Monthly ArchiveJanuary 2005



Austrália 28 Jan 2005 14:46

Tradições

Sabem aquela tradição porto-alegrense de sempre chover na abertura da Feira do Livro? Estou começando a achar que toda cidade tem esse tipo de coisa. Hoje mesmo alguém comentou comigo que Melbourne sempre tem ondas de calor durante o Australian Open. Ao menos esse ano isso se confirmou…

Certo, o evento acontece no final de janeiro e dura duas semanas, então é quase certo que alguns dias de calor acabariam acontecendo no período. Tanto que existem até algumas regras especiais no evento para o caso de “‘extreme heat’ conditions” (o teto do estádio é fechado, há um intervalo maior entre os games, há bolsas de gelo para refrescar os jogadores etc.), que foram usadas só em um dia esse ano. Ainda assim, acaba se formando a tradição, quase superstição, de sempre fazer calor durante o Australian Open (que, assim com no caso da chuva da Feira do Livro, nem sempre se concretiza). Interessante como essas coisas surgem, não?

Austrália 27 Jan 2005 15:30

Demônios

Ontem, assisti um pedacinho de um documentário sobre os diabos-da-tasmânia na ABC, um dos canais de TV estatais daqui. Esse animal (“Tasmanian devil” em inglês) é a inspiração para o Taz, aquele personagem mal-humorado dos desenhos animados do Pernalonga.

Vendo o documentário, ficou claro que o personagem de desenho é uma boa representação do animal real. Ô bichinho enfezado! Mostraram cenas de dois machos brigando por uma fêmea, e a briga não é muito diferente daquele “redemoinho” em que o Taz se transforma quando irritado. E, depois da briga, o ganhador ainda tem que brigar com a fêmea, para provar que é “digno”, e arrastá-la para dentro da caverna a força. Nada romântico.

Eles se alimentam basicamente dos restos de animais mortos (são carnívoros), e eles comem tudo, inclusive pelagem e ossos. Um grupo de diabos-da-tasmânia devora completamente um canguru em poucas horas, em um processo audível a quilômetros de distância (eles não são muito gentis com seus colegas).

O diabo-da-tasmânia, como muitos dos animais australianos (e alguns dos sul-americanos), é um marsupial. Isso quer dizer que os filhotes “nascem” depois de poucos dias de gestação, e terminam de se desenvolver em uma bolsa externa. O documentário mostrou cenas do nascimento de um filhote, e é algo impressionante. O animal adulto é um pouco maior que um gato e pesa de 10 a 12kg, e o filhote nasce com algo como 1 centímetro de comprimento; parece mais uma larva do que qualquer outra coisa. Daí o filhote se arrasta através do pêlo da mãe até a bolsa, uma viagem que deve ter uns 10 a 15 centímetros, se agarra em uma mama, e fica ali até ficar pronto (uns quatro meses, mais ou menos). A vantagem disso é que o parto é facílimo, já que o filhote é minúsculo.

Não é um animal que ataque humanos (até por causa do tamanho), mas tampouco é um animal agradável para se encontrar a noite em uma floresta. Pelo menos ele só existe na Tasmânia.

Austrália 25 Jan 2005 13:02

Australia Day

Amanhã, 26/01, é Australia Day, o feriado nacional australiano, mais ou menos similar ao nosso Sete de Setembro.

A data sendo lembrada é 26 de janeiro de 1788, quando o capitão Arthur Phillip hasteou a bandeira britânica onde hoje é Sydney, tomando posse oficialmente da então colônia de New South Wales e se tornando o primeiro governador. A data foi celebrada desde então, primeiro como “Dia da Fundação” e, desde 1946, como Australia Day. É um feriado “especial”, porque é comemorado no dia em que ocorre, e não na segunda-feira mais próxima, como seria o normal aqui.

Não tem nada de desfile militar no dia, no entanto; as comemorações que tenho visto sendo anunciadas tem em geral a intenção de fazer com que a população comemore. Vão ocorrer corridas, concertos, shows… aqui em Melbourne, às 11 da manhã vai ocorrer o hasteamento da bandeira em frente à prefeitura, e depois há uma caminhada para o público em geral, da prefeitura até um parque na beira do rio Yarra, onde vão acontecer vários eventos durante o dia. E às 9 da noite há um show de fogos no rio.

Infelizmente, a previsão do tempo para amanhã é de 37 graus, o que pode levar menos gente a sair de casa, e possíveis tempestades no fim do dia, o que pode atrapalhar os fogos…

Austrália 24 Jan 2005 16:08

Feliz Ano Novo

Sim, de novo! Ontem fomos a Richmond (uma caminhada de uns 40 minutos) para ver a festa do ano novo lunar, ou ano novo chinês. Essa comemoração estava um pouco adiantada, porque o ano novo é, oficialmente, dia 9/02, mas o pessoal parecia não estar se importando muito com isso.

