Amanhece um dia na costa oeste... ainda meio confuso com esta história de ficar trocando de fuso horário toda semana, acordei relativamente cedo, por volta das 9:30. O plano inicial do dia era sair para um brunch com uns amigos da Sandra: uma colega de trabalho que eu achava que se chamava Amy mas se chama Aimee (mesma pronúncia), o namorado dela que eu espero que se chame Sean, e um amigo destes dois, chamado Dave, que tambem estava só visitando a cidade.
O brunch é uma invenção americana maravilhosa que reconhece o fato de que, em domingos, todo mundo acorda tarde e ninguém tem paciência para ficar fazendo café da manhã, lavando tudo e logo em seguida tendo que comer de novo no almoço (o que é ainda mais problemático num país que come tanto no café da manhã). Entao, o brunch é uma refeição que combina o café da manhã (breakfast) com o almoço (lunch), com horário bastante flexível e com vários tipos de comidas e bebidas, para se adequar às duas refeições.
Neste brunch em particular, fomos nos encontrar no Townsend Café, na parte da cidade proxima à Bay Bridge e, surpresa, à Townsend Street. Os amigos da Sandra são muito simpáticos; a Aimee se parece muito com a propria Sandra (não fisicamente, mas no, digamos, jeito de ser); já o Sean parece saído de um seriado de TV, e às vezes se apresenta como sendo um "exotic dancer" (semanas depois de anotar isto fui perceber que ele se parece, mesmo, com um personagem de seriado: o Joey do "Friends"). E come-se bem no Townsend Café: tomei um chocolate quente excelente e comi ovos com salmão. Mas tivemos de esperar uns 40 minutos para conseguir uma mesa, isto por volta do meio-dia.
Depois da refeição não tão leve, fomos fazer um turismo "light" pela cidade; fomos para o lado oeste da cidade, ver a área das mansões próximas à Ocean Beach. Casas lindas, daquelas com preços de 8 dígitos... Dizem que a Sharon Stone tem uma mansão por ali, mas infelizmente não vimos ela. Depois fomos caminhar na areia da praia, aproveitando o sol da tarde como muitos outros nativos estavam fazendo.
A descrição acima pode dar a entender que estava quente neste dia; não é verdade. Estava um dia bonito e ensolarado, mas frio, abaixo de 15 graus, e ventando. Para os americanos, praia não é um lugar para se ir só quando faz calor: havia bastante gente aproveitando o sol, e até gente entrando na água. E a água, naquela região, é sempre fria, mesmo no meio do verão. Vi até crianças na água, aliás.
Pausa para dados geográficos. A cidade de San Francisco fica na ponta de uma península, exatamente na entrada da Baía de San Francisco. Então, a leste temos a Baía, a oeste o Oceano Pacífico, a norte o Golden Gate (sim, "o") e a sul a península; não sei se a península tem nome, sempre ouvi as pessoas se referindo simplesmente a "the Peninsula". Isso, de certa forma, explica o comentário da parte anterior sobre não caber um aeroporto em San Francisco: a cidade não tem exatamente muitos lugares para onde crescer, a não ser que a Baía seque algum dia (e já houve planos de aterrar a Baía toda, muitos anos atrás).

Porque "o" Golden Gate ? Porque este é o nome do canal de entrada da Baía de San Francisco; eu teorizo que ele tenha este nome porque a Califórnia é chamada de "Golden State" e ali era uma das principais portas de entrada no estado antigamente. A ponte que cruza o canal se chama, muito apropriadamente, "Golden Gate Bridge"; ou seja, o "Golden" obviamente não tem nada a ver com a cor da ponte, até porque ela é vermelha. Porque Golden State ? Não sei; talvez por causa da corrida do ouro, que comecou por ali em meados do século passado.
Ah, sobre Ocean Beach... é, como o nome já diz, a praia de mar de San Francisco. Fica no lado oeste da cidade (onde mais ?), próxima da ponta da península.
