Monthly ArchiveFebruary 2005



Austrália 28 Feb 2005 19:53

Ano-novo chinês

É, estou um pouco atrasado para escrever isto, mas antes tarde do que nunca. A festa do ano-novo chinês em Melbourne foi há duas semanas, no fim de semana que se seguiu à data propriamente dita, 9 de fevereiro.

A comemoração foi realizada em vários lugares no centro de Melbourne. Um deles era nas redondezas da Chinatown daqui, que é a Rua Little Bourke, a poucas quadras de casa, e outro era o Crown Casino, na beira do Rio Yarra.

Na sexta à noite fomos passear pelas redondezas do cassino. Ele ocupa mais ou menos dois quarteirões da margem do rio, e há um grande calçadão entre os prédios e o rio que é ótimo para caminhadas (de um lado fica o rio, do outro ficam dezenas de restaurantes). Nesse calçadão haviam sido montadas inúmeras barraquinhas, quase todas vendendo comidas dos mais variados tipos (outras vendiam lembrancinhas, enfeites luminosos etc.). Principalmente orientais, claro (chinesa, vietnamita, tailandesa etc.), mas havia até gregos por ali. A iluminação da calçada era toda feita de lanternas chinesas, muito bonita.

Próximo à entrada principal do cassino havia dois palcos; em um eram realizadas apresentações de música e dança tradicionais, e no outro uma competição de karaokê que durou o fim de semana todo. No primeiro palco, vimos o final da apresentação dos “Dragon Tenors“, os “três tenores” chineses, que não cantaram em chinês. Eles cantaram óperas tradicionais, em italiano mesmo. Terminaram a apresentação com “O Sole Mio”, aquela música do comercial do Cornetto (“dái-me um Cornetto, molto crocante…”). Aparte rápido: no domingo eles cantaram essa mesma música antes dos fogos, e uma senhora inglesa que estava ao nosso lado comentou com outra pessoa que “everyone knows this song because of the ice cream commercial” – todo mundo conhece essa música por causa do comercial de sorvete. Aparentemente a mesma música foi usada no resto do mundo também…

(descobri depois que foi mesmo)

No interior do cassino havia um show com bonecos animados e luzes, a cada meia hora. Eles haviam feito algo parecido no Natal, mas o do ano-novo foi (na minha opinião) bem melhor. Havia um grande dragão que soltava “fumaça”, lanternas, música… bem interessante.

Além disso, no lado de fora do cassino há vários “pilares” altos, em toda a extensão dele, que soltam chamas de hora em hora. Isso acontece todas as noites, não só em dia de festa. São uns oito a dez pilares, e eles fazem uma “coreografia” com as chamas. Elas são bem grandes; para quem está perto, é sensivelmente quente (mesmo não tão de perto).

No dia seguinte, sábado, fomos olhar o que havia ao redor da Chinatown; a festa estava na Russel Street, que é mais larga (a Little Bourke, como todas as “Little”, é bem estreita), e era parecida com o que tinha perto do cassino: inúmeras banquinhas de comida e de lembrancinhas, algumas banquinhas de empresas dando folhetos ou vendendo produtos e serviços, um palco em cada ponta e muita gente. Digna de nota era a barraquinha do serviço de alfândega da Austrália, que tinha folhetos informando o que é proibido trazer para o país (qualquer produto vegetal ou animal “in natura” e muitos industrializados, incluindo maionese e comida para animais de estimação; a preocupação principal é proteger a fauna e flora locais de possíveis espécies de outros países; já há um histórico de espécies estrangeiras que causaram e ainda causam problemas aqui…).

No domingo, ao meio-dia, havia a celebração principal em Chinatown, com o desfile do dragão chinês (supostamente o maior do mundo, com mais de 40 metros). Fomos para lá, mas estava completamente lotado! Havia apresentações de dança em um palco na esquina da Russel com a Little Bourke, mas não dava para ver nada do que acontecia. Muita gente acompanhava a festa de um prédio-garagem que fica bem na esquina, e fomos para lá também. Achamos um lugar razoável, e ficamos olhando dali. Vimos a dança dos leães, a queima das “bombinhas” chinesas (é mais ou menos como um corda com inúmeras bombinhas, que é pendurada em um mastro e queimada de baixo para cima, enquanto as pessoas fantasiadas de leões dançam ao redor), o grande dragão passando e a apresentação de um dragãozinho logo depois. Muito bonito de olhar, mas tenho certeza de que tudo tem um simbolismo que desconheço.

