Austrália 26 Jun 2004 00:53
Bancos, medidas e Google
Bancos
Uma das coisas que precisávamos fazer, depois de conseguir onde morar, era abrir conta em banco. Assim, logo que conseguimos um endereço, começamos a pesquisar os bancos que pareciam grandes para ver em qual seria melhor abrir.
O que descobrimos foi que muita coisa é diferente em relação aos bancos brasileiros… existem vários tipos diferentes de contas, com opções e tarifas bem estranhas. Por exemplo, é comum que as contas com tarifas mensais mais baixas tenham um limite bastante baixo de vezes em que se pode usar o cartão em caixas-eletrônicos (ATMs) e para pagar compras (existe um sistema similar ao nosso Redeshop, que se chama EFTPOS – Electronic Funds Transfer at Point Of Sale). Também é bem freqüente que exista uma tarifa para cada cheque escrito, sem uma “franquia” gratuita.
Falando em cheques, descobrimos que muito pouca gente tem talões de cheques aqui. O motivo principal é que, se uma conta tem talão de cheques, qualquer transação na conta (mesmo que não seja com cheque) gera a cobrança de uma “debits tax”, que é similar à nossa CPMF mas com uma alíquota mais alta para transações com valores mais baixos. Se a conta não tem talão, o imposto não incide.
Nós pegamos folhetos e fizemos perguntas nos principais bancos daqui: National Bank, Bank of Melbourne, Commonwealth Bank, HSBC, Australian Unity e ANZ. Esse último a gente vinha pronunciando “ei-en-zee”, até que ouvimos alguém chamando de “ei-en-zed”. Ponto a lembrar: o nome da letra Z, aqui, é como na Inglaterra e Canadá: zed.
De todos eles, os que nos interessaram mais foram o National e o HSBC, que são os dois que tinham contas sem tarifa mensal, sem limite de transações e com rendimento de juros. Acabamos optando pelo HSBC porque, no National, se o saldo caísse abaixo de cinco mil dólares, eles começariam a cobrar uma mensalidade; no HSBC não acontece isso. Além disso, nosso dinheirinho vai render 4,5% ao ano de juros. Sim, eu sei que, comparando com qualquer investimento no Brasil isso não é nada (até caderneta de poupança rende mais que isso), mas aqui essa é uma taxa bem respeitável.
Agora, para abrir a conta, foi complicado. Tivemos que ir ao HSBC quase tantas vezes quantas fomos à Ikea para comprar os móveis… Fomos uma vez, claro, antes de decidir, para pedir informações e pegar folhetos. Depois de decidido, fomos lá em um final de tarde para abrir a conta; já até levamos o formulário preenchido, prontinho. Só não colocamos nenhum número de telefone ali, porque ainda não tínhamos. Pois é, mas sem telefone não dava; “o computador não aceita”. Ok…
Na segunda tentativa, fomos lá em um outro final de tarde, após passar na Telstra para pedir uma linha telefônica; já saímos de lá sabendo o número, então dessa vez estávamos prontos. Infelizmente, já era meio tarde, o atendimento demorou, e não pudemos abrir a conta porque os caixas fecharam e não deu tempo de fazer o depósito inicial…
Na terceira tentativa, finalmente, tudo funcionou! Preenchemos tudo, fizemos o depósito e abrimos a conta. Algumas coisas interessantes: o cartão magnético é entregue na hora (um dos dois; era uma conta conjunta, então teria dois cartões), só que sem nome; assim, tenho um cartão “anônimo” do HSBC. O cartão da Cris já chegou pelo correio, com nome, mas o meu fica sendo esse anônimo mesmo até expirar, em 2007. Outra coisa é que tem um monte de números! Além do número da conta e o da agência (que aqui é um número chamado BSB, que inclui o código do banco e o da agência), tem um PBN (personal banking number), que é enorme e serve de username para o Internet banking e no acesso por telefone, e dois PINs, um para o cartão e outro para Internet. Também ganhamos uma quantidade incrível de papel: folhetos descrevendo tarifas, produtos, leis, regras, sugestões etc.
Outro detalhe importante: como a nossa conta rende juros, o banco precisa ser informado dos nossos Tax File Numbers (TFN, mais ou menos equivalente ao CPF do Brasil); senão, ele retém 48,5% dos juros como imposto na fonte. Quando abrimos a conta ainda não tínhamos os nossos TFNs, mas assim que chegou pelo correio (uns 5 dias depois de pedirmos via web), informamos por telefone.
Depois disso, tudo segue normal, como qualquer outra conta. O uso via web é bem bom, o pagamento de compras com o cartão funciona direitinho (a Cris teve problemas uma vez, mas acredito que a leitora estivesse ruim) e ainda não chegamos a usar os caixas-eletrônicos para fazer saques.
