Monthly ArchiveOctober 2004



Austrália 21 Oct 2004 09:14

Pobre canguru

Da série “coisas da Austrália”… muitos anos atrás, eu assisti a uma corrida de Formula Indy em que um dos carros teve que abandonar porque atropelou um coelho (e danificou muito a frente do carro). Achei muito peculiar.

Pois sábado retrasado, em uma corrida de stock-car perto de Sydney, um dos carros teve que abandonar porque atropelou um canguru. A frente do carro ficou totalmente destruída mas, claro, o canguru ficou muito pior.

Atropelamentos de cangurus são muito comuns em estradas (tanto que os ônibus interurbanos geralmente tem uma proteção na frente), mas parece que em uma pista de corridas nunca tinha acontecido…

Austrália 18 Oct 2004 15:38

Esportes estranhos

Quando eu achei que já tinha visto de tudo… ontem à noite vi, por acaso, um pedaço de um jogo entre as seleções da Irlanda e da Austrália. O esporte era futebol australiano jogado com “regras internacionais”. O resultado é uma mistura de futebol australiano com futebol normal: é jogado com uma bola redonda e branca (acho que era uma bola de futebol), mas a dinâmica de jogo é a do futebol australiano, com jogadores correndo com a bola na mão, rebatendo no chão e um para o outro, e quase se matando. Além das traves altas do futebol australiano, há também uma goleira de futebol, normal, até com rede, na mesma posição. E um goleiro! O campo parece ter mais ou menos as dimensões do futebol normal, mas com o formato e marcação do futebol australiano.

Não assisti o suficiente para entender o score, mas acho que um gol na goleira normal vale mais do que um nas traves australianas (esse último parece valer três pontos, ao invés de seis). E, pelo que ouvi falar hoje no escritório, só existem dois países no mundo que jogam esse esporte, o que quer dizer que o ganhador de ontem é provavelmente o campeão mundial.

Austrália 16 Oct 2004 22:14

Zôo

Típico passeio de domingo: fomos ao zoológico. Isso foi no domingo passado, que foi um lindo dia quente de sol; até então tinha sido o dia mais quente que tínhamos passado aqui. Depois, na terça-feira, fez mais de 30 graus; para contraste, ontem (sexta) fez menos de 10 graus ao meio-dia…

Mas, sobre o zoológico: fica perto do centro da cidade, uns 10 minutos de trem, e é bem agradável. Não tenho muito o que comentar, porque zôos são todos meio parecidos: tinha um monte de animais. Acho que o peculiar é que, claro, tinha muitos animais australianos, vários dos quais nós nunca tínhamos visto.

Cangurus, claro, são conhecidos; só não esperávamos os vários tipos que encontramos ali. Além do “tradicional”, aquele grande e de pelagem avermelhada (red kangaroo), vimos também os wallabies (wallaby no singular), que são uns canguruzinhos em miniatura (uns 40 cm de altura, e mais arredondados) e os “tree kangaroos”, uma espécie que sobe em árvores.

Outros animais interessantes são os wombats, um marsupial que escava túneis e passa boa parte do tempo embaixo da terra; parecem com umas capivaras pequenas. Eu comentei que são mais ou menos mamíferos genéricos, porque não têm um formato muito especial, andam em quatro patas, têm pelo marrom, não fazem barulho… mas têm uma bolsa para os filhotes, que tem a particularidade de ter a abertura virada para trás.

Vimos coalas, também, mas só o que eles fizeram enquanto olhávamos foi dormir, se espreguiçar e dormir mais. Vimos um ornitorrinco, que é muito bonitinho e muito agitado. Vimos, de muito longe, um red panda, que não parece nem um pouco com um panda; estava no alto de uma árvore, a uns 20 metros de altura. Também vimos emus, que parecem com as nossas emas, e os pingüins em miniatura que vivem aqui na região (tem uns 30, 40 cm de altura). Não vimos o equidna, que é o equivalente marsupial do nosso tamanduá; vimos a plaquinha, procuramos, procuramos e não achamos.

Entre os animais “importados”, vimos leões, elefantes, zebras, ursos, gorilas, orangotangos, babuínos, vários outros tipos de primatas, girafas, avestruzes, duas onças dormindo, um pedaço de um tigre dormindo, dois leopardos-da-neve dormindo e vários felinos menores dormindo, que é o que um bom felino faz em um dia quente. Os leões estavam dormindo também. Também vimos as lontras, que não são felinos mas estavam “miando” para o público, pedindo comida. E as focas mais tímidas que eu já vi.

