Monthly ArchiveDecember 2004



Austrália 30 Dec 2004 11:19

Passeio de Natal

No Natal, o transporte público aqui em Melbourne era de graça, então aproveitamos para ir visitar algumas áreas longe do centro, para onde normalmente é mais caro ir. Para quem quiser ver apenas as fotos do passeio, sem a história, é só pular para o final desta mensagem.

Antes, uma pequena explicação sobre o sistema de transporte público de Melbourne. São utilizados três tipos de veículos: trens, ônibus e bondes. Os bondes atendem principalmente a área do centro da cidade e arredores (até uns 8 a 10 km de distância), e fazem o papel de ônibus nessa área. Os ônibus, por sua vez, atendem aos subúrbios, geralmente saindo das estações de trem e se dirigindo aos bairros que ficam longe das linhas. E os trens ligam o centro da cidade aos subúrbios, e vice-versa; é uma rede em estrela, em que todas as linhas tem uma ponta no centro e outra em algum subúrbio.

Quanto a tarifação, existem três “zonas”: a zona 1 é o centro e arredores, e as zonas 2 e 3 são progressivamente mais distantes. O preço das passagens depende da zona de origem e destino da viagem; dentro da mesma zona é o mais barato, e da zona 1 para a 3 é o mais caro.

Então, voltando ao assunto, fomos visitar lugares nas zonas 2 e 3, para onde geralmente é mais caro ir. Começamos indo a Brighton Beach, uma praia a uns 20 minutos do centro. Estava um dia muito agradável para andar na praia: ensolarado, temperatura agradável… mas muito vento. E Brighton é uma praia muito bonitinha: areia limpa (um pouco escura, com muitas conchas, mas limpa), água beeem clarinha, e pouca gente àquela hora. Muitas algas, no entanto; em algumas áreas, parecia que havia um gramado dentro da água, perto da areia.

Brighton também é um pouco famosa (ao menos por aqui) por causa das “casinhas de praia” que ficam na areia. É mais ou menos como se fossem umas barracas de praia mais permanentes, que as pessoas (os donos) usam como “base” enquanto estão na praia; acredito que algumas pessoas até dormem ali no verão. São pequenininhas, mas bem carinhas: uns A$ 40 mil cada, o que dá uns 80 mil reais.

Depois de uma caminhada por ali, voltamos para o trem e fomos para a estação de Ripponlea. Ali perto fica uma mansão histórica, com um grande jardim, que pode ser visitada. No Natal estava fechada, e sabíamos disso, mas achamos que seria possível ver a mansão por fora, visitar o jardim etc. Não era. Mas ainda assim foi um bom passeio por um bairro bem tranqüilo e bonitinho.

Dali fomos para Franskton, a última estação na linha. Frankston é uma cidade na área metropolitana de Melbourne, a uns 35 km do centro, onde também tem praia. A cidade estava completamente vazia: tudo fechado, ninguém nas ruas… parece uma cidade agradável, mas parecia mesmo uma cidade fantasma.

Um pequeno comentário: no Natal, aqui, fecha praticamente tudo: restaurantes, cafés, bares, shopping centers, postos de gasolina… algumas lojas de conveniência abrem, mas não todas. Por isso, fica tudo parecendo meio vazio.

Passamos pela cidade e fomos à praia, que é bem parecida com a de Brighton: areia limpa, água clara e não muito fria, e muito vento. E mais gaivotas do que pessoas, acredito que por causa do vento e da temperatura baixa. E porque muita gente devia estar em casa para o almoço de Natal, também.

Lá ainda há uma área para piqueniques, com churrasqueiras, e um pier de onde dá para pescar (até vimos um pescador pegando um peixe). Não tinha quase ninguém na água, mas vimos algumas pessoas mergulhando do pier (a água não era fria, como comentei, mas sair da água com aquele vento não devia estar nada agradável). Caminhamos um pouco pela praia, fomos até o fim do pier, andamos mais um pouco pelas ruas vazias da cidade, e voltamos para o trem.

