia dos policiais e outros funcionários do governo que controlam as “fronteiras” da Austrália. Como a Austrália não faz fronteira com nada, claro, os funcionários em questão são das alfândegas e departamentos de imigração nos aeroportos e a guarda-costeira.

Na semana passada mostraram a área que controla os pacotes que chegam do exterior pelo correio. Todos eles são verificados manualmente e passam por máquinas de raios X como as que verificam bagagens, para procurar materiais ilegais. Os materiais em questão podem ser drogas, explosivos ou simplesmente vegetais. Um dos pacotes, vindo da Inglaterra, tinha duas latas de sopa que, no raio X, pareciam ter outra coisa. As latas foram pesadas, o peso não batia com o que o rótulo dizia, e daí foram abertas. Tinham cocaína. A polícia foi chamada, o pacote foi fechado de novo e enviado para a agência de correio mais próxima do destinatário; este foi preso ao ir receber a caixa.

Nessa semana, mostraram uma Ferrari chegando e sendo revistada; aparentemente é comum esconder drogas em carros de luxo. Acharam vestígios de extasy (ou é ecstasy?) no estepe, mas não apareceu nada no raio X; usaram então um cachorro para farejar o carro. O peculiar é que o cachorro usou “luvas” nas patas para não danificar a pintura do carro. Depois de muito procurar, não acharam nada e o carro foi liberado. Também mostraram um grupo de árabes tentando entrar com alguns quilos de amêndoas frescas na bagagem. Escaparam da multa, mas as amêndoas ficaram na alfândega.

Em outros episódios já mostraram pessoas aparentemente tentando entrar ilegalmente e sendo entrevistadas pelos oficiais de imigração; em geral são pessoas que têm visto (de turista) mas geram suspeitas. Uns acabam convencendo o oficial e sendo liberados, mas outros são mandados de volta. Um caso era o de um senhor da (se não me engano) Hungria que dizia que ia passar um mês em Sydney mas tinha uns 200 dólares em dinheiro e nenhum cartão de crédito. Foi mandado embora, mas só depois de tomar um banho; a companhia aérea não queria levá-lo porque ele cheirava mal. Ocasionalmente aparecem também pescadores ilegais, geralmente da Indonésia, sendo abordados na costa e escoltados de volta ou presos.

É um programinha de meia hora, mas eu acho bem divertido ver o tipo de situação pela qual esse pessoal passa. Não sei se o programa é baseado em algum similar americano (“Homeland Security”, ou algo assim; o site diz que a idéia veio de um programa neo-zelandês, mas não sei se a idéia deste não veio de outro lugar), mas eu achei muito divertido.

Austrália 03 Mar 2005 23:16

Passeio no parque

Hoje, quinta-feira, tirei o dia de folga e fui ao Albert Park, palco do GP da Austrália. Foi o primeiro dia de eventos no circuito, com treinos de outras categorias que também têm competições no fim de semana. O mais importante foi a entrada no circuito: gratuita. No domingo o ingresso mais barato custa 99 dólares (uns R$200).

Nunca fui a uma corrida no Brasil, então o texto é do ponto de vista de um novato em circuitos. Pode ser que seja tudo igualzinho em Interlagos, mas para mim foi tudo novidade. Só estou avisando porque quem costuma ir ao GP em São Paulo pode achar tudo muito comum…

No dia anterior, quarta-feira, houve um evento no centro da cidade: algumas ruas foram fechadas para criar um pequeno “circuito” e alguns carros F-1 se apresentaram para o público, percorrendo as ruas e fazendo “manobras radicais” a poucos metros da platéia. O Schumacher e o Barrichello abanaram para o público da sacada da prefeitura, mas quem foi às ruas foi o Pizzonia e os pilotos da Minardi. A sensação local, Mark Webber, também apareceu, mas em uma BMW conversível e não em um carro de corridas. Foi um evento bastante concorrido, mas eu não acompanhei; era em horário de trabalho, infelizmente.