A festa foi um pouco “bagunçada” para o meu gosto; parecia um pouco improvisada. Havia um monte de barraquinhas de comida e de jogos (“derrube as latinhas e ganhe um ursinho” e similares), várias outras vendendo produtos orientais diversos (desde sombrinhas e leques até DVDs de karaokê) e muita gente. E muito barulho: música alta, gente gritando em microfones… não o meu tipo de festa, na verdade.

O desfile dos dragões foi meio simplezinho, e tinha que disputar espaço na rua com as pessoas que andavam entre as barracas. Depois do desfile houve uma apresentação com fogos e os dragões, mas era muito difícil ver porque não era em um palco elevado, e sim no meio da rua; com a quantidade de pessoas ao redor, não dava para ver muito.

O cheiro das comidas era muito bom, apesar de eu não saber o que era a maior parte das coisas que a gente viu sendo vendida. Mas o calor e a multidão (e o barulho) não tornavam o lugar muito agradável, e não ficamos lá muito tempo. Dia 12/2 vai ter outra festa, dessa vez em Chinatown, no centro, então acho que a organização vai ser um pouco melhor. Veremos.

No caminho de volta, uma cena interessante: em uma esquina movimentada, no semáforo, um rapaz se oferecendo para limpar os vidros dos carros. Não tinha visto isso aqui ainda. Mas não era criança, era um adulto fazendo isso.

Tocando no assunto, no final de semana passada aconteceu, na Federation Square (o lugar principal para eventos públicos no centro da cidade) o Festival Viva Brasil, promovido por uma associação de brasileiros daqui. Passamos rapidamente por lá; havia uma roda de capoeira, uma rodinha de pagode (estavam cantando “Trem das Onze” quando vimos), varias banquinhas vendendo artesanato, outras de agências de turismo e um restaurante vendendo comida brasileira (eles tinham até guaraná e “X Tudo”) por preços absurdos. Ah, e uma banquinha vendendo salgadinhos: coxinha, croquete, bolinhos de mandioca… dois dólares cada (pouco mais de quatro reais), ou sete dólares por quatro. Ok, eu admito que fiquei com vontade de comer um salgadinho, mas não ia pagar quatro reais por uma coxinha. Nem que tivesse vindo para cá via Fedex.

Austrália 17 Jan 2005 14:19

O Mistério das Moedas

Uma das coisas que até hoje me intriga a respeito de Melbourne: por que é tão fácil achar moedas na rua aqui?

Não ao ponto de dar para viver disso, claro. Mas, ainda assim, já encontrei muito mais moedas no chão aqui do que em qualquer outro lugar onde já morei. Desde maio passado, já achei quase 5 dólares: duas moedas de 2 dólares e várias de 5 centavos. Em média, acho uma moeda a cada duas semanas, mais ou menos; a primeira foi no nosso primeiro fim de semana aqui!

Talvez o motivo seja o tamanho das moedas. A de 5 centavos é minúscula, mais ou menos do tamanho da de 1 centavo no Brasil (talvez um pouquinho maior), só que prateada e mais fininha. A de dois dólares é um pouquinho maior e mais grossa, e dourada. As outras são maiores (a de 50 centavos chega a ser desconfortavelmente grande), e a única moeda de outro valor que achei foi uma de 10 centavos dentro de um restaurante de fast-food.

E talvez, ao menos no caso das de 5 centavos, as pessoas que deixam cair ou enxergam as moedas no chão não se interessem em ajuntá-las. Afinal, 5 centavos é muito pouco, e é a menor moeda em circulação. Alguém no Brasil ajunta moedas de 1 centavo do chão?

Que fique claro que não estou dizendo que aqui tem dinheiro sobrando pelo chão. Mas que eu achei esse “fenômeno” peculiar, isso eu achei.

Austrália 12 Jan 2005 10:52

Calor!

Ontem, terça-feira, foi o primeiro dia de calor “sério” desde que chegamos aqui. A máxima aqui em Melbourne foi de 39 graus às 5 da tarde (em Adelaide fez 41); em comparação, a máxima prevista para hoje é de 27. Ontem foi também o primeiro dia, desde que comecei a trabalhar, em que saí de casa pela manhã com mangas curtas. Acho que é um bom momento para falar sobre como funciona o clima aqui.

Quando a previsão local do tempo é apresentada na TV, além de falarem na temperatura e na chance de chuva, um outro dado que quase sempre é apresentado é a direção do vento. Esse é um dado importante porque determina com uma precisão muito boa em que direção a temperatura vai variar. Quando o vento vem predominantemente do norte, ele vem do interior do país, que é basicamente um deserto; portanto, o vento é quente e muito seco. Quando ele vem do sul, ele vem do mar e da Antártida, e portanto é frio e úmido.