Voltamos duas estações e paramos em Carrum, uma prainha que fica logo ao lado da estação; tínhamos visto do trem na ida, e decidimos parar na volta. É uma prainha bonitinha, também com uma área para pesca e outra para churrascos, água limpa, um rio desaguando ali e pouca gente. Tinha uns banquinhos próximos a água perfeitos para sentar e comer um sanduíche, que foi o que fizemos. (tem até uma webcam mostrando parte da praia)

A essa altura já estávamos no meio da tarde, e decidimos voltar para casa. Uma coisa a não ser esquecida no próximo passeio: protetor solar não dura sete horas, e precisa ser re-aplicado no meio do dia. Acreditem, não vou esquecer disso para a próxima vez.

E, como comentei, abaixo seguem algumas fotos do passeio e das praias daqui. Na próxima mensagem conto sobre como foi o passeio de Boxing Day.

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Austrália 24 Dec 2004 10:26

Jogos

O esporte de verão na Austrália é o cricket; o futebol australiano e o rúgbi são esportes de inverno. Isso é parecido com os EUA, onde o futebol americano é o esporte de inverno e o baseball é o de verão. E cricket é bastante parecido com baseball.

Eu tenho que admitir que esse é um esporte que eu ainda não entendo. Assisti alguns minutos na TV, vi noticiários a respeito, e não entendo nem o placar dos jogos; vendo os números, eu não faço idéia de quem ganhou. Mas parece um esporte tão chato quanto baseball, à primeira vista. Com a diferença de que os jogos são mais longos.

Aliás, põe longos nisso. Na semana que vem acontece o tradicional “Boxing Day Match” entre Austrália e Paquistão, aqui em Melbourne. E, quando eu digo “na semana que vem”, eu quero dizer na semana toda. O jogo começa dia 26 e termina dia 30, e é um jogo só. Com pausas para dormir e para almoço, claro. Existe também uma versão chamada “one day cricket”, em que o jogo dura só um dia, com pausa para o almoço.

Nesse aspecto, cricket é muito parecido com baseball: não se vai ao estádio para prestar atenção o tempo todo no jogo, é mais um evento familiar, uma desculpa para passar algum tempo ao ar livre se divertindo com a família e, de vez em quando, olhando um pessoal jogar cricket no gramado. Mas parece ser um jogo que entusiasma a torcida, e que é jogado nas ruas (“cricket de várzea”, digamos assim); a Cricket Australia (a CBF deles para esse esporte) tem um comercial na TV que até faz o esporte parecer interessante. Algum dia desses vou tentar entender as regras.

Austrália 23 Dec 2004 10:51

Pré-feriados

Há um inegável clima de sexta-feira no ar pelo menos desde terça-feira. A Austrália toda vai nitidamente diminuindo o ritmo, se preparando para as festas e o período de descanso que se aproxima. Nos restaurantes e bares é fácil perceber as mesas pertencentes a confraternizações de empresas ou de amigos que não se vêem muito freqüentemente. Também é muito fácil ver pessoas nas ruas com gorro de Papai Noel. E o trânsito está visivelmente mais tranqüilo no centro, exceto perto dos shopping centers e grandes mercados.

Muita gente não trabalha na semana que vem inteira (incluindo eu). Várias empresas já não estão trabalhando; uma brasileira que conhecemos aqui, que trabalha em uma empresa de contabilidade, trabalhou só até ontem (quarta). E até serviços que eu não esperaria que parassem têm folga: o jornal gratuito que é distribuído no centro da cidade parou de circular na sexta-feira passada e só volta em 04/01. Uma revistinha semanal, também gratuita, parou na semana passada e só aparece de novo dia 13. Até algumas imobiliárias parecem ter “férias coletivas” e já publicaram anúncios valendo até o final de janeiro.

E, aproveitando, fica aqui um Feliz Natal a todo mundo que eventualmente estiver lendo essa mensagem. Boas Festas a todos!

Austrália 22 Dec 2004 14:35

Moscas!

Como tem moscas nessa cidade!

A gente anda pelo centro e, quanto mais perto do rio, mais moscas voam pelas ruas. E as moscas são insistentes, elas voam ao redor do rosto das pessoas, pousam na roupa etc. É muito comum ver gente se abanando e tentando dar tapas nas moscas para afastá-las. Se o Hitchcock fosse daqui, ele não teria feito um filme chamado “Pássaros”, e sim “Moscas”.