Depois da caminhada na praia, eu e a Sandra deixamos os outros na casa da Aimee e fomos passear mais um pouco, cruzando a Golden Gate Bridge para o norte e indo para Sausalito. Esta é uma cidade que fica de frente para a Baía, ao norte de San Francisco, com algumas casas sensacionais nas colinas e vistas lindas da própria Baía e da cidade de San Francisco do outro lado.

E fomos caminhar em outra praia, tambem no mar e não na Baía; fomos a Stinson Beach, que fica ainda ao norte da Golden Gate, mais ou menos na mesma "altura" de Sausalito. Estava tão frio lá quanto em San Francisco (talvez mais, porque estava acabando o dia), mas a praia também estava relativamente bem concorrida. Um freqüentador em particular chamava a atenção por estar fazendo esculturas na areia (ao invés de castelos); era obviamente algo que ele gostava de fazer, porque certamente ocupava bastante tempo, mas as esculturas ficavam muito bonitas.
O nosso plano era assistir ao pôr-do-sol na praia, mas infelizmente ele estava demorando um pouco mais do que esperávamos, e precisávamos voltar para San Francisco porque a Sandra tinha um vôo para Los Angeles à noite. Então, saímos de lá antes do fim do dia, enfrentamos o tráfego de volta para San Francisco na ponte e fomos para casa.
A parte turística do dia acabou aí; depois disto, acompanhei a Sandra até o aeroporto e ajudei ela a carregar as malas até o terminal. E, uma vez a minha amiga seguramente entregue às asas da companhia aérea, foi a minha vez de ir alugar um carro.

Como a Sandra estava em San Francisco durante o final de semana, e com carro, eu deixei para pegar um só depois que ela fosse para Los Angeles. O que, além de economizar alguns trocados, também me dava a chance de treinar um pouco sozinho antes de dirigir com alguém junto, reduzindo um pouco as chances de algum fiasco maior. Por outro lado... eu fiz a minha carteira de motorista em novembro do ano passado; de lá para cá eu não havia dirigido mais, o que também quer dizer que eu nunca havia dirigido um carro sozinho na minha vida; no máximo eu estive acompanhado de uma pessoa não-cooperativa (o fiscal do exame de direção).
Logo, ao pegar o carro eu estava bem nervoso. Mas o processo é simplíssimo: o único documento que eu precisei mostrar foi a carteira de motorista (e o cartão de crédito, claro), e fui informado de que, como motorista estrangeiro, eu legalmente precisava ter algum tipo de "liability insurance" (seguro contra danos a terceiros), que eles convenientemente ofereciam; o seguro contra colisões e danos pessoais o proprio cartão cobria. Também pude escolher se eu queria comprar um tanque de gasolina com antecedência (por $1.19 o galão) (um galão = 3,78 litros) ou pagar o consumo na volta (por $3.00 o galão). Parece uma decisão simples, mas não é. Se se comprar com antecedência, não se é reembolsado pelo que sobrar no tanque. Se não se comprar com antecedência mas se devolver o tanque cheio, não se paga nada. Como o preço da gasolina na rua estava ao redor de $1.40 o galão, optei por comprar (foi uma boa idéia; o preço na rua passou de $1.70 antes de eu voltar). Ainda assim, com todos os seguros possíveis, eu estava com uma sensação de incredulidade enquanto o processo ocorria: "meu deus, ele vai mesmo me dar a chave do carro... e agora eu vou ter que sair daqui com o carro com todo mundo olhando..." ("todo mundo" eram duas pessoas, que não estavam prestando atenção em mim).
O carro em questão era um Mercury Tracer, vermelho, quatro portas, com todos os acessórios normais a um carro médio americano: ar-condicionado, direção hidráulica, vidros e portas elétricos, air-bags, freios ABS e (voilá) câmbio automático. Apesar do nome chique, o carro é na verdade um Ford Escort com outro nome; a Mercury é uma das marcas da Ford. Mas o Escort americano se parece mais com o nosso Mondeo do que com o nosso Escort, ao menos por fora.