Quanto ao evento de hoje: Albert Park fica a uns 4 quilômetros do centro; já fui a pé, mas hoje a maneira mais fácil era de bonde. Havia linhas especiais, de graça e bem freqüentes. Fui até o ponto de partida, próximo da estação de trem da Spencer Street. Lá, vários funcionários de uma das concessionárias que “exploram” certas linhas de bonde ajudavam os passageiros a embarcar no bonde certo e não deixavam nenhum bonde encher. A cada um ou dois minutos saía um veículo, então não havia correria nem tumulto.

O bonde parou próximo a um dos portões do circuito. Como este fica em um parque, normalmente toda aquela área é aberta. Para a corrida, o parque é cercado e ganha oito portães. Um detalhe interessante é que, logo ao descer do bonde, vi uma pessoa vendendo protetores de ouvido (um dólar o par). Achei que não parecia um bom sinal.

Quanto aos ingressos, a categoria mais barata é a “general admission”, que permite acesso a todo o circuito, exceto às arquibancadas e a uma área perto da reta dos boxes. Ou seja, uma vez lá dentro, pode-se ir a qualquer lugar e assistir a corrida do lugar que se preferir (ou, provavelmente, que se conseguir). Toda a área da “general admission” tinha entrada gratuita hoje; para circular pela área restrita e pelas arquibancadas, só com ingresso ou convite. Falando nas arquibancadas, cada “bloco” tem o nome de um ex-piloto famoso: Senna, Prost, Alan Jones, Piquet, etc. O tamanho e a localização dos blocos parecem relacionados à fama do respectivo piloto: Fangio, Senna e Jones ficam na reta dos boxes, Prost, Schumacher e Piquet nas curvas próximas, e assim por diante.

Há bons lugares para ver a corrida nessa área; em muitas curvas existem “morrinhos” gramados ao lado da pista e, em vários pontos, mini-arquibancadas. Cobertura inexiste, a não ser árvores ocasionais e muito disputadas. Também há telões espalhados pelo circuito e alto-falantes presos à cerca mais ou menos a cada 10 metros (e narração constante).

Quando cheguei ao circuito, estava sendo realizado um treino de uma categoria de stock car; assisti um pouco de um lugar próximo à entrada, e depois fui caminhar. Comecei cruzando a pista por uma passarela e indo para a área central. A maior parte do centro do circuito é ocupada por um lago, mas nas áreas “secas” havia exibições de carros antigos e banquinhas vendendo produtos do GP (caríssimos), comida (cara), etc. Olhei os carros antigos que estavam sendo preparados para uma volta no circuito (o mais antigo era de 1904, mas acho que esse não saiu do galpão), depois cruzei o lago e, novamente, a pista para chegar à area de eventos da “reta oposta”.

Cruzar o lago foi interessante, porque normalmente isso não é possível: foi montada uma ponte flutuante ligando as duas margens. Andar em uma ponte flutuante é muito estranho, porque ela, bem, flutua, e se mexe com o vai-e-vem dos pedestres.

Àquela altura estava ocorrendo o primeiro treino da Fórmula 3. Parei um pouco à beira da pista para assistir e tentar tirar fotos. Depois passei por dentro da GP Expo, pavilhão com estandes dos patrocinadores da corrida. Detalhe casual: é uma pena que o Banco Nacional faliu, porque o logo da empresa estava por todos os lados: fotos, miniaturas, capacetes do Senna, em vários estandes. Vi um turista comprando uma miniatura do carro preto da Lotus que o Senna pilotou por um tempo (com patrocínio do John Player Special) por quase 100 dólares.

Passei um tempo andando pela beira do circuito, até o início da reta dos boxes, enquanto ocorria o treino dos carros V-8 (a principal categoria de stock car aqui). “A nível de” ruído, esses carros não são discretos, mas os Fórmula 3 são bem mais barulhentos. Nada muuuito incômodo, no entanto.

