Austrália 10 Mar 2005 15:08

Se você não vai ao Texas…

…o Texas vem até você. Quando voltei para casa ontem à noite, nossa rua tinha virado um pedaço do Texas. Além dos carros que mencionei antes, havia letreiros novos nas lojas, quase todos em espanhol (alguns bilíngües): a loja de computadores virou a “Librería Los Aplicados”; a de material elétrico, “Miguel Electronica”. A lancheriazinha que fica do outro lado da rua continuou sendo lancheria, mas ganhou adesivos novos da Coca-Cola e passou a se chamar “El Gordito”; até o centro budista ao lado do nosso prédio entrou na jogada e virou uma casa de sucos. Também colocaram na calçada aquelas caixas de venda de jornal estilo americano, em que se coloca o dinheiro e a caixa abre para se pegar o jornal (aqui não tem disso). Na caixa, o Houston Chronicle de 5 de fevereiro.

À noite, a filmagem realmente foi mais espetacular. Foi uma cena só, como das outras vezes, mas filmada em duas partes. O primeiro sinal de que algo interessante ia acontecer foi a presença de uma ambulância estacionada perto da esquina. Lá pelas 9 da noite chegou também um caminhão dos bombeiros. A essa altura a rua estava bloqueada e havia uma pequena multidão perto da esquina, atrás dos cavaletes e de um bando de seguranças. A multidão foi sendo progressivamente empurrada para longe e, antes dos ensaios, já estava sendo mantida do outro lado da transversal.

Antes da filmagem, houveram vários ensaios. Nesses, basicamente, o ator descia a rua com sua motocicleta, em uma velocidade razoável, e parava derrapando ao chegar à esquina (a rua é ligeiramente em descida). Depois de quatro ensaios, com pausas de vários minutos entre eles, aconteceu a primeira parte da gravação propriamente dita, também repetida várias vezes. O interessante é que, como o ator estava longe de tudo no início da cena, o diretor dava todas as ordens usando um megafone, então ouvíamos tudo.

Depois houve uma grande pausa, com muita movimentação, e depois de algum tempo deu para perceber que ia ser gravado algo diferente. Mais alguns minutos, e ouvimos o diretor anunciar “ok, arm the effects”. Quando ele gritou “fire!”, o que aconteceu foi que todos os tais carros texanos explodiram, um após o outro, seguidos pela vitrine de um dos prêdios que faziam parte do set (o prédio continha uma loja de lâmpadas e abajures), o qual pegou fogo ao explodir. As explosões dos carros foram sem chamas, mas bem fortes: pedaços de vidro se espalharam pela rua, e algumas portas saltaram a alguns metros de distância.

O resto, ao menos até irmos dormir, foi só limpeza, começando por uma corrida com extintores para apagar o fogo. Imagino que a cena vá ser montada de forma com que os carros pareçam estar explodindo com a passagem do motoqueiro. Pela manhã a rua estava limpinha e os carros tinham ido embora, exceto por alguns que foram posicionados como se tivessem sido jogados de encontro às vitrines dos prédios “falsos”. Domingo tem filmagem de novo, e já avisaram que a rua vai ficar fechada de sábado ao meio-dia até segunda às 7 da manhã, e mesmo depois disso ainda vai ter gente trabalhando na limpeza. Se acontecer algo interessante, aviso.

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