Dados geográficos: o aeroporto de San Francisco fica no meio da Peninsula, à margem da US-101; a 101 (pronuncia-se "one-oh-one") é uma das duas principais estradas da Peninsula (a outra é a 280, "two-eighty"). Passando pelo aeroporto, indo para o norte, ela vai cair no meio de San Francisco (e segue para o norte, claro); ao sul ela cruza toda a península e todo o resto do estado até Los Angeles. Nos EUA as referências a estradas quase sempre são acompanhadas da direção da estrada: "north 101" é a 101 indo para o norte; a "south 101" tipicamente está logo ao lado, indo na direção oposta. Mas é importante mencionar que a direção citada nem sempre é geograficamente válida: a maior parte da "south 280" vai para o leste, e alguns trechos da "east 80" são ao mesmo tempo a "west 580" (em um trecho indo para o norte). Como uma nota paralela, referências a ruas contendo uma direção não querem dizer a mesma coisa: "East Dana St." quer dizer o trecho da rua Dana a leste de algum ponto de referência, indo para qualquer lado.
A 101 é uma das estradas mais congestionadas da área; para minha sorte, não às 10 da noite de domingo. Cheguei em casa são e salvo, e sem nenhum susto na estrada, fora ter esquecido de ligar os faróis ao sair do estacionamento, e me pegar fazendo quase 85mph (140km/h) em uma reta sem querer. Em minha defesa, a 101 tem poucas retas, e é fácil deixar o carro ir mais rápido do que se quer... O limite na maior parte da 101 é 65mph (quase 110km/h), mas ele é mais uma referência do que um limite muito sólido... quando eu ia a 65 em tempo bom eu era ultrapassado sem muita cerimônia por quase todo mundo.
Cheguei de volta ao apartamento da Sandra sem problemas (quase; errei uma rua no caminho, mas achei ela de volta), deixei o carro em um estacionamento em frente ao prédio, e fui dormir... Amanhã é um novo dia!
E hoje se completa um terço das férias! Como o tempo passa... e eu passei um bom tempo dormindo no início deste dia, aliás. Acordei tarde, e fui dedicar o dia a me acostumar com o carro. Para tanto, depois de pegar o carro no estacionamento em frente (e pagar extorsivos 13 dólares) fui pegar a 101 sul para ir treinar em lugares menos movimentados e mais conhecidos: o sul da baía, onde morei por um bom tempo.
A única parte difícil foi achar a 101 em questão, mas cheguei lá (quase fui parar na Bay Bridge), e de lá eu sabia o caminho. Fui direto para Mountain View, a uns 45 minutos de distância (em uma velocidade confortável; evitei passar de 75 desta vez). Chegando lá fui para o apartamento da Nutec, para ver quanta correspondência eu recebi nestes muitos meses fora de lá. Até que não tinha tanta coisa, o que me leva a crer que muita coisa foi jogada fora; o que tinha, tambem, era principalmente propagandas, pedidos de doações para causas ecológicas e coisas similares...
E depois fui passear pela cidade... fui até o San Antonio Shopping Center, almocei em um Burger King, fiz compras na Sears, e peguei a El Camino Real para Palo Alto.
O sul da Baía é dividido em muitas cidadezinhas "coladas" uma nas outras, sem uma divisão muito clara entre elas; por exemplo, vindo do sul a partir de San Jose, temos Santa Clara, Sunnyvale, Mountain View, Palo Alto e Atherton em poucos quilômetros. Para ser honesto, eu até hoje não sei exatamente onde acaba Mountain View e começa Palo Alto... estas cidadezinhas citadas também são o coração do Silicon Valley. San Jose é a maior cidade da área (sim, maior do que San Francisco) e se auto-denomina "capital do Silicon Valley"; estas cidades são sede de muitas das empresas mais conhecidas do ramo de informática, e residência de muitos dos nomes mais conhecidos na área.
E a El Camino Real (ou Highway 82) é a avenida que interliga a maior parte delas, correndo paralela à 101 mas levando principalmente tráfego local. Esta avenida é o que sobrou de uma grande estrada que ia até a Cidade do México na época em que a Califórnia ainda era parte do México; admito que não sei a história do México, então não sei se o rei ao qual o nome da estrada se refere é espanhol ou mexicano.