Medidas
Felizmente, aqui se usa o sistema métrico, o que é uma grande vantagem em relação aos EUA: não precisamos ficar pensando em libras, onças, milhas etc. Mas o interessante é que aqui se usa o sistema métrico para *tudo*, até algumas coisas para as quais não estamos acostumados.
Por exemplo, a nossa TV tem uma tela de 51cm, não de 20 polegadas. Peculiarmente, o monitor do computador é de 17 polegadas, e não 43cm.
Talvez mais intrigante, o conteúdo calórico dos alimentos não é em calorias, e sim em kiloJoules! Depois de alguns sustos, achamos um produto que tinha os valores nas duas unidades, e deduzimos que uma caloria (ou kilocaloria, na verdade) era igual a mais ou menos quatro kiloJoules. O Google depois confirmou que são, na verdade, 4,18kJ por caloria.
Falando em Google, nos últimos tive bastante contato com essa empresa… na quinta e sexta da semana passada, um vice-presidente de engenharia e alguns técnicos do Google apresentaram dois eventos aqui em Melbourne. O primeiro, na noite de quinta-feira, era um “recruitment drive”, ou seja, estavam apresentando a empresa, falando sobre o tipo de pessoa que eles contratam e o tipo de trabalho que se faz lá dentro, e tentando achar interessados. O evento não foi muito divulgado fora do meio universitário, acabei descobrindo por acidente e me metendo. Foi bem interessante, e atraiu *muita* gente. Aliás, houve distribuição de brindes antes (camiseta, caneta, chaveiro), e depois da apresentação ainda havia comida de graça
O processo de contratação no Google é bem peculiar. Quem se candidata envia, claro, um currículo. Esse é avaliado apenas por técnicos, e os selecionados como “interessantes” passam por uma pré-entrevista por telefone. Os que continuam parecendo interessantes, então, passam por uma rodada de sete entrevistas em Mountain View, com sete pesquisadores de áreas diferentes da empresa. Esses sete então se reúnem em um “comitê de contratação” e decidem quem deve ser contratado. Isso acontece com contratações para qualquer centro de pesquisa deles, mesmo o de Zurique ou o de Tóquio.
Aliás, circulavam rumores (parcialmente confirmados nessa noite) de que o Google estuda abrir o seu próximo centro aqui em Melbourne, em data a definir, e esse seria um dos motivos dos eventos acontecerem aqui.
E no dia seguinte havia um seminário técnico (mais ou menos técnico, na verdade) em uma universidade, com o mesmo pessoal falando sobre os sistemas e ramos de pesquisa da empresa. Foi apresentada muita coisa que já tinha sido falada no dia anterior, e boa parte do público era o mesmo (vi até algumas pessoas usando as camisetas do dia anterior), mas também houve um público muito grande. Esse seminário foi em um anfiteatro da University of Melbourne, no prédio do Direito (o do dia anterior foi em um hotel). E, depois da apresentação, pizza de graça no prédio da Informática, do outro lado da rua (só foi chato correr até lá na chuva).
Depois disso, outro “contato” interessante que tive com o Google foi adicionar os banners deles ao meu site (como quem está lendo esse texto no blog deve ter percebido). É uma tentativa de ver se o site se paga por si mesmo, mas acho que ele teria que ter muito mais tráfego para isso…
E depois disso ainda acabei ganhando uma conta no GMail, o webmail grátis deles. Não recebi muito e-mail lá ainda, mas a interface é bem agradável, e a forma de organização das mensagens é bem diferente do que se está acostumado (para começo de conversa, não existem folders, mas labels, que funcionam de forma um pouco diferente); a apresentação de threads é meio estranha, e é dificílimo apagar uma mensagem (não existe uma opção de “delete” muito visível). Se alguém quiser me mandar uma mensagem para lá, o endereço é wafonso@gmail.com (acho que colocar um e-mail assim no blog também vai me ajudar a testar o sistema antispam deles…)
Acho que por hoje vou parar por aqui. Na próxima vez, vou falar de coisas do dia-a-dia: as últimas compras, outras coisas sobre o apartamento, idas à feira e como se pronuncia “Adidas”. E um pouco de turismo.
A propósito, a tocha olímpica já passou pelo Rio? Ela passou aqui por Melbourne no segundo fim de semana em que estávamos aqui, mas não fomos assistir. Li comentários dizendo que se via mais as bandeirinhas de publicidade do que a tocha…
One Response to “Bancos, medidas e Google”


on 27 Jun 2004 at 03:33:11 1.Lipe said …
E aí, Wilsom!
Legal teu site, vai dar pra aompanhar esta tua mudança de país mais de perto e ver como o casal aí vai andando! Pelo jeito deve ter um monte de coisas bem diferentes (pela dscrição, passando de tipos de contas até informações em embalagens de alimentos!).
A tocha olímpica passou por aqui há alguns dias, no Rio. Fizeram uma festa enrme (meio exagerada, até!), mas foi legal.
Abraço!