E no domingo à noite voltamos ao rio para ver o show de fogos. Estava um noite fria, mas havia bastante gente por lá; era até difícil andar entre as barraquinhas. Nos posicionamos em uma ponte, com uma boa vista do rio e, um pouco distante, do palco onde cantavam de novo os Dragon Tenors. Como chegamos um pouco cedo (o show estava marcado para as 9:30, acabou acontecendo depois das 10) acompanhamos quase toda a apresentação dos tenores. E, por chegarmos relativamente cedo, conseguimos um bom lugar; depois a ponte ficou muito mais cheia.

Os fogos foram lançados de uma balsa no meio do rio, não muito longe de onde estávamos, e foi bem bonito; acho até que foi melhor que o do ano-novo “normal”, apesar de ter sido um show menor, em apenas um local (ou talvez justamente por causa disto). Até um dos trens que chegava à Flinders Station naquela hora parou antes da estação, em um ponto com uma boa vista dos fogos. O show durou entre 10 e 15 minutos; depois, o difícil foi sair da ponte junto com todo mundo que estava tentando fazer o mesmo… o caminho para pedestres ficou bem congestionado.

E, com isso, entramos no ano do galo. Acho que outra festa de ano-novo, agora, só no ano que vem!

Austrália 25 Feb 2005 11:01

Luzes, câmera…

Ontem nós (e todos os residentes da área) recebemos uma cartinha da produtora do filme (sobre o qual eu falei aqui e aqui) informando as datas da filmagem. Eles fizeram isso porque, naquelas datas, vai ser necessário fechar a rua e restringir tráfego nas redondezas, e para isso eles “contam com a compreensão dos residentes”. Além da cartinha veio um “resident’s pass” para ser usado, me parece, por quem vai precisar entrar na rua com automóvel para estacionar na garagem do seu prédio.

A filmagem vai ser na semana que vem, de terça a quinta, à noite, e na outra semana, na quarta à noite e no domingo durante o dia. Sobre o set, nos últimos dias o posto da Shell virou Texaco (será que mudou o patrocinador?). Todos os prédios já tem letreiros na frente (um é uma revenda de carros, outro uma oficina, e uma entrada lateral parece ser uma loja de selas para cavalos), mas eles só são visíveis lá de perto, e não da nossa janela. Todas as coisas “móveis” foram pintadas para parecerem velhas; ontem, quando passei por lá, estavam pintando uns containers de lixo novinhos para parecerem enferrujados. E continuam fazendo bastante barulho, principalmente descarregando coisas.

Austrália 20 Feb 2005 17:34

Fórmula Um

E a Fórmula Um está chegando a Melbourne. A corrida é daqui a duas semanas, mas já estão começando a acontecer eventos, promoções etc. Neste final de semana, alguns carros estavam em exibição em um shopping center aqui perto de casa, e fomos lá olhar. Abaixo, algumas fotos:


Os outros carros ficavam ao ar livre, mas a Ferrari ficava protegida…


Como o Mark Webber vai correr na Williams, eles tem sido os preferidos da mídia ultimamente. Vão até fazer um evento com o Webber pilotando o carro na ponte em Sydney. A propósito, alguém sabe o que é a tal de RBS que é patrocinadora deles?


Uma Renault.


A Fosters, cervejaria, é a patrocinadora do GP daqui. Esse carro estava só com a pintura deles.

Austrália 20 Feb 2005 17:03

Set

Só para dar uma idéia de como são as obras que estão acontecendo aqui ao lado. A foto abaixo mostra como estava o “set” ontem (sábado) pela manhã, depois de mais ou menos duas semanas de filmagem construção.

Dá para ver a primeira construção, que eu inicialmente chamei de loja de conveniência, bem no meio do estacionamento. E as duas construções à direita, viradas para a rua e com telhado de zinco, também fazem parte.

Seis horas depois, quase no fim da tarde, já estava assim:

O lugar já virou claramente um posto de gasolina (da Shell; a plaquinha entre as bombas diz “Helix”). E da década de 60 ou 70, a julgar pelo modelo das bombas. Ah, e as caixas de madeira sobre o telhado envelheceram uns dez anos nessa tarde; havia um pessoal pintando-as para deixar “antigas”.

Pessoal 18 Feb 2005 09:29

Novo vício

Vanilla Coke — Coca-Cola sabor baunilha. Uma delícia. Mas a Cris não gosta.

A propósito, acho a Diet Coke with Lime daqui melhor do que a Diet Coke Lemon do Brasil.

Acaso 17 Feb 2005 13:59

Pesquisas…

De acordo com o Google, as frases mais pesquisadas nele por usuários da Austrália em janeiro foram, na ordem, tsunami, Qantas (a maior companhia aérea local), Australian Open (aconteceu aqui em Melbourne no final do mês passado), Virgin Blue (uma “Gol” daqui), Chad Michael Murray (um dos atores de “One Tree Hill”, um seriado americano que estreou em dezembro e parece estar fazendo sucesso), Maria Sharapova, One Tree Hill (sucesso mesmo), Oliver James (é um ator também, mas não sei porque está tão popular), The Incredibles (que estreou aqui só em 26/12…) e cricket (o esporte). Acho que as pesquisas pelas companhias aéreas se explicam por ser época de férias.

