Monthly ArchiveJanuary 2004



Brasil 25 Jan 2004 21:10

Reformas e reality shows

Uma das notícias mais importantes dos jornais desse sábado (24/01) foi a reforma ministerial que o governo Lula promoveu. Vários ministros saíram, vários outros entraram, e, em um passe de mágica, foram criados uns 3.000 empregos no governo federal (bem, ao menos assim o desemprego diminui).

Curiosamente, essa reforma me lembrou de um reality show interessante, que é exibido no Brasil no canal People and Arts com o nome de “Minha Casa, Sua Casa”; o original britânico, da BBC, se chama “Changing Rooms”.

Para quem não conhece, nesse programa dois casais trocam as chaves de suas casas durante um final de semana, e cada um “reforma” (ou redecora) parte da casa do outro, com a ajuda de um decorador profissional. Geralmente o resultado final é bastante bom e fica do agrado de todo mundo.

O que me fez pensar nisso? Bom, o nosso país vive em reforma. Reforma tributária, previdenciária, do judiciário, ministerial, eleitoral, política, econômica etc. etc. etc. Nunca dá certo. A reforma é muito tímida, ou mexe na coisa errada, ou não vai tão a fundo quanto deveria… ou seja, não resolve o problema e logo se precisa de outra reforma.

Será que não está na hora de assumirmos a nossa incompetência para reformar o nosso próprio país, chamar o pessoal do “Changing Rooms” e “trocar as chaves” com algum outro país que esteja com problemas? O Lula e o José Alencar vão, por exemplo, para Israel, e o Ariel Sharon e mais alguém vêm para cá. Os dois ganham assessoria de, ao invés de decoradores, CEOs renomados internacionalmente. Quem sabe o Lulinha Paz e Amor dá um jeito nos terroristas, e o Sharon lida com o nosso problema de violência? Tenho certeza que pelo menos não iam aparecer mais 3.000 cargos na folha do governo.

Brasil 25 Jan 2004 19:00

Caindo do cavalo

Pode ser implicância minha, mas acho que a desclassificação do Brasil no Pré-Olímpico comeíou quando o Galvão Bueno caiu do cavalo e ficou impedido de narrar os jogos. Era um sinal (o locutor caiu do cavalo literalmente, e a seleção seguiu o exemplo metaforicamente), mas pouca gente percebeu.

O que empurra mesmo a seleção não é o técnico, é o “bom dia, amigos da Rede Globo” do Galvão…

Acaso 18 Jan 2004 21:45

A trilha sonora da vida

Alguém uma vez comentou que um dos motivos para a vida real ser tão chata comparada com o cinema é que na vida real não tem trilha sonora. Já imaginou como seria se cada vez que você visse o amor da sua vida tocasse um tema romântico ao fundo? E uma música triunfante quando você lesse o seu nome no listão do vestibular? Ia até ficar mais fácil identificar aqueles momentos importantes da vida dos quais você só se dá conta depois: se houvesse uma trilha sonora, você ia saber na hora o que estava acontecendo.

Pouca gente percebeu, mas essa é uma deficiência da vida real que está começando a deixar de existir, graças à tecnologia. Sim, é verdade: já é possível colocar uma trilha sonora na sua vida real! Infelizmente, por enquanto isso é possível apenas em alguns momentos: quando toca o seu celular.

Você já deve ter ouvido por aí, só não se deu conta do impacto psicológico. Nos celulares mais novos é possível até escolher uma musiquinha para cada pessoa diferente que nos liga, o que permite que você decida qual o tema musical que vai iniciar as suas conversas com cada pessoa. E, claro, você pode escolher de acordo com o estado de espírito que você imagina que a conversa deve lhe causar. A Nona Sinfonia quando a sua namorada liga, o tema de cavalaria quando é aquele seu amigo festeiro… e, claro, a Marcha Fúnebre quando ligam do escritório. É a tecnologia fazendo a sua vida parecer um filme!

