Brasil 22 Feb 2004 20:50
“Arquibanquêidi is gudi, tu”
Por que é que o Brasil não atrái tantos turistas quanto deveria, considerando tudo que tem de bom por aqui? Acho que parte da resposta apareceu no Fantástico hoje. A frase do título foi dita por um “barraqueiro” em uma praia do Rio, tentando vender para um turista estrangeiro um ingresso para o desfile das escolas de samba (na arquibancada) pelo preço módico de US$300. O preço real do ingresso? R$120.
Inúmeros outros exemplos apareceram na reportagem, que acompanhou alguns turistas estrangeiros no Rio com câmeras escondidas. Teve o refrigerante de R$9, a rede de US$150, a camiseta de R$20 que saiu por US$10, o ingresso para ensaio de R$20 que saiu por R$100 e assim por diante. Só no quarto táxi apareceu um motorista disposto a cobrar o preço do taxímetro por uma corrida curta (saiu R$4,20; o preço dos outros taxistas começava em US$2).
Em tempo: hoje, aproximando um pouco, US$1 = R$3.
Aliás, isso não está restrito ao pessoal simples das ruas do Rio. Uma amiga minha, brasileira que mora no exterior, já teve problemas ao tentar comprar uma passagem da Varig com um cartão de crédito estrangeiro: o preço era mais alto assim. Os hotéis, também, tipicamente cobram mais de estrangeiros do que de brasileiros; um grupo do qual faço parte, ao organizar uma reunião internacional no Rio, teve que esconder do hotel o fato de que a maior parte dos hóspedes ia vir do exterior, para poder pagar preços decentes.
Para que isso, pergunto? Os estrangeiros têm mais dinheiro que os brasileiros? Certo, possivelmente têm; e daí? O produto ou serviço não tem o mesmo custo? Uma corrida de táxi gasta mais gasolina com estrangeiros a bordo?
Sem mais comentários sobre o assunto, na verdade. Só mais um exemplo do mal que o “jeitinho” brasileiro faz para todo mundo…