Agora, as pequisas mais populares no Brasil são um pouco mais estranhas, ao menos para mim: tsunami, Detran, Hello Kitty, carnaval, Receita Federal, Avril Lavigne, Prouni, Linkin Park, Smallville e Harry Potter. A primeira é mais ou menos óbvia, e a segunda deve ser porque é mês de IPVA. Carnaval e Receita Federal também são assuntos dessa época do ano. Prouni é aquele projeto do governo de controlar mais as universidades, eu acho. Mas Hello Kitty em terceiro lugar? Tem alguma explicação para isso? E Smallville está fazendo tanto sucesso assim? E será que a Avril Lavigne andou pelo Brasil? Eu até achei que ela já tinha saído de moda…

Austrália 17 Feb 2005 10:50

Construções 2

Sobre a construção mencionada na mensagem anterior: o filme em questão é Ghost Rider, que vai ter o Nicolas Cage no papel principal (e que teria a Susan Sarandon, mas ela desisitiu porque “Melbourne é muito longe”). O tal Ghost Rider do título é o Motoqueiro Fantasma das histórias em quadrinhos da Marvel; aparecia bastante nas revistas da Abril no final da década de 80, mas não sei se hoje em dia ainda existe.

Hoje, depois de uma semana e meia de obras (com uma pausa no final de semana), o estacionamento já desapareceu debaixo de três construções quase prontas; a primeira, que agora parece mais com uma oficina, já tem até vidros nas janelas. Mas eles continuam fazendo bastante barulho.

Austrália 10 Feb 2005 11:36

Construções

A vista do nosso apartamento, para o 6o. andar de um prédio que fica bem no centro, é bastante “aberta”, ou seja, desobstruída. Há um edifício bastante alto (Melbourne Central, mais de 60 andares) que fica a quase uma quadra de distância, mas isso é longe o suficiente para não bloquear muita coisa. Mais perto da gente, logo ao lado da nossa janela, há alguns prédios baixinhos, de dois ou três andares, com lojas e escritórios no térreo e apartamentos em cima. Depois vem um estacionamento, não muito grande e cortado por uma ruazinha, e depois mais alguns prédios comerciais baixos e já é a Elizabeth Street.

Ainda nesse sábado eu estava olhando pela janela e pensando sobre como essa “vizinhança” é boa, porque a chance de alguém construir algo grande na frente da nossa janela é muito baixa. Certo, tem o barulho ocasional de alarmes de carro disparando no estacionamento, mas ninguém vai começar uma obra de grande porte, com inúmeras máquinas e guindastes barulhentos, escavações etc. pela simples falta de espaço. A única área “vazia”, o próprio estacionamento, não é muito grande e ainda tem uma rua bem no meio. E para abrir mais espaço seria necessário desocupar os vários prédios pequenos, que é algo que certamente levaria tempo.

Pois bem. Segunda-feira acordamos cedinho ao som de caminhões, empilhadeiras e outras máquinas diversas e nada discretas. Olhando pela janela, vimos uma pequena revolução acontecendo no que até o dia anterior havia sido um estacionamento. As duas metades estavam rodeadas por cercas de arame móveis (deixando a rua entre elas livre), muito material de construção (vigas e placas de madeira) estava sendo descarregado e um monte de gente andava de um lado para o outro; tinha até um pequeno escritório para o “gerenciamento” da obra.

Quando voltamos do trabalho naquele dia, as cercas de arame tinham sido cobertas por tapumes ou por plástico escuro, impedindo que quem passa na rua veja o que acontece lá dentro. Lógico que, para quem mora no sexto andar do prédio ao lado, os tapumes não bloqueiam muita coisa… o que vimos foi o princípio de uma pequena construção, mais ou menos do tamanho de uma loja de conveniência, montada diretamente sobre o asfalto. Nos dias seguintes, na outra metade apareceu a fachada de uma casa, virada para a rua, toda de madeira mas com a aparência de “tijolinhos” no lado de fora (isso é visível da rua), e a “loja de conveniência” foi aos poucos sendo completada; hoje já tem teto. Curiosamente, apesar de ser tudo madeira, a maior fonte de barulho não são marteladas ou algo do gênero: são as máquinas, como empilhadeiras e plataformas móveis, que bipam (alto!) quando se movem.

Eles começam a trabalhar cedinho, mas também param mais ou menos cedo; à noite só ficam guardas na área. Ontem a Cris perguntou para um dos trabalhadores o que é que estava acontecendo ali, e a resposta foi “movie production” – produção de filme. Bom, isso explicaria as técnicas pouco convencionais de construção. Explicaria também porque é que eles não tiraram as placas que identificam a área como um estacionamento público: deve voltar a ser um, algum dia.

