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Dia 1, 13/03/1999 - Porto Alegre e São Paulo

E começam as férias! Um mês sem telefone celular! E, principalmente, um mês sem pessoas me ligando às 9:30 de um domingo avisando que uma máquina que está a 1200km de mim está fora do ar. But I digress...

O primeiro dia de uma viagem longa de férias geralmente é cansativo (porque envolve arrumar malas, ir para o aeroporto, e um longo vôo para algum lugar), mas não se sente tanto isto por causa da excitação da viagem em si. É diferente na volta, claro, porque a situação é tão cansativa quanto, mas o que nos espera do outro lado já é mais conhecido :-) Em todo caso, o primeiro dia da viagem transcorreu bem, mesmo apenas uma parte pequena dele sendo, realmente, a viagem, já que o meu vôo saía no final da tarde.

A minha leitura de bordo este ano eram dois livros do Veríssimo, o "Traçando Nova York" (repetindo o sucesso do "Traçando Paris" no ano passado) e o novo "Clube dos Anjos". Infelizmente o primeiro vôo atrasou quase uma hora, e o segundo livro acabou sendo lido todo na sala de embarque, antes mesmo de eu conseguir colocar os pés em um avião. Detalhe interessante sobre o aeroporto: na semana da viagem, havia chegado às bancas a famosa revista Playboy com a Tiazinha, e a revista estava exposta muito visivelmente na banca de revistas do aeroporto. Eu fiquei sentado por uns 15 minutos em frente à banca, lendo, e todas as pessoas que eu vi pararem explicitamente para olhar a tal revista eram mulheres. Talvez os homens todos já tivessem a revista em casa, sei lá... (incidentalmente, eu não tenho)

A primeira parte do vôo era até SP, 1 hora e meia de vôo. "Aquecimento" para as outras nove horas. Com o atraso do vôo da Varig, cheguei com pouco tempo em SP, fiz o check-in rapidinho e fui para a entrada do terminal de embarque. Na passagem pela Polícia Federal (onde olham os passaportes) lembrei que estava viajando com uma câmera mais ou menos cara e um Palm Pilot idem, e pedi para registrar o equipamento. Daí descobri que não é ali, e sim numa salinha da Receita escondida no andar de baixo. Corri lá, preenchi os formulários e, depois de uns minutos de espera, consegui o carimbo no formulário sem que ninguém tivesse olhado para o equipamento. Isso dá idéias interessantes de como importar "legalmente" coisas caras com a ajuda de um amigo e da Fedex, mas depois me disseram que às vezes eles conferem o numero de série dos aparelhos...

Daí, corri de volta para o terminal (faltavam 10 minutos para o horário do vôo) e dei de cara com uma fila de umas 40 pessoas na entrada... imediatamente à minha frente estava um americano, tentando discutir com a funcionária, dizendo (em inglês) que o vôo dele era em 10 minutos (sim, era o mesmo vôo que o meu) e ele não podia ficar na fila. A funcionária nitidamente não estava entendendo nada que ele dizia, e só mandava ele ficar na fila. Felizmente a fila andou rápido, e nós dois conseguimos ser as duas últimas pessoas a entrar no avião antes de fecharem a porta. Só que ele foi para a primeira classe, e eu para a econômica...

Era um vôo da Continental, cheio! (crise ? que crise ?) Em vôos para o exterior eu sempre passo pela situação de não saber em que língua falar com as aeromoças, e geralmente opto por responder na língua que elas usarem, se eu entender; isso acaba resultando em aeromoças brasileiras falando comigo em inglês por toda a viagem, mas tudo bem. Detalhe interessante: o filme de segurança antes da decolagem era falado em "lusitanês", o que causou algumas risadas, mais pelo sotaque do que por termos estranhos usados (exceto o caso dos "telemóveis", que não podem ser usados no vôo).

Filme de bordo: "Antz". Achei melhor do que o "A Bug's Life", mesmo visto em uma tela LCD minúscula. Tinha outro filme, que eu também assisti, mas não lembro qual era.

Dia 2, 14/03/1999 - Newark e New York

Chegamos! De madrugada! Era noite ainda em Newark quando pousamos, e o posto de imigração do aeroporto ainda não estava aberto... mas foi uma espera curta, e passamos rapidinho por ali sem problemas. As malas também vieram rápido, e depois fui tomar café no aeroporto para esperar amanhecer.

Uma vez saído o sol, tomei um shuttle para me levar para o hotel, em Manhattan. Newark fica em New Jersey, que na prática é "ali do outro lado do rio" em relação a Nova York, e o aeroporto de lá é um dos três grandes da área (os outros são JFK e La Guardia, em NY). O trajeto do aeroporto ao hotel levou uns 30 minutos, mais ou menos. Detalhe interessante do trajeto: o primeiro outdoor que eu vi era uma propaganda do desenho animado do Dilbert (todas as segundas, às 20 horas, na UPN).

Estava um dia lindo de sol, mas frio (-1 quando saí do aeroporto). Eu só podia fazer o check-in no hotel depois das 15 horas, então só larguei as malas lá dentro e fui passear pela cidade até lá. O hotel ficava na 27th Street, quase na esquina com a 5a. Avenida. E, verdade seja dita, a 5a. Avenida às 8 da manhã de domingo é um deserto. Mas um deserto frio; portanto, a primeira parada foi na Starbucks de Times Square, para um café bem grande.