As pessoas realmente levam isto a sério, o que quer dizer que dá para saber muito sobre uma pessoa pelos sons que o celular dela faz. Conheço um rapaz, por exemplo, cujo telefone toca o tema do filme “Missão Impossível”. Antes de atender, ele comenta, com tom entediado: “mais uma missão…”. Outro amigo meu tem o tema do Rocky; o dono do telefone é um rapaz baixinho, de óculos, mas certamente ele se enxerga como um lutador, ao menos quando seu celular chama. E conheço ainda um insuspeito Cavaleiro Jedi, que só se revela pelo tema de Guerra nas Estrelas no seu aparelho (será ele uma camuflagem para o sabre luminoso?).

A desvantagem disso, claro, é que você pode acabar involuntariamente envolvido na trilha sonora da vida dos outros, sem ter nada a ver com isto. Afinal, celulares tocando não são nada discretos; todo mundo nos arredores houve. O que, aliás, pode acabar limitando as escolhas das pessoas… você colocaria o tema do Indiana Jones no seu celular sabendo que ele pode tocar na frente do seu chefe?

Mas essa pequena desvantagem não é nada comparada com a capacidade, finalmente, de transformarmos parte das nossas vidas em eventos musicais. O progresso tecnológico, inevitavelmente, adicionará cada vez mais efeitos especiais ao nosso dia-a-dia, deixando o lado de fora das telas de cinema cada vez mais parecido com o de dentro. E, na próxima vez que você enxergar um rapazinho franzino com um celular, não se deixe enganar: com a ajuda daquele celular, ele pode ser um Cavaleiro Jedi.

Brasil 17 Jan 2004 21:11

O dedo do piloto

PilotoSobre o episódio do piloto americano e seu dedo indiscreto… sem querer tomar o partido de ninguém (para evitar polêmicas), só me sobrou uma dúvida.

Com tantas instituições de caridade pelo Brasil afora, com o programa Fome Zero naquele anda/não-anda, com o governo precisando de dinheiro… por que diabos aquele asilo de Guarulhos é que foi escolhido para ficar com o dinheiro da multa? Alguém sabe me dizer como foi feita a escolha?

Aliás, posso não estar prestando atenção suficiente nas notícias, mas essa é a primeira vez que me lembro de ver alguma multa sendo usada imediatamente dessa forma.

Pessoal 10 Jan 2004 15:15

Nada Claro

Eu admito: eu tenho um celular da Claro. É um aparelho antigo, TDMA, adquirido na época em que ela ainda era a Claro Digital aqui no RS. Agora, como todos provavelmente já sabem, o nome Claro englobou uma série de outras operadoras (mais notavelmente a BCP, em São Paulo) e elas começaram a operar com o sistema GSM.

Uma das vantagens do sistema GSM é que a “identidade”, ou a “linha”, não fica no aparelho, e sim em um pequeno chip chamado SIM, que é removível e pode ser transferido entre aparelhos. Isso quer dizer que ao se comprar um aparelho novo é possível manter o número antigo (e a agenda de endereços, e outras configurações) simplesmente levando o chip para ele. Também quer dizer que, para mudar de operadora (para uma competidora, ou mesmo para ir para outra área geográfica), é só mudar o chip.

Alguém pode me explicar, então, por que é que os celulares da Claro são bloqueados para funcionar apenas com chips da Claro? Ou seja, se eu levar o meu celular para a Europa e quiser usar um chip de lá, eu não posso. Se eu perder a paciência com a Claro e decidir ir para a TIM, tampouco é possível.

Sei que não é só a Claro que faz isso. Aqui no Brasil, a Oi também vende aparelhos bloqueados, e no resto do mundo isso é algo muito freqüente. O objetivo disso é que um celular cujo custo foi subsidiado pela operadora seja usado apenas na operadora que ajudou a pagar o aparelho, o que é até relativamente justo. Só que é justo quando realmente se paga pouco pelo celular. Por exemplo, na Amazon, um celular Sony T610 da T-Mobile sai por US$-70,01 (isso são 70 dólares negativos; você ganha o celular e mais 70 dólares); aí até faz sentido o celular estar bloqueado. Na Claro, esse mesmo aparelho custa R$1899. O Nokia 3265 da AT&T é grátis; o da Claro custa R$599.

