Último dia em Israel! Dia de fazer check-out no hotel, e ir de mala para a empresa. O procedimento de check-out foi bastante simples e rápido, apesar de outros problemas que eu já havia tido com o hotel (acho que não mencionei antes: por três vezes a minha chave magnética deixou de funcionar e precisei pedir uma nova; na última vez me disseram que tinha parado porque eles não sabiam quando era o meu check-out, e estavam bloqueando a cada três dias...)
No trabalho, nada muito interessante... dia de fechamento, algumas reuniões, avaliação do projeto e ritual de entrega do resultado. Tudo absolutamente tranqüilo. O meu vôo saindo de lá era o mesmo dos espanhóis, e fomos aconselhados a chegar ao aeroporto com pelo menos três horas de antecedência, por causa dos procedimentos de segurança. Ressabiado pelo que aconteceu na ida, concordei plenamente. E recebi uma cartinha deles para apresentar na saída, caso fosse solicitado a justificar o que é que eu estava fazendo no país (a carta era em hebraico, nem imagino o que estava escrito nela).
O trajeto de táxi para o aeroporto já foi meio complicado... havia um acidente na estrada, e ficamos uns 10 minutos parados esperando liberarem a pista. Depois, nada mais de muito interessante, exceto o pelotão de guardas visivelmente armados na entrada do aeroporto.
O saguão é bem confuso (não reparei nisso na chegada), e demoramos um pouco para achar o balcão da companhia aérea (Iberia). Ao achar, nos disseram que só podíamos fazer o check-in depois de passar pela segurança, e nos indicaram outra fila. Lá, uma guarda nos separou (os espanhóis em uma fila, eu em outra) e ficamos esperando para passar as malas pelo raio X.
Todas as peças de bagagem passaram separadamente pela máquina de raio X, e depois foram abertas e examinadas manualmente. Os meus sapatos então foram separados e passados sozinhos pelo raio X de novo. Depois disso, cada sacola recebeu etiquetas (as minhas eram azuis, as dos espanhóis eram amarelas) com algo escrito em hebraico, e fomos liberados para o check-in.
Passado isto, o resto foi tranqüilo. O check-in foi rápido, e na imigração só carimbaram meu passaporte sem perguntar nada. Quase decepcionante, e nos deixou com bastante tempo para matar antes do vôo. Não que haja muita coisa para fazer no aeroporto de Tel Aviv... comprei uma revista, sentei e fiquei lendo e ouvindo outras pessoas conversando (sim, isso é algo que eu gosto de fazer, especialmente em ambientes diversos como um aeroporto internacional). Por exemplo, a moça que sentou na minha frente era russa, e estava voando para a Jordânia para visitar parentes; ela estava ali com uma amiga, e conversava em inglês com ela; fiquei sabendo que ela era russa pela capa do passaporte, e ela ligou para a Jordânia com um celular para avisar que estava chegando. Fiquei um pouco surpreso de haver vôos diretos para a Jordânia, os países não são muito amigos...
O vôo estava quase vazio, mas acabou atrasando um pouco a saída; havia neblina no aeeroporto, mas não sei se esse foi o motivo do atraso. O vôo não era direto a Madrid, mas iria fazer uma escala em Barcelona, onde os espanhóis iam descer.
Chegamos em Barcelona com um pouco de atraso e, depois de tudo preparado para decolarmos de novo, fomos avisados que havia muita neblina em Madrid, o aeroporto estava fechado, e devíamos desembarcar para esperar mais confortavelmente no aeroporto... e lá fomos todos de ônibus para o portão. Como era um vôo internacional e não podíamos passar pela imigração ali, não podíamos sair ali de dentro, e todas as lojas e bares já estavam fechados. Não muito mais confortável do que dentro do avião, portanto. Fomos avisados de que ficaríamos uma hora ali, e aproveitei para ligar para o Brasil de um orelhão avisando que possivelmente ia atrasar algumas horas a minha chegada.
Andando pelo saguão notei, para a minha surpresa, que o vôo saindo no portão ao lado era o mesmo que eu ia pegar em Madrid! E ia sair dali antes do meu vôo! Discuti por uns 10 minutos com um funcionário da Iberia: eu alegando que se o vôo ia sair antes do meu, eu ia acabar chegando tarde para pegar ele em Madrid, e era ridículo eu perder um vôo que estava ali, a 15 metros de mim; ele dizendo que não podia fazer isso, porque havia a questão de imigração (o meu vôo era internacional chegando na Espanha, aquele até Madrid era doméstico, eu poderia acabar desembarcando em Madrid e entrando na Espanha sem passar pela imigração), porque havia a questão das malas (que estavam no outro avião), e porque, Madrid estando fechado, o outro vôo não poderia sair logo mesmo e ia me esperar. No fim, claro, ele ganhou e eu fiquei ali, olhando o meu vôo decolar.
Vinte minutos depois, fomos colocados em outro ônibus e levados de volta para o avião, onde decolamos, quase à meia-noite. E, sendo meia-noite, acabou o dia :-)
Na próxima parte: um dia em Madrid.