Ainda não consegui uma boa explicação para o motivo. O fato delas serem mais comuns perto do rio provavelmente aponta para ele como a origem delas, imagino, mas não sei porque tem tantas, nem porque elas são tão chatas.

Austrália 21 Dec 2004 11:02

Estações

Hoje, 21/12, é o primeiro dia do verão. Mas isso no Brasil e em outras partes do mundo. Aqui, não.

Pode parecer estranho, mas as estações aqui são “arredondadas”. A primavera começa em 01/09 e o verão em 01/12. Presumo que o outono comece em 01/03 e o inverno em 01/06, ano que vem eu descubro. E em toda a mídia é assim; no final de novembro eles começavam a mencionar a chegada do verão, a previsão do tempo dizia coisas como “o primeiro dia do verão vai ser chuvoso” e assim por diante. Idem no final de agosto, se referindo é primavera.

Nos dias em que as estações começam “mesmo”, eles se referem aos nomes mais “técnicos”: 21/09 é o equinócio da primavera, 21/12 é o solstício de verão (que é o dia mais longo do ano: o sol nasceu às 5:55 e vai se por às 20:42), e assim por diante. Mas é algo mais discreto, o “barulho” mesmo é no início do mês.

Austrália 14 Dec 2004 11:32

Boxing Day

Aqui na Austrália, assim como no Canadá, na Inglaterra e (acredito) em outros países de colonização inglesa que não os Estados Unidos, o dia seguinte ao Natal também é feriado: se chama Boxing Day (traduzindo literalmente, “dia de empacotar”).

É um nome curioso, já que, como se dá presentes no Natal, o dia de empacotar deveria ser a véspera, não o dia seguinte. A origem desse feriado é a tradição, na Inglaterra de muito tempo atrás, de dar presentes para os pobres no dia seguinte ao Natal. Pessoas de classe social “alta” trocavam presentes entre si no dia do Natal ou antes, mas os presentes “caridosos” para as pessoas de classe inferior eram dados (sem receber nada em troca, claro) no dia seguinte. O “boxing” provavelmente se refere às caixas de doações que eram usadas por igrejas e outras instituições de caridade.

Em um ano como esse, em que o Natal cai em sábado, essa informação pode parecer irrelevante; afinal, o Boxing Day vai cair em um domingo. Mas aqui (como em vários outros países), feriados que caem em finais de semana são comemorados na segunda-feira seguinte! Assim, o feriado do Natal acontece na segunda, 27, e o de Boxing Day acontece na terça, 28. Similarmente, o feriado de 01/01 acaba acontecendo na segunda, 03/01.

O bom dessa regra é que o número de feriados do ano é constante, independentemente do dia em que os feriados caem. Isso seria interessante no Brasil, já que vários dos nossos feriados caem no mesmo dia da semana: 02/02 (feriado em Porto Alegre), 07/09, 12/10 e 02/11 estão sempre juntos (exceto em anos bissextos, em que 02/02 vai cair um dia antes dos outros), assim como 20/09 (feriado no RS) e 15/11, e 01/05, 25/12 e 01/01 do ano seguinte. Quando, como em 2003, 07/09 cai em domingo, temos cinco feriados consecutivos caindo em fim de semana, o que resulta em um ano com uma semana a mais de trabalho do que o normal. Mas com o mesmo salário. Pensando nisso, a tendência brasileira de emendar feriados quando caem em terça ou quinta faz mais sentido: é uma mera compensação dos feriados perdidos para os fins de semana.

Vale mencionar que aqui essa regra parece valer até para a Páscoa: a segunda-feira seguinte ao domingo de Páscoa é feriado também.

Pessoal 06 Dec 2004 16:00

Até a pé…

Um ex-colega de trabalho (e, antes disso, de faculdade) me mandou um e-mail recentemente contando, nas palavras dele, “a história de sua paixão tricolor”. Achei uma idéia interessante, então aí vai a minha história:

Em nasci em 1971, ano do primeiro campeonato brasileiro e ano em que o Grêmio se tornou o primeiro time a marcar um gol em um campeonato brasileiro (Grêmio 3×0 São Paulo, 07/08/1971). Mas é claro que, naquela época, eu ainda não estava prestando atenção nisso.