Quem viu "You've Got Mail" ou já passou algum tempo nos EUA sabe o que é a Starbucks; para quem não sabe, ela é uma rede de cafeterias que, nos últimos anos, se tornou muito comum, especialmente em cidades grandes. O café deles é no estilo americano (não muito forte), mas muito bom (e caro); eu, pessoalmente, me viciei no "mocha", um café com chocolate, tanto na versão quente como "iced". Uma amiga minha prefere o "caramel machiatto", um expresso com caramelo. Os nomes dos cafés tendem a ser em italiano, assim como os tamanhos: "venti" (o maior, 20 onças), "grande" (o médio) (mas tem que falar com sotaque inglês), e "tall" (o menorzinho) (certo, este não é italiano). 20 onças são 560ml. Um "grande mocha" em NY custa $4.11, e na Califórnia $2.85.


Saindo dali, fui para um dos poucos lugares com um pouco mais de gente àquela hora, o Rockfeller Center. Este é um conjunto de vários prédios na 5a. Avenida, construídos entre as décadas de 20 e 50, que hoje são a "casa" da rede de TV NBC e várias outras empresas famosas (a Varig uma vez tinha uma loja ali, mas parece que se mudou; o consulado brasileiro também fica por ali). Ali também fica a árvore de Natal mais famosa do país e, mais importante no momento, o rinque de patinação no gelo mais visto em filmes. Apesar do frio e da hora, tinha gente patinando por lá. Aliás, a esta hora já não tinha mais sol e parecia estar ficando mais frio.

Ali do lado fica o local de onde é transmitido o noticiário "Today", da NBC, em um prédio de esquina, com grandes janelas onde tradicionalmente fica um monte de gente assistindo o programa e tentando aparecer na TV ("tradicionalmente" quer dizer "a mais de 40 anos, todos os dias"). Como era horário do programa, tinha um monte de gente lá, e eu cheguei mais perto para ver o que era; acabei conseguindo aparecer na TV no meu primeiro dia em NY :-) Este programa passa aqui na Superstation, na NET.

Um pouco adiante, andando pela 5a. Avenida, fui parado por uma pessoa porque estavam filmando um comercial na rua e precisavam da avenida vazia por algum tempo; tinha policiais parando o trânsito em todas as transversais, também. Depois de algum tempo o diretor se deu por satisfeito, gritou "action", um cara desconhecido atravessou a rua seguido por uma câmera em um guindaste, e foi só. Literalmente um anti-clímax...

Depois disto, para aproveitar o tempo livre sem gastar muita energia (porque estava frio e eu estava cansado), entrei em uma "tour" da cidade, com um daqueles ônibus de dois andares com o segundo andar aberto. O problema é que, com o frio e o movimento do ônibus, era impossível ficar no andar de cima... Em todo caso, o trajeto foi bom e as explicações do guia (argentino) foram interessantes. Saímos do Central Park, cruzamos a cidade indo para downtown, descobri porque Times Square tem este nome (o prédio que deu nome ao lugar era do jornal "Times"; hoje o predio está desocupado), paramos no Battery Park (de onde saem os barcos para a Estátua da Liberdade), voltamos pelo Lower East Side, que é o bairro dos imigrantes pobres, passamos por Little Italy, depois pela frente do prédio da ONU e voltamos para midtown.

Pausa para informações geográficas. Nova York é peculiar porque "downtown" não é o centro da cidade, como normalmente. A ilha de Manhattan se divide em três partes: downtown, a ponta sul; midtown, o meio da ilha; e uptown, a parte norte; não sei se existem limites fixos entre uma área e outra. Assim, downtown é a parte sul da ilha, que hospeda o "centro financeiro" da cidade, incluindo Wall Street. Mais sobre ela em outro relatório...


A tour acabou perto da Grand Central Station, a estação de trens que fica no meio da cidade, na 42nd. Dali voltei para a 5a Avenida, passei um tempo dentro de uma livraria para me aquecer um pouco, e fui dar mais uma caminhada antes de voltar para o hotel. Passei pela loja da NBA, onde vi um produto que eu achei realmente interessante: a "NBA Barbie"; tinha bonecas com os uniformes de todos os times da NBA. Curiosamente, não vi Barbies com uniformes da WNBA, a NBA feminina... acho que a Barbie está mais para cheer-leader que jogadora.

A esta altura, meio da tarde, estava ficando sensivelmente mais frio e começava a chover fraquinho. Voltei para o hotel, fiz o check-in, entrei no quarto e dormi; fui acordar lá pelas 8 da noite.

Ah, sobre o hotel... se chamava Gershwin Hotel. Gershwin foi um famoso compositor nova-iorquino, e além de homenagear este artista no nome, o hotel ainda fazia o possível para homenagear outros artistas da cidade em vários aspectos. Cada andar do hotel tinha uma decoração propria; o meu usava a obra de um discípulo de Andy Warhol, o que incluía a capa de várias revistas que ele ilustrou e ainda alguns quadros "modernos". No térreo havia uma lata de sopa Campbell com o autógrafo do próprio Warhol e vários quadros do próprio. E no meu quarto havia um quadro enorme com o rosto de Picasso me olhando o tempo todo. Não por acaso, o público do hotel era bastante, digamos, eclético.

A única coisa que fiz antes de ir dormir "para valer" foi assistir um pouco de TV, onde vi a notícia de que estava nevando em toda a área de NY, mas devia parar até a manhã seguinte. Também vi a notícia do brasileiro que foi assassinado no Waldorf Astoria, o tal de João Saboia; parece que é a terceira pessoa assassinada no hotel desde a abertura dele.

Na próxima parte, Nova York com neve, a escalada do Empire State e as vantagens de se entender espanhol.

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