E, como a El Camino é uma avenida urbana, o limite de velocidade ali é de 35mph (quase 60km/h). E, depois de um bom tempo dirigindo acima de 60, como isto parece devagar! Bom, em Palo Alto fui a outro shopping, o Stanford Mall, que fica junto à Universidade de Stanford. Fiz umas comprinhas, e notei que várias lojas mudaram... em particular, uma loja chamada Scientific Revolution, que vendia livros, brinquedos e quinquilharias científicas e tecnológicas, fechou; abriu uma loja do Discovery Channel mais ou menos no mesmo estilo, mas não era a mesma coisa. E no lugar de uma loja que vendia objetos folclóricos africanos abriu uma Tiffany's...
Fiz o caminho de volta a Mountain View e fui ao cinema: assisti "Analyze This", uma comédia divertidíssima com o Billy Crystal fazendo o papel de um psicólogo que é contratado por um mafioso (Robert de Niro). Não vi nem sinal deste filme no Brasil ainda, mas quando aparecer, recomendo. E ao sair do cinema estava chovendo!
Apesar daquela música que diz que "it never rains in California", lá chove, sim, especialmente nesta época do ano. Na área de San Francisco virtualmente não chove nada entre maio e novembro, mas o inverno é frio, escuro e molhado. Está bem, este era o primeiro dia da primavera, mas o inverno não estava muito a fim de ir embora tão cedo, e continuava se fazendo sentir. Nos dias seguintes peguei alguns recordes negativos de temperatura para a área, aliás. Mas estou me adiantando.
Com o dia terminando, fui jantar em um restaurante chamado Fresh Choice, que é um grande buffet de saladas, sopas e massas, e peguei a 101 norte de volta para casa... Já estava menos nervoso com o carro, e ao menos conseguia dar a impressão de saber o que estava fazendo :-) O trânsito de lá também ajuda muito: é só dar sinal para mudar de pista, por exemplo, que o pessoal abre caminho; buzinas são muito raras, e as pessoas parecem mais relaxadas nas estradas do que aqui. Uma coisa que eu acho que sumariza isto é a existência de "four-way stops" em esquinas menos movimentadas. Isto é basicamente um cruzamento em que nenhuma rua tem a preferencial: todo mundo pára ao chegar na esquina, e prossegue primeiro quem chegou primeiro. Em zonas residenciais quase todas as esquinas são assim, o que faz ficar meio chato de dirigir ali, mas o fato de que isto funciona para mim é uma prova de civilização. E em esquinas com semáforos (sinaleiras, faróis etc.), caso o semáforo apague o cruzamento imediatamente reverte a um "four-way stop", e (incrível) funciona sem guarda! No Brasil, na mesma situação, o cruzamento reverte em um caos generalizado, com ou sem guarda...
Detalhes do trânsito: placas de trânsito nos EUA não são ícones, mas textos (ao invés de dois carros lado a lado com uma faixa vermelha no meio, a placa diz "no passing"); isso exige, claro, que motoristas entendam inglês, e tem o efeito colateral de deixar a parte sobre sinalização em exames de direção meio ridícula; eu acho que deixa a situação mais clara e dá margem a mais detalhes. Outro: estradas movimentadas freqüentemente tem uma "carpool lane", uma pista que só pode ser ocupada por carros com mais de uma pessoa (ou mais de duas em algumas); esta é quase sempre a pista da esquerda, e o objetivo é encorajar pessoas a dividirem o trajeto com alguém para que se tenha menos carros nas estradas. E, em entradas de estradas (highways), existem dois modelos: "merge" e "yield". "Merge", juntar, é mais freqüente, e quer dizer mais ou menos "encaixe no meio do tráfego que vem vindo, eles vão abrir espaço". "Yield" quer dizer "dê a preferência", ou seja, "pare até dar para entrar, o tráfego que vem não vai dar espaço". O primeiro é usado quando o tráfego entrando na estrada tem condições de estar na velocidade certa para entrar na estrada, e geralmente a estrada dá espaço para que isto ocorra; funciona surpreendentemente bem.