Depois voltei à area próxima da GP Expo, sentei em um morrinho de grama ao lado da curva 11, quase em frente a um telão, e decidi almoçar (havia levado um lanche). Estava distraidamente comendo quando ouvi o narrador comentar algo sobre Antônio Pizzonia estar a caminho da pista com uma Williams. E, realmente, ele estava. Havia um evento promocional, um “speed challenge” entre um carro de Fórmula 1, um V-8 e um carro de passeio da BMW; Pizzonia estava saindo para a volta de aquecimento. E todo mundo se aproximou da cerca.

Os carros das outras categorias pareciam estar indo bem rápido, e mesmo o carro-madrinha que passava entre os treinos era bem veloz. Mas um F-1 é muito rápido. E como faz barulho! Nessa hora entendi a necessidade dos protetores de ouvido. O carro estava passando a uns 10, talvez 15 metros, e os ouvidos doíam. Pizzonia deu duas voltas de aquecimento, depois uma para cronometragem. Os outros dois carros fizeram a mesma coisa, e com essa cronometragem se definiu a ordem e os tempos de largada: primeiro o carro de passeio; 41 segundos depois, o V-8; e depois de mais 33 segundos, o F-1. O objetivo, claro, era fazer todos chegarem mais ou menos ao mesmo tempo. E depois disso eles largaram para o evento propriamente dito.

Depois de percorrer uns 70% do circuito, os carros finalmente chegavam ao local onde eu estava; o primeiro carro a aparecer foi o carro de passeio, e uns 20 segundos depois passou o V-8. Menos de 10 segundos mais tarde foi a vez do F-1. Acompanhando pelo telão, vi que os cálculos de tempo foram bem feitos: o V-8 ultrapassou o carro de passeio no início da reta final, e o F-1 ultrapassou os dois alguns metros antes da linha de chegada. Eles deram mais uma volta, e dessa vez o F-1 passou quase um minuto a frente do carro de passeio, mesmo aparentemente sem estar se esforçando muito.

Como é difícil fotografar um F-1 em movimento! Passa muito rápido! Achei interessante ser possível chegar perto da pista, mesmo com uma cerca bastante alta como proteção. Lembrando aquele incidente com o padre maluco em Silverstone, acho que uma pessoa suficientemente determinada (ou maluca) conseguiria entrar na pista durante a corrida usando as aberturas existentes para emergências. E existem várias áreas demarcadas como sendo para fotógrafos, com pequenas aberturas para que a cerca não apareça nas imagens. Há também inúmeros avisos de “perigo”, “fique aqui por sua conta e risco”, “perigo – risco de detritos” e coisas assim. Nada convidativos.

Passado o evento principal e já tendo almoçado, voltei a caminhar circundando o circuito, desta vez na outra direção. Enquanto “completava o circuito”, foi realizada outra sessão de treinos de carros V-8, depois outra de Fórmula 3. Depois peguei o bonde e voltei para o centro da cidade.

Agora, no resto do fim de semana, vou acompanhar só pela TV… Mas, enquanto isso, aí vão as fotos do dia:

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Austrália 03 Mar 2005 17:12

…ação!

Nas duas últimas noites (terça e quarta-feira) tivemos filmagens aqui ao lado. Uma coisa precisa ser dita: fazer um filme parece ser interessantíssimo, mas assistir de longe enquanto alguém faz um filme é uma das atividades mais chatas do planeta.

