Segunda-feira, e mais névoa. Talvez um sinal do inverno chegando, mas não é acompanhado de frio de maneira alguma. Na verdade, confirmando aquele ditado gaúcho, depois que a neblina vai embora os dias ficam bem quentes.
Peguei novamente um motorista de táxi muito conversador, e que foi um dia casado com uma brasileira. Aparentemente o casamento não deu muito certo, porque ele está ali e a mulher está no Rio, mas ele disse que adora a cultura brasileira. Aproveitei a disposição dele para tirar algumas dúvidas que eu tinha sobre o país... Primeiro: todos os carros usados no país são realmente importados, não existe nenhuma fábrica lá. A maioria vêm da Europa, que é perto, mas com a economia indo relativamente bem estão começando a aparecer carros asiáticos. E os carros são mais caros que no Brasil, convertendo o preço para dólares. Aquele Fiat Punto que eu comentei, que parece o Palio, custa o equivalente a uns 20 mil dólares; o Palio tem um preço que fica mais perto dos 10 mil.
E a economia vai relativamente bem agora, apesar de alguma recessão e uma ameaça sutil de inflação, mas não foi sempre assim. Afinal, por algum motivo a moeda local se chama "*novo* shekel". Ele contou uma história que me soou familiar, sobre como o governo conseguiu reduzir a inflação e estabilizar a economia à custa de um aumento no desemprego e risco de recessão.
O almoço do dia foi um peru meio esquisito, e a novidade na empresa foi a chegada de alguns espanhóis da Lotus para acompanhar o finalzinho do projeto. As minhas conversas com eles foram todas em inglês, que era mais seguro...
Também passei um tempo durante o almoço ensinando algumas palavras em português para as moças que almoçaram comigo (duas americanas, uma israelense) e aprendendo algumas em hebraico... lembro agora de "boker tov", que é "bom dia", e "mazel tov", que é algo como "parabéns".
À noite saí para jantar, e antes procurei (conscientemente) um restaurante italiano no jornal. Achei um próximo ao hotel com um nome que soava bem, mas que agora eu não consigo lembrar. Algo interessante de mencionar sobre restaurantes é que, mesmo quando o cardápio é em inglês, ele é lido começando do fim, do nosso ponto de vista. Ou seja, se folheia ele de trás para a frente.
Comi um prato que tinha um pequeno calzone e massa carbonara. O calzone deles *não* é o que a gente chama de calzone aqui, e o molho carbonara muito menos. Os dois eram bons, mesmo assim. E me parece que era um restaurante familiar, e sou capaz de apostar que as duas garçonetes era irmãs gêmeas. Posso estar errado, claro, mas eram muito parecidas.
Na volta para o hotel vi, em frente a outro hotel, um carro cheio de propagandas e outros adesivos, com o capô transparente (deixando o motor à mostra), e com placa de... Buenos Aires. O carro obviamente não foi para lá rodando, mas não descobri nenhuma explicação para ele. Todo mundo que passava parava para olhar, claro...
Outra peculiaridade do dia: descobri que alguns outdoors que eu tinha visto eram realmente o que pareciam: propagandas de companhias telefônicas concorrentes instruindo os usuários a discarem o seu código (de dois dígitos) antes das chamadas. Lá também houve uma privatização recente do mercado telefônico, mas por enquanto a concorrência é só para ligações internacionais. Para ligações dentro do país, a companhia telefônica original (Bezeq) continua tendo o monopólio. E funciona assim: até uma data específica (01/03, acho), os usuários devem optar por uma empresa "default" para as ligações internacionais; é esta que vai ser usada quando eles começarem uma discagem com "00". Quem não optar ou quiser usar outra empresa disca 0xx no lugar, xx sendo o código da operadora. Um zero só; ligações dentro do país não começam com zero.
Terminei o dia assistindo futebol americano na TV, me parece que era o jogo da tarde de domingo... essa globalização realmente é interessante.
Na próxima parte: almoço em grupo e americanos bêbados.