Minha primeira lembrança envolvendo o Grêmio é da final do campeonato gaúcho de 1976, que ouvi pelo rádio com meu pai. O Inter ganhou por 2×0 (segundo gol de Dario; lembro de ter ouvido a narração e perguntado para meu pai “o Dario é do Grêmio ou do Inter?”) e conquistou o octacampeonato gaúcho. Ou seja, foi um dos piores momentos da história tricolor, mas isso não me fez mudar de idéia; mesmo com cinco anos de idade, eu já era gremista (também não acho que, com cinco anos, eu entendesse bem o conceito de “octacampeão”…).

Mas eu não sei bem o que me levou a ser gremista. Meu pai é colorado, e minha mãe é basicamente neutra quanto a futebol. Tenho fotos minhas, quando nenê, vestindo a camiseta do Inter; ou seja, meu pai tentou me levar para o lado dele. Apesar disso, eu, minha irmã e um dos meus irmãos somos gremistas; apenas o caçula da família herdou o gene vermelho. No meu caso, em particular, acho que ao menos parte da “culpa” pode ser do Paulo Santana.

Parênteses para eventuais não-gaúchos que lerem este texto: Paulo Santana é um comentarista esportivo fanaticamente gremista que, naquela época, apresentava um segmento de um programa jornalístico estadual no horário do almoço em que ele falava, principalmente, do Grêmio. Hoje em dia ele ainda tem um segmento no mesmo programa, mas ele tem falado menos de futebol e mais de outros assuntos. Ele também tem uma coluna diária no Zero Hora, mais ou menos com o mesmo perfil. Ele é responsável por alguns dos momentos mais folclóricos da televisão gaúcha, quase sempre envolvendo glórias ou tragédias gremistas (muito mais glórias do que tragédias). Ele ficou conhecido mundialmente alguns anos atrás por escrever na sua coluna a respeito de sua experiência com Viagra, quando esse remédio ainda era uma novidade; o texto em questão foi mencionado pela Newsweek e pela CNN.

Pois bem, naquela época eu adorava o Paulo Santana; assistia todos os dias, fielmente, e gostava tanto dele que, quando minha mãe ficou grávida, no início de 1976, eu pedi insistentemente que, caso fosse menino, o nenê fosse chamado de Paulo Santana (lembrem-se, eu tinha quatro anos). Felizmente, foi menina. Em todo caso, acho que há uma boa chance de que ele seja o responsável pela minha seleção de time. Lógico que também é possível que algumas pessoas nasçam gremistas e outras nasçam coloradas; não sei se alguém já fez alguma pesquisa séria sobre o assunto.

Voltando a história, a minha lembrança seguinte é da final do campeonato gaúcho de 1977, aquele Gre-Nal histórico que o Grêmio ganhou por 1×0, gol de André Catimba (que tentou dar um salto mortal para comemorar o gol, errou o pulo, caiu de peito no gramado e ali ficou até sair de maca), acabando a série de campeonatos do Inter. Essse jogo eu já assisti pela televisão, e vi o gol e a festa ao vivo. E esse é o famoso Gre-Nal que não terminou; aí pelos 40 minutos do segundo tempo o juiz marcou uma falta perto do meio do campo, e a torcida entendeu mal e invadiu o campo. Acabou ficando por isso mesmo, e foi um dia de muita festa; lembro de ter ido à avenida principal da cidade para ver a carreata gremista, com uma infinidade de carros, bandeiras e fogos.

Depois disso, lembro da final do campeonato brasileiro de 1981, contra o São Paulo, lá no Morumbi. Lembro em particular do golaço do Baltazar, da entrada da área, encobrindo o Valdir Perez, que seria o goleiro da seleção na Copa de 1982 (e por que é que o Baltazar não estava naquela seleção?).

