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Dia 8 - 14.12.1999 - Tel Aviv

Esse foi um dia de muito poucas novidades. Amanheceu chovendo, ventando e com ondas altas, o que me propiciou a primeira visão de surfistas naquelas praias do Mediterrâneo. Exatamente dois surfistas. Também foi o dia mais frio de toda a minha estada em Israel, o que, acreditem, não quer dizer muito; não sejam enganados pelas fotos de vários centímetros de neve em Jerusalém que saíram nos jornais nas últimas semanas.

Falando no tempo... em Israel eles não são tão fanáticos por previsão do tempo quanto nos EUA, até porque o tempo ali é mais previsível que na maioria dos EUA; mas uma coisa que os israelenses são é muito politizados. Isso vem, acredito, da situação do próprio país, constantemente envolvido em negociações pouco ou muito violentas com seus vizinhos, e da necessidade de se estar a par de mudanças que podem impactar no dia a dia das pessoas diretamente. Isso faz com que não só as pessoas estejam muito a par dos acontecimentos recentes, como também que se veja comentários sobre isto até na previsão do tempo do jornal.

Exemplo para ilustrar: enquanto estive lá, o assunto principal nos noticiários eram as negociações com a Síria envolvendo a área do Golan, ao norte de Israel. O assunto é o seguinte: no final da década de 60 a Síria (que faz fronteira com o norte de Israel) tentou invadir Israel e tomar territórios próximos ao Mar da Galiléia. O resultado da guerra foi que Israel tomou um pedaço do território da Síria, que é o Planalto de Golan (Golan Heights, em inglês); logo em seguida o governo incentivou israelenses a se mudarem para lá e "ocupar" o território para estabelecer posse. E agora, nas negociações atuais, especula-se devolver o território para a Síria e trazer de volta todos os 30.000 israelenses que vivem lá. Então, a previsão do tempo para o fim de semana dizia algo como "céu claro, sol forte e temperaturas agradáveis; clima excelente para visitar o Golan sem um passaporte".

Em assuntos mais leves, a secretária da empresa se ofereceu para marcar "tours" para mim no fim de semana, e acabei escolhendo uma para o Mar Morto e vizinhanças, a ser feita no sábado. Ao marcar esta, ela descobriu que eu tinha direito a uma outra de graça para Jerusalém e Belém, então ficou uma para a sexta e a outra para o sábado.

O resto do dia transcorreu sem maiores eventos... saí à noite para jantar e fui surpreendido por uma chuvarada, o que me levou a entrar no primeiro restaurante que achei, e que era... italiano. Jantei uma lasanha extremamente discutível (era muito boa, mas não se parecia com nenhuma lasanha que eu já tivesse comido), e a sobremesa foi um tiramisu incrivelmente bom (o nome parece japonês, mas é uma sobremesa italiana envolvendo creme, chocolate e café, deliciosa).

No próximo número: música popular brasileira e comida popular israelense.

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