Austrália 10 Feb 2005 11:36
Construções
A vista do nosso apartamento, para o 6o. andar de um prédio que fica bem no centro, é bastante “aberta”, ou seja, desobstruída. Há um edifício bastante alto (Melbourne Central, mais de 60 andares) que fica a quase uma quadra de distância, mas isso é longe o suficiente para não bloquear muita coisa. Mais perto da gente, logo ao lado da nossa janela, há alguns prédios baixinhos, de dois ou três andares, com lojas e escritórios no térreo e apartamentos em cima. Depois vem um estacionamento, não muito grande e cortado por uma ruazinha, e depois mais alguns prédios comerciais baixos e já é a Elizabeth Street.
Ainda nesse sábado eu estava olhando pela janela e pensando sobre como essa “vizinhança” é boa, porque a chance de alguém construir algo grande na frente da nossa janela é muito baixa. Certo, tem o barulho ocasional de alarmes de carro disparando no estacionamento, mas ninguém vai começar uma obra de grande porte, com inúmeras máquinas e guindastes barulhentos, escavações etc. pela simples falta de espaço. A única área “vazia”, o próprio estacionamento, não é muito grande e ainda tem uma rua bem no meio. E para abrir mais espaço seria necessário desocupar os vários prédios pequenos, que é algo que certamente levaria tempo.
Pois bem. Segunda-feira acordamos cedinho ao som de caminhões, empilhadeiras e outras máquinas diversas e nada discretas. Olhando pela janela, vimos uma pequena revolução acontecendo no que até o dia anterior havia sido um estacionamento. As duas metades estavam rodeadas por cercas de arame móveis (deixando a rua entre elas livre), muito material de construção (vigas e placas de madeira) estava sendo descarregado e um monte de gente andava de um lado para o outro; tinha até um pequeno escritório para o “gerenciamento” da obra.
Quando voltamos do trabalho naquele dia, as cercas de arame tinham sido cobertas por tapumes ou por plástico escuro, impedindo que quem passa na rua veja o que acontece lá dentro. Lógico que, para quem mora no sexto andar do prédio ao lado, os tapumes não bloqueiam muita coisa… o que vimos foi o princípio de uma pequena construção, mais ou menos do tamanho de uma loja de conveniência, montada diretamente sobre o asfalto. Nos dias seguintes, na outra metade apareceu a fachada de uma casa, virada para a rua, toda de madeira mas com a aparência de “tijolinhos” no lado de fora (isso é visível da rua), e a “loja de conveniência” foi aos poucos sendo completada; hoje já tem teto. Curiosamente, apesar de ser tudo madeira, a maior fonte de barulho não são marteladas ou algo do gênero: são as máquinas, como empilhadeiras e plataformas móveis, que bipam (alto!) quando se movem.
Eles começam a trabalhar cedinho, mas também param mais ou menos cedo; à noite só ficam guardas na área. Ontem a Cris perguntou para um dos trabalhadores o que é que estava acontecendo ali, e a resposta foi “movie production” – produção de filme. Bom, isso explicaria as técnicas pouco convencionais de construção. Explicaria também porque é que eles não tiraram as placas que identificam a área como um estacionamento público: deve voltar a ser um, algum dia.
Vamos ficar de olho e, se a Nicole Kidman aparecer por ali, a gente tenta tirar fotos.

