Primeiro dia completo em Israel, o que quer dizer que foi um dia de aprendizado :-) Para começar, acordei um pouco mais tarde do que eu queria, parcialmente por causa da hora de chegada ao hotel na noite anterior; logo que acordei, liguei para a empresa onde eu ia para avisar que ia chegar um pouco mais tarde.
E logo depois abri as cortinas do quarto, e descobri uma linda vista para o Mar Mediterrâneo, e uma sacada! O hotel ficava a poucos metros da praia, o que era algo que eu não tinha notado na noite anterior, mesmo tendo olhado pela janela. Também estava um lindo dia, ensolarado e (aparentemente) quente.
Após a tradicional batalha com o chuveiro do primeiro dia em hotel (desta vez levei alguns minutos até descobrir um controle meio escondido que fazia o que eu queria), fui para o restaurante para o café da manhã, incluído na diária. Havia um buffet bem provido de iguarias locais e ocidentais: omelete *sem* bacon, um creme com cogumelos que aparentemente substituia o bacon, "pancakes", sucos, pães, saladas, cremes, doces, queijos, frutas (cáquis e tâmaras me chamaram a atenção), cereais etc. O meu café foi um suco amargo, um café forte, a tal omelete com cogumelos e pão com manteiga. Ao sair, estava entrando o Mickey, saudado alegremente pelas crianças presentes...
A empresa ficava mais ou menos longe do hotel, então a seguir fui pegar um táxi. Para minha sorte, o motorista não só falava inglês como também sabia onde ficava o lugar. O trajeto durou pouco mais de meia hora, o que me deu oportunidade de observar um pouco mais os arredores e as estradas. Estradas cheias, aliás, com trânsito lento em muitos lugares. Os carros nas ruas eram normais, com uma predominância de marcas européias, e muitos Fiat. Muitos Fiat Uno, aliás, e também muitos exemplares de um carro parecido com o Palio chamado Punto. A maior parte dos táxis eram Mercedes; um guia que eu tinha lido dizia que os táxis lá podiam ser de qualquer modelo ou cor, mas todos os que eu vi eram brancos. E sim, estava uma temperatura agradável na rua; nem quente nem frio.
Um hábito local que eu achei estranho é o de estacionar os carros parcialmente sobre a calçada; quero dizer, com as rodas direitas na calçada, as esquerdas na rua, colocando mais ou menos metade do carro sobre a calçada. Nas primeiras vezes que vi imaginei que devia ser proibido, mas depois vi placas de trânsito instruindo a fazer exatamente isto; acredito que o motivo principal seja a pouca largura das ruas.
Tel Aviv é uma cidade relativamente recente, tem cerca de 90 anos. Foi fundada por grupos de judeus que saíram do que hoje é a cidade vizinha, Yafo (pronuncia-se "Jafa"), que é predominantemente muçulmana. Esta última, sim, é uma cidade com alguns milhares de anos de idade. Hoje Tel Aviv é a segunda maior cidade do país, com cerca de 400 mil habitantes, mas a região metropolitana, que inclui Yafo e várias outras cidades, tem cerca de 2 milhões de habitantes (quase metade da população do país). Tel Aviv também é um lugar caro para se morar, de acordo com os locais; isso, associado ao pouco tamanho do país e às boas estradas, faz com que muita gente more fora e apenas trabalhe em Tel Aviv, o que compreensivelmente gera um fluxo muito grande de gente indo para lá no início da manhã, e saindo à tarde. O transporte público não é muito bom, então virtualmente todo mundo que faz isto vai de carro.
A empresa para onde eu ia fica em uma destas cidadezinhas agregadas a Tel Aviv, Rehovot (mas alguns dos funcionários dizem que fica em outra cidade, chamada Nes Tziona ou Nes Ziyyona; acho que fica mais ou menos na divisa). Por sorte, eu pegava o contra-fluxo do tráfego, saindo de Tel Aviv pela manhã e voltando à noite.
Sobre o nome da cidade, Ziyyona ou Tziona... eles escrevem, obviamente, em hebraico. Não existe uma relação um-para-um entre letras hebraicas e letras latinas, então a conversão é feita meio pelo som, o que gera resultados inconsistentes entre pessoas diferentes. Isso é similar à confusão entre "Gorbachev" e "Gorbachov" de alguns anos atrás, que tem um motivo parecido.
Mas seguindo... a empresa fica no meio de um parque tecnológico, que reúne várias empresas de tecnologia de ponta. No mesmo prédio dela havia uma empresa de pesquisa genética e uma farmacêutica (não identifiquei as outras). E eles têm um escritório grande, ocupando todo um andar do prédio; me disseram que se expandiram a pouco tempo e ainda estavam em processo de ocupação da área nova.
A maior parte dos funcionários é local, mas uns 30% da empresa é formada por russos, e havia duas americanas. Aprendi que existem muitos russos em Israel, devido a um grande movimento de imigração ocorrido depois da quebra da URSS. O governo ajuda imigrantes que queriam se fixar no país, e ajuda mais se o imigrante for judeu ou se converter ao judaísmo. O processo de conversão, aliás, é bastante complicado, longo e é controlado por um órgao governalmental; parece que não é só uma questão de se declarar judeu, não. Vi estatísticas no jornal do número de convertidos nos últimos anos, e achei bastante baixos (menos de 1000 por ano, descontadas conversões de crianças adotadas e por casamento).
Descoberta agradável na empresa: todos usavam Windows em inglês! Mas os teclados tinham letras hebraicas junto com as latinas, na mesma tecla. Não sei como se muda para hebraico, mas comigo elas sempre deram letras normais :-)
Puxa, já foram quase 100 linhas e não cheguei nem na hora do almoço. Vou parar por aqui e seguir outro dia, para dar chance do pessoal trabalhar além de ler isto. Mas não se preocupem, os primeiros dias é que são mais ricos em novidades. Depois acalma um pouco.
No próximo episódio: quase tudo que foi prometido no final do último :-)