O preparativos começam no final da tarde; refletores foram instalados no topo dos prédios mais próximos do estacionamento e em várias gruas, e eles começam a ser ligados quando o sol começa a se pôr, depois das 7 horas. Também há algo parecido com um balão, iluminado por dentro, que acredito que tem o objetivo de gerar uma luz mais difusa e que é colocado no telhado de um prédio. Além disso, um rapaz com uma mangueira começa a molhar o chão em toda a área da filmagem; ele vai passar a noite toda fazendo isso, porque o chão seca…

As duas cenas que foram feitas até agora envolvem uma moto, e ela é posicionada no meio da rua, de onde ela não sai durante toda a filmagem. Pois é, a gente esperava alguma ação, mas só o que se mexe são as câmeras; a moto, no máximo, faz barulho de vez em quando.

O que a gente vê daqui são inúmeras repetições da mesma cena; uma diferente em cada um dos dois dias. Na terça-feira, o motoqueiro, em pé ao lado da moto parada, aponta para o longe, de onde vem caminhando uma pessoa vestida mais ou menos como o Neo no último Matrix (pelo enredo, imagino que seja o demônio). Essa pessoa chega, conversa com o motoqueiro por uns dois minutos enquanto uma câmera fica fazendo círculos ao redor deles, e acaba. Na quarta-feira foi ainda pior: o motoqueiro ficava em cima da moto, com as luzes ligadas, e uma câmera montada sobre um trilho se aproximava rapidamente dele por trás, pouco acima do nível do chão, até quase tocar no pneu traseiro. E é isso. Não dura nem 10 segundos. Em algumas das repetições a moto tinha o motor ligado, em outras não. Hoje a noite, veremos… Em todo caso, a carta que recebemos comentava que as filmagens da semana que vem vão ser mais complexas que as dessa semana.

Nos dois dias, eles acabaram quase que exatamente à meia-noite, depois passaram algum tempo desmontando tudo. As únicas coisas que incomodam, com barulho, são as gruas, que bipam bem alto sempre que se mexem; a moto era bastante barulhenta também, mas foi ligada poucas vezes. Fora isso e o fato de parecer que está fazendo sol lá fora, mal se percebe que eles estão ali. Mas os terraços dos prédios próximos e o prédio-garagem do outro lado da rua viraram arquibancada, ao menos nas primeiras horas. Depois o pessoal notou que era tudo muito chato…

Aqui vão algumas fotos mostrando como foi a filmagem:

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Austrália 01 Mar 2005 15:13

Eventos

É meio irônico, mas justamente por estarmos em um fuso que fica várias horas à frente da maior parte do mundo “ocidental” alguns eventos que todo mundo assiste ao vivo chegam depois aqui. Um exemplo foi a festa do Oscar, ontem. Como o horário da festa cai no meio do dia aqui, ela é transmitida só à noite, com algumas horas de atraso (umas 8 horas, pela minha conta). Fórmula Um também passa com um pouco de atraso às vezes, mas isso é só porque a emissora que tem os direitos não quer interromper os seriados que ela passa no domingo à noite…

Sobre o Oscar, o interessante é que os noticiários de TV que acontecem depois do evento mas antes da transmissão, em geral, não mencionam muito o assunto. Então, se a gente evitar notícias do resto do mundo, conseguimos assistir a entrega de prêmios sem saber de antemão quem ganhou. Exceto pelo prêmio da Cate Blanchett, claro; como ela é daqui, todo mundo noticiou assim que o prêmio dela foi entregue…

E, sobre Fórmula Um, hoje me avisaram que, apesar de morarmos a mais de 4 km do circuito, é bem possível que o barulho dos motores seja alto o suficiente para nos incomodar durante o fim de semana todo. Ainda acho um pouco de exagero, principalmente porque estamos rodeados de prédios, mas veremos.

Enquanto isso, o set de filmagens ontem à noite parecia pronto; tem um perfeito posto de gasolina da Texaco, incluindo um poste com luminoso e uma pilha enorme de pneus antigos, além de uma revenda de carros usados (bem usados; descarregaram os carros ontem, não acho que algum funcione) com várias bandeirinhas do Texas no telhado. A filmagem começa hoje à noite; só espero que não dure a noite toda.