Dia de ir de mudança para o sul. Como comentei antes, aquela loja de equipamento fotográfico ia me mandar a câmera pelo correio, e ela ia para o apartamento da Nutec em Mountain View; como ela deveria chegar durante esta semana, e para evitar muitas idas e vindas, me mudei para lá por alguns dias e aproveitei para concentrar o turismo por lá nestes dias.
Já foi muito mais fácil chegar na 101 sul desta vez, mas como saí mais cedo peguei ela bem mais movimentada, e até tive a oportunidade de ver o tráfego reagir a um caminhão de bombeiros na estrada. A regra é que, ao se ver um veículo de emergência vindo de trás, todo mundo encosta à direita e pára até o veiculo passar; é proibido, inclusive, seguir ele a menos de 100m de distância. E funciona! Quatro pistas de carros (eu inclusive) se encolheram para a direita para deixar um caminhão de bombeiros passar pela esquerda rumo a alguma emergência.
O plano turístico do dia se concentrava na cidade de San Jose. Ela é uma cidade de forte colonização portuguesa (açoriana, inclusive), e alguns detalhes da arquitetura em áreas mais residenciais ainda deixam ver isto. Ainda existe uma colônia portuguesa grande na área, e há inclusive uma estação de rádio em português. Mas admito que o programa do dia era muito menos "histórico". Mais especificamente... a primeira parada foi na Fry's de San Jose.
A Fry's Electronics é uma instituição típica do Silicon Valley. A maneira mais fácil de definir é como sendo um supermercado de tecnologia: imagine uma área do tamanho de um Carrefour vendendo todo e qualquer material eletrônico imaginável (de disquetes a TVs wide-screen), seguindo o modelo de um supermercado (prateleiras, corredores e carrinhos) e se está perto. Lá também se pode comprar produtos apenas marginalmente ligados à tecnologia: salgadinhos, chocolates, refrigerantes, balas, picolés, produtos de higiene pessoal, material de escritório, livros, CDs (de música), camisetas etc. E, para não tornar uma visita à loja um evento monótono, cada uma das filiais tem uma decoração temática própria. A de Palo Alto tem o tema "velho oeste"; a de Sunnyvale imita uma placa de circuito impresso (completa com resistores e chips gigantes saindo do chão e da parede). A de San Jose é uma pirâmide maia.
Admito que nao é um ponto turístico tradicional, mas para quem trabalha com tecnologia a Fry's é uma parada obrigatória. Existem vários aspectos negativos de se comprar na Fry's: os funcionários não entendem quase nada dos produtos que eles vendem, o atendimento não é exatamente cortês, as lojas estão sempre cheias e com filas longas nos (muitos) caixas. Os pontos positivos batem os negativos: é conveniente, tem tudo, e funciona mais ou menos no estilo self-service exceto para equipamentos grandes ou muito caros; é perfeito para quem sabe o que quer comprar e porque, sem precisar de muita ajuda. E os preços são ótimos.
É proibido bater fotos dentro da loja, então vou ficar devendo isto, mas a Fry's de San Jose, que eu ainda não conhecia, segue o mesmo estilo das outras, apenas maior. Coisas que me chamaram a atenção: consegui pela primeira vez colocar as mãos em um Palm IIIx e um Palm V; gostei muito do primeiro, o visor é muito mais nítido que no Palm III antigo, mas achei o Palm V feio; ele é bom porque é pequeno, mas não é para mim... Achei interessante o volume de acessórios para Palms: conectores extras, capinhas coloridas, software, cabos, modems, kits de limpeza e proteção do visor etc. Também vi um iMac, e pelo que pude ver eles estão vendendo bem: vi mais de uma pessoa com uma caixa da Apple no carrinho. A decoração da pirâmide me parece que sofre de alguns problemas históricos... vi sarcófagos com múmias, mas se não me engano não há múmias nas pirâmides maias.
Dali me dirigi para o centro de San Jose, onde eu procurava o novo museu de tecnologia da cidade, "The Tech" (abreviação de "The Tecnological Museum of Innovation", se não me engano). Na verdade ele já existe a bastante tempo, mas recentemente ele se mudou de um espacinho emprestado para um prédio próprio enorme, e eu queria ver o que havia de novo. Foi difícil estacionar no centro de San Jose, principalmente porque muito dele está em obras; acabei deixando o carro em um estacionamento pago, depois de dar várias voltas pela área.