E muuuitos pássaros. Existe ali um viveiro enorme onde se pode entrar e ver os pássaros “soltos”. Mas não sabemos o nome da maioria deles. Uns muito bonitinhos eram os patos de bico azul, que parecem de brinquedo. Lógico que tinha muitos pássaros soltos, também; é incrível quantos periquitos existem nessa cidade! Ah, e um pavão muito animado acompanhou de perto o nosso almoço, ganhando pedacinhos de pão de outras pessoas.

Ah, um ponto alto foi o viveiro das borboletas, onde se entra e se fica no meio de centenas delas; muito bonito. E também vimos muitos tipos de répteis (cobras e lagartos), tanto nativos quanto importados.

Para quem quiser ver algumas fotos, é só clicar abaixo; não deu para tirar fotos de muitos dos animais por questões práticas: distância, iluminação etc. Mas vários aparecem nelas.

Continue Reading »

Austrália 07 Oct 2004 15:25

Casa Ibérica

No final da semana passada, conseguimos ir à Casa Ibérica e encontrá-la aberta. Como eu comentei antes, essa casa é um mercado com produtos “latinos”, genericamente falando.

Ficamos um pouco decepcionados, no entanto… o lugar é pequeno, apertadinho e não muito bem cuidado, e na verdade não tinha tanta coisa interessante assim. Muito pouca coisa brasileira, mas até aí tudo bem; afinal, é Casa Ibérica. Tinha Café do Ponto, Maizena, muitos tipos de bolachas de vários países (inclusive umas chilenas com sabor de uma fruta da qual nunca ouvimos falar, mas cujo nome eu esqueci em seguida)… Tinha maionese Hellmann’s espanhola, o que é bom, porque a maionese daqui é muito ruim. Tinha produtos para feijoada (ouvi uma pessoa pedindo explicitamente por isso), mas não vi feijão preto. E tinha várias marcas de erva-mate, todas argentinas (as que eu lembro são “Cruz de Malta” e “Nobleza Gaucha”; cerca de A$7 o quilo). Também tinha cuias e bombas, mas no estilo argentino, com aquelas cuias arredondadas pequenininhas.

Coisas que eu esperava mas não vi: leite condensado, creme de leite, polvilho, bombons da Lacta, pó para pão de queijo… e provavelmente outras coisas que não lembro agora. Acredito que em Sydney seja mais fácil conseguir isso, já que tem mais brasileiros…

Austrália 04 Oct 2004 16:10

O caso dos vagalumes gigantes

Então, na noite de sexta-feira, aproveitamos o clima agradável e as lojas abertas até mais tarde para passear um pouco no centro da cidade. Depois de um pequeno passeio pelo Melbourne Central, o shopping center que está “quase pronto” e fica aqui na esquina de casa (sério; os cartazes do shopping falam no “almost completed Melbourne Central”), fomos andar ao ar livre. Fomos até a Swanston St., que é uma das ruas mais movimentadas do centro: é cheia de lojas e restaurantes, várias linhas de bondes, e muita gente andando para todos os lados.

Pois, ao chegarmos à rua, viramos na direção do rio (que estava a umas seis quadras) e vimos, ao longe, por cima dos prédios, algo que parecia uma revoada (ou é um enxame?) de vagalumes gigantes, piscando em um suave tom de laranja e voando de um lado para o outro. Olhando um pouco mais atentamente, descobrimos que não eram vagalumes, eram pássaros, provavelmente pombas.

Antes de causar mais sustos, melhor explicar: não, aqui não existem pombas mutantes que saem à noite e brilham e piscam em tons de laranja. O que aconteceu foi o seguinte: existe uma loja da Nike na Swanston, a algumas quadras de onde estávamos. No prédio da loja existe um grande outdoor que cobre quase todos os andares do prédio na área voltada para a esquina onde ele fica. Esse outdoor é iluminado, de baixo para cima, por várias lâmpadas de sódio muito fortes; essas são aquelas lâmpadas alaranjadas que se usa em iluminação pública. Aparentemente, essa iluminação estava incomodando ou confundindo as pombas, e muitas delas ficavam voando acima das lâmpadas e do prédio. Elas pareciam piscar de longe porque elas entravam e saíam do facho das lâmpadas, e também porque elas mudavam de posição em relação à luz. E de onde estávamos nós víamos as pombas, mas não o prédio e o outdoor.

Passado esse mistério, o resto do passeio foi tranqüilo. Olhamos várias lojinhas, vimos parte da largada de um rally que estava acontecendo na Federation Square, e voltamos para casa para tomar sorvete. Em geral, uma noite bem agradável. Mas acho que aquele outdoor não está fazendo muito bem para as pombas.