Lógico que muita coisa interfere nesses preços, e que não é inteiramente justo comparar entre o Brasil e os EUA. Mas, aqui no Brasil mesmo, a TIM pratica preços consistemente um pouco menores que os da Claro, e vende celulares completamente desbloqueados. Por que é que a Claro tem que adotar uma postura tão antipática? Ligando para o 0800 da Claro, a atendente me informou que essa é uma opção da Claro, e que eles não fornecem celulares desbloqueados de maneira alguma. Mas, se você tiver um celular desbloqueado, eles vendem chips avulsos. Hmm, não, obrigado.

A propósito, uma rápida pesquisa na rede revelou uma infinidade de empresas e pessoas no Brasil e no exterior que desbloqueiam celulares por uma módica taxa (uns 10 a 15 reais no Brasil, uns 5 a 10 dólares no exterior). E, para celulares um pouco mais modernos do que o Nokia 3310 que eu queria (por exemplo, o 8910 ou o 3650), existe um programinha grátis que gera o código de desbloqueio do aparelho, fácil, fácil.

Minha recomendação, portanto, é que quem estiver querendo ir para a rede GSM (que realmente tem aparelhos muito melhores do que os arcaicos TDMA, e até que os novos CDMA da Vivo), vá para a TIM. Evite a Claro, até que eles mudem a sua postura e deixem de “prender” os clientes à sua rede. E se você já tem celular GSM da Claro, invista um tempinho e/ou alguns reais para desbloquear o seu aparelho.

Mundo 04 Jan 2004 12:00

Em Marte

E a nave da NASA, Spirit, conseguiu o que a Beagle 2 inglesa não conseguiu, e pousou em Marte essa noite. A NASA TV está transmitindo séries de entrevistas a respeito da missão, e informações completas sobre a missão estão no site do JPL.

Dia 24 chega lá o segundo veículo da NASA, Opportunity, que é idêntico ao que pousou hoje.

Técnico 03 Jan 2004 11:59

Ano novo, RSS etc.

Antes de mais nada, feliz ano novo para todos que lerem isso enquanto o ano ainda é novo :-)

Para um projeto no qual estou começando a trabalhar (mais detalhes sobre ele mais tarde), passei algum tempo ontem lendo sobre os vários sabores de RSS que existem por aí (são vários, sem contar com o Atom, com o qual vou lidar mais tarde). No entanto, é impressionante quantos sites diferentes “ensinam” a ler RSS usando o módulo XML::RSS do Perl. Então, isso é o que eu decidi usar, apesar de eu originalmente ter planejado usar Python ou Java para isso.

Primeiro passo: baixar o módulo XML::RSS na minha máquina. Parece fácil: você faz um

# perl -MCPAN -e “install XML::RSS”

e é só esperar terminar. Bom, só parecia fácil. A minha máquina roda Windows. Eu tenho o Cygwin, que facilita um pouco e que me permitiu usar exatamente o comando acima e ter quase tudo funcionando como esperado, mas o XML::RSS precisa de uma série de outros módulos, e o LWP::Simple não queria instalar (o tar reclamava de um timestamp inválido em um arquivo). Bom, baixando o módulo à mão e fazendo o conhecido “perl Makefile.PL / make / make test / make install” deveria ser o suficiente, mas daí eu precisei ir atrás dos pré-requisitos também manualmente.

Depois de gastar alguns minutos convencendo o módulo CPAN a instalar o módulo URI, tudo funcionou e consegui rodar meu primeiro parser de RSS:

use strict;
use XML::RSS;
use LWP::Simple;
my $feed;
my $arg = shift;
my $rss = new XML::RSS;
$feed = get($arg);
die “Failed retrieving $arg” unless $feed;
$rss->parse($feed);
foreach my $item (@{$rss->{‘items’}}) {
next unless defined($item->{‘title’}) && defined($item->{‘link’});
print “$item->{‘link’} => $item->{‘title’}\n”;
}

Ok, não é muito elegante ou seguro, mas é um começo. Aguardem detalhes sobre futuros progressos…