Achar o museu na prática foi muito fácil: ele é um grande cubo com um domo no alto e nas cores do Zaz (azul e laranja); bastante chamativo. Como ele é mais um museu educacional do que histórico, não tinha tanta coisa antiga como eu esperava, mas consegui ver vários computadores dos "primeiros dias", e até um Altair. Tinha muita coisa "interativa" destinada mais a crianças, mas tinha bastante coisa interessante. Um campo que está crescendo bastante na área, e que já está se refletindo no museu, é a indústria genética: havia várias exibições a respeito, inclusive experimentos mostrando como separar o DNA de células com material normal que se tem em casa.
Uma parte muito interessante, e a razão para o domo no alto do predio, é o cinema Imax que eles tem. Imax é um tipo de filme que usa uma película de 70mm projetada horizontalmente (ou seja, cada frame do filme tem 70mm de altura, não de largura) para se conseguir uma resolução muito boa em telas muito grandes. Neste cinema em particular a tela fica suspensa na parte interna do domo, no estilo de um planetário, com todo o equipamento de som por trás da tela; é mais ou menos como estar dentro do filme, mesmo. Como a tela é, bem, uma tela mesmo, de alumínio perfurado, é possivel enxergar através dela quando se acendem luzes por trás, e isto é usado antes do início do filme para mostrar como funciona a distribuição do som, com as luzes se acendendo para mostrar a posição das caixas e as explicações sendo projetadas na tela ao mesmo tempo; muito bem feito.
O filme que estava sendo exibido foi filmado durante uma escalada do Everest; para quem leu "Into Thin Air" ("No Ar Rarefeito"), do Jon Krakauer, este é o filme que foi feito pela expedição Imax que ele cita várias vezes. O filme tem alguns trechos bem dramáticos mostrando o resgate das vítimas da tempestade que aconteceu. Apesar de todos os incidentes a expedição conseguiu chegar ao topo da montanha duas semanas depois da tempestade, mesmo carregando todo o equipamento duas vezes lá para cima (uma vez até o último ponto de parada antes de voltar). Eu li o livro do Krakauer a pouco tempo, então foi muito interessante ver como são os lugares que ele descreve e que eu só tinha imaginado como poderiam ser. Geralmente eram muito piores do que eu pensava.
Uma reação interessante do cérebro quando se assiste um filme numa tela tão grande é tentar suprir as sensações que faltam. Por exemplo, em cenas com a câmera em movimento (e os produtores fazem várias destas) o cérebro "cria" a sensação de movimento que não existe, e até os friozinhos na barriga nas descidas bruscas.
Esqueci completamente de comentar antes... em NY, numa loja da Warner, eu assisti um desenho animado muito divertido em 3D (usando óculos especiais) com o Patolino e o Marvin (o marciano preto dos desenhos do Pernalonga). Os efeitos 3D eram bem legais, mas nada muito espetacular, exceto em um momento em que todo mundo desviou a cabeça para sair da frente de um martelo que voou em uma explosão; o detalhe "engraçadinho" ficou por conta do exército instantâneo do marciano: ele jogava umas sementinhas, jogava água e nasciam os soldados. Quando ele jogava água na direcao dos espectadores, caía água do teto do cinema...
E era hora de voltar para casa... novamente levei um tempão para achar a estrada, mesmo com mapa (o meu mapa mostrava onde estava a estrada, mas não por onde se podia entrar nela). Acabei seguindo a tática (meio absurda) de seguir os aviões que passavam sobre a cidade tendo recém decolado do aeroporto de San Jose; eu sabia que a 101 passava ao lado do aeroporto e por ali tinha como se entrar nela (não, eu nao segui diretamente os aviões, eu fui na direção de onde eles vinham). Funcionou.
Assim acabou o dia... passei em uma loja para mandar revelar os filmes já batidos, jantei um belo "fettucini carbonara", passei no supermercado e fui para casa...
Na próxima parte: mais chuva na Califórnia, os bonecos da Intel, gaivotas, tubarões e esquilos.
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