Vamos ficar de olho e, se a Nicole Kidman aparecer por ali, a gente tenta tirar fotos.

Técnico 04 Feb 2005 15:35

Gosling

Estive em um evento técnico da Sun ontem, o “Developer Day” (que, apesar do nome, durou só meio dia). Era um evento gratuito que atraiu uma boa platéia, apesar da chuva da noite anterior ter causado inúmeros problemas no trânsito e no transporte público naquela manhã; acredito que haveria ainda mais gente com tempo bom.

A primeira parte foi uma apresentação das novidades do J2SE 5, a versão mais recente de Java. O apresentador não era muito bom, infelizmente; parecia bastante nervoso, e abusou de termos como “stuff” e “thing”. Ainda assim, foi uma introdução boa às principais mudanças da linguagem (algumas meio bobinhas, como a nova sintaxe do for; outras bem mais sérias, como generics). O segundo apresentador, muito melhor, falou sobre o Java Studio Creator, a IDE para Java da Sun. Na apresentação pareceu ótimo, mas ainda não experimentei pessoalmente. É um produto comercial (US$99), mas todos que participaram do evento ganharam um DVD com um trial de 60 dias.

Depois do coffee break houve uma demonstração muito boa do Java Studio Enterprise, para criação de aplicações em servidores e com features muito interessantes de colaboração entre desenvolvedores. Aproveitamos para ver uma demonstração do Skype, sendo usado pelo apresentador para conversar com um colega na Rússia que ajudou com parte da demonstração.

Mas o que todo mundo estava lá para ver era a última parte, uma sessão de perguntas e respostas com James Gosling, que é o criador da linguagem Java. Eu já o havia visto no JavaOne de 1996, quando Java era algo muito mais novo e menos conhecido (e menos complicado, aliás). Ontem ele não apresentou nada, apenas respondeu a perguntas da platéia. As perguntas foram sobre o futuro da plataforma Java, sobre a história da linguagem e da Sun, sobre opiniões dele a respeito de patentes e do acordo Sun-Microsoft etc. Ele contou histórias interessantes, embora algumas perguntas não tenham sido muito boas.

No fim de tudo, uma turma de crianças de 10 anos que estão aprendendo Java na escola veio ao palco e foi apresentado um bolo de aniversário, comemorando os 10 anos da linguagem.

Apesar de ter certificação Java, eu não tenho programado muito na linguagem há um bom tempo, e até estou meio afastado da “comunidade” Java: não participo de grupos de usuários ou mailing lists nem me envolvo (nem de longe) co JSRs e o JCP. Aliás, como tem siglas nessa comunidade! Como resultado, acabo ficando pouco informado sobre novidades; eu nem sabia direito o que era NetBeans ainda, por exemplo.

Meu “entusiasmo” ultimamente tem sido mais com linguagens de script, como Python, que podem ser tão “poderosas” quanto Java e são mais amigáveis para projetos de pequeno porte. A impressão é que Java acabou virando uma linguagem “corporativa” e, para dizer a verdade, um pouco monótona. Mas quem sabe brincando um pouco mais com ela, eu pego embalo de novo… Qualquer dia desses eu experimento o Studio Creator e vejo o que acontece.

Austrália 03 Feb 2005 16:38

Chove, chuva…

Ontem choveu. Bastante. Basicamente, começou a chover na noite de terça e parou na madrugada de quinta. Pelo que ouvi, foram as 24 horas mais chuvosas da história de Melbourne. Hoje pela manhã estava um dia lindo, depois ainda garoou um pouquinho, e agora está ameaçando sair sol de novo.

Vários meses atrás, em um dia em que estávamos passeando perto do rio, eu comentei que aqui é um lugar em que não parece haver muita preocupação com enchentes, já que a calçada mais próxima da beira do rio fica no máximo meio metro acima do nível da água, normalmente. O passeio principal para pedestres fica um pouco mais acima, acho que pouco mais de um metro acima nas partes mais baixas. E, realmente, o motivo principal de preocupação aqui é seca, não chuva.

Pois bem, hoje pela manhã a beira do rio estava assim:

Essas barraquinhas são dos barcos de passeio que atracam nessa área. Quando passei por lá um pouco depois do meio-dia, voltando de um evento no Arts Centre, já estava bem mais baixo. Aconteceram alagamentos em pontos variados da cidade, mas nada muito sério no centro; algumas árvores caíram com o vento, também. A previsão para hoje e amanhã é de mais um pouco de chuva, mas não muita.

Para quem estiver interessado, aqui tem mais algumas fotos da cidade hoje, tiradas por um outro funcionário aqui da universidade.

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