Austrália 03 Mar 2005 23:16
Passeio no parque
Hoje, quinta-feira, tirei o dia de folga e fui ao Albert Park, palco do GP da Austrália. Foi o primeiro dia de eventos no circuito, com treinos de outras categorias que também têm competições no fim de semana. O mais importante foi a entrada no circuito: gratuita. No domingo o ingresso mais barato custa 99 dólares (uns R$200).
Nunca fui a uma corrida no Brasil, então o texto é do ponto de vista de um novato em circuitos. Pode ser que seja tudo igualzinho em Interlagos, mas para mim foi tudo novidade. Só estou avisando porque quem costuma ir ao GP em São Paulo pode achar tudo muito comum…
No dia anterior, quarta-feira, houve um evento no centro da cidade: algumas ruas foram fechadas para criar um pequeno “circuito” e alguns carros F-1 se apresentaram para o público, percorrendo as ruas e fazendo “manobras radicais” a poucos metros da platéia. O Schumacher e o Barrichello abanaram para o público da sacada da prefeitura, mas quem foi às ruas foi o Pizzonia e os pilotos da Minardi. A sensação local, Mark Webber, também apareceu, mas em uma BMW conversível e não em um carro de corridas. Foi um evento bastante concorrido, mas eu não acompanhei; era em horário de trabalho, infelizmente.
Quanto ao evento de hoje: Albert Park fica a uns 4 quilômetros do centro; já fui a pé, mas hoje a maneira mais fácil era de bonde. Havia linhas especiais, de graça e bem freqüentes. Fui até o ponto de partida, próximo da estação de trem da Spencer Street. Lá, vários funcionários de uma das concessionárias que “exploram” certas linhas de bonde ajudavam os passageiros a embarcar no bonde certo e não deixavam nenhum bonde encher. A cada um ou dois minutos saía um veículo, então não havia correria nem tumulto.
O bonde parou próximo a um dos portões do circuito. Como este fica em um parque, normalmente toda aquela área é aberta. Para a corrida, o parque é cercado e ganha oito portães. Um detalhe interessante é que, logo ao descer do bonde, vi uma pessoa vendendo protetores de ouvido (um dólar o par). Achei que não parecia um bom sinal.
Quanto aos ingressos, a categoria mais barata é a “general admission”, que permite acesso a todo o circuito, exceto às arquibancadas e a uma área perto da reta dos boxes. Ou seja, uma vez lá dentro, pode-se ir a qualquer lugar e assistir a corrida do lugar que se preferir (ou, provavelmente, que se conseguir). Toda a área da “general admission” tinha entrada gratuita hoje; para circular pela área restrita e pelas arquibancadas, só com ingresso ou convite. Falando nas arquibancadas, cada “bloco” tem o nome de um ex-piloto famoso: Senna, Prost, Alan Jones, Piquet, etc. O tamanho e a localização dos blocos parecem relacionados à fama do respectivo piloto: Fangio, Senna e Jones ficam na reta dos boxes, Prost, Schumacher e Piquet nas curvas próximas, e assim por diante.
Há bons lugares para ver a corrida nessa área; em muitas curvas existem “morrinhos” gramados ao lado da pista e, em vários pontos, mini-arquibancadas. Cobertura inexiste, a não ser árvores ocasionais e muito disputadas. Também há telões espalhados pelo circuito e alto-falantes presos à cerca mais ou menos a cada 10 metros (e narração constante).
Quando cheguei ao circuito, estava sendo realizado um treino de uma categoria de stock car; assisti um pouco de um lugar próximo à entrada, e depois fui caminhar. Comecei cruzando a pista por uma passarela e indo para a área central. A maior parte do centro do circuito é ocupada por um lago, mas nas áreas “secas” havia exibições de carros antigos e banquinhas vendendo produtos do GP (caríssimos), comida (cara), etc. Olhei os carros antigos que estavam sendo preparados para uma volta no circuito (o mais antigo era de 1904, mas acho que esse não saiu do galpão), depois cruzei o lago e, novamente, a pista para chegar à area de eventos da “reta oposta”.
Cruzar o lago foi interessante, porque normalmente isso não é possível: foi montada uma ponte flutuante ligando as duas margens. Andar em uma ponte flutuante é muito estranho, porque ela, bem, flutua, e se mexe com o vai-e-vem dos pedestres.
Àquela altura estava ocorrendo o primeiro treino da Fórmula 3. Parei um pouco à beira da pista para assistir e tentar tirar fotos. Depois passei por dentro da GP Expo, pavilhão com estandes dos patrocinadores da corrida. Detalhe casual: é uma pena que o Banco Nacional faliu, porque o logo da empresa estava por todos os lados: fotos, miniaturas, capacetes do Senna, em vários estandes. Vi um turista comprando uma miniatura do carro preto da Lotus que o Senna pilotou por um tempo (com patrocínio do John Player Special) por quase 100 dólares.
Passei um tempo andando pela beira do circuito, até o início da reta dos boxes, enquanto ocorria o treino dos carros V-8 (a principal categoria de stock car aqui). “A nível de” ruído, esses carros não são discretos, mas os Fórmula 3 são bem mais barulhentos. Nada muuuito incômodo, no entanto.
Depois voltei à area próxima da GP Expo, sentei em um morrinho de grama ao lado da curva 11, quase em frente a um telão, e decidi almoçar (havia levado um lanche). Estava distraidamente comendo quando ouvi o narrador comentar algo sobre Antônio Pizzonia estar a caminho da pista com uma Williams. E, realmente, ele estava. Havia um evento promocional, um “speed challenge” entre um carro de Fórmula 1, um V-8 e um carro de passeio da BMW; Pizzonia estava saindo para a volta de aquecimento. E todo mundo se aproximou da cerca.
Os carros das outras categorias pareciam estar indo bem rápido, e mesmo o carro-madrinha que passava entre os treinos era bem veloz. Mas um F-1 é muito rápido. E como faz barulho! Nessa hora entendi a necessidade dos protetores de ouvido. O carro estava passando a uns 10, talvez 15 metros, e os ouvidos doíam. Pizzonia deu duas voltas de aquecimento, depois uma para cronometragem. Os outros dois carros fizeram a mesma coisa, e com essa cronometragem se definiu a ordem e os tempos de largada: primeiro o carro de passeio; 41 segundos depois, o V-8; e depois de mais 33 segundos, o F-1. O objetivo, claro, era fazer todos chegarem mais ou menos ao mesmo tempo. E depois disso eles largaram para o evento propriamente dito.
Depois de percorrer uns 70% do circuito, os carros finalmente chegavam ao local onde eu estava; o primeiro carro a aparecer foi o carro de passeio, e uns 20 segundos depois passou o V-8. Menos de 10 segundos mais tarde foi a vez do F-1. Acompanhando pelo telão, vi que os cálculos de tempo foram bem feitos: o V-8 ultrapassou o carro de passeio no início da reta final, e o F-1 ultrapassou os dois alguns metros antes da linha de chegada. Eles deram mais uma volta, e dessa vez o F-1 passou quase um minuto a frente do carro de passeio, mesmo aparentemente sem estar se esforçando muito.
Como é difícil fotografar um F-1 em movimento! Passa muito rápido! Achei interessante ser possível chegar perto da pista, mesmo com uma cerca bastante alta como proteção. Lembrando aquele incidente com o padre maluco em Silverstone, acho que uma pessoa suficientemente determinada (ou maluca) conseguiria entrar na pista durante a corrida usando as aberturas existentes para emergências. E existem várias áreas demarcadas como sendo para fotógrafos, com pequenas aberturas para que a cerca não apareça nas imagens. Há também inúmeros avisos de “perigo”, “fique aqui por sua conta e risco”, “perigo - risco de detritos” e coisas assim. Nada convidativos.
Passado o evento principal e já tendo almoçado, voltei a caminhar circundando o circuito, desta vez na outra direção. Enquanto “completava o circuito”, foi realizada outra sessão de treinos de carros V-8, depois outra de Fórmula 3. Depois peguei o bonde e voltei para o centro da cidade.
Agora, no resto do fim de semana, vou acompanhar só pela TV… Mas, enquanto isso, aí vão as fotos do dia:

Esse carro não competiu.

Esse até poderia, mas também era só para exibição. O amarelo ao fundo é um Maseratti.

O lago no centro do circuito, com a ponte flutuante.

Treino da F-3 pela manhã.

Apenas para exibição.

Havia um carro aí um décimo de segundo antes, eu juro.

Os carros da categoria V-8. A equipe Holden é a Ferrari deles, a mais popular. Holden é o nome da GM na Austrália.

Eles soltam chamas pelo escapamento ao reduzir.

Uma das arquibancadas, vista de trás.

Nosso Pizzonia com sua Williams do ano passado. É o mesmo carro que o Webber usou para cruzar a Harbour Bridge na semana passada. Essa foi a única foto que consegui tirar desse carro, é muito difícil bater a foto na hora certa.

Treino da F-3 na tarde.
One Response to “Passeio no parque”






on 04 Mar 2005 at 08:10:28 1.Romero said …
Como fanático por F1, estava em busca de informações do GP da Austrália e aí lembrei do teu blog… Foi uma grata supresa. Tinha muito mais informações sobre os bastidores da corrida do que muito site por aí.
A propósito o tal RBS é Royal Bank of Scotland. Um dos novos patrocidores da Williams. Só faltava ser Rede Brasil Sul.
Um abraço,
André Romero