Em 1982 participamos da nossa primeira Libertadores, mas, ainda sem muita prática, não fomos tão bem. Mas chegamos de novo à final do Brasileiro (perdemos para o Flamengo no Maracanã), e pudemos disputar a Libertadores de 1983. E aí chegamos aos nossos maiores títulos: ganhamos do Peñarol, fomos campeões da América e fomos a Tóquio! Lá, ganhamos do Hamburgo, com dois gols do Renato Portaluppi (na época ele não era Renato Gaúcho ainda), um deles na prorrogação, e a festa durou a madrugada inteira. Acho que foi a primeira vez que fiquei acordado até tão tarde, e lembro da narração do Celestino Valenzuela comemorando cada gol do Grêmio. Como disse o Zero Hora no dia seguinte, a Terra é azul!

Os anos seguintes não foram particularmente vitoriosos, exceto por vários campeonatos gaúchos e pela Copa do Brasil de 1989 (fomos o primeiro campeão desse campeonato, o maior ganhador até hoje, com quatro títulos e três vice-campeonatos e, até aparecer a regra de que “time na Libertadores não joga Copa do Brasil”, éramos o único time a ter participado de todas as edições). 1991 e 1992, como todo gremista sabe, foram anos particularmente ruins, mas demos a volta e retornamos em grande estilo.

Em 1994 fomos bicampeões da Copa do Brasil, e em 1995 fomos bicampeões da América, empatando com o Atlético em Medellín. Fomos de novo a Tóquio, mas perdemos nos pênaltis para o Ajax (eu estava nos EUA e não assisti o jogo; só fiquei sabendo do resultado pela manhã). Mas esse é um torneio em que a mera participação é uma vitória; só dois times no mundo participam a cada ano, e uma derrota, ainda mais nos pênaltis, não é nada para se envergonhar. Quem já chegou lá, sabe disso; quem não chegou, só pode sonhar. Vice-campeão mundial, e com orgulho!

E seguimos as conquistas com o brilhante campeonato brasileiro de 1996, com aquele gol mágico do Arílson Aílton nos últimos minutos do jogo: 2×0 contra a Portuguesa! Eu estava ainda nos EUA, e liguei de um telefone público, no meio do Monterey Aquarium, para o Brasil para saber como estava; consegui ouvir, pelo telefone, o Galvão Bueno narrando o final do jogo, e comemorei de longe! No ano seguinte ganhamos a Copa do Brasil, com um empate dramático contra o Flamengo, no Maracanã, que acompanhei com a narração da Rádio Gaúcha via RealAudio (provavelmente comemorei com alguns minutos de atraso…).

O resto é história recente… ganhamos do Corinthians no Morumbi, 3×1, para conquistar o tetracampeonato da Copa do Brasil e para fazer o Galvão gritar “é tetra!” para o país todo. E, nesses anos todos, tivemos várias outras alegrias e tristezas; como disse antes, muito mais alegrias que tristezas.

Um grande time não deixa de ser grande de uma hora para a outra, e a torcida de um grande time não o abandona em momentos difíceis. Como a história mostra, foi depois dos nossos piores momentos que vieram nossas maiores conquistas. E, como o nosso hino diz, a torcida estará junto onde o Grêmio estiver. Então, posso dizer com segurança: em frente, Grêmio! Rumo a Tóquio!

Austrália 02 Dec 2004 15:44

Batman

O pessoal aqui de Melbourne tem uma obsessão nada saudável pelo Batman.

Só aqui no centro da cidade, há uma Batman Street, um Batman Memorial e um Batman Park. Saindo um pouco, tem a Batman Road e uma estação de trem chamada Batman. E o anfiteatro principal do Melbourne Convention Centre (que fica ao lado do Batman Park) se chama Batman Theatre. E ainda tem o Batman River.

Não é tudo em homenagem ao herói mascarado, claro (infelizmente). John Batman foi um dos primeiros colonizadores da área de Melbourne, tendo chegado aqui em 1835. Ele também foi uma das primeiras pessoas a reconhecer os direitos dos aborígines à terra australiana, chegando a negociar um acordo comercial com eles para o uso de áreas ao redor da Port Phillip Bay (todas as áreas; a área negociada inclui toda a área atual das cidades de Melbourne e Geelong, e tudo entre elas). O governo de (na época) New South Wales não achou graça nenhuma e invalidou o acordo, com o argumento de que as terras pertenciam à coroa, e não aos aborígines.

Como resultado, esse é o Batman que é homenageado por todos esses nomes. Mas que é engraçado ver os nomes pela primeira vez, sem saber disso, é.