Monthly ArchiveApril 2004



Austrália 20 Apr 2004 17:03

Saindo

Acabei de entregar meu crachá e, daqui a algumas horas, vou estar tecnicamente desempregado pela primeira vez desde a época de faculdade (muitos e muitos anos atrás). Hoje à noite vamos ter um churrasco de despedida e, depois disso, vou sair do prédio pela última vez como um funcionário. Meu próximo emprego (em um futuro não muito distante, espero) já vai ser em Melbourne.

Um aviso rápido: vou estar completamente offline até o início de maio, então não postarei nada até lá.

Austrália 16 Apr 2004 19:21

Caixas e mais caixas

Nesses últimos dias, efetivamente entrei no clima de mudança aqui em casa. Coisas em caixas, coisas sendo desmontadas, coisas indo para o lixo… Está uma bagunça, em resumo. Aliás, é nesses momentos se descobre a quantidade de coisas que cabem em um apartamento de dois quartos. Revi objetos que eu não encontrava, literalmente, há anos.

Mas é uma mudança meio diferente, porque muitas coisas vão “se mudar” para a casa de outras pessoas, e outras vão direto para o lixo. Muito poucas vão junto comigo. Afinal de contas, não dá para levar muitas coisas para uma casa nova que ainda não existe… então, estamos ficando com o mínimo indispensável, apenas. O resto foi (ou vai ser) vendido, doado, armazenado em algum lugar ou jogado fora.

A mudança, então, consiste em tirar coisas do lugar, limpar (se forem ser vendidas ou doadas) ou colocar em caixas (se forem ser armazenadas) ou jogar fora. E aos poucos o apartamento vai virando um lugar desolado. O meu aparelho de DVD já foi embora, assim como alguns utensílios, os rádios-relógios e outras coisas pequenas. As coisas grandes começam a ir nos próximos dias, e no próximo sábado o apartamento tem que estar vazio porque vai começar a ser pintado. Vai ser uma semana muito interessante.

É interessante, também, como o período imediatamente antes de uma mudança grande é cheio de “últimos”. Hoje é minha última sexta-feira no meu emprego atual. “Casablanca” foi o último filme que assisti no meu DVD (na segunda-feira à noite). Ontem foi, provavelmente, a última vez que almocei em um restaurante vegetariano que fica ao lado do escritório. Sábado passado foi a última vez que levei meus gatos ao veterinário. Segunda-feira foi a última vez que vi meu chefe, porque ele viajou e só vai voltar depois que eu já tiver saído da empresa. E assim por diante.

Pessoal 03 Apr 2004 23:59

Batendo asas…

Bom, como muitos dos meus amigos já sabem, estou indo embora! Vistos aprovados, passagens compradas, eu e a Cristina estamos indo morar em Melbourne, na Austrália. Vamos em busca de uma vida nova em um novo país; o que buscamos, basicamente, é uma qualidade de vida decente, algo que achamos que não é possível ser conseguido no Brasil de hoje em dia, por vários motivos.

Muita gente está acostumada a ler os meus relatos de viagem, e mais de uma pessoa me pediu para escrever algo contando sobre a experiência. Tenho certeza que vou ter muito para contar, pois muita coisa vai ser muito diferente do que estamos acostumados a ver. E vou usar esse blog para contar tudo, conforme for acontecendo (na medida do possível).

Mesmo antes de ir, vou começar o relato para ir descrevendo como foi o nosso caminho, até agora, em direção à Austrália. Não começamos há pouco tempo; na verdade, começamos há mais de um ano, em agosto de 2002. Foi um longo caminho.

O primeiro passo no processo para emigrar para a Austrália é conseguir um “skills assessment” (reconhecimento de habilidades) de uma associação profissional designada pelo governo australiano. Eles avaliam sua formação e experiência profissional para determinar se você é equivalente a um profissional australiano. O resultado precisa ser positivo, caso contrário você nem pode iniciar o processo.

No meu caso (Wilson), a associação é a ACS, Australian Computer Society. Para a Cris, é a VETASSESS. Eu sou o “principal applicant”, o candidato principal do processo, então apenas eu sou obrigado a ter um assessment; no entanto, um assessment para o outro candidato conta pontos, então decidimos pedir os dois.

Para esse pedido, foi necessário coletar vários documentos detalhando a nossa formação acadêmica e a nossa experiência profissional: histórico escolar, cartas de referência de todas as empresas onde trabalhamos, currículo da faculdade e assim por diante. Tudo traduzido para o inglês por tradutores juramentados. Enviamos os pedidos em 27/08/2002, que é assim a data “oficial” de início do nosso processo. Paga-se uma taxa por esse assessment, claro. A da ACS foi de A$350,00; não me recordo a da VETASSESS, mas tenho certeza de que foi um valor parecido. (A$1 = R$2, mais ou menos)

Enquanto esperávamos, fomos fazer outra parte importante do processo: testes de inglês. Nós dois precisávamos fazer um teste oficial, o IELTS, e precisávamos tirar uma certa nota mínima para receber pontuação pelo conhecimento de inglês (e evitar pagar por um curso ao chegar). O teste é em quatro partes: reading, onde se lê e interpreta textos; writing, onde se precisa escrever dois textos em um tempo relativamente curto; listening, em que se ouve textos em inglês (britânico) e se responde a perguntas sobre eles, muito rapidamente; e speaking, que é uma conversa com a professora. Um pouco puxado (longo), mas não muito complicado, especialmente para quem sabia o que esperar. Passamos com uma relativa tranqüilidade.

A resposta da ACS, positiva, chegou em 01/10/2002. A da VETASSESS, nem sinal. Depois de algum tempo, ligamos para a VETASSESS e a resposta foi de que o pedido da Cris precisou ir para uma análise mais detalhada do currículo (provavelmente porque a universidade onde ela estudou não é muito conhecida) e que havia boa chance de ele ser recusado, depois de vários meses de análise (como de fato foi, depois de uns 8 meses).

Assim, decidimos enviar o pedido do visto apenas com o meu assessment, já que tínhamos pontos suficientes. Preenchemos os (longos) formulários, coletamos todos os documentos, traduzimos tudo que precisávamos traduzir e, no dia 13/11/2002, enviamos tudo para Adelaide, na Austrália.

E aí começou a espera. Depois de algum tempo tivemos notícias deles (dia 08/01/2003 eles cobraram o valor do processo no meu cartão de crédito, A$1745,00, e no dia 23/01 recebemos uma carta com a confirmação de que o processo havia iniciado, com o nosso número de registro), mas nada muito significativo. Foram vários meses de espera…

Até que, dia 16/10, recebemos o pedido para fazer e enviar os exames médicos e os relatórios policiais. Mas isso fica para contar em um próximo dia.