Monthly ArchiveFebruary 2004



Acaso 28 Feb 2004 21:55

Arquivo X no GNT?

Acho que tem algum fã do Arquivo X trabalhando no GNT. Alguém mais reparou que, nas vinhetas de verão do GNT, aquelas que mostram alguma cena meio surreal de praia ou calor e depois mostram um termômetro marcando 41°, antes de aparecer a temperatura o relógio está marcando 11:21 ?

Bom, também pode ser que eu esteja vendo conspirações onde elas não existem…

Brasil 22 Feb 2004 20:50

“Arquibanquêidi is gudi, tu”

Por que é que o Brasil não atrái tantos turistas quanto deveria, considerando tudo que tem de bom por aqui? Acho que parte da resposta apareceu no Fantástico hoje. A frase do título foi dita por um “barraqueiro” em uma praia do Rio, tentando vender para um turista estrangeiro um ingresso para o desfile das escolas de samba (na arquibancada) pelo preço módico de US$300. O preço real do ingresso? R$120.

Inúmeros outros exemplos apareceram na reportagem, que acompanhou alguns turistas estrangeiros no Rio com câmeras escondidas. Teve o refrigerante de R$9, a rede de US$150, a camiseta de R$20 que saiu por US$10, o ingresso para ensaio de R$20 que saiu por R$100 e assim por diante. Só no quarto táxi apareceu um motorista disposto a cobrar o preço do taxímetro por uma corrida curta (saiu R$4,20; o preço dos outros taxistas começava em US$2).

Em tempo: hoje, aproximando um pouco, US$1 = R$3.

Aliás, isso não está restrito ao pessoal simples das ruas do Rio. Uma amiga minha, brasileira que mora no exterior, já teve problemas ao tentar comprar uma passagem da Varig com um cartão de crédito estrangeiro: o preço era mais alto assim. Os hotéis, também, tipicamente cobram mais de estrangeiros do que de brasileiros; um grupo do qual faço parte, ao organizar uma reunião internacional no Rio, teve que esconder do hotel o fato de que a maior parte dos hóspedes ia vir do exterior, para poder pagar preços decentes.

Para que isso, pergunto? Os estrangeiros têm mais dinheiro que os brasileiros? Certo, possivelmente têm; e daí? O produto ou serviço não tem o mesmo custo? Uma corrida de táxi gasta mais gasolina com estrangeiros a bordo?

Sem mais comentários sobre o assunto, na verdade. Só mais um exemplo do mal que o “jeitinho” brasileiro faz para todo mundo…

Brasil 10 Feb 2004 12:01

Negligência

Ontem (09/02) o Jornal Nacional mostrou uma reportagem sobre produtos de limpeza clandestinos: detergentes, desinfetantes, amaciantes etc. produzidos em fundo de quintal e vendidos dentro de garrafas de refrigerante, a preços muito mais baixos do que os dos produtos “oficiais”. Isso parece ser um fenômeno mais paulista; nunca vi isso aqui em Porto Alegre, mas não duvido que exista, em proporção menor.

Obviamente, os produtos são mais baratos porque não tem químico responsável, não tem controle de qualidade, não tem informações sobre composição, não tem estudos de toxicidade, e também não pagam IPI, ICMS nem todos os outros impostos que atingem produtos feitos por empresas sérias.

Justamente por esses motivos, os produtos também são muito perigosos: segundo o JN, eles já são a principal causa de intoxicação infantil em SP. Pensando um pouco, é bastante lógico: produtos coloridos e perfumados, dentro de embalagens de refrigerante (que a criança normalmente associa a algo gostoso), certamente vão acabar sendo ingeridos por crianças. E daí a criança vai para o hospital, e o médico não tem nenhuma informação sobre que produtos químicos a criança ingeriu, já que só deus sabe o que o fabricante colocou naquela garrafa.

Mas o ponto em que eu queria chegar é um pouco fora da questão técnica (química) da coisa. A reportagem mostrou exemplos de crianças intoxicadas; uma delas tinha ingerido água sanitária, o que a deixou hospitalizada por vários dias com queimaduras na boca, esôfago e estômago. E a mãe da criança apareceu na matéria, toda sorridente, dizendo que tinha “aprendido a lição” e nunca mais ia comprar produtos clandestinos.

Desculpe, mas quem “aprendeu a lição” foi a criança, que foi parar no hospital e provavelmente nunca mais vai tomar refrigerante tranqüila. Posso estar sendo muito duro, mas aquela mãe deveria estar na cadeia (ou ao menos sendo processada) por negligência: ela comprou um produto químico perigoso, em uma embalagem atraente, e deixou ao alcance de crianças. Ela não deveria estar ali sorrindo para as câmeras da Globo, ela deveria era estar sendo punida. Ela e todas as mães e pais que, para economizar alguns reais (e dar alguns reais para contraventores), intoxicam seus filhos.

Será que estou exagerando?