Ontem foi um dia de vento muito forte e vindo do norte, o que resultou naquele calor e em uma umidade do ar de 15% (incidentalmente, essas são condições ótimas para incêndios florestais; ontem era proibido fazer fogo ao ar livre em qualquer lugar do estado por esse motivo). Hoje o vento mudou, sopra do sul, e a temperatura caiu bastante, mas a falta de umidade impediu que chovesse.

Em um dia de calor provocado pelo vento, como ontem, a sensação ao ar livre é interessante. É diferente daqueles dias abafados de Porto Alegre, em que faz muito calor e parece que nem uma folha se move com o vento; o ar é seco, então não é tão desconfortável, mas quando sopra o vento parece que se está diante de um aquecedor; é mais confortável quando não tem vento. E, estando dentro de casa, a melhor coisa a fazer é não abrir as janelas, porque o ar que vai entrar vai estar mais quente do que o que está dentro.

Como um dado interessante, a temperatura máxima histórica em Melbourne é de 45,6 graus em janeiro de 1939 (em janeiro de 2003 fez 44,1), e a mínima é de -2,7 graus em julho de 1869. Mas, em média, a temperatura máxima no verão é de 26 graus, e a mínima no inverno de 6,5.

Com certeza vamos ter mais alguns dias de muito calor nesse verão, mas um dado positivo é que geralmente não acontecem “ondas de calor” de vários dias; um dia de calor forte quase sempre é seguido por alguns dias mais agradáveis.

Austrália 05 Jan 2005 09:55

Biscoitos


Mais uma da série “coisas da globalização”: encontramos, em uma loja “barateira”, Negresco! Made in Brazil, mas com a embalagem quase toda em japonês (vide foto). Um dólar cada (uns R$2).

Aqui essas “importações secundárias” são relativamente comuns (quero dizer, produtos que foram exportados para um país e depois re-exportados para cá). Já vi pasta de dentes da Colgate que veio do Vietnã, pilhas Duracell (verdadeiras) da Tailândia, e assim por diante.

E, ainda no assunto biscoitos brasileiros, na mesma loja também tinha Bono. Em outra loja tinha Sem Parar e, ainda em outra, aqueles biscoitos grudados em uma barra de chocolate que vêm em uma caixa vermelha (não lembro o nome). Ah, e no supermercado tem pão de queijo congelado, para fazer em casa; muito bom.

Austrália 04 Jan 2005 11:38

Deaflympics

Vocês sabiam que existem jogos olímpicos especiais para surdos? Pois é, eu não sabia. Acontece de quatro em quatro anos, no ano seguinte às Olimpíadas. E esse ano a 20a. edição acontece aqui em Melbourne.

A cerimônia de abertura é amanhã, mas algumas competições (como futebol) começam hoje. Ontem vimos vários times andando pelo centro da cidade uniformizados e, bem, gesticulando muito. Ucrânia, Rússia, Turquia, alguns italianos, alguns croatas e outros “diversos”. Existe uma delegação do Brasil, mas não sei em que esportes competem (sei de vôlei de praia e natação, mas não sei se há outros).

Eu acredito que não é uma competição “oficial” no sentido de ser organizada pelo COI, mas é bem grande, com competidores de 94 países. Os ingressos são relativamente baratos ($12 para ver todas as competições de um dia no Olympic Park, por exemplo), e muitos dos eventos que acontecem fora dos estádios principais são grátis (como vôlei de praia, que é em St. Kilda).

Fico pensando em como funcionam certos esportes que dependem de sinais sonoros… a largada em corridas e provas de natação, por exemplo, embora esse problema seja simples (imagino que seja utilizado um sinal luminoso). Mas e o apito do juiz no futebol e em outros esportes de equipe? Alguém sabe como funciona isso?

Se eu descobrir, escrevo aqui…

[update: descobri depois que o juiz do futebol tem um lenço amarelo, parecido com o dos juízes de futebol americano, que ele joga na direção dos jogadores para chamar a atenção quando acontece algo]

Austrália 01 Jan 2005 13:36

Feliz Ano Novo


Feliz Ano Novo a todos! Ao lado, um pouquinho do show de fogos aqui de Melbourne. Sim, é extremamente difícil fotografar fogos…

A festa aqui é no rio; os fogos são lançados de barcas. O interessante é que são dois shows, posicionados para serem vistos de duas áreas diferentes. Nós ficamos em um pequeno parque na margem norte, atrás da Federation Square, onde estava acontecendo um show musical. Havia seis shows acontecendo pela cidade, com estilos musicais diferentes em diferentes áreas. E também houve outro show de fogos às 9:30 da noite, para as famílias com crianças pequenas que não querem que elas fiquem acordadas até muito tarde…